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@aquidolado
Felicidade - Manuel Bandeira | Brisa de poesia
Como qualquer ser que sente
Sou feliz e triste como qualquer ser que sente
Danço em festas como se não houvesse amanhã
Bebo o que eu quero e quando quero
Leio livros escritos por mulheres de diferentes décadas
Elas são fodas
As palavras dos homens já não me interessam tanto
Pardon
Não como carne e me sinto cada vez melhor a respeito disso
Escrevo conselhos sobre coisas que eu não sou
E nunca fiz
Escreve-os para comprar livros, vinhos, cervejas, viajar
Ir a shows
Comprar discos
Escreve-os e às vezes me entedio
E pergunto, quem vai ler?
Mas mesmo assim
Escrevo
Escrevo e isso também me deixa feliz
Olhar o pôr do sol da janela da minha casa
Me deixa feliz
Mas olhar para o lado esquerdo através dessa mesma janela
Ver uma favela
E saber o que se passa ali
Me deixa triste
À noite procurar estrelas no céu
Apesar dos prédios e a poluição esconderem
As encontro e isso me deixa feliz
A felicidade e a tristeza são como uma montanha russa
Que nunca andei
- Andressa Nunes
Estou apaixonada por uma mulher e ela se chama Matilde Campilho.
Não tenho mais medo
Estou envelhecendo mas ainda sou jovem. Sou jovem e estou envelhecendo.
O quadril já não é mais o mesmo de alguns anos. Está cada dia mais largo. Uma barriga que nunca tive começa a aparecer.
Me sinto bem.
Estou envelhecendo
e
sou jovem.
Não tenho mais medo de me olhar nua no espelho. Não tenho mais medo de viver com meus pelos. Não tenho mais medo de não me depilar. Eles são parte do meu corpo, da minha natureza.
Não tenho mais medo dos olhares de julgamento sobre mim
ou
medo de errar.
Não tenho mais medo dos meus desejos e do que sou.
Sou jovem e estou envelhecendo.
Cada dia mais triunfante.
- Andressa Nunes
"Neste mundo onde hoje tudo faz barulho, a toda hora, o silencio é a maior benção possível. Hoje em dia eu acho que o silêncio muitas vezes tem que ser escolhido porque se a gente deixar são dias e dias e dias e horas sem ele. Ele não vem nem de noite. E não digo só nas cidades, digo na cabeça da gente, é tanta informação. Mas sem silencio não há trabalho, não há aquele momento em que você para para olhar de verdade. As pessoas têm medo do silencio, eu própria posso ter medo do silencio como muita gente tem medo as vezes de olhar no espelho. O espelho é o melhor dos silêncios, sou eu e eu, e agora?"
Matilde Campilho em entrevista no programa Sangue Latino.
é incrível como a solitude é impulsionadora de criação. hoje estou aqui, solamente sola em uma sexta à noite, e aos poucos vou sentindo que as palavras voltam a me procurar, que volto a encontrá-las. A vontade de escrever surge e tenho consciência que elas não estão tão longe de mim. volto a reencontrar-me, aqui. em poemas, poesias e crônicas. por vezes a solitude não voluntária é deliciosa. amo a companhia de meu companheiro, mas redescubro que amo a minha própria companhia ainda mais. gosto da solitude para ficar em meio aos meu devaneios, delírios, as minhas palavras, aos meus desenhos irreais e feios. que prefiro faze-los sem ninguém os ver.
- Andressa Nunes
Toda vez que sofro, sofro muito forte. Intensamente. E choro, choro muito. A verdade é que sofre demasiadamente. E choro igualmente. Tem horas que até sem saber porquê. Principalmente quando é noite depois de um dia em que a mente já está cansada de trabalhar e não quer pensar. Nessa hora que me pego chorando - inconscientemente - por me culpar de não quero pensar. Sem entender que não há mal nenhum em ter suas horas de ócio.
Nesses momentos de sofreguidão sempre acho que nunca vai passar. Me agarro ao travesseiro e adormeço.
