as ninfas espalharam que aylin öztürk chegou ao acampamento e estão dizendo que se parece com aslihan malbora, mas deve apenas ser o poder da névoa o confundindo. ela tem vinte e oito anos e é do panteão grego, filha de atena e conselheira do chalé 6. dizem as más línguas que lis é arrogante, mas também é obstinada em seus melhores dias, por isso está na coorte um. espero que se adapte bem, estamos muito felizes por tê-la aqui!
resumo: aylin nunca soube quem eram seus pais verdadeiros, mas sempre soube que o casal que a criou até seus dez anos não eram seus pais biológicos. a dupla de professores universitários eram ótimos, ela jamais poderia dizer ao contrário, mas aylin.. era complicada. a vida toda, o único lugar que conhecera antes de chegar ao acampamento foi a cidade de turim, na itália. sempre a intrigou o modo como os pais eram tão inteligentes e ainda assim tinha problemas com aprendizagem e até mesmo de foco - o que era estranho, porque se fossem assuntos de seu interesse, a menina compreendia com grande facilidade. juntando isso com os problemas em controlar a sua raiva e temos uma criança considerada problemática. não era que a jovem aylin gostasse se arrumar confusão, longe disso, ela apenas não ficava quieta quando alguém zombava da sua dislexia ou seu problema de se concentrar na sala. quando os problemas pareciam sem solução, os pais começaram a educá-la em casa. sentia-se uma aberração entre eles e movida por um ato de impulso, fugiu de casa. passou algumas semanas na rua, com um grupo de crianças, que pouco tempo depois veio a descobrir que se tratavam de semi-deuses e todos estavam indo para o mesmo lugar.
conexões
biografia
é estranho saber que é diferente mesmo antes de saber? aylin é a filha adotiva de um casal de professores universitários, que se mudou para a itália antes da menina completar um ano. ela fora entregue na frente da porta da casa deles, sem nunca ter conhecido seu pai ou mãe biológicos. o único pedido era que a protegessem, pois ela estava fadada ao caos. crescer em uma casa com dos professores e ainda sim ter problemas de aprendizagem sempre geraram muitas dúvidas, visto que os pais sempre estiveram dispostos a amparar no que fosse necessário.
mesmo que tivesse dificuldade de aprender, tinha uma facilidade enorme para gravar coisas que eram do seu interesse, como nomes de livros, armas e filmes. aylin sempre tivera muita paixão por coisas que a trouxessem mais informações e aprender sobre guerras estavam em primeiro lugar na sua lista de hobbies - meio clichê para uma filha de atena. mas qualquer coisa que envolvesse lógica, números ou que necessitasse atenção extrema, era descartado para ela. começou apresentar também, ainda na infância, alguns problemas de controlar a sua explosão, o que a levou a trocar algumas vezes de escola. sem saber muito bem o que fazer com a menina, os pais a colocaram em uma escola de artes marciais para criança. o que parecia ser uma solução se tornou um problema quando aylin parecia ter mais força e sabia como derrotar os colegas sem muito esforço.
exaustos de serem chamados e terem a filha tida como “problemática”, aesther e ozan decidiram que ela seria educada em casa. a mãe deixou de trabalhar nos dois períodos da universidade para poder dar atenção total a filha, enquanto ozan assumiu mais turmas. aylin gostava de estar com a mãe durante o dia, assim tinham um tempo que não havia tido com eles quando mais nova. aesther começou a perceber que os problemas da menina iam além de déficit de atenção, a dislexia estava tão presente quanto. não sabiam mais como ajudar e se sentindo uma aberração no meio dos pais inteligentes, aylin fugiu de casa.
é claro que os mais velhos a procuraram por tudo que puderam, afinal, ela tinha apenas dez anos e uma criança sozinha nas ruas de turim era perigoso. não demorou muito para que um grupo de crianças também aparecessem. na verdade, não eram todos criança. tinham um cara mais velho entre eles, mas que cuidou muito bem de aylin nas semanas que eles seguiam vagando pelas ruas. e um grupo que ela conheceu com apenas três, agora estavam em sete. foi nesse momento que ela foi apresentada ao acampamento que moraria pelo resto de sua vida.
antes de ser reclamada por atenas, aylin passou algumas semanas no chalé de hermes. aquela bagunça a deixava tão atormentada, que basicamente implorava que alguém a reclamasse, apenas para poder se ver livre de toda aquela bagunça. quando atena a chamou, ficou tão óbvio que não conseguiu esconder a emoção de ser filha da deusa.
maldições e bênçãos:
benção de poseidon - dom com animais. em uma das vezes que saiu em missão, aylin sempre fora aquela que sacrificaria a sua vida para salvar a de outra pessoa. e foi o que fez em uma das missões que saiu com mais dos campistas, escolhendo salvar a vida do filho de poseidon. o dom lhe permite que ela sinta e até mesmo saiba o que os animais estão pensando;
benção de apolo - pontaria perfeita. recebeu a benção após ter cumprido a missão lhe que fora dada diretamente pelo deus - e a executou com maestria, como tudo que era feito. a benção é um dos seus maiores presentes, visto que não existe errar o alvo quando qualquer objeto que ela usa, é capaz de seguir seu objeto final;
maldição de morfeu - pesadelos reais. como consequência, por ter escolhido o filho de poseidon, ela pagou sofrendo a irá de morfeu, que a amaldiçoou com o pior que podia. todos seus pesadelos se tornam, em parte, reais. a maldição poderia ser pior, mas é aterrorizante para aylin acordar no chalé 6 e ter um espantalho sem os olhos nos pés de sua cama.
poderes e habilidades:
aegis divino (ativa): para usar essa habilidade, é preciso ter seu escudo em mãos. convocando, então, a imagem da medusa sobre ele, será abençoado como um reflexo na parte frontal do objeto, detendo seu poder característico de visão medonha, embora naturalmente em nível inferior. mas aylin precisa ter cuidado, pois afeta a ela também.
vigor de batalha (passiva): por atena ser conhecida como uma das deusas com maior capacidade de combate em todo o panteão, sua habilidade lendária é passada a sua filha, tornando-se quase que imbatível em combates corpo-a-corpo. é extremamente capacitada em combate físico, armado ou desarmado, bem como tem capacidade para prever movimentos e golpes marciais por pura dedução e leitura muscular.
