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Sobre Incógnitas
É sempre estanho como nunca sei começar um texto desses, geralmente tenho uma ideia central— o ponto onde quero gerar tal assunto — e aí vem o final... Mas o começo em si, a ideia de [re] começar é complicada.
Enfim, esse texto não vai ter aquela mensagem motivacional para te encorajar em algo, muito menos vai ser um daqueles desabafos com teor suicida—como a maioria das pessoas entende meu desabafo através de textos—, afinal ninguém me entende mesmo. Ok isso soou muito como uma adolescente estúpida de quinze anos.
Isso é apenas um desabafo comum relacionado a certas perguntas que parecem não ter respostas que rodeiam a minha mente durante a madrugada. Tudo isso foi graças a umas experiências vividas recentemente. Geralmente, chamamos aquelas perguntas diferentes e misteriosas que nunca parecem ter uma resposta de incógnitas. São essas incógnitas que, ultimamente, arrancam o pouco de energia vital que sempre tento recuperar. Pode ser atormentadoras, me deixar desanimada a ponto de as pessoas me julgarem como a desinteressada ou imatura e até mesmo me causarem insônias de madrugada. No entanto, elas estão aqui, vivas residindo em minha mente.
Pode ser até que seja meio ou totalmente rebuscado de minha parte, mas creio que não posso omitir o fato de que essas incógnitas—aquelas que nós, mesmos em certo ponto de nossas vidas, as criamos—, as que eu inventei em minha própria cabeça, me afetam.
O que eu sou comparado a quatro, seis, dez ou mais anos vivido em um relacionamento? O que eu sou comparada a uma jovem descolada independente que trabalha e estuda ao mesmo tempo? O que eu sou comparada ao filho da Dona Julieta que tem a minha idade e tem uma maturidade fora do comum? O que eu sou comparada a princesa que apareceu em sua vida no qual faz você viver o “felizes para sempre” todos os dias? O que eu sou comparada a livros e conhecimentos gerais? O que eu sou agora comparada a sua ira por uns (ou vários) erros meu cometido no passado? O que eu sou comparada a garota ruiva magrinha toda meiga? O que eu sou...
Até chegar aqui, aonde nem cheguei à metade dessa caminhada ainda, já aconteceu tantas coisas boas e ruins, os momentos bons e as decepções principalmente, que já até perdi a conta. Por fora as pessoas pensam que foram apenas duas ou três vezes, mas por dentro parecem que foram milhões, ao longo desses anos. Talvez, seja esse o motivo de tantos questionamentos, ou talvez não. Confesso até que existem muitas coisas no qual eu guardo a mim e não externo.
Já me culpei, já culpei os outros, já fui uma cretina, as pessoas já foram cretinas comigo, apontei erros nos outros, apontei erros meus e me depreciei com isso. Mas, no fim o que fica são as memórias que me causam certos traumas e esses questionamentos. É como se esse momento, fosse uma corrente me aprisionando para evitar que eu siga em frente.
Será que eu fui sem noção mais uma vez? Será que eu fui chata demais? Ou mimada? Será que vou ter aquelas lindas histórias de amor? Será que eu fiz algo errado em tomar uma atitude assim? O que será que eles pensaram sobre minha pessoa? Será que eu me entreguei demais? Será que um dia serei reconhecida? Será que eu sou o suficiente para toda essa galera descolada? Será que eu não estou incomodando essa pessoa? Eu vi em um vídeo no qual alguém dizia “Para de ser chato, é comum as pessoas não te quererem ou te darem atenção”, por essa linha de raciocínio, será que ninguém me quer? Será que... Deixa pra lá
Essas perguntas, questionamentos e incógnitas ficam constantemente comigo, tipo um fantasma, onde as pessoas por fora não enxergam somente eu posso enxerga-los e somente eu sou atormentada com isso.
Essas perguntas difíceis de eu mesma responder é como se fosse a minha primeira prova do ensino médio em dois mil e quatorze em que só assinei meu nome, não respondi as questões e entreguei ao professor. Senti-me impotente em não saber respondê-las como não sei responder todas essas perguntas do texto.
Por fora, sou pintada como imatura, mimada, preguiçosa, desanimada ou qualquer outro adjetivo que a sociedade usa para descrever um jovem desinteressado. Mas por dentro o demônio criador desses questionamentos sempre está pronto a me consumir, às vezes ele ganha e às vezes eu ganho. É uma luta constante.
Talvez isso tudo seja uma questão de tempos, momentos, instantes e fases. A única coisa a se fazer é respirar fundo, seguir em frente e dizer a mim mesma que tudo ficará bem de fato. É criar forças e coragem, mesmo em períodos difíceis, para somente assinar meu nome na folha e deixar todos esses questionamentos em branco —sem respostas— com o intuito de, por fim, seguir em frente para construir um “eu” mais solido e seguro.