Me disseram uma vez que choro tanto por questões espirituais. Pode até ser, mas sei também que choro porquê ninguém é obrigado a ser feliz todo dia. Devemos (ou deveríamos) nos permitir sofrer, nem que seja um pouquinho. Chorar alivia e sorrir ilumina.
Sou feliz entre sorrisos e lágrimas.
Já ouvi falar que existe o dia mundial do sorriso e porque não existir também o dia mundial do choro? Não que eu queira ou levante a bandeira para um mundo cinza e repleto de lágrimas - apesar de ao ler o jornal contestar isso - é que nesse dia as pessoas poderiam ao menos entender que chorar faz parte do todo.
- Andressa Nunes
Liberdade é ter coragem
Acabo de assistir a um documentário sobre um cara que largou um emprego na Caixa Econômica Federal para se aventurar pelo mundo. O documentário é rápido e nada romantizado. Trata-se de um ser humano de coragem. Que conta de seus perrengues, sufocos e tudo o que fez para conseguir viver de uma forma mais plena, em contato com a natureza e o mundo. Esse documentário é muito diferente das matérias que vemos por aí, sobre pessoas que largam tudo e vão viajar o mundo, raros são os que mostram a verdade. Da pessoa que largou um emprego para vender artesanato, pra vender picolé na praia e até passar por dificuldades, como falta de comida e um teto para dormir. 'De um novo Fernando para um Brasil' é real. Será que a maioria de nós teria coragem de vender nossos produtos na praia, de pedir comida se for necessário, de dormir na rua. De dar a cara a tapa para ter liberdade, de ser chamado de doidão, hiponga maluca e etc, por pessoas ignorante e com pensamento limitado. Ou a maioria de nos prefere ficar atrás de uma mesa durante longas 08h, 09h horas dos nossos dias a servir a alguém e no fim do mês ter um trocadinho na conta para pagar o aluguel comprar roupas, cosméticos e algumas outras futilidades. Tudo que achamos e chamamos de conforto. É preciso coragem, muita coragem para se libertar do sistema. Quero ser ,um dia, tão corajosa quanto Fernando é.
- Andressa da Silva
Ouça-me
Sábado, 05.03.2016. Fui pela segunda vez ao show dx Liniker aqui no Rio. O primeiro foi um show pequeno, em um lugar chamado Casa Coletiva. Se eu já estava apaixonada pela liberdade delx de ser o que quer ser, pela voz, estilo, música e tudo, no show só tive mais certeza de que elx é maravilhosx. Quando soube que elx tocaria no Imperator e seria um show maior, comprei meu ingresso e precisava ver mais uma vez de perto toda aquela maravilha de pessoa.
A abertura foi da Tássia Reis, que até então não conhecia, não tinha ouvido nada. Quando essa mulher maravilhosa entrou no palco junto com outra mulher maravilhosa, a Lívia Mafrika, as duas de body e salto alto esbanjando estilo e beleza, logo já gostei hahaha.
Tássia canta sobre nós, mulheres, fala pelas mulheres negras, principalmente. Que raramente tem seu espaço no mundo, que sofrem duplamente, por serem mulheres e negras. E em sua maioria, de periferia. Me emocionei algumas vezes, principalmente com a música Ouça-me, me vi ali naqueles versos, lembrei de todas as vezes que tentaram calar minha voz e a de tantas mulheres. Mas a luta para ser ouvida continua. E é diária.
https://soundcloud.com/redbullstudiosp/make-noise-tassia-reis-ouca-me
Desde domingo, a Tássia não sai do meu radinho. <3 Estou apaixonada e viciada!
Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento, Que dos olhos desfez a última chama, E da paixão fez-se o pressentimento, E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente não mais que de repente, Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo, o distante, Fez-se da vida uma aventura errante, De repente não mais que de repente.
- Vinicius de Moraes
Lila
Um dia Lila ouviu em algum lugar sobre pesadelos: "Quando tiveres um pesadelo, guarda para ti. Se contares a alguém ele vai se realizar."
Lila tinha fortes pesadelos. Constantemente.
Acordava assustada. Suada e por vezes em lágrimas.Não contava a ninguém.Nem para uma folha em branco desabafava. Lila acreditava em tudo que ouvia.
