A enfermaria nunca esteve mais entendiante. Era uma sexta-feira, o dia estava quase acabando e Rebecca enfrentava um plantão com Joseph, a pessoa na qual convivia muito no ambiente de trabalho nesses dois anos no Acampamento. Devido ao ofício e outros pontos em comum, foi muito fácil ganhar afinidade com o moreno, pois os mesmos pareciam se entender bem em diversos âmbitos, e isso ajudava a passar o tempo quando não estavam em ação. - Então, aquele convite ainda está de pé? - Rebecca perguntou ao mais novo quando este aparentava estar tão cansado que evidenciava estar prestes a cochilar na própria cadeira. Não curtia realmente beber, mas era legal sair com os amigos e se divertir um pouco, tirar a cabeça do ambiente estressante que a enfermaria podia gerar - Ouvi que outras pessoas também vão, quero deixar claro que só aceito ir porque sou uma ótima amiga, e não vou beber muito porque não lido bem com a ressaca - Comentou com um sorriso no rosto ao lembrar da dor de cabeça terrível que teve na última vez que bebeu. - Você vai ficar me devendo uma. -
“ 🔱 ┆ — eu também adoro essa música, mas eu sou suspeita para falar de the weeknd, então não vou emitir opinião. — era uma de suas bandas prediletas e não poupava esforços para aprender cada uma de suas músicas para poder reproduzi-las, fosse no violão, violino ou piano. —— ei… assim você me ofende, eu acabei de limpar todo o estábulo, eu garanto a higiene desse lugar todos os dias, embora… — ela olhou para o cavalo mais próximo e deu uma risada baixa —— eles não sejam lá o exemplo de manter a organização e limpeza. — quase que imediatamente, o animal relinchou e fez barbara rir, se levantando —— não quis ofender, amigo. — declarou, acariciando o focinho do animal. ——- mas e então, está perdida por ai? ou precisa de um cavalo? ou… só um lugar calmo? ”
- Take it easy, eu realmente não sabia que você tinha acabado de limpar o local. - Disse-lhe a mais velha, logo depois vasculhou o local com os olhos e parecia impecável, como se alguém tivesse gastado horas naquele estábulo - Desculpa se lhe ofendi, não era a intenção. Posso ver que você tem uma verdadeira admiração por esse local, filha de Poseidon, imagino? ou então Netuno, é claro. - Indagou ao observar a mais nova acariciando um dos cavalos - Terceira opção. As vezes parece que não há um local sequer para se isolar por aqui, e dos outros lugares que eu conhecia esse era o único que estava vazio, ou quase isso. -
rael estava passando por um momento um tanto difícil, complicado de engolir um dos piores medos que reviveu. o filho de hades não sabia exatamente o que fazer, quando saiu de seu chalé para caminhar vagamente pelo acampamento. foi então que viu a filha de hécate, parecia atordoada. rael logo se preocupou com a amiga e tentou se aproximar sem assustá-la, porém viu que a morena estava caindo novamente para ir de encontro com uma pedra em sua cabeça. rael se apressou o mais rápido que pode, se jogando de joelhos ao chão para impedir que a pedra ensaguentada causasse um ferimento ainda mais grave na mais velha. “rebeca!” gritou, enquanto ainda se jogava. felizmente a alcançou a tempo de impedir que um desastre acontecesse. vira suas mãos completamente ensanguentadas, mas não ligou nenhum pouco. puxou a menina mais para perto, para que ficasse por cima de seu colo, enquanto gritava desesperadamente por ajuda, mas ninguém parecia estar por perto para socorrê-los. o semideus se levantou com dificuldade, tentando fazer com que ela se levantasse também para carregá-la à enfermaria, com um braço em sua cintura e o outro segurando a mão da semideusa, apoiada em seus ombros. “vamos, beca. preciso que me ajude.” falou, com sua voz indicando a força que estava fazendo para mantê-la em pé e consciente. ao finalmente conseguir chegar na enfermaria, dois outros semideuses vieram ajudá-lo a encaminhá-la para dentro. rael estava exausto, mas permaneceu ao lado dela até que ela acordasse.
