“Tudo bem. Pode ser Leo, Ells, Lea… O que sua mente permitir e for capaz de gerar com um nome tão estranho.” Sorriu, nem um pouco incomodada por ter sido chamada por algo que não era o apelido como havia se apresentado. Havia se adaptado até mesmo com termos como “Barbie” e “Polly”, o que seria um título a mais? “Para ser tão sóbrio nesse assunto, defintivamente, você nunca deve ter se apaixonado perdidamente por outra pessoa, certo?” Perguntou meio que retoricamente, enquanto ria. Logo em seguida, tragou seu cigarro e passou algum tempo com a fumaça na boca antes de dispersá-la pelo nariz, enquanto pensava em uma nova resposta para Brick. “Eu também não deveria me preocupar muito com dinheiro porque nasci em uma família fodidamente rica, mas decidi cortar o cordão umbilical e viver por conta própria. Ganho consideravelmente bem como stripper, mas poderia ganhar muito mais seguindo os passos dos meus pais e atuando no gabinete de algum advogado ou promotor invencível de Washington.” Disse, inevitavelmente encolhendo os ombros ao mencionar aquela opção. Leo definitivamente não se enxergava atuando em nenhuma área do Direito, o que fazia com que ela se perguntasse o motivo de ter perdido cinco anos de sua vida naquele curso. “Mas por mim, poderia viver perfeitamente bem isolada em alguma praia, tipo Largados e Pelados, sabe? Meu sonho.” Voltou a rir, novamente tragando e dispersando o cigarro na direção oposta. Fuçou seus bolsos novamente atrás de seu celular, apenas por hábito, e ao se deparar com algumas mensagens de Bonnie convocando-a para uma noite das garotas de última hora com Bonnie, rolou levemente os olhos, voltando a rir, mas mais consigo mesma.
“Eu realmente adoraria passar o resto da noite com você, Brick, mas o dever me chama.” Levantou-se no instante em que disse isso, meio cambaleante, tomando cuidado para não chutar o copo que deixara de lado. Na verdade, pegou-o novamente e jogou-o numa lixeira próxima. “Aqui, fique com o meu número. Só para o caso de você querer ouvir um pouco mais sobre a minha vida patética e sobre a minha cabeça fodida.” Brincou, agachando-se perto do rapaz outra vez, enquanto tirava também de sua 7/8 um de seus batons mate. Com o pincel dele, escreveu os números de seu telefone na palma da mão alheia. Meio tortos, mas estavam ali no final das contas. “Ou se quiser sair para mais alguma festa ou para tomar café também.”
Brick abaixou a cabeça um pouco e soltou uma risada baixa. - Eleonor não é um nome estranho. Eu não acho, ao menos. E, se você quer saber, é um nome que eu considero muito bonito, inclusive. - Comentou, dando um novo trago em seu cigarro e, ouvindo atentamente enquanto a mulher que lhe fazia companhia falava. - Já estivo perdido em muitas situações, isso eu posso garantir. Mas, perdidamente apaixonado, acredito que não. Não sou a pessoa mais apegada do mundo, eu diria... - Respondeu com tranquilidade. Já havia se apaixonado. Já havia amado. Já havia feito diversas coisas, diversas vezes mas, quando se falava em relações amorosas não havia de fato o desespero que os “perdidamente apaixonados” parecem enfrentar.
Assim que ouviu as declarações da moça acerca de sua família e sua inusitada vontade de passar a vida em uma praia ao melhor estilo “largados e pelados”, o arquiteto não conseguiu se conter e, acabou por soltar uma risada, divertindo-se com a situação. - Acho que tá aí um ótimo sonho. Eu poderia, de fato, passar o resto da minha vida na vibe largados e pelados. Se bem que, não sei se eu me sairia tão bem assim. - Disse. Brick esperou tranquila e pacientemente a moça conferir suas mensagens, ou o que quer que fosse, no celular, enquanto isso, dava um trago ou outro em seu cigarro e conferir a paisagem. Voltou a atenção a ela apenas quando a mulher voltou a falar. Estendeu a palma da mão para ela, ao perceber a intenção da mesma de lhe passar seu numero. - Eu certamente vou ter interesse, Ells. Eu certamente vou ter interesse. - Respondeu, com a voz distorcida pelo fato de o cigarro estar entre os seus lábios. Com a mão livre, o ingles retirou o cigarro da boca, soltando a fumaça para o outro lado, olhou o número escrito em sua mão e abriu um sorriso de canto. - Foi um prazer, ficar ouvindo sobre você. Nos vemos...Bem, assim que der. Eu espero...