O Menino que Amava Pessoas Comuns
Um dia, me contaram a história de um menino. Um desses meninos comuns, que nasceu em uma hospital comum, em uma família comum e estudou toda a vida acadêmica em lugares comuns. Assim como em todo o lugar, pessoas comuns tinham defeitos e qualidades comuns. O maior problema desse menino era que a maior qualidade dele era também seu maior defeito: Ele amava pessoas. Os olhos castanhos e comuns do menino conseguiam ver mais do que as pessoas comuns viam. Ele conseguia se apaixonar pelo jeito que as pessoas andavam, pelo jeito que as pessoas agiam e pelo jeito que elas corriam. Ele amava todos que conheciam e imaginava-se junto a todos, para sempre.
Nunca me contaram o nome dele, mas eu adoraria saber. Um dia, ele conhecera uma mulher com os cabelos mais comuns e lindos do mundo. Tinha defeitos, assim como todas as pessoas comuns, mas mesmo assim, o menino se apaixonara. Só de ver seus olhos, o coração do menino derretia. Ele se viu com ela, beijando-a e amando-a para todo o sempre. Com filhos, teriam muitas aventuras pelo enorme planeta comum que habitava. Mas ela não queria o menino, ele era muito comum.
Ás vezes eu queria ter a coragem do menino. Um tempo depois, ele conheceu uma mulher baixa, mas não muito. Era uma estatura baixa mais comum do lugar. Ela era muito feliz, o menino logo achou ter encontrado a protagonista de seu romance. Cortejou-a e assim conquistou o coração comum da mulher. Não durou muito, talvez ele tivesse uma aparência muito comum para agradá-la.
Quando me falaram que ele não desistiu, fiquei de boca aberta. O menino estava andando por um lugar proibido. Um labirinto sem saída. Quando ele chegasse no centro da escuridão, o Sol brilharia sobre a cabeça da próxima pessoa comum que ele amaria. Depois de três anos, ele conseguiu ver o Sol. Os cabelos loiros da mulher eram ainda mais comuns e bonitos do que a primeira mulher que amara. A estatura da mulher era mais corriqueira do que a da segunda. A luz amarela quase cegou o menino e ele se apaixonou novamente.
O final dessa história nunca me deixou feliz. Ele se aproximou e viu que ela era guardada por outro menino. Menos comum que o comum, impedindo que o coração apaixonado se aproximasse do Sol. Assim ele virou-se e saiu.
Astrônomos dizem que o Sol daqui não é o único. Fico me perguntando… Será que o menino achou pelo menos uma porta dos fundos? Talvez ele tenha voltado pela entrada. Talvez ele esteja por aí… Procurando pessoas comuns.