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Not okay ♦ Skyler & Arion
O olhar de Arion se demorara um pouco no médico que recolhera o sangue da heroína, como se avaliasse minimamente cada uma de suas intenções. A verdade era que o sangue da heroína provavelmente deveria conter algum tipo de DNA diferente e propício para a elaboração de uma pesquisa minuciosa que, nas mãos erradas, poderia vir a ser um grande desastre. Contudo, embora tivesse o conhecimento dessa possibilidade, felizmente Arion pouco se importava com tudo aquilo. Foi por isso que depois de escutar a resposta do médico, ele simplesmente o deixara ir e voltara então sua atenção a Skyler que massageava o braço com uma das mãos.
Arion não sabia ao certo a vida que ela levara antes de chegar à academia mas, não era difícil imaginar qual o tipo de lembrança que experiências desse tipo remeteriam. - Vai ficar tudo bem. - E aquela parecia ter sido a melhor resposta que o vilão conseguira improvisar. Aquilo jamais fizera parte de sua personalidade e o fato de se importar tanto com a heroína o deixava terrivelmente amedrontado. Se agulhas eram uma experiência ruim pra ela, pra ele a pior sempre fora um dia ter construído sentimentos por alguém. Enquanto não sentisse nada, nada jamais poderia atingi-lo. Com Skyler, no entanto, não sentir já não era uma opção. Por mais que detestasse admiti-lo, Arion sabia que era verdade.
Cautelosamente, os olhos do vilão estudavam as expressões da heroína e, como se aquilo fosse um gesto já um tanto familiar, Arion a envolvera em seus braços. Ainda era estranho ter alguém tão perto daquela forma, mas talvez fosse ainda mais estranho e doloroso não tê-la ali.
Skyler não respondeu á afirmação de Arion, apenas deixou-se jogar em uma das cadeiras acolchoadas, suspirando. Não queria estar naquele lugar, naquela situação. Estava com medo e irritada. E ainda não havia aceitado muito bem seus sentimentos por Arion. Estava grata pela presença dele, pois era bom saber que alguém se importava, entretanto, ao mesmo tempo não era bom. A morena se sentia tão confusa com seus sentimentos que não queria nem perder tempo tentando classificá-los de alguma maneira. — Você pode ir embora se quiser. — disse a Arion. — Aposto que há muitas velhinhas por aí prontas para serem assaltadas. — debochou, abrindo um pequeno sorriso. Era verdade que não estava com muito humor para piadinhas, mas era melhor isso que ficar se lamentando por algo do qual não tinha conhecimento ainda.
Avistou o médico de volta e rapidamente se pôs de pé. O coração acelerado, assustada. Nunca tinha feito um exame para fins benéficos. Nunca tinha feito um exame em um hospital humano normal e tinha medo de que eles a quisessem para experiências, como havia acontecido no passado. Suas mãos suavam. Não queria, mas aproximou-se do vilão e segurou sua mão. Não se tratava de uma questão de querer, mas de necessidade. Skyler precisava daquilo, do toque dele. Era estranho e assustador o quanto havia de tornado dependente daquele vilão. — Então? O que eu tenho? Diga logo! — exigiu ela, apressada. O médico, que permanecia com uma expressão calma, abriu um sorriso e pronunciou as seguintes palavras: — Parabéns, mamãe!
Pensando bem.... Não lembro pra quem eu emprestei meu livro...
Já pensei nisso… Mas muita gente foi embora ou desapareceu… Mas acho que está com o Billy..
Você tá grávida ou engoliu uma melancia?
Pronto, você já tem sua resposta.
É, eu engoli uma melancia, gênio.
Pensando bem.... Não lembro pra quem eu emprestei meu livro...
Skyler!
Tudo bom ? Ah… Não sei como vou conseguir ele de volta… Tem alguma idéia?
Não sei, mas sugiro revistar o quarto de todos os seus amigos.
Ou pergunte por aí, é mais fácil e óbvio.
Pensando bem.... Não lembro pra quem eu emprestei meu livro...
