「 HUBREE — IN THE MIDDLE OF THE STORM 」
Hugo estava radiante. Finalmente, de alguma forma, estava se encontrando. Tinha uma identidade própria. Viajara quilômetros, descobrira que curso gostaria de seguir. Depois, foi eleito capitão da Grifinória e estabeleceu a si mesmo a meta de ser a melhor pessoa para seu time. Pela primeira vez sentia que realmente estava sendo notado por sua subjetividade, por suas conquistas próprias. O peso de seu sobrenome já não lhe pressionava os ombros.
Ele era o Hugo. Apenas Hugo. E estava feliz assim.
Dessa forma, toda a repercussão que o último jogo recebera o deixara nos ares. Sabia que havia superado as expectativas. Mas, também, como poderia ser diferente? Havia mudado toda a rotina de treinos de seu time, além de sempre acordar mais cedo do que os outros para planejar novas estratégias de jogo. Além do prazer que sentia pelo jogo, Hugo sentia-se extremamente satisfeito quando sentia que estava no controle sobre algo tão importante - e queria honrar a responsabilidade que delegaram a ele.
Desde o sábado passado, andava recebendo mais atenção do que de costume. Já sabia do poder que um bom jogador de quadribol tinha sobre as garotas por conta de seu pai, o qual fora perseguido por uma tal de Lilá Brown durante o sexto ano inteiro - uma história da qual Hermione, melhor amiga de Ron na época e sua atual esposa, não gostava de lembrar. Mas não imaginava que seus treinos ganhariam espectadores, ou mesmo que aquilo durasse tanto quanto aparentemente estava durando.
Mas é claro que não iria reclamar. Tinha um orgulho e ego para afagar. Além deque sentia que o reconhecimento era merecido.
Naquela tarde, estava caminhando a esmo pelos corredores. Pretendia dar um pulo na cozinha e conversar com os elfos, os quais Hugo convencera, um a um, a torcer pela Grifinória no jogo de sábado. Até mesmo dera para Billy um enorme cachecol vermelho e dourado, o qual o elfo usava com pompa e marra, mesmo em dias de calor.
Assim que Hugo desceu as escadas para o pátio, porém, não pôde deixar de reconhecer uma voz feminina extremamente familiar.Aubrey. E, mesmo que não pudesse entender o que a loira dizia, teve a sensação de que a mesma encontrava-se muito irritada. Não exatamente uma novidade, mas algo extremamente curioso dado que a mesma se mostrara bastante bem-humorada pela manhã.
Quando terminou de descer as escadas, seu olhar encontrou o de Loren. Era uma grifana um ano mais nova do que ele. Nunca haviam conversado muito, mas ultimamente a morena parecia nutrir um grande interesse por ele - e é claro que Hugo não iria reclamar disso. Achava um pouco boba a forma com que ela parecia liderar outras garotas, como se fosse uma abelha rainha daqueles filmes clichês americanos. Mas, qual é, que tipo de cara não gosta de ser admirado?
— Não precisa me tratar dessa maneira só porque eu torço pelo Hugo, Aubrey. Você, como amiga dele, deveria ficar feliz por ele ter uma torcida, e não ficar com ciúmes desse jeito. Tudo bem, não precisa nos emprestar sua câmera.
Ao ouvir isso, Hugo estreitou as sobrancelhas. Com as mãos nos bolsos, aproximou-se das grifanas.
— E aí, meninas? — cumprimentou-as. colocando-se entre as duas com uma expressão confusa no rosto. — Que história é essa de câmera? — Hugo sorriu, desviando o olhar de Loren para Aubrey. Não pôde deixar de notar o quão vermelha a melhor amiga estava. — Ciúmes, é, Whitelaw? Tem algo que eu deva saber? - perguntou, o sorriso vaidoso ainda no rosto.
Não estava a par da conversa, mas parte do que escutara o chamara a atenção. “(…) deveria ficar feliz por ele ter uma torcida, não ficar com ciúmes desse jeito.” Há. Mulheres e suas bobeiras com ciúme…
Sempre se sentia mal sempre que encontrava-se raivosa, ou apenas nervosa. Qualquer sentimento negativo era sinônimo de fraqueza para Aubrey, e devido a fama de fraca que muitos gostavam de propagar à sua imagem (por causa da aparência delicada), o que menos queria era ser julgada dessa maneira. E logo a pessoa otimista daquele corredor viu que a situação estava pra piorar.
Hugo era seu confidente. Era a pessoa com quem ela sabia que poderia contar a qualquer momento, toda hora. Ele nunca a deixaria na mão e sempre faria o impossível pra vê-la segura, feliz. Poderia afirmar o mesmo a respeito do que sentia em relação a ele, ainda que já tivesse escondido coisas – como seu pequeno caso com Caius e o mal entendido com Loren. Mas a situação agora a colocava em risco, uma vez que se zelava pela segurança de Hugo, o mais provável a se fazer era afastá-lo de uma pessoa tão venenosa e traiçoeira como aquela garota ali. Sabia que os únicos motivos de ela ser uma grifana eram sua ousadia e coragem, as quais demonstrava naquele momento mesmo sabendo que a qualquer segundo poderia acabar azarada pela loira. Isso realmente aconteceria se Weasley não tivesse chegado.
Esperava que ele a tirasse de todo aquele desconforto, que notasse tamanha insegurança de sua parte e a falsidade vinda das palavras anteriores de Loren, porém, conseguiu trazer mais vermelho à sua face. Tanto de raiva quando de vergonha. Não foi capaz de responder mais rápido do que a outra.
— Estávamos pedindo a câmera bruxa da Aubrey emprestada, pra poder tirar algumas fotos de você no próximo treino. — Respondeu Loren, um sorriso travesso na face. Insinuativo até demais. — Só que ela foi super grossa e disse que não.
— Eu não teria sido grossa se você não tivesse chamado minha câmera trouxa de tralha, e se não soubesse que você e suas marionetes apenas estão de gracinha pra cima do Hugo pra me irritar. — Lançou seu olhar mais ameaçador a ela, e logo desviou o olhar pro garoto ruivo, indicando que estava prestes a atacar se ele não tomasse uma atitude. — Você não vai fazer nada? Tá na cara que ela tá se fazendo de coitada.