Ouvira o grito ecoando pelo seu nome, mas parecia tão longe que a morena não conseguiu se alertar o suficiente para manter-se acordada. Sentiu seu corpo pender para o lado, mas fora aparada pelos braços do mais jovem. No momento não sabia, mas Rael estava ao seu lado, e talvez se não a tivesse encontrado aquele sangramento seria agravado, e possivelmente levaria a mais velha à morte. Pôde sentir braços em sua volta, e então uma força a agarrou para cima, quase que como um pedido desesperado para manter-se viva e sã, e foi o que a cria de Hécate tentou fazer. Seus passos lentos foram de encontro aos mais rápidos do garoto, as mãos trêmulas tentando estancar o sangramento que encharcavam sua cabeça, mas sem tanto sucesso. Foi só ao chegar na enfermaria que fora colocada em uma maca onde cuidaram do seu ferimento, e apenas vultos eram perceptíveis aos seus olhos grogues, motivo do seu susto ao ter a vista examinada por uma lanterna afim de encontrar uma resposta motora, possivelmente uma escada de Glasgow. Sua mão ensanguentava buscou pelo mais novo na lateral da sua maca, e logo em seguida sentiu o aperto entre seus dedos. Rebecca quis se virar, olhar para o rosto do garoto, mas seu corpo estava sendo mantida no lugar e sentia que a lateral da sua cabeça estava sendo raspada. - O...obrigada - Disse-lhe a morena, ou pelo menos acha que disse, mas certamente estava grata em sua mente.
“oh sim, concordo com você.” sorriu, tentando não pensar muito naquilo. aslaug percebeu as ataduras envoltas a cabeça da mulher ao seu lado, mas não quis perguntar. poderia ser indelicado. “eu também acho. quero dizer, eu não sinto vontade de voltar a dormir agora… não com o que eu vi…” engoliu seco, tentando não transparecer que um nó na sua garganta se formou. era um trauma que aslaug jamais imaginou que tinha. quanto à filha de hécate, não sabia se foi o mesmo. “não que seja um incômodo dormir, mas eu gosto de apreciar a noite.” a filha de deimos sorriu, tentando desviar o foco do assunto. “está se sentindo bem?”
- Sinto que o sono de todos nós foi afetado pelos próximos dias. - Concluiu ao chutar uma pedrinha que se encontrava ao lado do seu pé. A visão da morena naquela noite não era exatamente uma verdade, mas sim um pensamento infeliz que penetrara em sua mente mesmo sabendo que o destino da sua avó estava fora do seu alcance. - Eu estou ok, pelo menos na medida do possível. Acho que ninguém está verdadeiramente bem hoje... - Disse em um tom suave e sorrindo de lado para não aparentar tanta seriedade no diálogo - Mas quanto a minha cabeça, ainda dói, mas eu fui medicada. - Comentou ao passar delicadamente os dedos pelas ataduras - Digamos que a pedra que eu desmaiei sobre não era um ótimo travesseiro, sabe? - Perguntou retoricamente ao olhar para a loira ao seu lado e riu baixinho para amenizar o clima - Mas e você? Parece tensa.-
após ficar mais calma do pesadelo, aslaug se despiu em frente ao espelho, em busca da sua carne rasgada pela faca no sonho, porém não encontrou nada além dos locais doloridos. talvez seja psicológico. por mais que tentasse, a filha de deimos não conseguia mais dormir; o pesadelo tinha sido a única ferramenta que a deixou apavorada, porém voltou a sentir um vazio emocional e não sentia mais nada além de inquietude. se vestiu propriamente e decidiu sair de casa, indo em direção à praia, para observar o céu noturno estrelado como havia feito na noite anterior. ao perceber alguém se aproximar, aslaug franziu o cenho, tentando entender o motivo de estar acordadx tão tarde. “noite ruim?” perguntou, retornando a olhar para o céu.