Então como irá consegui-lo de volta?
Não podemos! Com grandes poderes vem grandes responsabilidades!
Já ouvi essa frase antes, e não dou a mínima para ela.
Pela história deles eu assaltei 4 bancos e matei 15 pessoas. Acho que mal informados é a palavra certa. Eu vi uma fofoca sobre você nesse jornal também.
Todos os dias salvamos essa porcaria de cidade e eles nunca ficam satisfeitos.
As vezes dá vontade de deixar San Francisco nas mãos dos vilões, talvez assim as autoridades nos valorizem.
Pelo menos falam bem de você…
Eles não falaram bem de mim. Estão me acusando de destruir algum patrimônio público.
Ingratos, não acha?
Estão falando mal de você no jornal ?
Não, lerdo.
Estou reclamando apenas das minhas fotos no jornal. Eles tem sorte por que não destruir aquela editora.
Eu odeio essas fotos dos jornais, nunca saio bem nelas. Por que eles não pedem por uma foto, pelo menos?
Not okay ♦ Skyler & Arion
Ver Skyler desaparecer pelo corredor branco e gélido daquele hospital não era exatamente uma experiência agradável. Embora não soubesse por quê, Arion se acostumara a mantê-la sempre dentro do próprio campo de visão e alcance quando estavam juntos. Talvez fosse esse o motivo pelo qual ele aparentemente tinha tanta dificuldade em deixá-la sozinha. Por um momento, foi até fácil ignorar os olhares patéticos e curiosos característicos do ser humano, mas conforme o tempo ia lentamente passando, Arion não pudera deixar de considerar a possibilidade de matar cada um deles com toda a facilidade que sabia que era capaz. O medo existente detrás daqueles olhares era um tanto irresistível, mas apesar de tudo, a ideia de decepcionar Skyler de alguma forma o impedia de seguir seus extintos. Não que Arion de fato tivesse consciência disso, mas essa fora a primeira vez que ele se importara com a opinião de qualquer outra pessoa além da sua própria.
Com a super-audição, é claro que o estrondo de um corpo caindo chamara atenção do vilão, fazendo-o dar alguns passos ágeis aos parâmetros humanos em direção ao som emitido. Poderia não ser nada - e provavelmente não era - mas o fato de ter a heroína fora de seu campo de visão por algum motivo o deixava totalmente inseguro. Por algum tempo, Arion ficara realmente hesitante em invadir o interior do hospital. Principalmente porque sabia que Skyler precisava daquilo. Contudo, o som familiar do grito da heroína era finalmente a desculpa que ele precisava para fazer o que mais desejava: estar próximo à ela.
O tempo que Arion gastara para percorrer todo o trajeto necessário para alcançá-la se basearam em pouquíssimos fragmentos de segundo e, mesmo sem saber exatamente como, Skyler mais uma vez estava em seus braços. As mãos que a seguravam não mais pareciam ter coragem de fazê-lo. Os olhos do vilão talvez estivessem agressivos e ameaçadores demais. Por impulso, Arion tinha certeza que teria matado cada um daqueles seres humanos com uniforme ridículo mas, infelizmente, ele precisava deles. Pensar nisso o embrulhava o estômago. Skyler era forte o suficiente para se defender de todos eles e, no entanto, ela não o havia feito. Algum do vilão começava a temer de que ela de fato estivesse mesmo perdendo seus poderes e se transformando em uma humana. A pior parte disso era que Arion parecia saber como ninguém a facilidade que seres humanos tinham pra morrer e ele não se daria o luxo de perdê-la.
"Só queremos fazer alguns exames". - Apesar da tonalidade branda com que a voz escapara de seus lábios, Arion não tinha certeza se aquilo era de fato um pedido, ou uma ordem. Fato é que pouco tempo depois - e sem nenhuma contestação - um dos médicos mais velhos os encaminhara à uma das salas de atendimento. Dessa vez, Arion não carregara Skyler. Embora pudesse facilmente tê-lo feito, queria que aquilo soasse o mais natural e… humano possível. Por mais desconcertante fosse pensar naquela hipótese.
