bg-kijiyeon:
F L A S H B A C K
Festivais eram ótimas oportunidades para Kiji colocar seus talentos em prática. Não que saber fazer algumas mágicas fosse grande coisa, mas as pessoas que normalmente iam à esses locais eram facilmente impressionáveis, e certamente ganharia mais algum dinheiro do que o que normalmente arrecadava pelas ruas de Balgeun. O palco improvisado havia sido montado com alguns caixotes grandes de madeira e cobertos com um tecido brilhoso, estrategicamente posicionado em uma área que muitas pessoas passavam. – Respeitável público! Espero que estejam dispostos a fazer um pequeno desvio na programação desta noite! …. – Era assim que Kiji começava suas apresentações para grandes públicos, precisava ser teatral, sorrir de orelha a orelha como se não estivesse morto por dentro. Precisava esboçar o mínimo de carisma em prol da própria sobrevivência e a verdade era que, embora gostasse de fazer truques, não sabia por quanto tempo manteria aquela fachada. Seus olhos ardiam e pinicavam desde antes de chegar ao festival; aquela era a resposta de seu corpo por estar há quase 24 horas sem tirar um cochilo sequer. O problema era que estava sem remédios para dormir, e para comprar um novo pacote precisava de dinheiro. Sim, sem seus remédios Park Kijiyeon se recusava a dormir pelo simples fato de que, quando dormia de forma natural, os pesadelos eram horríveis demais para suportar. Quando não eram os pesadelos, eram os episódios de terror noturno que o atormentavam no dia seguinte como lembranças de um passado distorcido. Era horrível ver a si mesmo daquela forma, tão miserável, mas estava conformado. A morte vem para todos. Às vezes ele se pegava pensando se não poderia dormir um dia e nunca mais acordar.
Já havia executado uma quantidade considerável de truques quando notou que não aguentaria muito mais tempo; precisava desesperadamente tomar um comprimido enorme para dormir antes de desmaiar em alguma vala. Precisava disso e de um baseado, mas o último podia ficar para mais tarde. Estava na hora de executar seu último truque. De seu bolso, retirou um baralho de cartas antigo, gasto pelo uso constante e de bordas amareladas, todavia, tal aparência apenas dava ao objeto cênico um pouco mais de personalidade. – Para o meu próximo e último truque eu vou precisar de um voluntário, que tal….. – Várias pessoas ergueram as mãos de forma entusiasmada, mas Kiji ignorou-as por completo. Ora, bolas, ele era um mágico, seu trabalho consistia em desviar a atenção, em montar uma ilusão perfeita, precisava dos desatentos. Por essa razão iria escolher qualquer um que estivesse de cara ‘pra cima. – Que tal você, loirinho?! – Escolheu-o não só porque o rapaz estava olhando para os lados, mas também porque… ele chamava certa atenção, não? Pelo menos era isso o que a mente de Kiji lhe dizia. – É, você mesmo, o baixinho bonitinho, vamos, pode vir aqui. – O rapaz abaixou-se e esticou-se para pegá-lo com delicadeza pelo pulso e puxá-lo para o palco. – Eu não mordo… sem motivo. – A piadinha idiota arrancou alguns risos curtos da plateia, Kiji podia ser um lixo lidando com pessoas individualmente, mas pelo menos pequenas multidões ele podia controlar. Pelo menos conseguia disfarçar bem melhor sua vontade de desmaiar de exaustão atrás do palco a qualquer momento. – Qual seu nome, meu jovem? – Indagou enquanto embaralhava as cartas com uma habilidade digna de um croupier de Las Vegas, ou melhor, digna de um mágico de respeito.
:☆*:・’ ━━━ O nariz torceu-se só de ouvir “baixinho bonitinho”, primeiro que não era tão baixo assim diante dos demais ali e segundo que bonitinho não se aplicava para tamanha beleza que tinha, obviamente. Porém, seguindo a linha de pensamento, ele jamais poderia esperar algo melhor vindo de alguém que parecia mais um amontoado de folhas secas. Seus xingamentos ainda eram finos, às vezes. Novamente, Donghun estava irritado, querendo explodir a qualquer momento e por motivos plausíveis, já que o peito ainda ardia. Parecia queimar ainda mais agora, aliás. Porém não tinha tanto tempo para continuar procurando, já que um obstáculo surgira em sua frente. Poderia ter simplesmente ignorado ou recusado, mas ele era um rapaz educado e continuava sendo - em partes, porém isso não vinha ao contexto. E ao visualizar o braço alheio estendido a si, desviou-se, não aceitando a ajuda, assim, subindo por si só ❛ Não preciso de ajuda posso fazer isso sozinho ❜ disse um tanto mais baixo, apenas para que o tal mágico ouvisse. Alardes não era seu forte, deveria se preservar por questões pessoais. Após subir, dera alguns passos, ficando um tanto próximo do outro, olhando-o enquanto ele parecia descontraído. Viável dizer que Donghun queria agarrá-lo pelo pescoço e estrangulá-lo nesse momento; tornava-se impaciente a cada segundo que passava; a cada ardência incômoda que recebia forte no peito. Suspirou. ❛ Meu nome é Minhyun ❜ respondeu, dessa vez deixando que os olhos fossem direcionados para a platéia e então pensou: a vista daqui é ótima. Depois disso soube que estar ali era apenas uma obra angelical para ajudá-lo, claro. O Min respirou contente dessa vez, depois de tempos passando raiva, e então já não prestava tanta atenção assim no que acontecia ao seu lado. Os olhos trataram de observar com atenção cada rosto ali. Alguns desviavam o olhar, outros sorriam e havia as que coravam, mas nada, nada além de reações humanas - e patéticas, deveria dizer. Franziu o cenho, exausto. Ele só queria um sinal, algo que o fizesse ter certeza sobre quem proteger e então, poderia viver bem longe desta pessoa. Seu objetivo não seria se aproximar de ninguém, apenas evitá-lo. Fácil e simples.