- Acho que tá mais pra década ruim. - Disse. Rebeca trazia consigo ataduras envolta do seu cabelo para estancar o sangramento causado pelo corte na lateral da sua cabeça. Escutava as ondas se chocando contra a areia enquanto olhava para o horizonte, tentando buscar forças pra tudo que enfrentara, e, por ser filha de Hécate, a noite era ainda mais agradável para uma caminhada, pois sua visão era aguçada e ela se sentia mais forte sobre aquela lua cheia. Sua cabeça estava tão dolorida e desorganizada com os pensamentos que mal conseguia formular uma pergunta sem pôr muito esforço nisso - Acho que estar acordada agora é mais seguro pra mim do que dormir, e você? - E era verdade, não queria imaginar os sonhos que podia ter após se deitar.
“ 🔱 ┆ — barbara vinha em busca de fazer coisas que a fizesse se sentir mais próxima dos deuses, como se fosse resolver alguma coisa. desde o ataque de mania, havia se isolado, com medo do que podia acontecer. não que isso fosse de fato resolver alguma coisa, porém, precisava de um tempo para organizar as ideias. passava nos estábulos todos os dias para cuidar dos cavalos e dos pégasus, que já era a sua função no acampamento a muito tempo, passeava pela praia e conversava com o mar como se em algum momento Poseidon fosse responder e agora, sentada na beirada do píer, tinha seu violão no colo, dedilhando algumas notas e sentindo os raios de sol sobre a sua pele, fracos, sem Apolo lá. ela dedilhava as notas de The Hills, cantando baixinho, como se em algum momento o deus pudesse se juntar a ela. frustrada, ela deixou o corpo cair para trás, deitando-se na madeira e soltando uma bufada entristecida. quando seus olhos se ergueram, no entanto, viu que não estava sozinha, e que outru semideus a olhava de volta. —— ‘ta aí a quanto tempo? ”
- Eu meio que acabei de chegar. - Disse-lhe a mais velha ao encarar a garota. Parecia magoada, seu olhar era o de alguém que parecia procurar por respostas - Eu adoro essa música, aliás. Acho muito bonito quem sabe tocar violão, os Deuses sabem que eu desisti de tentar há tempos. - Falou e logo depois sorriu enquanto se encaminhava para um cantinho do estábulo - Eu sendo você não me deitaria aí, esse local não é exatamente higiênico. - Disse em um tom amigável. Rebecca procurou se sentar de maneira cuidadosa, com medo de talvez abrir a ferida na sua cabeça depois do ocorrido após o ataque.
A verdade é que Rebecca não gostava de beber, mas estava o fazendo para ficar mais leve, talvez um pouco mais animada do que os últimos dias. Ela conversava com seus amigos no centro do Acampamento enquanto jogava o líquido amargo do copo em suas mãos direto no fundo da sua garganta, evitando qualquer contato com a sua língua.
Tudo parecia bem, não teria grandes preocupações por aquela noite até... Bom, até a figura fantasmagórica se pôr à sua frente. Rebecca pôde sentir um arrepio até o fim da sua espinha seguido com uma sensação de frio horripilante vindo do fundo das suas entranhas. Aquele rosto era indescritível, o olhar que jamais poderia ser descrito como humano, o tipo que não teria hesitação alguma em repartir a sua alma de uma maneira irreparável. E foi olhando para aqueles olhos que Rebecca desmaiou, ou ao menos pensar que desmaiou. Parecia que estava chegando cada vez mais perto dos olhos daquela criatura, até adentra-los completamente e se encontrar presa em outra realidade.
