kyungsoo in lucky one & monster live performances (week I)
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@bc-haneul
kyungsoo in lucky one & monster live performances (week I)
bc-hyunjeong
Estava habituado a ser o primeiro das pessoas. Nem tanto o primeiro beijo delas, mas o primeiro namorado, o primeiro interesse amoroso, o primeiro parceiro sexual, entre outras coisas. Incluindo a primeira decepção amorosa, mas aparentemente, aquele não seria o caso de Haneul, a julgar pelo olhar que recebia do mais novo agora que haviam encerrado o momento de intimidade. Felizmente, ele não parecia ser do tipo que lhe causaria mais problemas por estar fantasiando demais acerca daquele beijo e daquilo tudo que haviam começado. Ou algo assim.
“Eu tenho sugestões melhores do que um sorvete para esse calor no seu corpo, mas o beijo já foi o suficiente. Deixemos o sexo para uma outra oportunidade.” Brincou, buscando pela mão alheia outra vez, voltando a entrelaçar seus dedos. Felizmente, skinship era algo aceitável na sociedade em que viviam, então demonstração extrema de afeto não os meteria em problema, exatamente.
Então, como o trajeto até seu apartamento não era muito demorado, em cerca de dez minutos Hyunjeong encontrava-se abrindo a porta de sua casa, sendo recebido pelo fiel escudeiro canino. Jackal era um monstrengo forte e medonho, mas seu coração ainda era bom e ele já conhecia Haneul. E, mais do que isso, gostava do amigo também. “Ele sentiu sua falta. Desde um pouco antes de eu me mudar da casa do Mingyu, você não o visita. Ele é um monstrinho sentimental.” Riu, falando com o menor após levantar-se de uma sessão de afagos no cachorro, que, no momento seguinte, passou a pular em Haneul. “Vou pegar sorvete. Fiquem aí conversando.”
Diante da insinuação, Haneul limitou-se a baixar os olhos. Nunca sabia o que fazer quando brincadeiras e flertes eram jogados em sua direção. Sentiu-se minimamente mais confortável com os dedos entrelaçados aos de Hyunjeong, soltando o ar que nem percebera ter prendido. Tomou a liberdade de aproximar-se um pouco mais, envolvendo o braço do maior com sua mão livre e deitando o rosto em seu ombro por um momento antes de começarem a caminhar novamente. Felizmente as ruas estavam calmas e Haneul não preocupou-se em alguém vê-lo tão próximo de outra pessoa. Costumava ser um tanto quanto neurótico em relação à isso.
Assustou-se brevemente quando o cachorro pulou em Hyunjeong porque havia se esquecido completamente da existência de Jackal, para sua vergonha. Mas gostava de animais, então não viu problema em sentar-se no chão para mimar o cão, portando um sorriso no rosto. “Desculpe? Não é como se eu visitasse muita gente, de qualquer maneira. Tenho medo de aparecer de surpresa e interromper alguma coisa. O fato de eu não gostar muito de celulares me limita nesse quesito.” Fez uma careta, levando uma das mãos à nuca. Haneul esperou Hyunjeong deixá-los para coçar atrás das orelhas de Jackal, perguntando em uma voz propositalmente modulada sobre quem era o bom garoto ali. Ele estava praticamente deitado no assoalho, brincando com o cachorro, quando Hyunjeong voltou.
Haneul sentou-se junto do amigo, olhando ao redor. “Você disse certo, faz tempo que não te visito. Aliás, você precisa me mostrar seu apartamento. Parece aconchegante.” Pediu, acotovelando as costelas do outro de maneira que não o machucasse, mas chamasse sua atenção ainda assim.
bc-hideaki
Hideaki arregalou os olhos, engolindo em seco no momento em que ouviu Haneul falar sobre ter sentimentos por outra pessoa. O coração da japonesa afundou dentro do peito, porque, por um instante, ela sentiu como se tivesse sido completamente excluída da vida alheia, considerando que o amigo não lhe falara sobre nada daquilo. Sem contar que a garota também se sentiu um pouco desconfortável enquanto tentava resgatar em sua mente quantas vezes nos últimos tempos havia falado sobre a vida de Haneul sem voltar-se, em algum ponto da conversa, para a sua própria. Não era só porque a dele era bem mais regrada e cerceada por preceitos religiosos, que ela não era interessante. Então Hideaki fez uma promessa a si mesma de que prestaria mais atenção naquele tipo de coisa.
