Nenhum homem valoriza a mulher que se vende, por mais incrível que ela seja. Aquele ali? Já passou pela minha cama… não só pela cama, mas pela sala, cozinha, banheiro, máquina de lavar roupa e tudo mais que se pode imaginar. Hoje ele só passa reto, na rua onde eu faço ponto, no meu ganha-pão.
Esses eram do tipo que tinha vergonha do que fazia.
Já teve homem que fez questão de marcar por onde passou. Alguns tapas, mas nada demais. Bom, teve um, teve um que me pagou e deu um murro e chamou de vagabunda. Talvez eu seja só isso mesmo. Uma vagabunda.
Esses eram do tipo agressivo.
Também tive clientes que se tornaram amigos. Depois do terceiro programa eles se sentavam no meu sofá e choravam suas mágoas, contavam suas alegrias, abriam minha geladeira e pegavam uma cerveja pra se sentar ao meu lado e assistir TV.
Esses eram do tipo carente.
Eu já tive tudo quanto é tipo de homem, de tudo quanto é forma, exceto uma, nunca tive um homem só pra mim, que me entendesse, desse beijinho de bom dia, abraço carinhoso ou pensasse em firmar um casamento. E nunca tive porque nunca quis. Meu negócio sempre foi sexo, sexo, sexo, e dessa forma eu encontrei um lucro. Não tenho nada a reclamar é o famoso “faço porque gosto”.
E toda mulher no fundo gosta. Gosta de ser usada, gosta de saber que deu prazer. Seja com homem casado, com homem solteiro ou com homem divorciado. E quando dizem “mas.. nossa.. você é uma.. uma.. uma prosti.. prostituta?” eu encho a boca e digo com orgulho: sou sim, garota de programa, puta, dou por dinheiro. Porque se eu faço e gosto do que faço, tenho mais é que me orgulhar mesmo, pelo menos pago minhas contas em dia e não devo nada pra ninguém.