Conforme seguia os passos do médico, os braços de Arion estavam fixos ao entorno do corpo da heroína, deixando-a praticamente com as costas coladas em seu peito. A verdade era que daquela forma, embora não estivesse exatamente a carregando, o esforço que ela teria que fazer para andar era praticamente nulo. “Prometo que não vai demorar, assim que sairmos daqui, te levo de volta pra casa.” Pra maioria dos super-humanos, casa era um conceito estranho. Pra Arion, um lugar muito remoto e praticamente esquecido em suas lembranças. Mas, aquela promessa de alguma forma soara real conforme os lábios do vilão se moviam próximos ao ouvido da heroína para que só ela escutasse. "Não precisa ter medo, mato todos eles se você quiser." E era verdade. Foi com essa última frase que Arion finalmente desvencilhara os braços da heroína, quando adentraram a sala indicada, mesmo que não tenha de fato se distanciado um único centímetro dela.
Com base em todos aqueles equipamentos existentes ali, embora Arion não tivesse certeza, não achava que precisariam ir à nenhum outro lugar.
Talvez Skyle nunca fosse se recuperar de todos os traumas que havia passado. Claro, tentava ser forte em todos os momentos e esquecer todas as coisas ruins que aconteceram em sua vida. Mas naquele momento, com tantas pessoas ao seu redor que despertavam as mais horríveis lembranças do interior de sua mente, fora impossível não surtar. Todas aquelas pessoas parecia inutilmente tentar contê-la. A menor e mais racional parte da mente de Skyler lhe dizia que estava tendo uma reação mais do que exagerada e que acabaria machucando alguém inocente, porém a parte egoísta e dominante apenas queria tirar a vida de todas aquelas pessoas e fugir, assegurando-se de sua segurança, principalmente se esta fosse nos braços de um certo vilão de olhos oceânicos.
Assim que sentiu os braços dele em volta seu corpo, sentiu-se segura novamente. Embora soubesse que não deveria se sentir assim, afinal, Arion Marks sempre parecera uma pessoa fria e insensível ao olhos da heroína, porém ela sabia que ele tinha um outro lado. Lado este que aos poucos ela estava conhecendo e embora não gostava de admitir nem para si mesma, estava adorando. Envolveu o tronco do vilão com os braços e apoiou a cabeça em seu ombro, respirando fundo, inspirando o perfume de Arion, que naquele momento parecia funcionar melhor do que qualquer calmante.
Ali, agarrada a Arion, Skyler se sentia o ser mais frágil do universo. E o mais estúpido também. Não costumava surtar assim em público, principalmente deixar que um vilão como Marks soubesse o quanto ela se abalava facilmente com determinada situações. Assim que ouviu a voz dele soar, afastou-se, olhando diretamente para um médio que se aproximava. Skyler olhou para Arion, o temor estampado em seus olhos. Silenciosamente, ela pedia que ele não fosse embora. Que ele nunca mais fosse embora e a deixasse sozinha. Talvez estivesse ficando dependente da presença dele.
Deixou um pequeno sorriso preencher seus lábios. Aquela era uma boa promessa. Principalmente porque ultimamente o conceito de "casa" da morena estava mudando. Casa não mais se referia mais a algum lugar, mas uma certa pessoa, e aquela promessa para ela significou que ele não a abandonaria. — Não precisa matá-los. — Sussurrou, mal movendo os lábios. Sabia que Arion poderia ouvir. Tentava manter seu tom de voz baixo, tentando passar para ele a mesma segurança que ele lhe passava. Quando chegaram na sala indicada, os batimentos cardíacos de Skyler aumentaram, porém ela não demonstrou nenhum sinal de medo ou que fosse surtar novamente.
