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Olesya Novikova (Photo: Nikolay Krusser)
Silencio, por favor. Posso ter sua atenção? Tris-te-za. É triste que a tristeza seja o tema da nossa conversa. Os pássaros cantam e o sol esconde o frio da nossa bela cidade. Mas eu não estou aqui para falar da cidade, eu estou aqui para falar sobre o...amor. Eu espero que vocês honrem essa minha paixão a qual eu dediquei toda a minha vida, todos esses anos. Deixe-me ser claro... e obscuro. Guardem suas perguntas, confiem nos mistério e nada de comidas barulhentas! Essa ficção me desperta do sonho de minha vida, ela prova que não estou morto estou apenas...morrendo...morrendo.
[Você não pode mais usar essa sala.]
-Insolação
Dobrada à Moda do Porto
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo ...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).
Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Álvaro de Campos
- Amor, etc...
19 de outubro
Levantava num movimento e frequência quase cronometrada a calça azul de brim que escorregava pelos meus quadris agora emagrecidos. Nada parecia muito real naquele terminal, nem você calmo e seguro na sua blusa azul, nem eu trêmula, a única coisa real era fato de que o meu coração estava sendo quebrado e apesar da dor terrível nenhuma palavra saia da minha boca. Queria te puxar pela manga, beijar você. Não por amor como antes, apenas para provar que eu podia. Queria que você ficasse.
Olhava para os meus sapatos sujos que havia escolhido de manha. Havia escolhido tudo com muito cuidado, tinha que ser perfeito. Bem, nada parecia perfeito agora. Não por uma coisa estúpida como a escolha errada de sapatos, mas por um segundo, por um único segundo de medo. Um mundo de coisas pode acontecer em um segundo, coisas importantes são decididas; o certo e o errado, fugir ou lutar. Escolhi fugir. E agora vivo esse mesmo segundo um bilhão de vezes. Talvez as coisas fossem diferentes agora ou talvez elas só tivessem encontrado outro caminho para dar errado.
Dias mais tarde me embriagaria pela primeira vez, consegui alguma tontura, mas nada pareceria tão borrado e confuso como naquele dia.
Você está Em todo lugar que eu não vou Em toda noite que não durmo Em todo plano que não concluo Com todo mundo que não conheço Em toda ligação que não atendo Em cada mensagem que não envio Em cada cama que não me deito Em cada sobremesa que não como Em todo tempo que não faço Em toda hora que não estou calmo Em toda sala sem barulho Em todo abraço que não recebo Em toda vez que eu desisto Em todas as roupas que eu compro Em todas alternativas que não escrevo.
PC Siqueira
As vezes chega a hora de alguém se tornar nostalgia.
Você disse outro dia (por brincadeira ou verdade) que gostaria de se apaixonar, ter seu coração partido e escrever um álbum sobre isso. Mas a dor não produz arte. Artistas produzem arte. Nem os sentimentos bonitos como o amor ou os feios como o ciumes, o medo, angustia e solidão pode produzir alguma coisa. Caso calhe de você ser um artista isso pode render alguma coisa, mas geralmente não rende só queima. Queima por dias até você se levantar um dia da cama e se perdoar e se lembrar de como é estar em paz consigo mesmo.
Ando por ai, compro canetas, chocolates, isqueiros, cadernos, clipes de papel, sorvetes e cervejas. Lembro de te esquecer. Esqueço e te mando uma mensagem que você não vê. Você não me ama. Saio. Bebo café. Dou uma olhada no que está passando na tv, é um romancinho água com açúcar. Será que eles não sabem que amor não existe? Volto para o quarto, para cama e para posição fetal debaixo do edredom. Penso em tudo, em todas as coisas, grandes e pequenas, tão banais quanto o teto branco (agora já nem tanto) acima de mim, penso cachorros, penso livros, poemas, lugares e penso em você com todo o meu amor que não é bem vindo. A minha mente viaja, longe muito longe, vai até o universo e volta. Você visualiza e reponde “Legal. Vou ouvir.” Você me ama novamente.
Não há nada de errado em ser super reservado e querer manter alguns aspectos da sua vida longe da visão pública.
Minha vida não é pública mesmo que eu escolha por vontade própria ser clara e aberta quanto algumas coisas, eu não tenho que ser sobre outras.
Não você não pode ter tudo
Eu odeio a minha vida, é tão patético. Eu sinto que eu não nenhum controle, de que eu não posso mudar nada. Quatro anos se passaram e eu não fiz nada.
Não acho que isso vai mudar algum dia. Mesmo que tudo começasse a dar certo isso ainda não seria suficiente. Nada seria suficiente. Eu ainda seria eu e ainda carregaria o mesmo sentimento. Anos têm passado e tudo continua como antes.
Estou onde queria estar, consegui tudo o que eu queria e nada foi suficiente. Sempre o mesmo sentimento crescendo dentro de mim.
Gostaria de conseguir chorar.
Lavar a alma com as lagrimas de um choro convulsivo. É real, eu vejo, eu sinto, eu choro.
"Ela é como aquela ferida no céu da boca que sararia se você pudesse parar de passar a língua nela. Mas você não pode."
Clube da Luta, Chuck Palahniuk