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Refluxo
acordo, tem algo que já está acordado. É um suco gástrico desagradável, que se movimenta, agitado e não permita, deus, que eu morra quando eu me dispuser a deitar. Tem motivo, claro, mas ainda assim. Foi ontem e vingança espera o estômago se rebuliçar para dizer, olha aqui, tá achando que isto aqui é bagunça? Lembrou de beber água? [não]. Lembrou de comer consistência? [não]. Lembrou de lembrar de parar? [sim, mas já seria irrelevante]. Mas a adrenalina não queima? Sempre achei que adrenalina fosse um nome adequado para explosivos, tipo ADRNLN 25. Um código. Enfim, onde estávamos? Ah, sim, em um fluxo… desagradável. Mas enfim parei, peguei minha bike, vim, deitei. Sabia que se tratava de muita cerveja ruim, cerveja ruim dessas que o efeito real é um refrigerante de cerveja, arrotar e arrotar. Bate nas costas do bebê. Bom, esqueci de beber água. Acontece. Sempre lembro, não lembrei. As cervejas, associei que tinham em demasia dela, talvez por isso não tenha lembrado de bebê-la. Infelizmente também não posso simplesmente achar que ok, passou, vai ficar tudo bem. Porque acordei na metade do esparro, pra viver o tal do desagrado refluxo. Reaver o caminho até ali, jetlegs. Lembro de ter vestido roupas com cheiro de senhoras ricas, mas isso foi antes. Lembro de ter visto apontadores em formatos de peixes, mas isto foi depois um pouco. E em algum momento eu estive em uma praça, usei um banheiro, ganhei uma cerveja. Aí fui indo, mais outro peixe, mas de comer. Não tinha bebido água ainda. Nem iria, como eu já sei, como você já sabe. Seguimos, paramos, pedi pão de alho. Foi quando tudo começou? Mas isso foi no final. Mas do que adianta saber deste contra-fluxo todo? De nada… eu não ter lembrado muda o que? O futuro, se eu lembrar disso aqui, no máximo. Beber água. Tatuar em helvética no punho. Será que lembrarei ainda assim? Estufadíssima, percebo. Sinto sede, e isso piora. Refluxo odeia água nessas horas, por isso, vingativo “queria antes, você não me deu…”, “poderia ter evitado”. É uma DR mas não gostaria de ter esta relação. Enfim, penso em chás, mas muita muita preguiça também. Vou à geladeira, deixo uma água providencial pra gelar. Agora existe uma nova geladeira em casa. Uma pitú fica agora a altura de meus olhos. Engraçado, acho que me encara. Lembra um pouco até o jesus cristo que pendia na parede da casa dos meus pais, pendurado de frente à porta principal. Este sim, sempre fazendo uso de seus olhos. Penso se olhos, memória e visão são três irmãos. Grandes ou pequenos, sim, isso faz diferença saber. Penso porquê penso nisso tudo, é penitência ou lembrete? É distração ou consciência? É mais alívio ou mais tensão? Respiro fundo, algo quer sair. Nisso não sai, mas durmo. Acordo melhor porque aceitei que não lembrei do que tinha que ter lembrado acaso eu não quisesse estar assim, mas aceitei. Meu corpo nem tanto, fica chateado. Durmo mais, fiz as pazes no silêncio.
calma
Volto de bicicleta
Está muito sol
E eu ainda não dormi.
Falo com cinco pessoas diferentes.
Fumo dois cigarros seguidos.
Tomo banho, mas sem me sentir
nova.
e sim cansada.
preciso de tempo, e já me sinto
/ausente
- de quem?
- de mim
parece que às vezes eu preciso urgentemente de alguma urgência
que logo me leve, que logo se esvai.
parece que da água que eu bebo ela vem de uma cachoeira
que só cai e vai e cai e vai
eu sempre me pergunto se é disso que eu preciso.
e se é assim que eu quero.
mas o que eu sei da cidade dos outros?
na minha, eu preciso de silêncio.
que eu estacione.
que eu respire.
que a queda em mim, ela uma hora
cai
(Helen Brüseke)
MAGIC (Nicola Cruz)
(Tropkillaz)
esta mulherrrr ave maria