Entre o que fomos e o que ficou
Há términos que chegam como tempestade. O nosso veio como uma neblina.
Quando percebi, já não enxergava tão longe. Os sorrisos ainda existiam, mas eram contidos. Os beijos aconteciam, mas já não incendiavam. Os corpos se encontravam, mas as almas às vezes estavam distraídas em outros pensamentos. E mesmo assim...havia amor,
Havia lembranças de um olhar que já brilhou só por me ver entrar na sala. Havia um calor de mãos que conheciam o caminho exato da minha pele. Havia aquela versão nossa que parecia impossível de quebrar.
Talvez o que mais doa não seja a ausência agora, mas a comparação silenciosa entre o que foi e o que vem sendo. O que era intenso foi ficando morno.
O morno machuca mais que o frio. O frio é ausência declarada. O morno é quase. E o quase sempre deixa esperanças espalhadas pela casa.
Eu sinto falta dela. Não de um momento congelado no tempo, mas dela - inteira, humana, mutável, minha.
Porque eu sei que mudaríamos. Nós sempre mudaríamos. Somos humanas, somos movimento, mas em algum ponto do caminho, nossas mudanças deixaram de caminhar juntas.
Não houve vilões. Não houve falta de amor. Houve desconexão.
E amar também é perceber quando insistir começa a ferir.
Eu poderia transformar essa história em amargura, mas escolho guarda-lá como verdade bonita. Eu fui feliz. Eu fui amada. Eu amei e como amei.
E se hoje dói olhar nos olhos e não encontrar o mesmo brilho de antes, ainda assim existe gratidão por um dia esses mesmos olhos terem me enxergado dessa forma.
Alguns amores não vêm para durar para sempre. Vem para nos ensinar o quanto somos capazes de sentir.
Eu saio triste. Mas saio inteira. Porque amar nunca foi um erro. E deixar ir, ás vezes, é a forma mais silenciosa de amor.












