Not okay ♦ Skyler & Arion
Talvez Skyler nunca fosse se recuperar de todos os traumas que havia passado. Claro, tentava ser forte em todos os momentos e esquecer todas as coisas ruins que aconteceram em sua vida. Mas naquele momento, com tantas pessoas ao seu redor que despertavam as mais horríveis lembranças do interior de sua mente, fora impossível não surtar. Todas aquelas pessoas parecia inutilmente tentar contê-la. A menor e mais racional parte da mente de Skyler lhe dizia que estava tendo uma reação mais do que exagerada e que acabaria machucando alguém inocente, porém a parte egoísta e dominante apenas queria tirar a vida de todas aquelas pessoas e fugir, assegurando-se de sua segurança, principalmente se esta fosse nos braços de um certo vilão de olhos oceânicos.
Assim que sentiu os braços dele em volta seu corpo, sentiu-se segura novamente. Embora soubesse que não deveria se sentir assim, afinal, Arion Marks sempre parecera uma pessoa fria e insensível ao olhos da heroína, porém ela sabia que ele tinha um outro lado. Lado este que aos poucos ela estava conhecendo e embora não gostava de admitir nem para si mesma, estava adorando. Envolveu o tronco do vilão com os braços e apoiou a cabeça em seu ombro, respirando fundo, inspirando o perfume de Arion, que naquele momento parecia funcionar melhor do que qualquer calmante.
Ali, agarrada a Arion, Skyler se sentia o ser mais frágil do universo. E o mais estúpido também. Não costumava surtar assim em público, principalmente deixar que um vilão como Marks soubesse o quanto ela se abalava facilmente com determinada situações. Assim que ouviu a voz dele soar, afastou-se, olhando diretamente para um médio que se aproximava. Skyler olhou para Arion, o temor estampado em seus olhos. Silenciosamente, ela pedia que ele não fosse embora. Que ele nunca mais fosse embora e a deixasse sozinha. Talvez estivesse ficando dependente da presença dele.
Deixou um pequeno sorriso preencher seus lábios. Aquela era uma boa promessa. Principalmente porque ultimamente o conceito de “casa” da morena estava mudando. Casa não mais se referia mais a algum lugar, mas uma certa pessoa, e aquela promessa para ela significou que ele não a abandonaria. — Não precisa matá-los. — Sussurrou, mal movendo os lábios. Sabia que Arion poderia ouvir. Tentava manter seu tom de voz baixo, tentando passar para ele a mesma segurança que ele lhe passava. Quando chegaram na sala indicada, os batimentos cardíacos de Skyler aumentaram, porém ela não demonstrou nenhum sinal de medo ou que fosse surtar novamente.
Sentou-se em uma cadeira acolchoada e esticou seu braço para o sangue pudesse ser retirado. Fechou os olhos com força quando a enfermeira se aproximou, porém o processo fora tão rápido que mal se deu conta quando acabou. Quando abriu os olhos, a primeira coisa que observou fora o médico olhando com interesse o frasco com sangue. Ele parecia um pouco decepcionado, como se esperasse que por ter super poderes, o sangue de Skyler fosse diferente de algum modo. Mas também sabia que ele estava animado com a possibilidade de estudar o sangue dela. Aparentemente, todos os médicos ficavam assim. — Daqui a alguns minutos, vocês terão o resultado. — Disse ele, e então deixou o recinto. A heroína levantou-se da cadeira, massageando o braço e então olhou para Arion, tentando não deixar que todo o temor tomasse conta de sua expressão.
O olhar de Arion se demorara um pouco no médico que recolhera o sangue da heroína, como se avaliasse minimamente cada uma de suas intenções. A verdade era que o sangue da heroína provavelmente deveria conter algum tipo de DNA diferente e propício para a elaboração de uma pesquisa minuciosa que, nas mãos erradas, poderia vir a ser um grande desastre. Contudo, embora tivesse o conhecimento dessa possibilidade, felizmente Arion pouco se importava com tudo aquilo. Foi por isso que depois de escutar a resposta do médico, ele simplesmente o deixara ir e voltara então sua atenção a Skyler que massageava o braço com uma das mãos.
Arion não sabia ao certo a vida que ela levara antes de chegar à academia mas, não era difícil imaginar qual o tipo de lembrança que experiências desse tipo remeteriam. - Vai ficar tudo bem. - E aquela parecia ter sido a melhor resposta que o vilão conseguira improvisar. Aquilo jamais fizera parte de sua personalidade e o fato de se importar tanto com a heroína o deixava terrivelmente amedrontado. Se agulhas eram uma experiência ruim pra ela, pra ele a pior sempre fora um dia ter construído sentimentos por alguém. Enquanto não sentisse nada, nada jamais poderia atingi-lo. Com Skyler, no entanto, não sentir já não era uma opção. Por mais que detestasse admiti-lo, Arion sabia que era verdade.
Cautelosamente, os olhos do vilão estudavam as expressões da heroína e, como se aquilo fosse um gesto já um tanto familiar, Arion a envolvera em seus braços. Ainda era estranho ter alguém tão perto daquela forma, mas talvez fosse ainda mais estranho e doloroso não tê-la ali.


















