Salvei um print da nossa conversa em uma nota, onde combinamos que, sempre que olhássemos para a lua, seria porque o outro também estaria olhando. E, de alguma forma, ali nós nos encontraríamos.
Ela ainda insiste em aparecer de alguma forma...
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@atlantic-boy
Salvei um print da nossa conversa em uma nota, onde combinamos que, sempre que olhássemos para a lua, seria porque o outro também estaria olhando. E, de alguma forma, ali nós nos encontraríamos.
Ela ainda insiste em aparecer de alguma forma...
Eu uso o Tumblr como refúgio, é a única rede social que meus amigos e família desconhecem.
Hoje eu estava observando meu gato. Ele arranhava a porta, miava, fazia todo o drama possível porque queria sair. A porta estava fechada. Mas as janelas estavam abertas — elas sempre estão abertas.
Mesmo assim, ele continuava encarando a porta, como se aquela fosse a única saída possível. Tão concentrado no obstáculo, tão obcecado pelo que estava fechado, que não percebia as possibilidades escancaradas ao redor.
E fiquei pensando em quantas vezes fazemos exatamente a mesma coisa.
Passamos dias, meses, às vezes anos, dando socos na mesma porta. Chorando, insistindo, tentando forçar algo que não quer se abrir. Ficamos tão fixados naquilo que nos foi negado que deixamos de notar as janelas abertas ao nosso lado.
Nem toda saída vem da direção que imaginamos. Nem toda oportunidade se parece com aquilo que desejávamos. Às vezes, a liberdade não está atrás da porta que resistimos em abandonar, mas na janela que nunca nos demos ao trabalho de olhar.
Talvez o mais difícil não seja encontrar uma saída. Talvez seja aceitar que ela não tem a forma que esperávamos.
— Atlantic Boy.
You don't love me. You love the game.
— Atlantic Boy.
Odeio essa sensação de estar disponível demais.
—Atlantic Boy
Foi de imediato, na primeira conversa. Aquela pessoa me despertava algo que ninguém mais havia despertado na minha vida. Bastava pensar nela para que meu corpo inteiro reagisse. Imaginá-la era quase uma experiência física intensa, como se a presença dela existisse em mim mesmo à distância.
Eu a amei de um jeito que nunca imaginei ser capaz de amar. Foi algo profundo, extremo, desproporcional até. E isso se manteve por muitos anos. Durante muito tempo, eu tive a certeza de que nunca conseguiria esquecê-la. Parecia uma marca definitiva, como se esse sentimento fosse me acompanhar como uma espécie de condenação emocional.
Ela me fez chorar muito. Não pouco, muito mesmo. E por muito tempo isso definiu a forma como eu a lembrava.
Mas hoje, quando olho para as fotos dela, não sinto mais nada. Todo aquele impacto, todo aquele fogo que existia só de pensar nela, desapareceu por completo. Não é que tenha adormecido esperando voltar. Ele simplesmente deixou de existir. Se transformou em outra coisa, uma espécie de gelo interno que apagou qualquer vestígio do que já foi.
Hoje eu não penso nela. Não sinto saudade. Não me pego imaginando se ela vai me procurar ou se vamos voltar a falar. Não há expectativa, não há dor, não há lembrança emocional ativa.
Não sinto nada.
Neide Torres
Tem dias em que parece que estou jogando limpo em um jogo viciado.
— Atlantic Boy.
"Eu queria tanto que tivesse dado certo."
E, depois de tudo o que você investiu nisso, acho que você tem direito de dizer essa frase sem corrigir ela imediatamente com racionalidade.
Porque antes de ser uma fase, antes de ser um aprendizado, antes de ser um redirecionamento da vida...
Foi uma decepção.
E decepções precisam ser sentidas antes de serem superadas.
Sem lição.
Sem filosofia.
Sem maturidade.
Só isso.
"Eu queria tanto que tivesse dado certo.
— Atlantic Boy (Um conselho meu para mim.)
Você não me ama. Você ama uma lembrança, uma sensação, a forma como eu fazia você se sentir quando ainda estava aí.
Mas isso não sou eu.
É uma idealização. Uma versão distorcida pelo tempo.
Você não está apaixonado por mim. Está apaixonado pela história que criou sobre mim.
— Atlantic Boy.
As tragédias acontecem quando você para de prestar atenção.
— Atlantic Boy.
Você pode não saber o que quer. Mas comecei por aí: pelo que você não quer. Pelos seus limites. É um bom começo.
— Atlantic Boy.
Por muito tempo eu quis ensinar as pessoas a me amar. Entregava mapas, manuais, listas de avisos e instruções. Dizia que era praticidade, uma forma de otimizar o tempo, uma seleção natural. Se depois de saber tudo sobre mim você resolvesse ficar, ótimo. Se fosse embora, pelo menos eu teria economizado esforço.
Era uma lógica confortável.
Eu expunha minhas rachaduras, meus defeitos, meus excessos, e pensava: pronto, agora a decisão é sua. Se não desse certo, a culpa já não era minha. Afinal, eu tinha avisado.
Mas a verdade é que ninguém aprende uma pessoa lendo o manual.
Você pode explicar seus medos, descrever seus traumas, listar cada comportamento que considera difícil. A outra pessoa pode entender, pode ouvir com atenção, pode até acreditar que está preparada.
Só que entender nunca foi o mesmo que viver.
Há uma distância enorme entre ouvir alguém dizer "às vezes eu me afasto quando estou machucado" e estar ali no dia em que esse afastamento acontece. Entre saber que alguém é intenso e sentir essa intensidade ocupando espaço dentro da relação. Entre conhecer a tempestade e atravessá-la.
Fugir diante disso não é necessariamente uma falha de caráter. É humano. Ninguém sabe realmente o que consegue suportar até estar dentro da experiência.
E talvez seja aí que mora a parte mais difícil de admitir.
Talvez eu não estivesse entregando um manual para facilitar a permanência de alguém. Talvez eu estivesse entregando um pedido. Um pedido sofisticado, elaborado, racionalizado. Mas ainda um pedido.
Como quem diz:
"Eu sei que sou complicado. Eu sei que carrego coisas difíceis. Eu sei que haverá dias em que não serei fácil de amar. Mas, por favor, fica."
— Atlantic Boy.
O nosso amor ficou no pretérito perfeito
— Alan Andrade
Ninguém me avisou que fazer tudo certo não é vacina.
Eu vou no médico. Tomo o remédio no horário. Vou pra terapia, treino, rezo do meu jeito.
E mesmo assim, um dia qualquer, uma chave vira. O quarto some debaixo da bagunça. A cortina fecha. As coisas que eu amava viram só objetos parados.
Tudo perde a cor. A comida perde o gosto, o dia perde o cheiro, o corpo fica pesado de tanto vazio. Não é tristeza só, é tudo ficando distante, como se eu visse minha própria vida de longe.
E aí vem todo mundo com receita pronta. "Falta rezar mais." "Você precisa é fazer isso, tentar aquilo." Como se eu não estivesse tentando. Como se cuidado fosse interruptor, liga e nunca mais apaga.
Não é que essas coisas não ajudem — ajudam, de verdade. Mas ajudar não é curar. Não é escudo. E a culpa de recair mesmo fazendo tudo certo vira raiva de mim mesmo, como se eu tivesse escolhido isso. Ninguém escolhe.
Não é falha. É recaída. E vai acontecer de novo, provavelmente. Não porque eu falhei, mas porque a vida não é justa e não segue o roteiro de quem se cuida direitinho.
Não dá pra fugir disso. Só dá pra parar de se culpar por isso acontecer.
— Atlantic Boy.