indução emocional: capacidade de induzir sentimentos a outros, sendo eles bons ou ruins, podendo sentir e manipular as emoções, incluindo sentimentos, estados de espírito e seus efeitos, seja em si mesmos, em outras pessoas e outras criaturas, podendo aumentar ou diminuir as emoções já existentes.
arsenal:
lança da escuridão - feita de algum material escuro e leve, a lança é a arma qual aylin tem mais habilidade. a mesma é camuflada em uma espécie de lápis de escrever, que está quase sempre atrás da orelha da menina ou em seu bolso, visto que precisa ser de fácil acesso. a arma se transforma quando girada entre os dedos - o que já causou alguns problemas para a menina.
coruja protetora - é um pingente de coruja, muito bonito, que simplesmente aylin não desgruda. ela o usa desde que chegou no acampamento e foi reclamada por atenas, pois sabia os grandes feitos que a filha poderia fazer com o objeto. demorou algum tempo para que ela entendesse como funcionada, mas o objeto se transforma em um escudo quando acionado.
adagas da sorte - um bracelete de ouro branco, muito delicado, que parece ter sido entalhado com ramos, que quando empunhado de modo correto, se transforma em duas adagas pequenas, quais aylin gosta de treinar tiro ao alvo.
E como ele preferia que ela tivesse. Irônico, não? William que em todas as oportunidades que tivera, implicou com a filha de Atena, sempre resmungando que ela nunca ficava calada, que tinha sempre uma resposta pronta para tudo. Agora se pegava desejando que ela tivesse algo a dizer, que nem fosse para xingá-lo ainda mais, ser ácida, ou coisa assim. Ao que parecia, Aylin finalmente descobrira a única coisa que deixava o Blue realmente incomodado. A indiferença. Ele sabia lidar com todas as situações, das mais agradáveis, as mais desconfortáveis. Mas não sabia lidar com a indiferença das pessoas. Foi assim em relação a Zaya, mas achava que era por ela ser alguém importante, por quem nutria algum carinho, ou sentimento que fosse positivo. Lutava para entender por qual motivo também ficara desconfortável com isso vindo de Lis, mas não insistiu no diálogo, não por hora. Apenas disferiu o golpe, nenhum pouco surpreso por ela ter conseguido esquivar, pois ele havia pegado leve. A surpresa veio no momento do ataque não programado, os olhos arregalados denunciavam o espanto. Olhar desviando dela, para a camisa rasgada. “Mas que… Não era esse o planejado, Lis.”. Agora sim, ela estava mais perto da Lis que ele conhecia, mas ainda existia dificuldade em reconhecê-la. Bufou, tomando novamente a postura de ataque, calculando e planejando o que faria. Em um pensamento, moveu-se na direção dela, mais rápido dessa vez, usando de uma corrente de ar para uma aproximação por cima.
por mais que não gostasse de soar como alguém arrogante, aquele caso era específico. aylin não odiava william, mas desde que se lembrava, eles eram polos opostos que atraiam gritos e xingamentos, por vezes desnecessários, e ela estava farta de sempre acabar irritada por algo que a própria havia instigado. a decisão de não ser a típica filha de atena que ele já conhecia surgiu da vergonha que sentira na noite, quando ela percebeu que ele conhecia outro lado dela qual não se lembrava e não queria dar mais motivos para ter seus momentos ébrios jogados em sua cara. deu de ombros levemente, esticando o pescoço para o lado esquerdo e voltando a ficar séria. “ eu não sabia que em combate os ataques são planejados. ” sua voz saiu quase como um murmúrio. ela não queria conversar, era evidente, mas aylin não conseguia ficar quieta, nem mesmo por um segundo que fosse. enquanto ele parecia planejar o próximo ataque, puxou a adaga da mão direita para dentro, a transformando em posicao de ataque enquanto a canhota ainda permanecia na defesa. ela não era ambidestra mas sabia muito bem como fazer as duas coisas, atena facilitava naquele quesito. assim que viu a figura mais alta do que estava acostumada, rolou para o lado e ficou apoiada em um dos joelhos, fitando a figura dele, como se o instigasse a segui-la pelo tapete de treino, com um sorriso no canto dos lábios.
Voltando à ativa e à rotina normal antes da missão, retoma os treinos com o aprendiz de legionário que treinava há algum tempo. Diferente do que sempre recomendava aos seus calouros, seus olhos não parecem muito atentos ao treino. O corpo e os reflexos apurados o ajudam a não apanhar, mas se não fosse por isso, levaria um belo soco do aluno. A filha de Atena o instigava na mesma proporção em que ele evitava ter qualquer tipo de conversa para não ter abertura de receber perguntas de volta. Mas se ela era como ele naquele aspecto, por que não aproveitar a companhia de alguém tão desapegado quanto ele, que não iria lhe encher de cobranças no dia seguinte? Apesar da fama, não era excelente em abordagem, então um esbarrão proposital após o treino é sua forma de chamar a atenção de Aylin. “Foi mal.” Responde meio grosseiramente, então vira-se novamente para ela. “Ah, o seu treinador nunca te avisou que seu uppercut parece fraco, sem firmeza? Quer dizer, eu estava longe e consegui notar.” O comentário por pura implicância, a ironia na voz em evidência até para quem não o conhecesse bem.
desde a noite dos espíritos, seu treinamento havia ficado mais intenso - ora sozinha, ora acompanhada do seu treinador, ela despendia mais tempo que antes para melhorar, fosse os golpes sem armas e de autodefesa como os que estava armada. apesar de não precisar, visto a benção de apolo, ela gostava de se garantir do que correr o risco. já havia finalizado pela manhã e estava retirando as bandagens das mãos, quando sentiu o toque brusco contra o seu corpo. estava prestes a reclamar quando viu a figura a qual foi direcionada, abrindo um sorriso de canto. “ tanto tempo longe do acampamento e desaprendeu boas maneiras, harrington? ” o tom que usara era mais leve e divertido do que realmente estivesse o provocando. eram poucas palavras que trocavam e aylin agradecia por ser assim - tinham uma reputação a manter e não queria pessoas espalhando inverdades. “ ah, não. na verdade, ele já elogiou algumas vezes. você achou que eu mesmo que eu estava batendo fraco? puxa, preciso melhorar então... ” seu tom acompanhava o dele, um pouco mais debochado. talvez realmente estivesse com a mão um pouco mais leve, por conta da dor que irradiava, as vezes, pelo soco que desferiu na noite dos espíritos.