“Como assim, outro? Eu realmente estou por fora, nunca mais deixarei isso acontecer. Perdão.” Suspirou meio triste, tentando reconhecer a própria falha, ponderando sobre a existência dela. Contudo, mesmo bastante magoada, retribuiu o gesto, devolvendo o abraço que recebia. No final das contas, acabara sorrindo de canto, tombando a cabeça sobre o ombro do mais novo. “Por muito tempo eu quis ser a noiva de alguém, hoje eu só aceito a minha sina, de que provavelmente virarei uma chefe de enfermagem amargurada, cheia de animais exóticos dentro de casa e diretora de alguma equipe caótica.” Riu nasalmente, sem muito humor. Sempre que se lembrava de seus interesses amorosos fracassados, sentia vontade de desistir do contato social e voltar para sua bolha de isolamento.
Era uma característica de Haneul não falar sobre si mesmo com tanta frequência. Quando lhe davam a chance, tinha vergonha em admitir que poderia se jogar com um pouco de sede ao pote. Ainda assim, era melhor em escutar e aconselhar quando necessário. Fora que... Não achava coisas interessantes para falar aos outros. Via-se como um ser bastante entediante. “Tudo bem, você não precisa de preocupar. Não é como se minha vida fosse cheia de acontecimentos, esta vez é só uma exceção. A menos que queira um relato meticuloso de como eu fui no mercado e trouxe as compras para minha avó.” Riu, tentando retirar o fardo das costas da amiga. Contudo, isto lhe lembrava a última vez que visitara um super mercado, e o pensamento lhe fez desviar os olhos para as paredes novamente, tomando um grande fôlego.
“Talvez ele não seja a melhor pessoa... Na verdade, tenho certeza que não é... Mas eu gosto do Zan. O cineasta. Ele é... É... E-eu não sei.” Encolheu os ombros. Não entendia os próprios sentimentos. De todas as pessoas para se apaixonar, tinha de acabar caindo de amores logo pelo que mais o irritava. Talvez porque Zan representava algo que nunca alcançaria, portanto, assegurava seu futuro eclesiástico ao não ter perigo de demonstrar real interesse por Haneul. Ao mesmo tempo lhe doía no peito a possibilidade de passar a vida sem amar alguém a não ser Deus. Tinha quase certeza de que um padre não deveria ter tantas dúvidas. “Mas ele nem olha para mim.” Recordou, porém, do chinês chamando-o de adorável. Mas deveria ser apenas mais uma forma de provocá-lo.
Haneul não achava saudável a maneira com a qual a sociedade implicava que uma pessoa sem um amor romântico não era uma pessoa saudável, incutindo tal pensamento em mentes jovens durante seu desenvolvimento e solidificando-os ao longo da vida adulta. Amava Hideaki e esperava que ela conseguisse encontrar alguém, tentando ser compreensível com a necessidade que a japonesa sentia de tal. Deveria ser apenas o negativismo desenvolvido por relacionamentos negligentes. “Nah, aposto que não. Ao menos você vai poder ter amantes mais jovens? Vão ser atraídos pelo seu dinheiro, mas...”
bc-jisung
Forgive me Father, ‘cause I’ve sinned. Quantas Ave Marias vou ter que orar por isso?
“Seria melhor tomar logo um banho de água benta. Tenho pena do padre para quem for se confessar, Jisung, se vier a fazê-lo em algum momento. O pobre certamente terá algum trabalho.”
bc-thomasx
Morangos são a unica fruta que eu gosto. O que Deus diria sobre tirar o pão da boca de uma criança, hyung?
“Ele certamente seria contra tirar o pão da boca de uma criança faminta, Thomas! Além de que, você não seria mais considerado criança pelos preceitos da bíblia, huh?”
“Mas você tem sorte de ter um amigo generoso e que gosta de ver seu sorriso, então pode ficar com eles.”
bc-hyunah
Eu espero que esteja certo sobre isso. Mas se você sentir que está pesado demais, talvez seja uma boa ideia procurar outra coisa para fazer da vida. Eu tenho certeza que Deus não vai ficar chateado se você descobrir que esse não é o seu caminho.
É eu acho que não. Eu não acho que ele seja muito o tipo de pessoa que brigue no geral. Por qualquer que seja o motivo na verdade.
