Os pés nus sobre a terra pareciam dizer tudo aquilo que entendíamos sobre liberdade. Senti-la entre os dedos era a anatomia perfeita do corpo no planeta. Ao nosso redor tudo parecia frágil perante a força da natureza. E nós sabíamos que a qualquer momento poderíamos ser esmagados pelo imprevisível, como a boca de leão faminto. Mas, por algum mistério maior, quanto mais dóceis nos propúnhamos a ser, mais o universo nos aceitava. Fazíamos parte de algo bem mais importante do que a nossa ignóbil e simples existência. Éramos livres e nos encontrávamos absolutamente interagidos com o mundo. Nós éramos a própria vida latente pronta pra encarar qualquer tipo de destino.
Elisa Bartlett, Outras Vidas. (via oxigenio-dapalavra)