Heather acredita ter diversos talentos, era muito bom em plantar e cuidar da terra, dedicava tanto amor na fazendo que tinha conseguido aquele dom de fazer as coisas simplesmente nascerem. Hathor havia sido uma deusa ligada a maternidade, era um detalhe que era importante para o jovem semideus, entendia um pouco dessa imagem dela quando trabalhava nos estábulos e na fazenda em si, cuidar era algo que ele realmente amava fazer e quase sempre tinha sucesso em tudo que precisava disso, atenção, dedicação e amor.
Porém, esse talento parece falhar um pouco na cozinha, havia tido tantas aulas e diversas tentativas, algumas com grande sucesso, porém outras com uma falha visível. E naquele momento, ele procurava saber qual havia sido o resultado daquela nova aventura gastronômica: torta de carne. “Só um pedaço, vai. Só uma mordida, apenas uma única mordida” Os olhos grandes de Heather estavam direcionados para o rosto feminino com o máximo de brilho possível para que ela entendesse o recado.
aylin não era uma pessoa difícil de agradar quando a questão era comida, ela podia comer pedra refogada com alho que ia achar uma delicia - não sabia explicar se fora as semanas morando na rua ou a boa introdução alimentar, mas nunca fazia desfeita. desde que a comida tivesse uma boa aparência. o que não era bem o caso quando heather lhe estendeu a torta de carne. lis não era rude sem motivo e não seria diferente com o menino e a apetitosa comida que ele havia preparado. tentou desconversar sobre recém ter saído do treino e estar sem fome, mas ele parecia fazer questão que acabou por se dar vencida. “ certo, certo! eu dou uma garfada! ” pegou o talher em mãos e retirou um pedaço a sua aventura gastronômica e a analisou, levando até a boca. mastigava lentamente, sem saber se o rapaz esperava que esboçasse alguma reação.
O silêncio sempre foi algo agradável aos ouvidos do Blue, mas era tão incomum entre ele e Aylin, que o estranhamento chegava como forma de arrepio no pé da nuca. Alguns poucos fios de cabeço se ouriçavam, como acontecia sempre que ele saía em missão, e tinha de estar alerta aos monstros. Não que fosse o caso da turca, mas ainda assim, algo ali parecia não se encaixar e por isso, William ficava apreensivo. “Só isso?” Questionou de imediato, observando-a retomar a postura, enquanto ele continuava com os punhos baixos, segurando as armas sem a menor vontade. “Digo, não entenda como uma provocação, mas você sempre tem algo além para dizer.”. Fosse uma resposta engraçadinha, capaz de tirá-lo do sério, um revirar de olhos, ou até mesmo um sorriso debochado. Tinha uma lista de coisas que aconteciam durante suas interações, e a ausência delas era incomoda. Por um instante se viu perplexo, pois sempre imaginou que quando Aylin se silenciasse diante dele, seria motivo de festa. Mas não era assim que ele se sentia. Suspirou, dando-se por vencido no momento. Assumiu sua postura de ataque, e anunciou que faria a aproximação, apenas para que ela realmente se preparasse para o momento. As lâminas em sua direção, não tinham a força habitual do filho de Taranis, eram mais fracas, como se lamentassem, não o treino em si, mas a situação em que se encontravam.
ele tinha razão, aylin poderia falar pelos cotovelos e cuspir todos os costumeiros xingamentos que faziam questão de trocar, as farpas e qualquer provocação, mas não hoje. ela havia prometido a si mesma, na noite dos espíritos, que aquele comportamento estava acabado. aquilo estava a colocando em mais enrolação que ela queria e não seria a própria que puxaria a corda para se enforcar em uma situação fada a uma briga ainda maior - e se quisesse ver assim, havia desistido. “ hoje eu não tenho muitas coisas a serem ditas. ” talvez tivesse, mas não para william. ela poderia ser cordial, dar bom dia, despender do tempo programado para o treinando e depois seguir seus afazeres diários, sendo cordial com o mais velho. quando ele a atacou, deu dois passos ligeiros para trás, desviando do ataque. ela não iria ceder, por qualquer que fosse o motivo que o filho de taranis não parecia estar fazendo o seu habitual. aquilo a irritou, de uma forma boba, mas ainda sim a irritou. ela não precisava que ele pegasse leve, por isso moveu-se rapidamente para frente, abaixando e acertando um corte perto da costela dele, com precisão o suficiente para apenas fazer um rasgo no tecido. voltou a posição de defesa, esperando o próximo ataque dele.
“se depois puder me passar essas dicas, te falo se funcionam ou não”, riu baixinho. por mais que acreditasse que algumas coisas funcionavam para uma boa noite de sono, uma boa refeição e essas coisas para uma ‘vida melhor’, haneul não era muito adepta delas, no fundo achava uma pequena perda de tempo, preferindo ser nocauteada pelo cansaço. a filha de nemesis não esperava aquela fala de aylin, era um pouco estranho ouvi-la falar que gostava de sua companhia, porque sentia como se seu rosto fosse explodir tamanha vergonha, ao mesmo tempo em que se sentia feliz. para ela aylin era uma das semideusas que mais admirava no acampamento e não via motivos para esconder isso. “obrigada, aylin…”, agradeceu sincera, sem tirar o sorriso amigável dos lábios e então assentiu, sentando-se na frente da semideusa. “tudo bem, tudo bem! eu não queria ir mesmo, sei que vou ficar olhando pro teto até o dia amanhecer por medo de pregar os olhos, não aguento mais”, cruzou as pernas, suspirando baixinho. “é, mas as pessoas aguentam de formas diferentes, não é? e além do mais tem tantas coisas acontecendo em pouco espaço de tempo que eu realmente não sei explicar como ninguém teve uma crise até agora. o que é bom, claro. mas sabe… só queria passar um mês, um pequeno e doce mês, sem algo para me preocupar”, fez uma breve pausa antes de perguntar: “qual… qual a melhor maneira, que você acha, para lidar com o medo de perder as pessoas com que se importa? tipo… como não deixar isso dominar sua cabeça?”, desviou o olhar para as próprias pernas, pensando naquilo mais uma vez.
