O sol já se pôs, e o lago reflete a pálida luz da lua enquanto Avery nada, imersa em seus próprios pensamentos. A surpresa toma conta dela quando Mason aparece de repente. O medo a alcança, questionando a razão de sua presença tão antes do esperado. A preocupação imediata é Quinn, mas Avery mantém esses pensamentos em silêncio. Nadando até a margem, Mason joga uma toalha em sua direção. Avery, que estava na água há mais de duas horas para evitar voltar para casa e encontrar Mira, aceita a toalha com um olhar interrogativo.
— Quem diria que você estaria aqui. — Mason comenta quando Avery retorna à superfície.
Avery, ainda envolta na presença de Mason, pergunta diretamente por que ele está ali. Mason desconversa, mencionando assuntos particulares e assegurando a ela que não precisa se preocupar. Seus olhos buscam sinais no rosto de Mason, mas ele permanece indecifrável. Em meio à incerteza, Mason comenta sobre a resistência de Avery à água gelada, e ela responde com uma leveza sutil.
— É meu tipo favorito de dor. — Avery se senta, a areia molhada ao redor, e contém o emaranhado louro em um penteado.
— A de congelar os ossos? — O mais velho se coloca ao seu lado.
— Algo assim. — Era algo a mais, mas Avery nunca contaria para ninguém.
— Talvez você fique um tempo sem me ver. — Mason confessa, lançando um olhar significativo para Avery. Ela o encara, pronta para questionar, mas antes que as palavras possam sair, Mason a recolhe em seus braços. No segundo seguinte, Avery sente as lágrimas quentes do irmão, um gesto que fala mais do que as palavras que ele não pronunciou. O abraço fala de despedida, de algo que nenhum deles poderia prever. — Você sempre será minha irmãzinha.
Aquela foi a última vez que o viu.
Avery suspira diante da menção da morte, um assunto que ela não costumava perder tempo – ainda que, quando descobriu os planos de Mira aos dezesseis, soubesse que a morte lhe seria uma promessa. Os dramas exagerados de Malek a irritavam, mas no fundo, ela sabia que a realidade do Quadrante era implacável e que deveria considerar as implicações da sua morte. Quinn não era a única. Cain menciona o lago, despertando a atenção de Avery.
— É lindo aqui. Está tudo bem. — Ela responde, tentando manter a serenidade diante dos pensamentos sombrios.
Avery se apressa em direção à margem do lago, observando a calma da água. O ambiente, embora diferente de sua casa, tem um toque mágico que acalma suas inquietações. As mãos dela param de tremer, e ela fecha os olhos por um momento para absorver a tranquilidade. Quando volta a atenção para Cain, não hesita em tirar a jaqueta.
Avery desliza a jaqueta para fora dos ombros, revelando a pele desnuda pela regata preta que veste. Seu tom de pele é pálido, quase como a lua refletida na superfície tranquila do lago. A maciez da pele se destaca, uma tela suave que carrega pequenas cicatrizes de um dos inúmeros incidentes ao longo da vida. O contraste entre a pele e o tecido escuro da regata adiciona uma nota de seriedade à ela, enquanto se prepara para mergulhar nas águas que tanto ansiava.
— Vamos? — Diz, antes de retirar a outra peça e mergulhar.