“Embora você esteja certa... Há mais pessoas além de Deus contando comigo nisso, infelizmente. E eu não sei muito bem como procurar uma forma convincente de saber que este não é meu caminho. Acredito que não tenha mais opção.
Desculpe por transformar um assunto leve em algo meio... Hum... Deprimente, no entanto. Não foi minha intenção. Você não precisa se preocupar com meus dramas interiores, sério. Mas agradeço, ainda assim, agradeço muito.”
“Isso é bom. Menos confusão na vida. Acho que você arranjou uma boa pessoa no final das contas.”
ᴛʜʀᴏᴡʙᴀᴄᴋ // ᴍᴏɴsᴛᴇʀ ᴘʜᴏᴛᴏsʜᴏᴏᴛ
bc-wanwisa
É brincadeirinha, Haneul-ah. Eu provavelmente o sufocaria num abraço antes de começar as bajulações. Aigo, por que a gente só sente falta de uma pessoa quando ela reaparece? Desculpa ter sumido. Eu vou melhorar!
Eu ia chegar aqui como um picolé humano. Grande, brilhante e nenhum sinal de gosto bom. Não sabe? Não sabe? Quer aprender comigo?
Nunca diga nunca! E quando pedirem para você pregar em outro lugar? Um bem longe? Quando você ser aqueles muito famosos e exigidos por todos? Se eu começo a me autoanalisar corro o risco de me perder em pensamentos, esses no sentido de sonhar acordada mesmo. De olhos fechados é ainda pior! Você já… desmaiou num desses vídeos? Eu lido com tecidos e lesões, mas raramente sou chamada para tirar uma amostra fresca. O que é muito bom.
Amei do início ao fim e amaria mais se tivesse o sobro da duração. São tantas formas de vida, tanta coisa que passa despercebida e só reparamos quando não adianta mais! E, o melhor, meu campo de trabalho é tão grande que eu me perco nas possibilidades. Quem ia imaginar que biólogos trabalham em hospital e não no campo cultivando animaizinhos com risco de extinção?
Quando você forma mesmo? Haneul-ah vai cuidar do meu psicológico~.
“Eu sei. Também estava brincando. É que... Ainda não sei exatamente que cara fazer quando brincar. Pouco tempo com pessoas cobra seu preço. Na verdade eu sinto falta de muitas pessoas o tempo todo e elas nem precisam reaparecer... Eu sou muito sentimental por isso? Tudo bem, Wanwisa, eu entendo. Não há motivo para se desculpar. Estou feliz que tenha voltado.”
“Todo mundo diz a mesma coisa quando eu conto que não sei, mas você é bem-vinda para tentar me ensinar, sim. Quem sabe eu aprendo melhor gostando da professora de antemão?
Não acho que vá acontecer. É mais comum que eu fique enclausurado em uma paróquia humilde aqui mesmo. Mas não custa sonhar, você está certa. Eu ainda gostaria de visitar a Espanha. Esse é o objetivo. Dependendo do que você sonha, pode revelar muita coisa. Se for pelo lado Freudiano, sempre vai ter ligação com coisas sexuais, o que é meio chato; mas outras teorias são mais interessantes nesse sentido. Tudo que acontece na sua mente diz muito sobre você, mesmo esses sonhos acordados. Não, nunca desmaiei. Você sabe, eu adoro filmes de terror, vídeos de cirurgias e livros de anatomia, então não é tão ruim. Você não gosta de sangue ou...?
Isso é maravilhoso, Wanwisa. Fico feliz por você. Eu preferiria trabalhar com animais, particularmente. Eles são tão amáveis. Não que humanos não sejam, mas são um pouquinho mais complicados... A psicologia também oferece uma infinidade de campos de trabalho e eu ainda nem consigo escolher um método para me especializar.
Eu estou no segundo semestre, ainda falta um tempinho, hein. Infelizmente eu não posso consultar quem é próximo, mas vou cuidar para que você arranje um bom psicólogo, que tal? E quando quiser um ombro para desabafar e chorar, pode me procurar também. Eu estarei sempre aqui.”
bc-nana
Não é bem assim… É que esses estavam bem vermelhinhos…
Mas tem um bem ali, olha. Pega antes que eu me arrependa.
“Hum, ok... Eu só deixo porque... Porque eu sou uma pessoa muito gentil. Aaah, obrigado! Eles são meus favoritos. Depois de cerejas... Nós deveríamos arranjar umas cerejas para misturar nisso da próxima vez.”
