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Ada Limón, , from a poem titled "Thirteen Feral Cats," featured in Startlement: New and Selected Poems
numa das vezes que o nosso pé de jasmim floresceu, eu disse pra minha mãe que não deveríamos nunca colher flores porque presas nas árvores elas viveriam mais.
e você sabe o que ela me disse?
"mas elas vão morrer de qualquer jeito"
porque o tempo vai continuar passando
e as coisas vão continuar no seu ciclo de vida e morte
como nós
como todo conceito de início que precisa do término pra ter sentido
você não sabe, mas minha tia morreu há uma semana. ela adorava violetas.
quando eu era criança, lembro de sempre ver um vasinho de flores na sacada da janela do quarto dela.
na manhã de sua partida, eu tinha comprado margaridas
a gente tinha planejado visita-la pela semana. ela tinha 87 anos e um coração mais delicado do que uma pétala
minha tia sempre foi devota a nossa família, não se casou, não teve filhos, cuidou da minha avó, dos meus primos, de mim
uma flor que nunca se desgrudou da árvore
morreu, como todas as outras
é difícil ter que lembrar que tão necessários quanto os começos
são os fins
Hélène Cixous, from her novel titled "Inside," originally published in 1986
Fyodor Dostoevsky, from a letter featured in Letters of Fyodor Michailovitch Dostoevsky to his Family & Friends
Wilfried Podriech "Sätty" (1939-1982) — The Inner Eye [poster, 1968]
botafogo, voluntários da pátria 46. vinho e sanduíche e vinho e água
olha essa lua
mais uma tacinha
a gente tá torcendo pra cabo verde e eu coloquei o nome do messi no congelador
eu sou só uma garota
e sim, meu deus, uma mulher
mas ainda uma garota
vivendo esses momentos cintilantes
a vida tão boa, tão bonita
e eu sou só uma garota
caçando
perdendo
Margaret Atwood, from "The Woman Who Could Not Live With Her Faulty Heart" in Selected Poems II: 1976-1986
Louisa May Alcott, Little Women
damn the dark, damn the light
i can still hear you saying we would never break the chain
a minha versão com vinte e poucos anos não sabia ler os sinais.
você disse
e quantas vezes você disse
que não saberia ficar. que estava quebrado. que não era capaz de amar ninguém.
quantas vezes eu ignorei porque confiei: o meu amor tão puro tão incandescente tão feroz
como? como o universo seria capaz de triturar um coração assim? como você seria capaz de me consumir assim?
acreditei que nosso encontro tinha sido escrito e ditado por algo maior que nossos diagnósticos, algo maior que nossas escolhas ruins
uma profecia? uma revelação?
e acabou do jeito que tu disse que acabaria e eu voltei milhares de outras vezes como tu disse que eu voltaria e tu me puxou e quis de volta como sempre disse que aceitaria
porque éramos cruéis, porque sempre fomos cruéis
e quando você não me amou e quando eu me dei conta de que nunca me amaria e quando eu pensei que teria um filho seu e tive medo dele acabar assombrado como você terminou, num casamento amaldiçoado como o do seus pais
quantas vezes escrevi que acreditava no seu amor
que ninguém além de você foi capaz de me amar
eu menti
damn your love damn your lies
eu tive tanto medo de acabar presa a você por todos os motivos que eu nunca quis. eu estava tão apavorada de ter que te entregar de novo algo que você jamais deveria ter de mim
nas minhas noites mais sufocantes ainda consigo ouvir sua voz
e é por isso que sigo correndo
nunca vou parar de fugir de você
Rainer Maria Rilke, from "Letters to a Young Poet," originally published in 1929
Asli Mahdi, "Origin Story #4", pub. The Offing [ID'd]
Mahmoud Darwish, from a poem titled "He Waited for Noone," featured in Almond Blossoms and Beyond: Poems
Jorge Luis Borges, from A Personal Anthology; “A New Refutation of Time”
The Southern Cross, Charles Wright
eu vou viver outra história de amor fajuta e daí escrever e daí você vai pensar que ainda estamos presos um ao outro e talvez até seja verdade mas não importa. nessa vida não importa mais. talvez na próxima, talvez a gente se resolve em outra, não nessa
daí eu vou encontrar esse cara e sei lá dormir com ele e sei lá me apaixonar e escrever sobre ele e então você vai ler ou quem sabe você não faça mais isso e sou eu que me conforto na ideia de que existo tanto na sua vida quanto você na minha
pensar que estamos atados deve ser porque ainda lembro
é que amar é exercício de memória e tenho medo de perder a parte de mim que só soube sentir e sentir e sentir por você
era uma parte boa. eu tinha problemas mas a minha versão que viveu a gente é tão querida, eu gosto tanto dela
preservo
eu a amei tanto, na época não parecia, eu estava triste com tanta frequência, mas ela tinha uma luz que eu queria guardar
não a encaro como a versão de mim que não segurou você, não há ninguém nesse mundo que te prendeu nas mãos
ela sofria tanto, mas eu a amo
eu amo a fé que ela tinha em quem eu sou hoje
minha ex idade, aquela que eu vivi em seu nome, é muito mais que isso
porque ela pode até ter te escrito, eu escrevi tantos homens
mas se você parar pra pensar
tanto pra ela, quanto pra mim, a certeza era uma
quem fica
sou eu