Ela sonhava com a morte. E sentia que tinha em sua boca o poder de matar um alguém que tanto a perturbava. Ao acordar, se banhava e no banheiro não tinha tranca. Era única hora do dia que tomava banho. Sabia que ninguém ali entraria para lhe fazer mal, como a noite muito já aconteceu. Mesmo tendo essa certeza, sentia medo.
Passou o dia. E ao dormir teve fortes pesadelos novamente. Em um deles, morria aquele que lhe causou muita dor. Acordou em meio a lágrimas e tremor. Abriu um pequeno caderno. E em alto e bom som contava ao vento e a folha sobre o pesadelo em detalhes. Suava e chorava a cada palavra. Decidiu que precisava de um banho naquela noite. Desafiou seu medo.
Com a porta do banheiro encostada, arrancou rapidamente a roupa do corpo e se jogou na água fria. Ao sair do chuveiro sentiu a presença de alguém. Sabia quem era, conhecia aquele toque áspero e enrugado, dedilhando o seu corpo de forma abusiva. Causava-lhe asco e pavor.
Ameaçando-a com uma faca, tentou beijar seus lábios. Em segundos, Lila se descobriu forte e destemida. Arrancou-lhe a faca das mãos daquele que sempre lhe causou a dor. Sem ter o que perder e lembrando do pesadelo jogado aos quatro cantos, fincou a faca no peito do seu agressor. Aquela cena que até então estava somente em suas noites mal dormidas, tornou-se real.
E ali, naquele chão ensanguentado, Lila conheceu a liberdade.
-
- Andressa Nunes
Playlist - Poder feminino
“No final ideal não terá domínio sobre mulher alguma.’’
Para ouvir: Rdio http://rd.io/x/QXEIVjO_4Yk/
Spotify https://play.spotify.com/user/andressa_nunes/playlist/00PRouohi0qXiWdSZVAL0A
Para nós, Nina.
O corpo
Imagem
Vejo projetos lindos pela web sobre o corpo da mulher, a aceitação e libertação dos padrões, como o Outras meninas que acabei de conhecer e amei.
Leio e ouço diversos relatos de amigas e parentes sobre a dificuldade de aceitar o próprio corpo. A mídia sempre colocando fotografias de mulheres cheias de retoques nas revistas, mesmo sabendo que aquilo não é real mexe com a nossa autoestima. Sempre fui magra e pequena. Já ouvi críticas sobre meu corpo, de pessoas muito próximas (geralmente homem) que diziam que meus seios pareciam dois ovos estalados. Comecei a crescer, o quadril começou a alargar e as estrias e celulites aparecerem, daí ouvi que eu precisava ficar com um corpo mais “fashion”. Sério? Mais “fashion” para quem? Ou que era muito magra e precisava dar uma “engordadinha”, “pegar mais corpo”. Já fui chamada de Olivia palito na escola, de magrela e etc. Da adolescência até uns 20 anos pensava constantemente em colocar silicone, que nenhum homem ia me desejar, que certas roupas não caiam bem pois não tinha peito e era magra demais. Pesquisava na internet como diminuir as estrias, me enchia de óleo corporal e não funcionou. Até que fui amadurecendo, conhecendo melhor o feminismo, me libertando dos padrões e aceitando meu corpo como ele é. Amo meus seios pequenos, meu quadril largo, minhas sobrancelhas grossas, meu cabelo fino e cacheado e meu sorriso meio torto.
Hoje, me olho no espelho e me acho bonita do jeito que sou. Não mudaria nada em mim. Sou dona do meu corpo e ele não foi feito para agradar homem e nem a ninguém.
Meu corpo é sim perfeito, nele não falta nada. E sou grata por isso.
-
- Andressa Nunes
Salve-se
Será a crise Ou serão os astros? Não sei Mas só vejo gente a reclamar da vida Daqui do lado de dentro E lá, Do lado de fora. O desemprego A falta de dinheiro A conta para pagar O morar sozinha que não chega A violência A maldade. A corrupção. Está tudo a se agravar. E cada um Autocentrado Procurando se salvar
- Andressa Nunes
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