“Arrependa? Você nunca vai se arrepender de fazer uma boa ação, Nana! Não diga isso ou eu vou bater com a colher na sua cabeça. Talvez não, mas... Eu poderia, ok?”
bc-yoobi
Yoobi parou de andar a fim de olhar melhor aquela cicatriz, e não deixou de franzir o cenho ao pensar no que o mais novo tinha passado para ganhar uma marca tão grande no corpo. “De repente, os joelhos ralados e os dedões machucados parecem frescuras perto dessa sua cicatriz. Sinto muito pelo acidente, deve ter sido difícil.” Sorriu de forma delicada para ele, sem querer que entrasse em detalhes sobre o que aconteceu. Afinal, não gostava de histórias de tragédia. “Perder a memória deve ser horrível, mas agora está tudo bem, né? É por isso que você não vinha brincar com a gente.” Com uma risada baixa, negou de leve com a cabeça. Se soubesse da história antes, não teria perguntado.
“Aigoo, que garoto mais educado. Obrigada pelo elogio, mas eu não passo muita coisa no rosto. Só o necessário, como protetor solar e outras coisinhas.” Deu de ombros. “Ninguém é velho. Velhice é coisa da nossa cabeça. Tem muita gente idosa por aí fazendo mais coisas que eu e você.” Cutucou o rapaz, alertando-o sobre falar aquele tipo de coisa. “Bom, eu tenho um cérebro! Cada um se dá melhor com alguma coisa. A Europa é bem bonita, pelo menos a parte que eu consegui ver, e as pessoas parecem legais também, mas não sei direito. Preciso viajar mais e conhecer mais gente, então vou conseguir te dar uma resposta melhor.”
Voltou a aprumar os fios de cabelo no lugar, cobrindo a cicatriz. “Um pouco, mas já passou. Ironicamente, é apenas uma memória agora.” Sorriu, tentando suavizar o clima denso instalado pela história. Talvez fosse por isso que Haneul não gostasse tanto de falar sobre si. O que não era entediante tendia à categoria trágica, fazendo-o uma pessoa difícil de se conversar. “De fato, mas ainda era pequeno demais. A maior parte das pessoas não lembra muito bem dessa parte da vida também. Sim, está, obrigado.” Garantiu. “Mas nós provavelmente não brincamos juntos porque você já era um pouquinho mais velha... Já deveria ter parado quando eu comecei a sair mais.”
“Apenas digo o que meus olhos vêem.” Riu sobre a fala da mais velha. “Você está certa. Velhice é um construto social. Já pensou em ser psicóloga? Iam adorar essa maneira de pensar.” Sugeriu, relembrando dos próprios colegas o censurando por dizer certas coisas. A faculdade lhe fizera entrar em contato com mentes muito diferentes das suas e a forma de criação utilizada por seus avós ainda entrava em conflito com o que aprendia em seu curso. Era sorte que Haneul tivesse a mente flexível o suficiente para aceitar algumas ideias novas. “Você conheceu algum francês? Dizem que eles fedem. Ok, eu não deveria perguntar isso dessa maneira, mas eu tenho curiosidade sobre os estereótipos. Bem, então tomara que faça isso logo. Você já tem outros destinos marcados para visitar?”
“Aish, por que você sempre tenta pegar todos os morangos? Deixa um pouquinho para mim também! Deus ensinou a compartilhar, poxa!”
bc-hyunah
Longe de mim tentar te fazer se afastar da sua vocação, mas eu também sou uma pessoa que geralmente não se anima com facilidade e ainda assim eu tenho minhas paixões, desenhar, pintar, comer… Quer dizer, não é porque você foi preparado a vida inteira para algo que você é obrigado a segui-lo.
Eu não sei dizer exatamente, eu acho que é bastante tempo pelo menos. Acho que de verdade é desde o inicio do ano.
“Eu... Eu sei.
Ok, eu não vou mentir. Às vezes isso é um pouco pesado demais para os meus ombros. Mas você não precisa se preocupar com essas coisas, eu... Eu posso lidar com isso. É normal que uma pessoa tenha momentos de dúvida em sua vida, certo? Vai passar logo.”
