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@betyoullnevergettoknowme
one day some things will come effortlessly to me
(looks like something @anastasiatasou recently made so i’m crediting her)
– if no one has ever told you, (via pinterest)
você mulher negra que está lendo essa mensagem agora: eu não sei o que vai acontecer, eu não sei se um dia seremos amadas, eu não sei se um dia o espaço vai ser suprido e a dor toda essa dor vai embora
eu não sei qual será o dia em que podemos nos dar ao luxo de sermos apenas fracas eu não sei
hoje eu sobrevivi. você também. e eu te agradeço por não me deixar sozinha. eu te agradeço por todas os dias que você ficou eu não sei amanhã mas hoje você me ensinou que resistir às vezes é só se manter respirando com o desespero e todo resto mas respirando
você mulher negra. eu mulher negra. nós e essas milhões de coisas que só a gente entende. eu nos desejo qualquer espécie de paz e amor dos bons
talvez não faça sentido pra você, mas quando dois pretos se amam bicho parece que o mundo é pequeno demais e o tempo curto demais e a pele finita demais porque quando eu te olho e quando nossas mãos se tocam e quando a gente cola o corpo um do outro eu não tô falando de luxúria mano não é físico porque você cabe e a minha cabeça encaixa perfeitamente na curva do seu pescoço e cê me liga pra dizer “preta, vem me encontrar” e a vontade é de cruzar a cidade porque putaquepariu eu não sinto o desajuste eu não sinto o incômodo eu não sinto como se você fosse levantar da cama qualquer dia desses sem entender porque eu doí porque foi tão difícil
e eu sei que você vai embora. eu realmente sei que você vai embora. mas não será como qualquer um desses caras que me reduziu a uma lembrança quente e nada porque nos abrigamos
nas dores lutas corres desobediências gritos clamores e cansaços
porque o mundo não entende o que acontece quando dois pretos se encontram e como poderiam, baby? eles ainda dizem que o amor é branco
depois da minha segunda convulsão do ano de 2016, me encontro no escuro do meu quarto fumando um dos cigarros baratos da minha mãe. o ventilador tá ligado e o galo do vizinho está cantando. porra! eu odeio galos e vizinhos e cigarros baratos, mas eu compro eu compro esses e outros milhões de erros. aquele esquema de cores que o pessoal do hospital usa para classificar quais vidas devem ser salvas primeiro ou quais mentiras renderão atestados verídicos funciona muito bem, penso. nunca fui verde ou azul. teve aquela vez que cheguei ao vermelho, você lembra? foi quando eu desisti. cê diz que é pra eu esquecer isso, mas não consigo. assim como não paro de me questionar se sou ou não apaixonante e desculpa ter quase 24 anos e fazer umas perguntas dessas, mas como mulher negra eu preciso te dizer que minha autoestima é construída na base de muita porrada porque porra! eu sei o quanto sou Inteligente interessante maravilhosa e o quanto subconscientemente eu acabo hipersexualizando minha existência por força do hábito, mas fico pensando nisso quer dizer, em quantas vezes fui trocada pela garota branca padrão e, meu deus, estou rindo ironicamente dessa ferida aberta porque sou uma filha da puta e não posso reagir como uma pessoa normal. sou verdadeiramente ótima, mas continuo sendo trocada e você também ri, mas com você é pior você me deixa esperando na estação e diz que tudo bem porque eu gosto de esperar. você é um cara mau, penso. como todos os caras maus por quem eu nutri certo respeito até abrir os olhos sei que destoei, mas sei também que eu não estava falando sobre nada e como é torturante o vazio quando eu escrevo sobre paus e bocetas e foder e isso faz de você um garotinho excitado no escuro do quarto e quando você me diz meia dúzia de poesia erotizada e quando você se sente orgulhoso por uma mulher como eu parecer tão interessada no que você tem pra falar quando tudo isso acontece, você fica duro?
eu nunca tive nenhuma classe ou qualquer compromisso com a arte nessa história toda. o que acontece, darling, é que estou cansada. estou realmente cansada da minha vida e do meu trabalho e de como todo mundo diz que eu sou amável, mas eu continuo sendo deixada a graça toda ou a completa tolice, é que vou permanecer nesse ciclo vou mesmo e com o sorriso no rosto, mas, por enquanto, só os cigarros baratos e um quarto cheio de mosquitos e o galo do vizinho e essa porra de espaço em branco que eu tento exaustivamente preencher comigo mesma mas sou nada
e nunca me coube querer ser algo além de nada
Amor vem de amor. Vem de longe, vem no escuro, brota que nem mato que dispensa cuidado e cresce com a mais remota chuva. Vem de dentro e fundo e com urgência. Amor vem de amor. Que não cabe, mas assim mesmo a gente guarda. A gente empurra, dobra, faz força, deixa amassado num canto, no peito, no escuro, dentro, ou larga pegando sereno. Amor vem de amor. Vem do pedaço mais feio, do mais sem palavra, do triste, vem de mãos estendidas. É tecido desfeito pelo tempo, amarelecido pelo tempo, pelo cheiro da gaveta fechada, pelo riscado do sol na madeira. Amor vem de amor. Vem de coisa que arrebata, vira chão, terra, cisco, resto, rastro, coisa para sempre varrida. É delicadeza viva forte violenta. Que faz doer, partir, deixar caído. Amor vem de amor. E dói bonito.
Guimarães Rosa. (via oxigenio-dapalavra)
Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro.
Caio Fernando Abreu. (via carpejar)
Contemplo o que não vejo. É tarde, é quase escuro. E quanto em mim desejo Está parado ante o muro. Por cima o céu é grande; Sinto árvores além; Embora o vento abrande, Há folhas em vaivém. Tudo é do outro lado, No que há e no que penso. Nem há ramo agitado Que o céu não seja imenso. Confunde-se o que existe Com o que durmo e sou. Não sinto, não sou triste. Mas triste é o que estou.
Fernando Pessoa. (via oxigenio-dapalavra)
It’s so weird thinking back to when you first met someone and that moment you had no idea they would have such a big impact on you