Na sua frente estava sua avó. Sua queria avó, com as vestes prestas, os cabelos castanhos soltos sobre seus ombros e exalando aquele cheiro de baunilha característico, enchendo o coração da mulher de esperança por um breve momento. Foi só ao tentar se aproximar que teve uma terrível surpresa, a voz antes tão doce da sua avó agora tornou-se grave e alta, um tom que jamais ouvira antes em sua vida.
- Não chegue perto de mim. Você... Eu achava que eu podia confiar em você. Eu morri, e você é a culpada. Você foi incapaz de me curar. - Apontou Miranda, com o dedo no rosto da morena que em um segundo se sentiu tão frágil que caiu por seus joelhos, sem força para sustentar o próprio corpo.
- Vó, eu posso te salvar agora, eu... eu tô trabalhando em um novo experimento, eu posso te curar, entendeu? eu... - Sua fala foi cortada por uma risada irônica, como se tudo o que fora dito não passasse de uma grande mentira.
- Você não pode fazer nada. Eu te odeio, Rebecca. Você me deixou morrer, e nada mais me pode trazes dos mortos, nem sequer sua pesquisa. Para quê você sequer começou essa pesquisa? Eu já estou morta, não tem nada que você possa fazer quanto a isso, pare de mentir para si mesma. -
Aquela palavras atingiram seu coração como uma facada, despedaçaram qualquer coisa boa que existisse dentro da morena, que agora chorava aos prantos com as mãos sobre o peito, talvez tentando juntar os pedaços do que lhe sobrou ali
- Nem sequer seus Deuses podem me fazer voltar, não é mesmo? - Continuou, dessa vez andando em círculos em volta da mais nova que encarava o chão, com vergonha demais para encontrar os olhos esverdeados da sua avó
- Adeus, Rebecca. -
Ao ouvir essas últimas palavras Rebecca levantou-se rápido demais, mas quando se virou a silhueta da sua avó já havia desaparecido, quase como se nunca tivesse ali. Em uma tentativa desesperada, tentou agarrar o vazio na sua frente enquanto ainda via a sombra da mulher, mas acabou enchendo suas mãos com algo diferente.
As imagens foram aos poucos voltando aos seus olhos, assim como os detalhes foram aos poucos se mostrando à sua frente. Rebecca percebera que agarrava um punhado de folhas em suas mãos, aparentemente havia desmaiado, e sua cabeça pesava toneladas quando voltou a si. Se sentou ali mesmo, encostando-se em uma das árvores do local. Algumas pessoas em sua volta estavam voltando a ganhas a consciência, mas foi difícil acompanhar, pois seus olhos se fechavam lentamente mais uma vez.
A última lembrança que tem daquela noite foi de quando viu alguém correndo em sua direção e apanhando sua cabeça antes que caísse novamente sobre a pedra que a machucada, e logo após notou a mão ensanguentada da pessoa à sua frente que tentava desesperadamente estancar o sangramento, mas Rebecca não ficou acordada o suficiente para saber como aquilo acabou.
“E você não é?” O tom não continha nenhum pingo de ironia ou sarcasmo, apenas uma curiosidade genuína e pura. Oras, JJ sabia que nem todo mundo no acampamento era um semideus, então não tinha como deixar a pergunta de lado. “Na verdade eu só estava entediada e vim curiar o que você estava fazendo.” Foi sincera, soltando uma risada soprada. Os olhos alaranjados não a deixavam mentir, de qualquer forma. “Essas poções fazem o que?” A filha de íris perguntou, interessada, segurando a vontade de tocar em tudo, cheirar e experimentar todas as poções, mesmo que não soubesse o que fariam.
