bcu-hansol
- ̗̀ typical problems in family — flashback ̖́-
@bcu-emi
O último raio de sol refletia na pele pálida e nua do corpo masculino que repousava no colchão macio após um rápido cochilo de trinta minutos que transmitia o cansaço do tempo perdido no chuveiro em seguida no mesmo local de onde levantava agora, não encontrando a companhia ao lado e assim aproveitando os poucos segundos a sós para esticar os braços e em seguida estalar os dedos na tentativa bem sucedida de criar coragem para abandonar o cômodo e seguir ao que educadamente chamavam de seus aposentos, considerando o horário próximo do jantar em que logo procurariam pelos dois jovens.
Em passos lentos cruzou o caminho até o banheiro ali presente preguiçosamente, encontrando Emi na tarefa de pentear os fios de cabelo bagunçados por sua culpa, não hesitando em envolve-la pela cintura por trás, encostando o queixo no ombro alheio para abandonar um beijo rápido na bochecha rosada. — Preciso ir para o meu quarto, infelizmente. — Apoiou uma mão na bancada para observa-la junto a um sorriso que passava certo divertimento, a situação de estarem compartilhando aquela viagem com toda a família presente já conseguia arrancar-lhe algumas risadas pela maneira desesperada que os avós pareciam agir querendo agradar os parentes da morena, mais divertido ainda era precisarem se esconder no que parecia a oportunidade perfeita para passarem muito tempo ocupados, transformando todo o dia em uma grande provocação com as roupas de banho e massagens discretas com o protetor solar. — Preparada para mais um round lá em cima? Podemos fingir uma virose e ficarmos super doentes, eu não me importo.
Oitenta por cento dos familiares que tinha na coréia estavam naquele barco, o que somente comprovava que o seu estresse crescia ainda mais na presença deles e que aceitar o convite fora uma péssima ideia. No entanto o que deveria ser um convite foi uma ordem clara o suficiente para os seus ouvidos e estar ali era tão inevitável como das outras vezes. Para a sua sorte o que deveria deixá-la completamente apavorada e sozinha também trazia a companhia de Hansol, esse que não tinha conhecido da forma mais conveniente; mas que pudera tornar aquela situação com complicações mais favoráveis para ambos os lados. Em que momento Emi deveria tornar-se uma boa influência ou inspiração? Não tinha o objetivo ou vocação de parecer melhor em nada e ninguém, tampouco o seu pai, a conhecia completamente para que esperassem isso. Entretanto o pai a mostrava ser uma pessoa que ela não era, sorrindo para os avós do mais velho como se orgulhasse de algo que a jovem não entendia, principalmente porque o semblante mudava toda vez que seu olhar caia sobre ela.
Embora fosse árdua a tarefa, Hansol conseguia fazer com que seus pensamentos fugissem dos problemas quando conversavam ou se perdiam juntos em algum canto. No final das contas gostava de todo o contato e, querendo ou não, estava tudo bem para ela se não fosse com um completo desconhecido. Sabia o quão inapropriada podia ser aquela relação aos olhos de seu pai e quantos problemas podiam causá-la se descoberta, tentava ter o máximo de cuidado; só não podia negar o quanto tornava as coisas mais divertidas. E não era habituada a diversão, não quando os copos de vinho eram tirados dela por passarem do ideal que uma garota deveria tomar e, enquanto isso, seu irmão mais novo podia fazer o que quisesse.
Se não tivesse visto a aproximação pelo reflexo do espelho provavelmente teria se assustado com o contato repentino ocasionado pelo abraçado recebido, fazendo-a parar de pentear o cabelo. Estreitou os olhos quando recebeu o beijo na bochecha ainda levemente quente pelo dia de sol que compartilharam, felizmente já tinha terminado com a tarefa de desembaraçar os fios, portanto se encontrasse alguém no caminho aquele não seria um tópico para conversações. Desviou sua atenção do próprio reflexo para olhar diretamente para o mais velho que ainda permanecia com o queixo sobre seu ombro. — Se eu ficasse doente seria um problema. — E o problema não seria a doença, o que era a pior parte disso. — Mas eu queria. Virose é uma boa doença, mas requer cuidados e atenção além de ser problemática, talvez nos levassem para casa... Bom, tornaria essa uma boa ideia, mas eu não posso. — Suspirou, olhando-o ainda seriamente antes de se virar e desfazer aquela posição que a deixava vulnerável demais para seu gosto. Encostou-se na pia, levando as duas mãos até ela. — Se eu pensar nas partes boas, sim. Mas saber onde está o barco inflável é tentador demais. Você pode ir, mas irá me deixar sozinha aqui? — Indagou com as sobrancelhas arqueadas, o indicador apoiando-se no peito alheio na intenção de empurrá-lo para trás, mas não colocou força sobre o toque.














