Sobre o NÃO (e o SIM) no tango
Lembro uma vez que um homem me convidou para dançar e eu falei que não gostava daquela música. Perguntei se poderíamos dançar a próxima tanda. Voilà, ele não me tirou no resto do baile.
Uma amiga que presenciou a cena até me falou “Será que ele pensou que era uma desculpa para você não dançar com ele?” Oxe, eu fui sincera.
Vamos nos debruçar um pouquinho sobre o que leva uma pessoa a recusar um convite.
- Ela está conversando com alguém no momento;
- Ela está curtindo só escutar a música;
- Ela não gosta da música;
- Quero/Me comprometi a dançar essa tanda com outra pessoa;
Verdade seja dita, quando convidamos alguém para dançar, não estamos realmente convidando. Igual quando convidamos alguém a se retirar.
Temos que entender que as pessoas não são máquinas de dança que não podem recusar, não pode descansar, não pode ter opinião, não podem falar NÃO.
Peguei o meu caso de exemplo, mas este tipo de relação acontece tanto do condutor para o conduzido, quanto do conduzido para o condutor.
Quando ouvimos um não também temos que fazer nossa autoanálise: Fedemos? Machucamos durante a dança? Somos inconvenientes? Queremos monopolizar o parceirx?
Mas em hipótese alguma podemos simplesmente nos sentir ofendidos antes de nos questionar se é algo conosco.
O incerto faz parte da beleza da dança.
Mas quem fala NÃO também tem que se questionar: São seus preconceitos, porque você acha que dança melhor? É sua intolerância para quem dança diferente?
Devemos exercitar a tolerância. Aceitar que as pessoas pensam diferentes de nós e que por conta disso às vezes vão agir diferente do que esperamos. Não nos ofender gratuitamente porque recebemos um NÃO. Também não distribuirmos um NÃO por conta de nossos preconceitos. Exercer o SIM.