- Eu nunca disse que eu não era. - Respondeu-lhe a mais velha com uma sobrancelha levantada, mas logo depois sorriu de lado para não passar uma má impressão. - Sim, eu sou meio humana, e meu nome é Rebecca, prazer. - Disse, mas não tinha tanta certeza se estava sendo ouvida já que a pessoa à sua frente parecia mais interessadx em vasculhar as prateleiras atrás da morena com olhares frenéticas - Bom, eu sou a farmacêutica responsável por cuidar dos medicamentos e poções do acampamento, além de dar orientações do uso correto para evitar uma super dosagem, "tendeu"? - Perguntou-lhe genuinamente, sem tentar ser rude - Depende do que você precisa, pode me dizer o que está sentindo? Ah, e desculpe-me a grosseria, qual o seu nome? -
↠ Não era incomum que Misty caminhasse por outros lugares do acampamento depois de ficar horas e mais horas nos céus, era quase como se a própria ninfa fosse a iluminação do local, as vestes, pele e cabelos brilhando na escuridão assim como as asas que pareciam ser feitas das próprias nuvens. Claro, a pergunta da mais nova a pegou de surpresa, fazendo com que a criatura a fitasse com aqueles olhos tão azuis que pareciam um céu limpo — Na verdade, não sou metade humana, sou uma ninfa. — falou com calma, a voz serena e capaz de acalmar qualquer pessoa ressoando pelo local. — Agradeço a gentileza, mas não preciso de poções. Apenas precisava andar um pouco.
- Bom, não custava tentar. - Disse a morena com um sorriso amigável no rosto, talvez para tentar quebrar o clima ou talvez pelo nervosismo de estar sendo encarada por aquela criatura assustadoramente bonita e com olhos grandes e de cor mais azul que já vira em toda sua existência. Rebecca se virou até uma das prateleiras e colocou uma das poções em seu respectivo local, não gostava de ver desorganização em seu ambiente de trabalho, e quando tinha um tempo livre sua cabeça tentava se ocupar de outras coisas - Ninfa, certo? Do que exatamente? - Perguntou-lhe, virando-se para frente novamente e debruçando-se sobre o balcão. Literalmente qualquer coisa que a tirasse do tédio de uma tarde sem qualquer interação era bem-vinda, então não hesitou em tentar uma vez mais um diálogo.
Ela não deixou de notar a curiosidade da outra para com sua marcação. — É a marca de Belona e os dez anos que passei servindo ao acampamento Júpiter. — Explicou sorrindo levemente. — Tenho minhas duvidas, mas e você, como está? — O sorriso leve ainda permanecia nos lábios da semideusa, tentando criar um clima agradável.
Rebecca soltou uma risada baixinha, sabia como sua mente podia lhe pregar peças quando estava enfrentando algo, e aquele dia era particulamente difícil para ela. - Desculpa, você perguntou e eu não respondi. - Disse balançando a cabeça, odiava quando estava aérea - Eu estou bem, pelo menos na medida do possível. Acho que eu comentei antes, hoje seria um dia muito importante para mim no meio acadêmico se eu não estivesse... Bem, se eu não estivesse aqui. - A morena deu de ombros e revirou os olhos em um tom de brincadeira, talvez o humor fosse uma boa pedida pra tentar disfarçar algo maior - Mas e você, como está? Se ninguém te disse isso hoje ainda, você “tá” muito bonita. - Comentou ao olhar a roupa da filha de Belona, era inegável a beleza natural que ela possuía.
Catherine esboçou um sorriso leve, olhando novamente para a “tatuagem”. — Não precisa, obrigada, ela é assim mesmo, ela fica um pouco mais vermelha quando estou preocupada. — Deu de ombros, não era mentira. — Mas e você, Bex, como está?
Concordou com um aceno, ainda observando os traços da marca no braço da mulher, que se destacavam bastante devido à sua pele pálida. - Tudo bem, acho que todos estão tão preocupados quanto você. - Comentou a morena. A verdade é que ela mesma não se importava muito para com os Deuses, esses nunca se importam o bastante com os seus filhos ou com os mortais que eles conquistam e abandoram pelo mundo, a verdade é que sua maior preocupação era quanto aos semideuses e as outras criaturas daquele Acampamento, e como tudo sempre sobrava para eles.
