Avery sente seu coração palpitar descontroladamente, um ritmo frenético que ecoa o trauma do Parapeito. A atmosfera, uma mistura de risadas e gritos distantes dos cadetes ainda no Parapeito, torna-se sufocante. Ela luta para conter a crescente sensação de pânico, mas a respiração torna-se irregular, cada inspiração mais difícil que a anterior.
Enquanto tenta recuperar o controle, Avery percebe os fios dourados de Quinn cortando o tumulto ao seu redor. Os passos apressados da irmã atingem em seus ouvidos, e antes que ela possa reagir, Quinn a envolve em um abraço reconfortante. Avery se permite afundar nos braços de Quinn, buscando abrigo na familiaridade e no calor que só uma irmã pode oferecer.
Quinn quebra o silêncio tenso com palavras carregadas de urgência. — Estou tão feliz por te ver, Avery. Não sei o que faria se algo tivesse acontecido com você lá. — As palavras da irmã são uma melodia suave em meio à confusão ao redor.
Elas estão em um lugar onde a agitação dos cadetes parece distante, como se o universo estivesse contido naquele abraço reconfortante. Quinn fixa o olhar em Avery e, num gesto de determinação, se pronuncia.
— Encrenca, preciso resolver uma coisa, mas volto assim que puder. Fique alerta, está bem? Não confie em ninguém. — Quinn diz, apertando os ombros de Avery como se quisesse transmitir força.
O medo, que antes estava adormecido, retorna como uma onda incapacitante. Ela assente com a cabeça, forçando um sorriso para tentar tranquilizar Quinn, mas a sensação de solidão a abraça conforme a irmã se afasta. O ambiente que parecia isolado da agitação agora a envolve, e Avery se sente vulnerável à espera da volta da única pessoa em quem confia plenamente naquele momento.
Avery ainda está se recuperando da crise de pânico, e sua voz é entrecortada quando ela responde à observação da desconhecida. Seus olhos se fixam na mulher, tentando manter a compostura diante do elogio. A presença dela e suas palavras trazem à mente de Avery flashes da imagem de Hanna, uma lembrança amarga que ela tenta sufocar.
— Obrigada... — Diz Avery, sua voz saindo como um sussurro frágil. — Acho que... nem eu mesma esperava... passar por aquela parte. — Ela oferece um sorriso tímido, tentando esconder o desconforto que a lembrança de Hanna lhe causa. Avery não consegue evitar associar as palavras com o olhar perdido de Hanna. — Você sabe quantos morreram?