“ assim que eu conferir com a filha de deméter, eu lhe passo as dicas. ” bebeu um gole da água que havia sido oferecida, limpando o pouco que escorreu pelo canto e devolveu a garrafa para a devida dona. ela alternava entre longas horas de sono, depois de dias exaustivos e pouco dormidos e extensas noites qual não conseguia dormir mais que algumas horas porque os pesadelos constantes lhe atormentavam antes mesmo que pegasse em um sono profundo - o morfeu fazia bem o seu trabalho quando se tratava de torturar e garantir que não dormisse. “ você não tem que me agradecer e espero que saiba disso. ” sua voz era firme. não precisava agredecer porque não era um favor, ela gostava de haneul porque era fácil e agradável estar na companhia da garota. ela compreendia bem a sensação de encarar o teto por horas, até que o sono ou cansaço vencessem e tivesse que ceder para ao menos se liberar daquela agonia de pensamentos. “ medo? a questão do traidor ainda tem tirado o seu sono? haneul... ” chamou, sem muito certa sobre o que dizer. ela até acreditava que poderia haver um traidor, mas se ele não havia atacado até agora, não seria depois do alerta de lauren que iria acontecer. “ sei que é mais fácil falar do que fazer, mas se tiver perdendo o seu sono pelo que aconteceu na noite dos espíritos... você não tem que perder seu sono por isso. não acho que com todos alerta, ele possa tentar alguma coisa. ” a pergunta dela a pegou de surpresa, sem saber o que responder, de forma honesta. ela não queria ser a aylin que desviava dos assuntos para se proteger. “ não posso te responder isso. não quando eu ainda não aprendi. ” mesmo que fizessem anos, toda a vez que mencionavam perder alguém querido, a imagem de maggie vinha a sua mente em flashes. “ mas eu não acho que exista alguma coisa que nos prepare para isso, infelizmente. o medo, quase nunca, é irracional. as pessoas tem medo porque perder o controle, alguém ou se sentir fragilizado é assustador. e cá entre nós duas, acho que somos as pessoas mais suscetíveis. ” referia-se ao fato de serem semideuses.
Aquele foi sem dúvidas o bom dia mais seco que William já recebeu, e tinha uma razão para ser, por isso não disse nada, apenas o sentiu. Repousou a caneca de café em uma das rochas achatadas ali perto, era interessante como conseguiram manter o coliseu como sempre, sem modernizar o lugar. Abriu a mochila que trazia consigo, tirando as bandagens e começou a envolver nas mãos, tomando seu tempo, não tinha ansiedade para encarar Aylin outra vez. Assim que ajustadas e firmes nos punhos, ele caminhou até o painel de armas. Costumava preferir o corpo a corpo, mas abria algumas exceções para alguns campistas mais disciplinados, como a que estava presente, e uma outra que tinha como favorita de treinos. Pegou suas adagas e voltou-se para Aylin finalmente. Podia sentir o rubor nas maçãs no momento em que o olhar encontrou o dela. Era estranho que estivessem em pleno silêncio, costumavam ser tão implicantes, falantes e provocativos um com o outro. “Certo, vamos treinar sua defensiva.”. foi breve, esperando que ela assumisse a postura para que fizesse o primeiro ataque. Ou era o que ele pretendia, já que cada vez que o olhar recaia sobre Aylin, lhe vinha um flash da noite anterior, do quão péssimo e invasivo ele foi. Sacudiu a cabeça algumas vezes para se livrar das memórias, mas cada vez que fazia, elas pareciam grudar mais. “Eu não consigo fazer isso, Lis. Não hoje.”. Afirmou, baixando a guarda e a cabeça. “Te devo um pedido de desculpas, mesmo que não queira aceitar, fui um completo idiota ontem com você.”.
esperou que ele ficasse pronto em silencio, sem trocarem muitas palavras como de costume - mesmo que quase sempre fosse alguma implicância sem motivo. naquela manhã, ela não tinha porque faze-las e percebeu que tampouco o mais velho e preferia que fosse daquele jeito. ele sequer tinha lançado qualquer olhar em sua direção ou a encarado diretamente e sabia porque. ou ao menos, já imaginava. não fazia questão que fossem nada além de colegas de treino e se aquilo resumisse suas manhãs em singelos bom dia, que assim fosse. até mesmo preferia. sua expressão era o mais neutra possível quando seus olhos finalmente se encontraram - a boca relaxada, os olhos e têmporas sem nenhuma ruga de expressão tão costumeiros e os ombros elevados apenas por estar com a arma em mãos, com um pré-ataque pronto. assim que ele informou qual o tipo de treino, trocou o peso da perna esquerda para a direita, assim escaparia de qualquer ataque que poderia vir dele. manteve a guarda alta, com as adagas voltadas para fora e os punhos na altura do peito. viu que ele não tomou nenhum passo a frente, mas manteve na mesma posição. quando vacilou, permaneceu sem expressar reações, apenas assentindo. “ desculpas aceitas. ” ela não havia muito mais a dizer que aquilo. não havia aceitado de fato, afinal tinha sua parcela de culpa, mas aquele era um assunto enterrado para ela. novamente tomou as adagas em mãos, armando posição de defesa.