O tempo não estava muito bonito hoje. Rebecca observou que as nuvens haviam começado a cobrir qualquer vestígio de sol e uma leve garoa já caía entre as árvores, trazendo consigo um vento frio e tranquilo. O acampamento aparentava sereno dado os recentes acontecimentos, parecia que na maior parte do tempo as pessoas estavam em negação ou treinando, pois ninguém realmente comentava abertamente sobre o que havia ocorrido, mas todos se preparavam para o que estava por vir, e aqueles corpos que encontraram eram um tabu entre as pessoas. Seu pensamento já estava longe quando a pessoa na sua frente à chamou atenção, provavelmente em busca de alguma poção - Desculpa, como posso te ajudar? - Perguntou-lhe a morena ao colocar uma mecha do seu cabelo para trás da orelha - Você precisa de alguma poção? Talvez até um remédio comum possa o ajudar, afinal você é metade humano, certo? - Sorriu ao apontar para a sessão dos manipulados que se despunham nas prateleiras ao lado das poções.
A filha de Afrodite estava inquieta naquela tarde. Passara o dia com seus alunos pensando no que usar a noite, afinal, ela era filha da beleza, não podia fazer feio. Mas Alexia se sentia para baixo, há muito tempo que ela não bancava o cupido para alguém, até analisar (seu personagem) olhando para outrx semideus. O sorriso logo apareceu nos lábios vermelhos da loira, que apareceu de supetão. “Não faz muito meu estilo, mas dou todo o apoio para vocês, seriam lindos juntos!”
Rebecca estava cansada depois do seu expediente. Mesmo sendo a responsável pelas poções do Acampamento, precisou auxiliar também na enfermaria atendendo alguns jovens que estavam com ferimentos leves e aconselhando o que deveriam fazer para evitar infecções. Sua cabeça estava cheia naquele momento, o pensamento que lhe perturbava era que naquele mesmo dia sera o fim do seu mestrado, no qual era estava trabalhando duro se não tivesse sido perseguida e acabasse parando em um local que sequer imaginaria que existisse há dois anos. Estava cheia pensamentos negativos, ocasionando em uma autodepreciação grande demais pra ser considerado saudável.
Foi só depois de ouvir a doce e distante voz de uma jovem que Bex percebeu que encarava um homem há algum tempo. Ele era loiro, com músculos volumosos, mas nem de longe fazia o seu tipo. Sorriu com o que a garota havia falado, observando as feições assustadoramente suaves e seu rosto incrivelmente proporcional. O nariz de Bex estava embriagado pelo perfume doce que a garota exalava. - Desculpa quebrar o clima, mas acho que não rolaria. - Rebateu com uma risada despretensiosa em seguida. A verdade era que aquela garota era muito mais atraente aos seus olhos do que o homem que anteriormente encarava.
Catherine passou a mão pelo simbolo de Belona queimado em sua pele pela décima vez somente naquela hora. Era incomodo pensar que a deusa tinha desaparecido, então não conseguia se concentrar direito em sua tarefa e não se surpreendeu quando quase queimou a outra pessoa. — Me desculpe, estava com a cabeça nas nuvens. — Respondeu atirando a madeira que já pegava fogo na fogueira a sua frente.
A morena não pôde deixar de notar a inquietação da mulher ao seu lado, parecia aflita com algo, o olhar vagava entre a marcação em sua pele e o movimentação ao seu redor. Rebecca conhecia bem o que observava, a sensação de não ter controle algum com o que estaria acontecendo, a necessidade súbita de tomar as rédeas da situação mas sem saber como o fazer. Foi somente ao sentir o calor aproximando-se da sua camisa de Bex sorriu, evidenciando a não necessidade de pedir desculpas pelo ocorrido - Tudo bem, não me acertou. - Disse. - Esse símbolo... Está com alguma irritação? Acho que consigo algo para aliviar.