“Então vai ficar tudo bem. Vocês já tem uma relação sólida o suficiente. Ele certamente não vai brigar por um corte diferente.”
bc-hyunjeong
Ninguém poderia condenar Hyunjeong por ser quem era. Quer dizer, todo aquele comportamento manipulador e egocêntrico, voltado para seus próprios interesses e, principalmente, para suprir uma carga muito alta de carência, eram traços em sua personalidade que surgiram a partir de sua criação negligenciada e bastante desconsiderada pelos pais. Ele era quem era simplesmente porque aprendera, cedo demais, as coisas que poderia ter se agisse de certo modo ou dissesse certas coisas, como acontecia naquele instante, com Haneul em seus braços, contra sua boca. Claro que não havia agido com má intenção na presença do amigo até então, mas era impossível negar que, na primeira oportunidade, Hyunjeong se valera de suas habilidades de persuasão. Não achava que aquilo estava errado, apesar de imaginar que aquela conduta não deveria ter sido adotada para com o outro, a julgar pela mentalidade que o mais novo possuía.
O que importava, no entanto, era a maneira como Hyunjeong estava movendo-se contra o corpo alheio agora. Aliás, fora tomado por uma dose extra de alegria quando sentiu a língua de Haneul procurando pela sua, o que, por alguns poucos segundos, fez com que Hyunjeong não se preocupasse muito mais com o fato de ter ludibriado o amigo, já que se Haneul se sentia confortável com aquela história toda, quem era ele para se sentir mal com o que havia acabado de conseguir? Sua moral poderia ser atingida em uma outra hora, porque naquela, encontrava-se pleno e despreocupado com o que quer que pudesse acontecer a partir daquele beijo, por mais que já tivesse sobrevivido a situações bastante constrangedoras após um contato como aquele, a exemplo de um relacionamento sério que iniciara sem nem saber direito o que estava sendo proposto, interessado apenas em continuar tendo a pessoa para si quando bem entendesse.
Contudo, Hyunjeong decidiu que continuaria sendo cauteloso e mais gentil com Haneul. Pensando nisso, suas duas mãos foram até a cintura alheia, apertando delicadamente a região, enquanto incitava mais sua boca contra a do menor, de modo que o fizesse se inclinar minimamente para trás. Fizera isso com o intuito de, logo em seguida, empurrá-lo contra o muro, numa maneira inconsciente de poupá-lo de suas apalpadas mais descaradas em áreas agora protegidas pela parede atrás do corpo miúdo. Não parecia, mas Hyunjeong tinha lá suas artimanhas para lidar com seus desejos e sua volúpia desenfreada; sabia que não eram todas as pessoas com quem se envolvia, que acompanhavam seu ritmo mais descarado e desavergonhado. Logo, tinha de se adaptar a elas caso não quisesse assustá-las ou no pior dos casos, perdê-las.
A fim de encerrar aquele beijo, então, o mais velho, cujos pulmões já suplicavam um pouco por ar, diminuiu mais a velocidade do gesto até que pudesse abandonar selares rápidos sobre os lábios avermelhados – até um pouco mais do que os seus – de Haneul. Suspirou baixo e sorriu enfim, após fisgar o inferior do garoto com os dentes, sem aplicar força, entretanto. Em seguida, recostou suas testas e direcionou-lhe seu melhor sorriso sincero e donairoso. “Bom garoto.” Murmurou, com um riso baixo, afastando-se, apesar de não ter-lhe soltado a cintura. “Me avise sempre que quiser fazer isso.” Lançou-lhe uma piscadela, finalmente cessando qualquer contato com o corpo de Haneul, enquanto ria um pouco mais alto agora.
Ao longo dos anos, Haneul imaginou seu primeiro beijo de maneiras diferentes com pessoas diferentes, o momento sendo feito e refeito de variadas formas em sua imaginação e sonhos. Atores famosos, meninos bonitos, amigas próximas e até mesmo Jesus foram alvos de seus lábios — o último lhe rendeu algumas boas orações para se livrar da culpa. Hyunjeong nunca esteve presente em suas fantasias, ao menos que ele conseguisse lembrar, porque nunca vira o amigo de tal maneira. Mas ficava feliz de ter uma experiência do tipo ao lado dele, apreciando o ritmo que o mesmo assumira para o contato. O fato de não ter lhe exigido nada além do beijo, como toques mais intensos e carícias íntimas, fora decisivo para fazer do momento uma recordação cálida ao coração do Jung, tão romântico. Porque, embora quisesse experimentar os lábios de alguém, não se via pronto a estender o contato para algo mais íntimo. Acreditava que deveria se reservar a quem mais amasse. E, no momento, o alvo de seus amores também era quem mais o irritava.
