RMH
trying on a metaphor

Andulka

❣ Chile in a Photography ❣

★
untitled

bliss lane
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

oozey mess
ojovivo
I'd rather be in outer space 🛸
Not today Justin
Keni
YOU ARE THE REASON

pixel skylines
sheepfilms
Sade Olutola

Kiana Khansmith

Origami Around
Game of Thrones Daily
seen from Singapore
seen from France
seen from Bangladesh
seen from Spain
seen from Austria

seen from Russia
seen from Spain

seen from Spain

seen from United States
seen from Malaysia
seen from United States
seen from China

seen from Serbia
seen from Colombia
seen from India
seen from Belgium

seen from Malaysia

seen from United States
seen from France
seen from Germany
@ascinzasdeana
Stillness…
Tanya Luca
Dino Valls, (detail)
Garcia Mounstruilio.
threesome
Trust.
Robin Isely
deixar você ir foi o acerto mais doloroso que já cometi.
a rare photo of florence ascending to mount olympus to mingle with the gods where she belongs
Intimidade é quando a vida da gente relaxa diante de outra vida e respira macio. Não há porque se defender de coisa alguma nem porque se esforçar para o que quer que seja. O coração pode espalhar os seus brinquedos. Cantar a música que cada instante compõe. Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo. Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho. Andar descalço, sem medo de ferir os pés.
Ana Jácomo
Essa é uma daquelas verdades que a gente demora a perceber, porque passamos a vida acreditando que o tempo é infinito, invencível, uma linha contínua que não se dobra e nem se rende, mas ele se curva sim. O tempo se esgota, se ajoelha, se esparrama em silêncios quando já não tem mais força para seguir arrastando o que ficou pesado demais. Às vezes ele para, não porque o relógio quebrou, mas porque há dores que nem o tempo consegue atravessar com pressa. O tempo também se cansa de esperar que duas pessoas se reencontrem, de ver promessas se repetindo até perderem o sentido, de assistir a histórias que giram em círculos. Cansa de ver quem insiste em viver no passado, procurando nas lembranças o que o presente já não sustenta. Cansa de recomeços forçados, de desculpas que só servem para adiar o fim, de esperas que nunca se transformam em chegadas. Há dias em que o tempo parece sentado na beira da cama, respirando fundo, olhando para nós com olhos cansados, como quem diz: eu tentei te dar chances, te oferecer manhãs novas, mas você me desperdiçou. E ele tem razão, a gente o trata como se fosse eterno, como se ele tivesse obrigação de consertar o que destruímos, de curar o que machucamos. Mas o tempo não é remédio, é apenas o caminho entre o que éramos e o que ainda poderíamos ser se soubéssemos cuidar. O tempo também se cansa de ser culpado, dizem que o tempo vai resolver, mas ele não resolve nada sozinho, apenas coloca distância. O que cura é o que fazemos com essa distância, é a coragem de encarar o espelho, de aceitar o que acabou, de permitir que algo novo floresça no terreno onde antes havia dor. O tempo abre espaço, mas é o coração que decide o que plantar ali. E quando o tempo se cansa, ele começa a andar diferente, não corre mais. Passa devagar, como quem observa o que restou, o que foi desperdiçado, o que ainda pode ser salvo. Às vezes se arrasta, tropeça nas lembranças, esquece as horas. Outras vezes, acelera como um vento que varre tudo, levando embora o que não teve coragem de ficar. Talvez o segredo esteja em aprender a descansar junto com ele, parar de querer controlar cada segundo, parar de medir a vida em prazos, em metas, em retornos. O tempo não é inimigo, ele é espelho. E, se ele se cansa, é porque nós também o sobrecarregamos com as nossas pressas e arrependimentos, com o peso das coisas que não sabemos deixar ir. O tempo também se cansa, mas ainda assim ele continua, mesmo ferido ele insiste em nascer em cada amanhecer. Porque, no fim das contas, o tempo é o que nos resta e talvez tudo o que ele queira é que a gente aprenda, enfim, a viver dentro dele e não contra ele.
— Diego em Relicário dos poetas.
Noemia Prada
Arturo Kameya.