Sentou-se em uma cadeira acolchoada e esticou seu braço para o sangue pudesse ser retirado. Fechou os olhos com força quando a enfermeira se aproximou, porém o processo fora tão rápido que mal se deu conta quando acabou. Quando abriu os olhos, a primeira coisa que observou fora o médico olhando com interesse o frasco com sangue. Ele parecia um pouco decepcionado, como se esperasse que por ter super poderes, o sangue de Skyler fosse diferente de algum modo. Mas também sabia que ele estava animado com a possibilidade de estudar o sangue dela. Aparentemente, todos os médicos ficavam assim. — Daqui a alguns minutos, vocês terão o resultado. — Disse ele, e então deixou o recinto. A heroína levantou-se da cadeira, massageando o braço e então olhou para Arion, tentando não deixar que todo o temor tomasse conta de sua expressão.
♫ Temptation - Moby ♫
Not okay ♦ Skyler & Arion
"Preocupação" Arion revirara os olhos. Embora existisse um quê de verdade ali, a tonalidade com que aquela palavra ganhara vida nos lábios de Skyler tinha uma intensidade que ele ainda não parecia compreender. Aliás, eram muitas as coisas que Arion ainda não compreendia quando se tratava de Skyler. Até um certo ponto, ele sabia que seria capaz mover montanhas por ela, mas ao mesmo tempo, tudo isso lhe parecia muito confuso e amedrontador. A verdade era que apesar de sua genial potencialidade, emocionalmente Arion não passava um garotinho que nunca tivera alguém. Talvez fosse esse o motivo pelo qual ele crescera aprendendo associar sentimentos como uma coisa ruim.
De repente, a voz de Arion voltara ao habitual tom rígido e frio com o qual ele normalmente se dirigia à todas as outras pessoas que não fossem Maliah e Skyler. "Não se iluda". Os lábios do vilão curvaram-se num novo sorriso tão sínico quanto o anterior e ele finalmente assentira com a cabeça, em concordância com o que a heroína dissera. "Não. Eu não preciso". E era verdade, ele realmente não precisava. No entanto, foram questões de segundos para que Arion se abaixasse o suficiente para tomar ambas as pernas de Skyler em um de seus braços, enquanto o outro a envolvia pela cintura, pegando-a no colo num gesto bastante delicado pra alguém como ele.
Alguns poucos segundos foram suficiente para trilhar passos até o interior do hospital. Arion torcia verdadeiramente pra que ela ficasse tão constrangida com aquele contato em público quanto ele ficara com aquela conversa sobre preocupação. Quando finalmente permitira que os pés da heroína tocassem o chão, demorou um tempo até que Arion tivesse coragem de soltá-la completamente. Skyler parecia fraca. Quase tão fraca quanto um ser humano. Pensar nisso fazia o estômago de Arion embrulhar e foi por isso que ele se afastou, como se ela fosse algo perigoso que pudesse de repente machucá-lo.
"Vai". Arion indicara com a cabeça a sala de emergência posicionada logo a esquerda dos dois. Havia um lado do vilão que sentia medo, outro que sentia raiva e um outro que simplesmente não sentia nada. Aquele misto de emoções eram um tanto complicadas de administrar, principalmente para alguém que por tanto tempo estivera tão desacostumado com qualquer uma delas e, apesar de tudo, Arion sentia raiva por ela estar doente, como se tudo aquilo tivesse sido um grande golpe para atingi-lo. E atingira. Como pouquíssimas coisas o fariam.
Contudo, havia um outro lado que entendia - ou buscava entender - que coisas como aquelas simplesmente aconteciam. No fundo, Arion sempre soubera que não seria capaz de deixá-la sozinha e foi por isso que apesar da pequena distância recém estipulada entre os dois, os olhos azuis haviam adquirido uma tonalidade serena, ao que a voz voltara soar numa tonalidade morna, mas mais quente do que fria. "Vou estar aqui se você precisar de mim." E era verdade. Ele estaria.
Talvez a expressão que tomou conta do rosto de Arion já fosse algo a se esperar, na concepção da heroína. Aos poucos, parecia que ela finalmente estava conseguindo decifrar um pouco da personalidade complexa e imprevisível de Arion Marks. Porém, ele parecia estar assumindo uma completamente nova naquele momento. Tinham sido poucas as vezes em que Skyler vira o vilão importar-se ou preocupar-se com alguém, e saber que geralmente essa pessoa era ela, dava uma heroína uma estranha sensação de felicidade. Isso a incomodava. Ela não deveria sentir-se feliz por ser exclusiva quanto a isso na vida de Arion.