Dizem que pior do que a ressaca física, é a ressaca moral. William não conseguia opinar sobre isso, pois nunca foi do tipo que passava dos limites na bebida. Ao menos não depois que retomou seu cargo como vice-centurião, coisa que lhe cobrava bastante disciplina e postura. Mas depois da noite dos espíritos, ele começava a ter alguma propriedade no assunto. Tomando seu café rumo ao coliseu, ele tinha flashs da conversa com Aylin. O jeito ousado e um tanto abusivo, que não encaixavam no perfil de William, lhe davam embrulho no estomago. Como pode ser tão baixo? Se perguntava internamente. Lembrava do soco, do sorriso sádico, que só costumava dar na companhia de Zaya, pois ela entendia esse lado dele. Não entendia? Suspirou. Tinha tantas coisas na cabeça, e ainda tinha que treinar. Apontou em uma das saídas da arena, quando avistou Aylin de costas. ‘santo Zeus!’, pensou ironicamente. Havia esquecido que o treino do dia era com ela, e ainda não conseguia encarar a filha de Atena depois de tudo. “Bom dia, senhorita Öztürk.” disse, virando a cabeça na direção completamente contrária. “Vamos começar?”
acima de tudo, aylin sentia-se envergonhada pelo jeito qual havia se apresentado. ela não era alguém que perdia o controle fácil, tampouco na presença de outras pessoas, mas o filho de taranis tinha alguma coisa que a fazia despertar aquele lado irracional e que ela detestava dentro de si. em seu amago, reconhecia que não era fácil de lidar mas ainda sim sabia que o modo que havia sido tratada não condizia com que de fato era o correto. até poderiam, ambos, culpar as emoções da noite e o álcool que haviam ingerido, mas a morena tinha a filosofia de que estar entorpecido só lhe trazia à tona aquilo que tinha vontade de dizer e fazer sóbrio. ela ainda se lembrava - mesmo que não quisesse - do olhar dele sobre si, as palavras que haviam sido proferidas e de todo o resto. era tão vivo em sua memória, como se fosse uma fita em constante repetição, demonstrando a vergonha que havia passado. quando ele se afastou, na noite dos espíritos, ela prometeu a si mesma que jamais cederia para aquele jogo novamente. seriam apenas colegas de treino e campistas, nada além daquilo. saberia manter uma boa convivência, fazia assim com os demais, e com o motivo de sua mudança não seria o oposto. até mesmo seu apelido na voz de william parecia retumbar em sua mente de forma constante para lembrá-la de que eles não eram amigos, que ele a detestava assim como ela. a figura dele chegando no coliseu a fez retesar o corpo antes relaxado, enquanto passava as faixas na ão machucada. assentiu com a cabeça ao bom-dia dele, sua voz saindo audível porém baixa. “ bom dia, senhor fitzgerald. ” sucinta, a resposta para a pergunta dele fora sacar as adagas do bracelete, uma em cada mão.
Fazia caretas como uma criança mimada a cada palavra dita por Aylin. Logo que percebeu a criança olhando para si, parou com a implicância e voltou a sorrir. Clarissa parecia alheia às alfinetadas que rolavam ali, e por mais bobo que fosse, não conseguia parar. “ ━━ Zona é bagunça? Igual o seu chalé, titia? ━━ ” A pequena perguntou, mas a surpresa pela esperteza foi tanta, que ela sequer conseguiu ficar brava. “ ━━ Clarissa! ━━ ” Falou num tom falsamente firme, deixando escapar o riso e sendo acompanhada pela menor. “ ━━ Não sejamos injustos. O chalé é organizado, meu lado que é um pouco… fora de ordem. ━━ ” Falava com ela, um pouco mais baixo, mas logo voltou seu olhar para a Ozturk, controlando o riso e mudando drasticamente a expressão para uma mais séria. O sorriso falso, de quem queria disfarçar na frente da sobrinha. “ ━━ É, a vida é assim mesmo, acontecem coisas… ━━ ” A criança largou da mão dela e foi em direção à entrada do chalé, interrompendo a loira, que correu atrás dela. A pequena falava com Aylin, pedindo para ver o chalé. “ ━━ Não, Clary, esse chalé é chato. Vamos ver outros, vem. ━━ ” Chamava-a com a mão, mas a outra insistia, com os olhinhos encarando a filha de Atena.
não conseguiu conter a vontade de rir quando a garotinha comparou o que alylin havia dito com a situação do chalé de dionísio. não pensava que seus filhos fossem daquilo tipo, esperava que o chalé de hermes fosse - e pelo que bem recordava quando passou um tempo lá, eram mesmo. negou com a cabeça enquanto via a cena a frente. ela esperava que a dupla logo sumisse de seu campo de visão para que pudesse assim focar no que realmente lhe interessava pela manhã - os filhos de apolo. “ realmente acontecem coisas, né, madelaine. aliás, se vir o magnus por ai, diz que eu mandei um oi para ele. ” assentiu, com os braços cruzados em frente ao corpo. assim que a figura pequena parou a sua frente, retesou o corpo e negou com a cabeça, apontando na direção da tia dela. “ voce quer conhecer aqui dentro? apenas se prometer que não vai tocar em nada, combinado? ” ela não gostava de crianças, mas desgostava ainda mais de madelaine e faria de tudo para que a visse um pouco irritada nem que fosse.
Soprou um riso com a resposta de Aylin, e balançou a cabeça para os lados em negação. Então até isso eles tinham em comum? Era coisa demais. “Tão bem, que nem eu sabia. Ao menos não até agora.”. retrucou, tocando a ponta do nariz dela com o indicador de forma divertida. Conseguia e gostava de ser leve com ela. Diferente das outras com quem ele geralmente tinha um comportamento possessivo. “Oh, prometo não tomar muito do seu tempo.”. brincou de volta. A mão espalmada nas costas da mais nova, seguia conduzindo-a até o chalé que sugeriu, não tardando para que já estivessem no lado de dentro, a com a porta fechando atrás de Magnus. Dizer que existia alguma urgência por Aylin em seus braços, seria um tanto redundante. Desde o momento em que a seguiu, até o instante aquele chalé, isso já estava claro. Então, assim que constatou que estavam isolados no espaço, Magnus foi de encontro a mais nova. As mãos outra vez lhe alcançaram a cintura, puxando-a de encontro a própria. “Finalmente a sós.”. um suspiro acompanhou a frase, antes dele tornar a selar os lábios nos dela.
