Talvez o maior horror da vida não seja morrer. Talvez seja chegar ao fim percebendo que você passou décadas interpretando uma versão aceitável de si mesmo.
Porque existe uma diferença cruel entre estar vivo e sentir a própria existência.
E quase ninguém percebe quando atravessa a linha.
A linha é silenciosa. Não existe anúncio, tragédia ou música dramática. Ela surge nos pequenos abandonos: quando você engole palavras para continuar sendo amado, quando aceita uma rotina que destrói sua mente só porque todos chamam isso de “normal”, quando olha no espelho e já não reconhece mais o brilho de quem um dia sonhou alguma coisa.
O ser humano se acostuma com a própria prisão de uma forma assustadora. Decora os horários, aprende a sorrir nos momentos certos e até convence a si mesmo de que aquilo basta. E talvez seja isso que mais destrói alguém: não o sofrimento, mas a capacidade de se adaptar a ele.

