Haneul aproveitou a animação de Hyunjeong para timidamente explorar a boca alheia, entrelaçando as línguas múltiplas vezes e deixando as mãos agirem por conta própria, percorrendo o rosto do mais velho para afagá-lo delicadamente. Os dígitos acarinhavam as maçãs da face dele, em seguida a mandíbula, permanecendo um pouco mais de tempo sobre ela, um tanto quanto curioso sobre a maneira com a qual se movia insistentemente durante o ósculo, e enfim o pescoço. Levou apenas alguns minutos para livrar-se da vergonha inicial totalmente, sentindo-se seguro o suficiente para ousar um pouco mais e sugar os lábios do maior. Tão entretido com o beijo, soltou sons de desagrado ao tê-lo rompido, movendo os lábios em um bico, deixando mais fácil para que Hyunjeong capturasse seu inferior entre os dentes.
Seu rosto queimava e Haneul fugiria daquele toque se não estivesse tão confortável na presença do outro. Não conseguiu evitar o minúsculo sorrisinho surgindo nos lábios ao ouvi-lo, emitindo um riso baixo e contido. Um pouco à contragosto, soltou os braços que envolviam o pescoço do mais alto. “Obrigado. Foi... Hum... Muito bom... Um bom primeiro beijo.” Moveu uma das mãos aos cabelos, aprumando-os sem necessidade. Engoliu em seco, desesperadamente procurando algo para falar e não deixar que nenhum silêncio estranho se instalasse entre ambos. “A-acho que aquele sorvete cairia bem agora. Eu estou meio... Meio quente.” Se era vergonha ou desejo, não saberia dizer, mas apostaria em um misto de ambos, apenas não conseguiria admitir o último.
bc-hyunah
Oh! Padre padre mesmo? Tipo, missa e hóstia? Isso é legal, eu acho. Se é o que você quer. Mas porque você não parece muito animado com a ideia?
É, talvez ele goste. Eu não sei dizer, porque sempre tive o mesmo cabelo então ele nunca me viu diferente assim. Hm, eu não quero incomodar ele com isso agora, depois eu conto.
“Sim, sim, da igreja católica romana, com missa e hóstia. É bem maneiro até. Ah, não, é o que eu quero, sim. Quer dizer, é que eu não sou muito animado naturalmente na maior parte do tempo. Mas gosto da ideia de ser padre, sim. Estudei e me preparei a vida inteira para isso. Não me vejo seguindo outro caminho no futuro.”
“Bem, não há com o que se preocupar de qualquer maneira. Vocês estão juntos há muito tempo?”
bc-hideaki
Ela percebeu sua gafe instantes antes de Haneul questioná-la. As bochechas de Hideaki coraram violentamente e ela fechou os olhos por alguns instantes, tentando encontrar maneiras de se desculpar. Contudo, o amigo não pareceu exatamente ofendido, o que deixou a jovem um pouco mais confortável no momento em que voltou a fitá-lo. “Não é que você aparente, é só que… Qual é, Neul. Eu acho que tenho aquilo que chamam de gaydar! Até porque não é segredo para ninguém que eu prefiro garotas, então… Sei lá. Vai ver que é algum tipo de conexão mental que temos, porque, como sua amiga, eu acho que consigo perceber que você prefere meninos.” Deu de ombros, realmente refletindo acerca daquele assunto. Recordava-se de já ter comentado com o mais novo sua preferência pelo mesmo sexo, mas nunca fizera muita questão de explicitar demais aquilo. No final das contas, Hideaki ainda era uma pessoa bastante reservada e discreta. “É, tanto faz o que o Papa Francisco diz. Não é a minha religião, eu prefiro o budismo onde os seguidores não se interessam em me dizer o que fazer ou não, não o próprio Buda. Mas acho que entendi o que você quis dizer, valeu.” Maneou a cabeça, ainda afagando a parte da cabeça que se encontrava dolorida. “Você está saindo com essa pessoa? Ou foi só algo casual? Porque, bom, você sabe. Poderia ter feito isso comigo. Sairíamos do zero a zero juntos, mas você me traiu!” Riu nasalmente, cutucando as costelas alheias antes de cair verdadeiramente na gargalhada. “Mas eu entendo, entendo mesmo. Não foi você quem acabou de reclamar sobre eu não ter tempo para te dar atenção? Era óbvio que você procuraria por outras pessoas.” Ela repuxou os lábios, forjando sua melhor expressão de decepção e mágoa. Entretanto, ela estava mais interessada em continuar dando nas ideias de Haneul. “Me chame para o casamento, baka!”