“ mas se você souber de tudo sobre mim, perde a graça, não acha? ” ela ão tinha intenção de compartilhar grandes coisas com magnus, assim como sabia que ele tampouco tinha com ela. o que eles tinham, seja lá qual era o nome, era apenas física e não deviam satisfação ao outro, o que era bom. desde o desastre que havia sido seu último envolvimento, aylin prezava por aquilo que não a desviaria de seu foco. soltou uma risada baixa com a fala dele. ela não se importaria nenhum pouco de despender mais que alguns minutos com ele porque sabia que ia valer a pena. assim que atravessou o batente da porta e fechou a mesma atrás de si, já podia sentir a respiração ficando mais pesada. o toque era urgente, preciso e ela sabia o que queria, com seus lábios deslizando sobre os dele. “ achei que nunca ficaríamos. ” disse contra a boca dele, num sussurro e puxou a mão alheia em direção suas costas e levou a canhota em direção ao pescoço dele, começando a dar passos a caminho do sofá.
Deu de ombros, fazendo um pequeno bico de desdém. Sempre tinha alguém que desacreditava quanto a sexualidade dele, talvez por ele ser sempre tão fechado, frio, seco e indiferente. Completamente alheio ao estereótipo de um homem bissexual, coisa que ele francamente achava ultrapassado, julgar a imagem dos outros. Torceu os lábios outra vez, e segurou o revirar de olhos, que era tão corriqueiro entre os dois. “Por favor, Aylin. O senhor M. tem coisas mais relevantes para se preocupar, do que a forma como eu trato ou deixo de tratar uma colega campista.”. e talvez ele realmente tivesse, considerando todo o caos que o acampamento tinha passado nos últimos meses, e seu esforço para que as coisas retomassem uma normalidade. Além disto, William tinha um certo peso, não seria hipócrita de dizer que não. Era um campista valioso, bom guerreiro, disciplinado, estava ali para literalmente tudo. E Taranis sempre se garantiu disto, um soldado para ele e os outros. Odiava que sempre pensassem duas vezes antes de puni-lo, mas em alguns momentos se aproveitava disso. O sorriso debochado se ampliou nos seus lábios por curtos segundos, quando ouviu o quase xingamento. Desfez-se no momento em que sentiu o soco, virando um pouco o rosto para o lado contrário ao dela e seu punho. Podia sentir o local quente, ardendo levemente, demonstrando que ela tinha ocasionado um pequeno corte em sua maçã do rosto. Os dedos da destra apenas constataram isso, quando tocaram a face e voltaram pouco úmidos. Tornou a olhá-la, o sorriso doentio lhe desenhava os lábios. Tão largo, que era capaz de ir de orelha a orelha. “Oh, eu não parecia tão babaca e repulsivo quando me puxou para baixo do chuveiro com você, Lis. E não querida, não estou me gabando de um ‘e se’, estou apenas constatando fatos. Você…” intensificou a pausa, voltando aquela proximidade de antes, a que permitia ver seu reflexo nas orbes escuras da menor, e sentir sua respiração contra o novo corte em seu rosto. “Não faz o meu tipo, querida.”. completou, mesmo que fosse uma mentira, mesmo que naquele instante Aylin tivesse na altura quase igual a sua, na mente do Blue apenas viam flash’s do instante no banheiro. A água que caia sobre eles, as mãos da semideusa grega em seu pescoço, o rosto contra seu peito e os risos. O som dos risos divertidos de Aylin ecoavam em sua mente, e ele a odiava por isso. Mas odiava ainda mais o fato de não conseguir, nem por um momento, continuar odiando-a depois de vê-la tão livre, solta e vulnerável.
o que william havia dito não era nenhuma mentira, o senhor m. realmente havia coisas mais pertinentes a serem ouvidas, mas ela acreditava que uma reclamação bem feita contra ele poderia lhe dar alguma dor de cabeça, ao menos. mas o mesmo tempo, não queria correr o risco de perder o seu treinador e sabia que seria uma das primeiras coisas que seria mudada, caso levantasse qualquer reclamação contra o filho de taranis. ela precisava aprender a ficar quieta, aceitar que estava errada mas aquele não era um momento. algumas pessoas começavam a olhar na direção deles e e sentia intimidada, pois não era de brigar, não diretamente. todas suas desavenças eram resolvidas dentro do coliseu ou coisa do tipo, pois sabia que podia se garantir e ao menos sair empatada - era um pouco covarde da sua parte, mas discussão estava longe de ser seu forte e ela preferia não a fazer. sua mão estava vermelha, mas não cortada, e ficou olhando a pele mudar de cor de acordo com o tempo que passava. aquilo ia lhe causar bom um hematoma e talvez algumas dores. enquanto ainda fitava o punho, percebeu ele diminuir de tamanho e assim, o cabelo tocar suas costas. presumiu que estava de volta a sua versão original, por assim dizer. “ você é o ser humano, semideus, o que for, mais repulsivo que eu tive o desprazer de conhecer, william. ” constatou que havia voltado ao normal quando ouviu a sua voz. fervilhava de ódio e aquilo era uma bomba relógio para uma confusão ainda maior. a aproximação dele a fez cerrar a mandíbula, demonstrando o claro desagrado que havia entre eles. não deveria haver nenhuma outra pessoa no mundo que a fizesse se sentir tão desgostosa na presença alheia quando ele. “ você até que flerta bastante com quem não faz o seu tipo. isso tudo é fetiche em ser rejeitado? ” sua voz saiu áspera, rude, coisa que nem sempre aylin era. odiava assumir aquela posição grosseira, mesmo quando necessário. as pessoas tinham a mania de subestimar mulheres quando elas se posicionavam, as chamando de loucas e quase sempre desmerecendo os motivos de uma briga qual haviam explodido. no caso da turca, era a arrogância de william que batia de frente com a sua. ela não entendia o que acontecia para agir daquele jeito na presença dele, mas cada célula, musculo e pedaço de pele seu reagia em repulsa a ele, quase como se fossem tão parecidos que a própria situação os fazia se repelir. “ e sai de perto de mim, eu tenho nojo de você. ” cuspiu as palavras, dando alguns passos para trás, dando de costas na árvore.
