Depois de sair da escola, foram poucas as vezes que se encontrou com alguém que estava, e menor ainda eram as pessoas dessa época que haviam ficado em sua vida, não era algo que se importava muito, afinal, por mais que fosse conhecida pelos corredores, poucas eram as pessoas que realmente considerava. Na escola, era conhecida pelos sorrisos simpáticos e as falas sinceras, e isso não havia mudado muito. O que havia mudado de fato, era a aparência, o rosto ainda era o mesmo angelical e delicado, porém os olhos não transmitiam mais tanta doçura e ingenuidade, como alguns gostavam de dizer, Mihi tinha olhos de gata, eram intimidadores e eles falavam por ela. Diferente da Mihi adolescente, a Mihi solteira e divorciada, adorava festas. Enquanto bebia, observava a pessoa em sua frente, tinha a sensação de conhecê-la de algum lugar, mas não se recordava, e isso a irritava, já que era boa com feições. “Eu te conheço? Sei lá, eu tô te olhando de lá do sofá, e tenho a sensação de te conhecer, talvez seja o álcool.” Foi o que disse depois de se levantar e caminhar até a pessoa até então, desconhecida.
Encontrar antigos colegas de escola não era algo a que criava objeções; pela natureza particularmente curiosa e abelhuda, era comum que se animasse com os encontros casuais, apenas para saber como certas pessoas haviam se virado na vida. Também por isso adorava a existência de redes sociais, onde sempre podia dar uma espiadinha quando quer que se lembrava de algum colega aleatório e a curiosidade sobre tal lhe batia. Sabia, porém, que não havia sido a mais adorada na escola, muito embora tivesse muitos amigos; sabia reconhecer agora quão irritante tinha sido enquanto adolescente. Não que isso houvesse mudado num grau extremo, mas tinha orgulho de poder dizer que agora era um tanto menos irritante. E aquela era justamente a sua sorte, de encontrar alguém de quem havia pego no pé por tantos anos, mas a quem também havia recorrido por tantas vezes quando encarava inúmeras páginas dos livros de história e achava zero vontade de fazer os trabalhos da disciplina. Uma vergonha, sabia. Por isso levantou os olhos, levando apenas alguns segundos para reconhecer Mihi, e sorriu quase que envergonhadamente, se vergonha fosse de fato capaz de lhe ocorrer. Colocou uma mexa de cabelo louro delicadamente atrás da orelha, a única mudança drástica que havia feito desde o colégio e pendeu a cabeça ligeiramente em questionamento. “ Realmente mudei tanto assim a ponto de não se lembrar de mim? Ou seria o cabelo diferente...? Vai lá, vou te dar uma segunda chance. ”