Ela deixou um pequeno sorriso tomar conta de sua expressão quando novamente ouviu o tom de Arion, aquele velho, conhecido e irritante tom. Pelo menos, aquele se parecia o qual Skyler já estava habituada. Quando sentiu seus pés fora do chão novamente, percebeu que adentravam o hospital e então, a heroína fechou seus olhos, segurando com força a blusa do vilão. Aquele ambiente lhe causava muitos arrepios, as pessoas vestidas de branco lhe traziam lembranças que gostaria de esquecer para sempre. Fechou os olhos com força, esperando que tudo não passasse de mais de seus pesadelos aterrorizantes. Skyler sentia-se grata pela presença de Arion. O cheiro gostoso e familiar dele era reconfortante e isso acalmava seus batimentos desesperados.
Ao ouvir a voz do moreno soar, abriu seus olhos, encarando o saguão do hospital e as pessoas que os olhavam. Provavelmente alguns os conheciam e se perguntavam o que um vilão e uma heroína fazia juntos naquele local. Skyler odiava ser o centro das atenções e toda aquela situação a deixava extremamente desconfortável. Ignorando os olhares que estava recebendo, Skyler desceu do colo de Arion e embora se sentisse um pouco fraca, não demorou até que se desvencilhasse dos braços do vilão. A heroína respirou fundo enquanto olhava com pesar a direção indicada por Arion, então, voltou seus olhos a ele. A expressão do vilão parecia indecifrável para ela. Sem dizer nada, ela caminhou na direção indicada. Então, ouviu a tom grave de Arion. Com um sorriso falso e tranqüilo nos lábios, ela virou-se para ele antes de prosseguir.
A ala de emergia não era como Skyler imaginava. Ao contrário do que ela esperava, não estava cheia de pessoas ensangüentadas e gritando, o que era ótimo, pois Sky não sabia se conseguiria lidar com sangue. Só de imaginar, a morena sentiu-se nauseada e logo fora acudida por uma enfermeira. — Eu estou bem. —Disse ela, mas a enfermeira não parecia ouvir. A força que a mulher desconhecida exercia ao pegar no braço de Skyler parecia ser demais para uma humana normal. Assustada, Skyler a empurrou contra a parede, onde a enfermeira caiu, desnorteada. Porém, antes que pudesse fugir, mais homens de branco chegaram. A heroína parecia estar vivendo um de seus pesadelos freqüentes. Ou ter voltado no tempo. Parecia que estava novamente naquela clínica, sendo cobaia de testes horrendos. Quando sentiu vários pares de mãos segurando seus braços, não tentou conter e o grito assustado e agoniado que escapou de seus lábios.
Sky é corna. — Anônimo.
Como posso ser corna se não possuo nenhum relacionamento sério?!
Not okay ♦ Skyler & Arion
"Pros leões." Apesar daquelas palavras, a voz de Arion saíra num tom vagamente caloroso. Os braços do vilão estavam firmes contra a cintura de Skyler, embora não a apertassem. A verdade era que Arion mal podia se lembrar da última vez que se sentira mal daquela forma. No mundo em que vivia, coisas assim simplesmente não existiam. O mais perto que já chegara de tudo aquilo fora vomitar sangue, uma das vezes que um herói o atingira em cheio no estômago, causando uma hemorragia interna instantânea. O que Skyler parecia estar sentindo naquele momento aparentava ser um tanto humano demais e a verdade é que Arion teve medo que fosse. Aparentemente humanos tinham uma facilidade incrível pra morrer e se havia algo que ele jamais suportaria, seria perdê-la.
Pensar nisso, mesmo que indiretamente, fez com que os braços do vilão ficassem um pouco mais rígidos em torno do corpo de Skyler e, nesse momento, Arion talvez tivesse aplicado uma quantidade de força levemente superior à que tinha intencionado.