Madelaine ouvia muitas histórias sobre amizades que surgiram nas missões. Era comum que quem passasse por certos perrengues, arriscando suas vidas, acabassem se aproximando e criando um vínculo após tudo acabar. Mas e quanto às inimizades? Bem, era fácil se desentender durante um momento tão crítico quanto uma missão, especialmente quando sua parceira não é exatamente fácil de lidar. Debochada e insubordinada, desdenhava dos planos estratégicos de Aylin todo o tempo, e não importa que isso tenha sido anos atrás, as duas se alfinetavam até hoje como se a briga tivesse sido no dia anterior. Passeava com Clarissa, mostrando os chalés e lhe explicando tudo o que a menina curiosa perguntava. Assim que passou pelo chalé seis, os olhos encontraram a figura da Öztürk, e abriu um sorrisinho no canto dos lábios. “ ━━ E aqui, Clary, é o chalé dos chatos. Quer dizer, dos filhos de Atena. ━━ ” Falava com a pequena, mas alto o suficiente para ser ouvida pela outra. “ ━━ Dizem que são os mais inteligentes, e eu sei que são, mas também são muito certinhos, chatos, sem graça, sabe? ━━ ” Apesar da implicância boba e da clara imaturidade, tomava cuidado com as palavras que usava, não por Aylin, mas para que a garotinha não reproduzisse palavras feias por aí. “ ━━ Ah, oi, Aylin, não te vi chegar. Como vai? ━━ ” Cumprimentou, como se falasse com uma velha amiga.
não era difícil para aylin nutrir uma desavença, mesmo que não gostasse, bastava alguém ser oposto ao que ela acreditava ser uma boa pessoa que pronto, já caía na “lista” que ela faria questão de não demonstrar empatia. ela não era ninguém importante ali dentro, mas o caso com madelaine era diferente. anos antes, em uma das primeiras missões logo a sua trágica perda, ela estava desdenhando de um dos planos mais bem feitos que a filha de atena tinha o prazer de ter bolado, completo e sem falhas, se fosse julgar rapidamente. eram tão poucas que sequer se preocupou em mencioná-las. para o seu azar, a loira parecia ter certeza que daria errado e começou a enumerar as mais diversas coisas, lhe frustrando no meio do caminho - fora a insubordinação com uma de suas irmãs, líder da missão e que morava no acampamento na época. a ver em sua frente, novamente, trouxe sentimentos guardados e sem muita importância, mas que ainda tinha um que de engraçado. “ a são aqui, clary, que os líderes natos vivem. aqueles que compõe a sociedade e fazem as coisas andarem de forma correta. se fosse por uns e outros ai, isso aqui seria uma verdadeira zona. ” sorriu, acenando para a pequena da porta de seu chalé. “ olha, o meu dia estava indo muito bem. mas aparentemente a felicidade dura pouco. ” sorriu, trocando olhares com a criança. sentia arrepios só de vê-la parada ali.
@aoztcrk said ❛ you owe me a dinner. a very nice dinner. ❜ .
˚。━━ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤAs habilidades em combate de Aylin eram conhecidas e comentadas entre aqueles que, como Athen, aguardavam por sua vez de entrar na arena do coliseu para um embate que fazia parte do treinamento do qual ainda não estava livre. E os deuses sabiam que ele só continuava fazendo aquilo porque não tinha escolha. Não gostava da ideia de ter que entrar em combate, de lutar, mas é claro que tinha aprendido a fazê-lo, como todo semideus que queria ter uma chance de vitória em qualquer situação real.
Feliz ou infelizmente, o filho Poseidon não era competitivo, não nutria aquela sede de vitória, nem a de nutrir as desavenças entre seu pai e a mãe de sua oponente da vez, que já fora sua sogra. Assim, apesar do desgosto inevitável causado pela derrota, não conseguia se importar verdadeiramente em acabar desarmado e de joelhos, sob a mira da espada alheia.
De fato, ao que erguia os olhos de vitral para a mulher, havia um esboço de sorriso ameaçando tomar-lhe os lábios. Os ferimentos da luta não o incomodavam, apesar da leve ardência que causavam. Estava ofegante e suado, mas feliz que tinha acabado. Ou acabando.
No entanto, quando o golpe de misericódia não veio e em vez disso ouviu-a declarar sua dívida, sua risada se fez audível. ━━ “Obrigado por sua misericórdia” não é o suficiente para você? ━━ Perguntou, mas sem realmente estar incomodado com a fala dela.
treinar batalhas estava em sua veia. era literalmente o que corria em seu sangue, por ser filha de atena. tinha aquela fome insaciável de não apenas vencer, como demonstrar que sabia e fazia valer todos aqueles anos de ensinamento. alguns arranhões e cortes tão leves ainda sim não eram o suficiente para que a fizesse parar, pois aquilo não era nada comparado com algumas missões que já havia enfrentado. não era a melhor, mas estava no caminho para que fosse e gostava de ser reconhecida por aquilo. pobre athen, que pegou uma aylin já no embalo de combate, fazendo com que não pegasse leve com ele. sabia dosar os golpes, era claro, não estava ali para machucá-lo ou faze-lo desistir do treinamento, apenas sabia que não controlava aqueles instintos que havia herdado de sua mãe. em golpes rápidos, quase naturais, retirou a arma das mãos dele e o fez ficar de joelhos, com um sorriso vitorioso em seu rosto. ela poderia ameaçar em dar o golpe final, mas não era do tipo que fazia algo para ficar marcada negativamente, ainda mais que não passava de um treino. a mecha de cabelo molhada presa a testa estava a agoniando e retirou com o dorso da mão, explicitando a divida entre eles, recolhendo sua espada de volta a forma de lápis de escrever. “ você acha que a minha misericórdia é gratuita? ” a pergunta saiu em um tom divertido, quase zombeteiro. estendeu a mão para ele, oferecendo auxilio para levantar.
