Em um dos meus clichês favoritos, encontrei o amor no olhar mais improvável, quando finalmente me enxerguei. Em um paradoxo confortavelmente familiar, sei de cor cada pedra em que pisei para voltar aqui ao mesmo passo que permaneço estarrecida por não ter percebido minha chegada.
Tantas formas de enxergar esse momento se transformarão em incontáveis palavras, tantas delas visões esquizofrênicas de anjos e demônios que me preparo para dividir com quem oportuna a minha presença agora. Tantas versões quantas preciso para caber no mundo, que só em um ponto cruzam caminhos: a magia.
Ingrediente crucial da minha existência, que mesmo na minha ausência, não se ausentou do mundo ao meu redor. Me mantendo segura de que algo ainda era real, já que nem mesmo a dor foi capaz.
O céu azul, um dia lindo, o sol aquecendo um pedaço de pele, apenas o suficiente. Tem tanta coisa que ninguém me contou. Tem tanta coisa que ninguém poderia ter me contado.
Em cada dimensão tudo aconteceu por seu motivo particular, mas sempre por um motivo. E eu vibrando hora em uma hora em outra frequência, entendo que não caibo em uma existência humana por viver vidas demais.
O universo é pura magia ao meu redor, agora de novo como antes, mal paro na realidade com tantas paisagens surreais, mal respiro de tão denso o ar. Se me esqueci ou deixei de ser, abandonei a magia da minha própria existência por muito tempo. O mundo não deixaria de brilhar por nada, mas eu deixei. Mas transbordo de novo.
Uma nuvem de poeira cintilante ao meu redor, um rastro cor de rosa por onde eu passo.









