Pressionava os lábios como quem tentava reprimir um sorriso enquanto a escutava falar. Não era muito bom em entender as pessoas quando elas não eram diretas, muito menos entender expressões e sentimentos complexos, mas podia jurar que o tom de voz dela indicava incômodo, talvez… ciúmes? O pensamento lhe arrancou um riso baixinho, mas ele preferiu não soar ridículo dizendo em voz alta. “ ━━ Uma batata? Não sei… ━━ ” Respondeu, dando de ombros e ainda rindo. Não lembrava, não notou, e não iria desviar o olhar para verificar. A visão à sua frente era muito mais interessante. “ ━━ Eu tenho certeza que sim. ━━ ” Falou, sobre ter outros querendo a companhia dela, por mais que lhe incomodasse admitir aquilo. “ ━━ Mas você está de noiva do Frankenstein, e eu não vejo nenhum outro por aqui. Então você está presa a mim, agora, pelo resto da noite. ━━ ” Continuou com o tom leve, divertido, e o sorriso no rosto. Não queria estragar tudo transformando em uma possível discussão. Além do mais, não sabia o quanto estava disposto a se abrir e falar sobre a insegurança de ter ficado ao lado dela o tempo inteiro, sem saber se é o que ela queria. Sem dizer nada, a fala dela soou bastante incentivadora. Ele segurou em seu queixo, puxando-a para mais perto, precisando se curvar um pouco mais - a ideia do sapato havia sido ótima para a fantasia, mas péssima para aquele momento. Encostou o nariz ao dela, os lábios tão perto que podia sentir sua respiração. “ ━━ Acho que essa parte é só no final do ritual, né? ━━ ” Apenas para provocá-la, não a beijou. Afastou o corpo, com um sorriso zombeteiro, e segurou em sua mão, puxando-a na direção dos jardins.
“Hm.” Torceu o lábio após a resposta de Benjamin, sendo aquele ainda um dos resquícios de seu momento de ciúmes pela batata ambulante que queria roubar seu Frankenstein. No entanto, ele estava aprendendo direitinho como fazer com que Chiara se distraísse de sua irritação, pois as palavras seguintes fizeram com que a figura da outra desaparecesse completamente da sua mente. Era exatamente aquilo que queria ouvir! Benji deixando claro que queria sua companhia pelo resto da noite. “Graças a Merlin que não tem mais nenhum outro! Não funciono em triângulos ou quadrados amorosos. Se aparecesse algum, inclusive o original, eu teria que dizer que já estou comprometida com o falsificado.” Sorriu abertamente para o moreno. Como pontuado por Benjamin, o objetivo agora era aproveitar o resto da noite com ele, sem ficar mais enchendo sua mente de suposições que apenas os atrapalhariam. Tentaria colocar na sua mente que não havia motivos para apressarem nada... Talvez apenas aquele beijo que estava esperando desde o início da festa. O momento em que provaria novamente daquele gosto tão bom. A proximidade, de fato, fazia com que sentisse a respiração alheia e Chiara já fechava os olhos lentamente e erguia o seu rosto para poder levar seus lábios ao encontro dos dele. Surpreendeu-se quando ele se afastou, fazendo com que a garota ficasse estática em choque. “I’ll kill you, Benjamin Hawkins!” Apontou para ele com a mão direita e usou a mesma para estapeá-lo. Em meio a risadas, começou a acompanhá-lo até os jardins. Aproveitou que ele já segurava sua mão, para entrelaçar os dedos e andarem juntos por entre os outros convidados. Aquele contato, por mais simples que parecesse, lhe aquecia por dentro e esperava que fizesse o mesmo com ele. “Você já fez os outros rituais? O pior de todos para mim foi o de beber aquele vinho sangrento com gosto de morte. Eu juro, se eu passar mal até o final da noite, é tudo culpa do Drácula. Quem faz seus convidados beberem sangue para depois poderem correr o risco de serem sugados por ele até a morte? Ele é o pior anfitrião de todos os tempos!”