Mesmo com a pouca velocidade utilizada no voo, não demorou muito até que os pés do vilão finalmente tocassem o chão de mármore branco que fazia parte da fachada de um dos grandes hospitais de São Francisco. Quando Arion finalmente relaxara os braços ao redor da heroína, deixando que os pés dela finalmente tocassem o chão, não parecia haver qualquer resquício de coragem dentro dele para se afastar. A tonalidade pálida-esverdeada do rosto de Skyler não o passava a segurança de que ela iria conseguir se manter em pé por muito tempo, embora ele soubesse que mesmo com uma boa distância entre eles, ele seria capaz de pegá-la se fosse preciso.
Por um momento, Arion se resumiu em examiná-la com os olhos. Era difícil entender o que parecia acontecer dentro dele por vê-la machucada. Não que fosse a primeira vez, mas toda aquela humanidade que repentinamente parecia ter se apoderado dela o deixava com medo, como pouquíssimas coisas o faziam. “Vamos descobrir o que é isso. Quer que eu leve você?” As palavras saíram dos lábios de Arion como verdadeiras estrangeiras. Talvez aquela fosse a primeira vez que ele houvesse perguntado - ou sequer se importado- com a vontade de uma outra pessoa de forma tão sincera. Tão sincera que ele tampouco percebera o quanto aquilo soara estranho saindo dos lábios de alguém tão frio quanto ele aparentava ser.
A mente da heroína estava envolta em pensamentos enquanto observava o rosto do vilão. Arion parecia sério demais e definitivamente, aquela expressão não parecia combinar com a personalidade do vilão, pelo menos era o que Skyler pensava. Ela perguntava-se também o que poderia estar estar afetando-o tanto e desconfiava de que fosse sua saúde, outra coisa que também era estranha ao ver de Skyler, já que Arion não parecia se importar com mais ninguém a não ser ele mesmo. Ao ouvir a tonalidade das palavras de Arion, a morena permitiu-se sorrir minimamente. Embora não admitisse, gostava quando ele deixava transparecer esse lado humano que parecia estar perdido dentro dele.
Enquanto estava na segurança dos braços do moreno, a heroína pensava em como tudo parecia cruel. Seus pais perderam a vida para curá-la de uma doença que era incurável, e agora, estava doente de novo. Quem perderia dessa vez? Não existia ninguém cuja perda machucaria Skyler. Não, talvez isso fosse verdade há alguns meses, mas não era mais. Havia sim uma pessoa que ultimamente significava o mundo para a heroína. Se perdesse essa pessoa, a vida voltaria a ser vazia e sem graça... Certamente, como heroína, não permitiria que mais ninguém se machucasse por sua causa, se tivesse que morrer, morreria.
Skyler apenas percebeu aonde estavam quando seus pés tocaram o chão. Olhou ao redor, um pouco assustada. A última vez que tinha estado em um hospital havia sido catastrófica e não possuía nenhuma boa lembrança daquele tipo de lugar. Uma onda gelada pareceu invadir suas correntes sanguíneas quando pensou em qualquer agulha perfurando suas veias novamente. Olhou para Arion, com o medo estampado em seus olhos castanhos. Mas mesmo sentindo-se fraca e assustada, não pode deixar de ser sarcástica assim que ouviu o questionamento de Arion. — O que é isso na sua voz? — Ergueu uma sobrancelha, com um sorriso cínico nos lábios. Levou uma das mãos à boca, como se fizesse uma terrível constatação. — É preocupação?! — Exclamou, Skyler então balançou a cabeça devagar, deixando as brincadeiras de lado. Segurou em ambos os braços de Arion, em busca de apoio. Sentia-se grata por ele estar ali, por se preocupar. Pela primeira vez em muito tempo, não se sentia sozinha.
— Você não precisa fazer isso. — Disse, olhando rapidamente para o hospital. Embora não gostasse nem um pouco de hospitais, Skyler queria descobrir o que tinha e acabar logo com o suspense.