Era incrível o poder de mimetizar a fisiologia de uma fada e até mesmo alterar o seu tamanho, mas daquela vez Asil havia sido pego em uma artimanha de um filho de Hermes, uma pseudo aposta que não havia sido nada honrada e havia posto o filho de Aine em maus lençóis, preso em um pote de maionese, isso só havia acontecido em seu primeiro ano, desde então acreditava ter aprendido a lição, mas por infortúnio do destino ocorreu de novo, haveria de ser uma lição para o seu ego talvez, o barulho que fazia semelhante ao tilintar de sinos, esperava que fosse o suficiente para chamar atenção da semideusa “Você pode me ajudar? estou um pouco preso”
aquele som parecia estar dentro do seu ouvido e já estava a irritando. aylin olhou ao redor e então percebeu da onde vinha, dando uma risadinha baixa. pegou o objeto em mãos e quase fora impossível segurar a vontade de rir quando ouviu o pedido dele. “ como isso acont... ” ela queria saber mas seria difícil levar a sério o rapaz naquela situação. pegou um pedaço de pano e com um pouco de forca, abriu a tampa. virou cuidadosamente o pote sobre o banco, assim dando espaço para que ele voltasse ao seu tamanho normal. “ não sabia que ainda brincava de pique-esconde. ” disse de forma divertida, se referindo ao tamanho dele e que se não tivesse sido insistente, ela nunca o veria.
and you got me thinkin’ lately … um starter para @aoztcrk
“Veja bem, não tem como ser ele.” Sebastian afastava sua réplica em construção do xadrez tribuxo para o lado, as ferramentas de entalhe ainda se mantendo entre eles. “Gregory não tem a capacidade mental de criar uma coisa como essas. Lauren está em coma, tirar uma alma é uma coisa muito perigosa. Poderia matá-la, poderia perturbar o Duat. Tem uma centena de problemas envolvidos, porque consideramos que não foi algo besta feito a poção servida no baile espiritual.” A mão mecânica se acomodou ao redor do cabo de madeira, zumbindo bem baixinho quando o programa se reativava e a fazia continuar a pecinha que tinha parado. O filho de Toth nem prestava atenção no que realmente fazia. “Entretanto, se pensarmos dessa maneira, poderia ser perfeitamente ele. Não por ter uma inteligência absurda envolvida, mas por ser facilmente atraído para um trato com criaturas escuras. Veja a história, quantos weak willed mind já foram deturpados pelas promessas de poder?
acompanhar o raciocínio rápido de sebastian era uma das coisas que havia aprendido ao logo do tempo no clube da esfinge. eles tinham aqueles encontros casuais quando pareciam querer discutir os mais diversos assuntos - e o da vez era o ataque e o possível traidor. as suposições levantadas pelo mais novo faziam sentidos, se ouvidas somente elas, mas aylin discordava em alguns pontos. como filha de sua mãe, esperava que ele terminasse suas apostas para que pudesse replicá-lo de forma que suas suposições também fizessem sentido. e assim, quem sabe, chegasse em um acordo mútuo. não era de especular, mas o que estavam fazendo ali era uma análise de todos os acontecimentos que haviam presenciado e ouvido até então. seria hipócrita da sua parte dizer que não tinha suspeitas mas não podia apontar todos. “ você não está vendo o outro lado da coisa, sebby. ” apesar do tom de alerta, ela estava mais envolvida no movimento que ele havia feito. levou alguns segundos para mover a peca a frente e pegar a peca que ele havia acabado de mexer. “ cheque! ele não é um weak willed mind, parece ser bem inteligente e saber o que faz. então se aceitou isso, tem suas próprias razões e motivos. ” voltou a atenção para a face dele e deu um sorriso, respirando fundo antes de começar a apresentar a sua teoria. “ por outro lado, que isso não soe errado, a filha de lugh parecia muito preocupada quando saímos do festival. digo, preocupada até demais, como se precisasse contar alguma coisa para alguém. você não estaria disposto a ouvir o que ela tem a contar? ” a sugestão nada sútil porque sabia que não era bem vista e se fosse ela a tentar, seria escorraçada.
“se for alguma dica para dormir, estou aceitando” haneul sorriu fraco, pegando sua garrafa de água e caminhando até a semideusa. “toma um pouco de água, eu ainda não toquei na garrafa, está limpa”, ofereceu de forma simpática e, ao mesmo tempo, tímida. “sei que a gente só treina, mas se precisar falar, pode me procurar, tudo bem? não sou exatamente a melhor pessoa com conselhos, mas garanto que sou uma boa ouvinte”, se afastou novamente, ficando próxima do seu lugar no treino, estalou o pescoço e esticou os braços em uma espécie de alongamento incompleto. “podemos treinar outro dia também, você precisa descansar e acho… acho que eu também”, pegou suas espadas do chão e olhou ao redor, receosa de muitos semideuses ouvirem-na. “acho que todo mundo aqui precisa de uma pausa. estamos a ponto de colapsar e não vai ser legal quando isso acontecer com centenas de semideuses ao mesmo tempo”.
deu uma risada baixinha, negando com a cabeça. “ não necessariamente, apenas algumas dicas de como ter sono. mas não dei a devida atenção. ” sorriu quando a outra lhe entregou a garrafa, meio sem graça de ter percebido que não havia trazido a sua própria, afinal, ela sempre estava acompanhada de uma. pegou o objeto e agradeceu com um sorriso tímido. “ ah, haneul, não. eu sei que você acha isso mas eu gosto da sua companhia, dentro de fora dos treinos, quando nos vemos. poucas vezes mas são sempre agradáveis. ” garantiu, com um sorriso. mesmo que a maior parte do tempo tivesse um ar de durona, aylin podia ser bem agradável com as demais pessoas, se não tivesse nada contra elas. não era do tipo de nutrir desafetos sem motivos, afinal, todos estavam no mesmo barco - mas algumas pessoas podiam cair ao mar, ao menos pensava assim. haneul não era nem de perto um daqueles casos. sentou no lado em qual estava, esticando as pernas no chão. “ por favor, não! eu faço qualquer coisa para não... ter que voltar a dormir até ser necessário. ” algo havia acontecido dentro do portal azul, algo que ela não compreendia bem mas que havia mexido indiretamente em seus pesadelos. “ e espero que não aconteça. somos treinados para isso, não? temos que aguentar alguns problemas. ” apesar do tom leve em sua voz e um sorriso de canto, não acreditava cem por cento do que dizia.