A maldição de ser musa é que a caneta pertence ao outro. Se ele te amou com palavras, vai te desamar com elas também. O fim não é silêncio, é um capítulo final que você não pode editar.
— Vilanizar.
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A maldição de ser musa é que a caneta pertence ao outro. Se ele te amou com palavras, vai te desamar com elas também. O fim não é silêncio, é um capítulo final que você não pode editar.
— Vilanizar.
Ninguém destrói tão bem quanto nós. Mas ninguém transforma o estrago em recomeço como a gente quando decide fazer as pazes.
— Urano.
Pela primeira vez, eu não queria ser calma, nem forte, muito menos estar bem. Eu só queria ser honesta com tudo o que ainda doía.
Eu não enxuguei as lágrimas; simplesmente as deixei cair.
— Os fragmentos de Charlie.
Sempre que olhar para a lua, saiba que estou sob a mesma luz, pensando em você.
— Urano.
Talvez existam amores que só sabem existir no quase.
— Apesar de tudo, amor.
O que escapa das minhas mãos é o que não podia mais ficar. E, o que fica comigo, é o que realmente importa: a minha verdade e o meu valor.
— As borboletas tornaram-se poeira.
Fuga.
Vivo em estado de escape. Às vezes de alguém, às vezes de algo, outras vezes de um vazio que nem sei nomear. Os cenários mudam, as sombras se disfarçam, mas a pressa é a mesma: o coração quilômetros à frente de um corpo que ainda nem saiu do lugar.
Meus sonhos são o eco do que eu silencio enquanto estou acordada. Talvez o perigo não esteja vindo atrás de mim; talvez esteja exatamente onde eu me recuso a olhar.
— Os fragmentos de Charlie.
Há uma certa sensação de conforto em saber que nada me atingirá com tamanha força novamente. Nada será tão belo, assim como nada doerá tão fundo.
— Os fragmentos de Charlie.
Sua presença é preciosa demais para ser tratada como dúvida. Ninguém, por mais importante que tenha sido, tem o direito de te manter no umbral — entre o “fica” e o “vai” — sem te oferecer o solo firme do carinho e do respeito que você merece.
— Vilanizar.
Você merece alguém que te escolha mesmo quando tudo está bem.
— Apesar de tudo, amor.
Afeto e cansaço podem ocupar o mesmo espaço. O nó desata quando razão e coração param de gritar um com o outro e finalmente aceitam a mesma verdade: às vezes, amar não é o suficiente para ficar.
— As borboletas tornaram-se poeira.
Laços profundos também podem machucar quando deixam de ser bons. A conexão sobrevive, mas se desgasta aos poucos quando o cuidado vira uma via de mão única.
— As borboletas tornaram-se poeira.
Sufoco.
É o nó que aperta por dentro e se recusa a soltar; a dor que não encontra saída e, por não sair, se instala. Aperta o peito, fecha a garganta, trava o corpo inteiro.
É a matéria tentando processar uma ausência que a mente e o coração ainda se recusam a aceitar.
— Os fragmentos de Charlie.
Porque amar — mesmo quando ainda há sentimento — às vezes, também é saber soltar.
— Apesar de tudo, amor.
Ela tem esse hábito irritante de se incluir nas minhas coisas sem pedir. Sem convite, sem hesitação. E, por mais que eu tente fingir que me incomoda, há algo nessa invasão que me acolhe.
Como se, no fundo, eu sempre quisesse que ela estivesse ali.
— Urano.
Ainda sei ir embora quando preciso. A diferença é que agora não vou com culpa. Vou com clareza. E clareza é uma forma silenciosa de coragem.
Escriturias
Entre o que me faltou e o que transbordei, fiz morada no quase e poesia no depois.
— Os fragmentos de Charlie.