O que vou fazer
Nem tudo é teu — ou é apenas o que teus olhos alcançam entre as mil versões irreais de mim. O que a vida fez de mim é caos. Devo esperar onde não me encontro?
Peço que me esperes — mesmo neste tempo atemporal — e que não te acostumes com os milhões de motivos que tens para seguir… enquanto ainda observas pela janela aberta a esperança que nunca tiveste.
Dizem que o tempo cura o tempo. Um dia é como mil anos para os deuses, que são imortais, mas não conhecem o que a vida lhes negou: serem amados — como um banho quente no inverno da alma.
Volto já. Espera por mim. Se não houver quem me guie de volta, buscarei na finitude dos sonhos que tivemos — e farei com que, como em um sonho, eu me levante sã e te acorde do pesadelo.
E no dia em que teu cheiro invadir o quarto, trazendo consigo café, alegria e vida… que o sol retorne — aquele que deixou de brilhar quando eu não sabia o que fazer, mesmo sabendo que me perco sem querer. Até que percebas como é gostar de quem nunca fostes seu eu já terei ido e fechado a porta.