Haneul semicerrou os olhos ao ouvi-la falar. “Aham, sei. Nós já passamos tanto tempo juntos que já criamos um vínculo telepático, é isso mesmo que você está querendo me dizer?” Arqueou uma sobrancelha, incrédulo. “Porque se for, essa teoria está 100% correta para mim e eu adorei.” Permitiu-se um riso, desfazendo a carranca que havia surgido a partir da insinuação sobre sua homossexualidade, que não deixava de ser verdade. Tendo uma boa memória - ironicamente -, Haneul lembrava sobre Hideaki já ter lhe dito sobre sua preferência pelo mesmo sexo também, mas nunca dera bola ao fato. Ela continuava sendo sua amiga, independente de quem gostasse de beijar (menos animais, animais ele não suportaria).
“É uma notícia, Hide, ele continua sendo uma figura importante no mundo, independente de ser um líder religioso da sua crença ou não. Sempre achei que você gostasse do xintoísmo, mas acho que é apenas mais um estereótipo japonês na minha mente.” Franziu o cenho. O queixo ainda doía, mas Haneul ignorou-o em favor da continuidade da conversa. “Hum, não. Foi apenas algo isolado. Eu gosto de outro.” O rubor pareceu espalhar-se rapidamente pelo pescoço e peito do mais novo conforme um sorriso sem graça aparecia em sua face. Primeiramente pela admissão de seu gostar, e depois pela brincadeira da japonesa. “Você deveria ter me informado essas suas intenções antes!” Riu, escondendo a face entre as mãos unidas.
“Oooh, não faça isso, Hide! Você ainda é e sempre será o Hannibal Lecter do meu Will Graham!” Estendeu os braços, envolvendo o tronco da amiga e pousando a cabeça em seu ombro, dando-lhe um beijinho. Se havia alguma prova maior de amizade do que classificá-la como um de seus personagens favoritos, Haneul não sabia o que era. “Que casamento?! Só vamos ter um casamento se você for a noiva, Hideaki!” Riu, ignorando o quanto o rosto queimava.
bc-wanwisa
Não posso dizer exatamente qual posição, mas você subiu algumas só com esse comentário. Fala mais um pouco e você assume a posição número 1.
Se não dá para ir a pé ou de carro em menos de 12h, é bastante longe. Eu senti tanta falta daqui, Haneul, tanta falta que eu quase voltei nadando.
O avião não é tão ruim se você tomar uma coisinha para dar sono antes. Meu irmão fez isso da última vez, tomou um antialérgico e fez a viagem babando e rocando de sono. Psicologia! Jinja? Eu sempre quis saber como é um aula desse curso… Vocês se auto analisam? Eu me formei em biologia nesse ano e vim para cá fazer residência. Mas… vou acrescentar um mestrado… dependendo da evolução do meu projeto.
“Você sabe que eu não sou muito bom em bajulação, mas vou demonstrar meus esforços através de ações. Vamos ver se no final desse mês consigo atingir o topo.”
“E tentou? Poderia bater um novo recorde ou algo assim. Estou brincando, na verdade. Eu não sei nadar, então nem poderia pensar em te salvar se acabasse tendo câimbra perto da praia.
Oh, é uma boa ideia. Vou anotá-la para usá-la se tiver que andar de avião em algum momento, mas duvido muito. Sim! Hum... Às vezes. A autoanálise chama-se introspecção e mesmo quem não é afiliado ao curso de psicologia deveria praticar um pouco, é ótimo para se conhecer e controlar. Mas na maior parte do tempo nós falamos sobre teorias de processos cognitivos e em alguns momentos rolam vídeos sobre retirada de tumores cerebrais, que é o ponto baixo das aulas para algumas pessoas com estômago mais fraco. Adoro biologia, foi uma das opções, assim como química. Você gostou do seu curso? Esteve muito estressada? Oh, pense bastante nisso. Ia dar uma boa aumentada no seu currículo, mas... Pense no seu psicológico também, certo? Mestrados exigem muito da mente.”
bc-zhuwuzan
“Você fala demais, Haneul. Sinceramente, alguém te aguenta matracando por mais de duas horas no dia? Eu tenho pena dos seus avós e daquela sua namorada japonesa, apesar de que vocês se merecem. Ela quase não fala, vocês seriam mesmo o casal do século.” Revirou os olhos, relaxando os ombros, inconscientemente demonstrando todo seu desprezo pelas palavras de Haneul. Zan era bem mais reservado, apesar de continuar sendo simpático quando lhe convinha, então simplesmente detestava monólogos como os de Haneul, em sua cabeça. Naquele ponto, ele deixava de ser adorável para tornar-se completamente irritante. E, bom, a paciência do chinês não era exatamente invejável, então não duvidava que, em algum momento, acabaria estourando de vez com aquela criatura franzina e temerosa que atiçara-lhe os sentidos dentro do carro.
Como se não bastasse tudo o que tivera de aguentar vindo dele até aquele instante, ainda surgira aquela pergunta completamente desnecessária que, apesar de ter soado bastante desrespeitosa, conseguiu arrancar uma boa risada de Zan.
“E o que é que você sabe sobre prazeres sexuais, pokémon?” Perguntou, olhando-o com uma sobrancelha arqueada e uma repuxada carregada de desdém na lateral esquerda de seus lábios. “Mas eu te respondo mesmo assim: nenhuma dessas duas coisas. É só um passatempo mesmo. Adoro importunar animais indefesos como você, principalmente aqueles que prometem melhorar seus comportamentos e continuam agindo como garotas colegiais que perderam algum senpai para outra garota igualmente irritante e patética.” Comentou num falso tom despretensioso, apressando o passo apenas pela alegria em vê-lo acompanhá-lo com dificuldade devido às pernas bem mais curtas. “Apesar de que… Eu não tinha prazer nenhum nisso, mas acho que posso fazer de você meu novo hobbie a partir de agora.” Deduziu alguns segundos depois, após hesitar rapidamente. No final das contas, estava abrindo um sorriso falso, nem um pouco enfeitado para parecer mais amistoso, já que a intenção era soar sarcástico mesmo. “Obrigado pela ideia, Pikachu.”
"Costumo ser mais agradável com quem é igualmente. Não fale da Hideaki. Ela não é minha namorada, mas eu estaria honrado se fosse, já que é uma das melhores pessoas nessa vizinhança. É possível que ela seja tão calada exatamente por gente babaca como você. Ela se poupa de experimentar isso." Esbravejou a última parte. Como sempre, notou o erro tarde demais. Era raro que se permitisse ofensa, mesmo a tentativa delas. Elas indicavam perda de razão, mas também catarse. E já que estavam indo por esse caminho, Haneul abandonou a usual cordialidade de sua postura. Anos de amarras sociais sendo desfeitas em prol da defesa de Hideaki, única que se dispunha a lhe fazer companhia em momentos nos quais não era obrigatório estar lá.
"Só porque nunca os experimentei, não quer dizer que eu sou um completo estúpido. Eu sei o que são. Aliás, sei mais do que você provavelmente." Franziu o cenho, mantendo o olhar aborrecido direcionado ao mais alto. Ainda que não soubesse o que era ter as mãos de alguém em seu corpo, poderia descrever todo o processo fisiológico pelo qual as sensações passavam para gerar prazer com detalhes devido ao curso escolhido. A teoria estava dominada, mas a prática exigia um esforço que Haneul ainda era duvidoso sobre. "É difícil melhorar o comportamento quando você não faz o mesmo. E considerando o quanto parece desprezar esse tipo de gente, mas continua passando tempo ao lado delas, indica qualquer tipo de distúrbio psicológico relacionado à obsessão que, se eu fosse você, me preocuparia. Talvez também possa ser um caso de drogas ou uma lesão no lobo frontal, o que explicaria muita coisa." Revirou os olhos, percebendo a recém-adquirida pressa do mais velho e cerrando os dentes, seguindo-o. "Você pode parar de correr como um desesperado, fazendo o favor? Suas pernas são mais longas que as minhas, fica difícil te acompanhar assim." Rosnou. "Hobbie? Hobbie? Cala a boca! Eu sou uma pessoa e não vou deixar que você me desumanize, obrigado. Por que não se preocupa mais com seu trabalho e esquece que eu existo de uma vez?" Quase correndo, estendeu ambos os braços, levando-os à uma das mãos de Zan e tentando remover seus dedos de suas sacolas para que as entregasse. "Ao menos seja mais criativo com um nome de Pokémon."