SOPHIE THATCHER? Não! É apenas VIOLET WALKER, ela é filha de APOLO e CONSELHEIRA do chalé SETE e tem VINTE E TRÊS anos. A TV Hefesto informa no guia de programação que ela está no NÍVEL III por estar no acampamento há ONZE ANOS, sabia? E se lá estiver certo, Vi é bastante ALTRUÍSTA, mas também dizem que ela é PETULANTE. Mas você sabe como Hefesto é, sempre inventando fake news pra atrair audiência.
ɪ. 𝓅𝑜𝒹𝑒𝓇𝑒𝓈 —
Canção de Cura — Como filha de Apolo, Violet tem uma disposição natural para curar, mas, no caso dela, seu talento para medicina se manifestou também em seus poderes, na forma de música. Quando canta, Vi pode fechar ferimentos abertos, amenizar as dores e sintomas de uma doença e até neutralizar venenos, a depender do quanto de energia ela utilize. Ela também pode estabilizar alguém à beira da morte, às custas de usar imediatamente toda sua energia e passar um dia inteiro sem voz, porém, não pode trazer ninguém de volta à vida. Em questão de alcance, seus poderes são mais eficazes quando usados em uma pessoa por vez, visto que tentar espalhar os efeitos de sua canção para mais de um alvo diminui as capacidades curativas de seu canto. Sempre que a semideusa usa demais sua habilidade, ela fica um tempo sem poder utilizá-la, ficando literalmente sem voz, podendo variar de horas a dias, a depender da cura realizada.
Vigor de Luz Solar [ habilidade passiva ] — Quando estiver sob a luz do sol, Violet ganha resistência física aprimorada, sendo capaz de resistir a dor e a ataques severos sem perder a consciência, além de se tornar mais ágil e mais forte, ganhando uma pequena vantagem em um campo de batalha ativo e sendo capaz de alcançar e curar seus aliados com mais facilidade. O efeito não pode ser "desligado", mas é cancelado sempre que ela entrar em uma área de sombra, seja esta causada por nuvens, árvores, guarda-chuvas ou o teto de uma estrutura e, logicamente, não funciona durante a noite. A pele da semideusa brilha levemente com um reflexo dourado quando está sob a luz solar, desta forma é fácil identificar que sua habilidade passiva está em ação.
ɪɪ. 𝒽𝒶𝒷𝒾𝓁𝒾𝒹𝒶𝒹𝑒𝓈 —
Fator de cura acima do normal e previsão.
ɪɪɪ. 𝒶𝓉𝒾𝓋𝒾𝒹𝒶𝒹𝑒𝓈 —
Membro da Equipe de Curandeiros e faz parte do Time Azul no Arco e Flecha.
ɪᴠ. 𝒶𝓇𝓂𝒶𝓈 —
A arma de escolha de Vi é um arco e flecha, e um bem normal, diga-se de passagem, uma vez que achou melhor se encostar onde era mais “fácil” e onde sua descendência lhe daria alguma vantagem natural. Ela não se interessa muito por combate, sequer considera ter algum talento nisso, por isso não tem nenhuma arma especial, apenas um arco comum.
ᴠ. 𝒽𝒾𝓈𝓉ó𝓇𝒾𝒶 —
— Bonnie Walker não era uma mulher comum, na verdade, ela era apaixonante em todos os sentidos da palavra. Uma belíssima e talentosa cantora da Broadway que nunca recebia “não” como resposta e sempre conseguia exatamente o que queria, Bonnie tinha o carisma e o charme necessários para encantar até mesmo um deus. E foi exatamente isso o que ela fez. Apolo foi rapidamente atraído pelo magnetismo natural da mulher e, eventualmente, o relacionamento dos dois levou ao nascimento de uma linda menina de cabelos dourados chamada Violet. Quando a menina nasceu, Apolo já tinha deixado a vida de Bonnie há meses, um fato que evidentemente enfureceu a atriz, mas ela também não correu atrás, afinal, o show tinha que continuar.
— Desde pequena, Violet foi criada para ser uma cantora e uma artista, com aulas particulares de canto, sempre demonstrando ter um incrível e inquestionável talento, certamente uma herança de sua querida mamãe. Infelizmente, a atenção que lhe era dada pelos instrutores não era nada comparado à atenção de uma mãe. Mas o que Bonnie podia fazer? Ela tinha uma carreira para tomar conta e uma filha para sustentar. A atriz dizia que Violet era seu maior tesouro, mas não agia como tal, sempre colocando seus compromissos e trabalho em primeiro lugar. Assim, Vi, aprendeu a ser independente muito cedo e, consequentemente, acabou descobrindo cedo seu dom de cura, ainda que por acidente, mas foi exatamente nesse período que as coisas começaram a desandar.
— A carreira da mãe de Violet já não era como antes, afinal, a mulher estava envelhecendo, ela já não conseguia os mesmos papéis e seu temperamento explosivo e arrogante estava minando sua credibilidade. Aos poucos Bonnie navegava em direção a um fim de carreira deplorável… a não ser, é claro, que sua querida filha pudesse ajudá-la. A atriz descobriu que Violet era, realmente, sua gansa dos ovos de ouro, afinal, a voz da garota não apenas era majestosa, como também curava as dores físicas daqueles que a escutavam. Em pouco tempo, a mulher foi de atriz renomada para charlatã de marca maior, usando Vi como sua principal atração, ela vendia a cura para doenças incuráveis, prometia tratamento para Alzheimer e só os deuses sabem o que mais. Violet se sentia obrigada a ajudar a mãe, afinal, ela não era nenhuma ingrata, precisava retribuir a mulher que havia lhe dado a vida e gastado tantos anos trabalhando incansavelmente para sustentá-la, ou pelo menos essa era a ladainha que Bonnie oferecia à filha, constantemente se fazendo de vítima e se aproveitando do bom coração da garota.
— Com o tempo, ser uma alma bem intencionada passou a cobrar preços muito caros de Violet. No começo, o abuso era apenas emocional, e a menina se julgava forte o bastante para suportar sua mãe tóxica até ter idade suficiente para conseguir um emprego e viver sozinha, porém, as surras começaram. Quando uma das sessões de cura de Bonnie não vendia bem, quando perdia clientes e, principalmente, quando Vi ficava sem voz, a mulher perdia o controle e descontava tudo na filha. Era ainda pior quando Violet admitia para a mãe que não aguentava mais enganar aquelas pessoas, afinal, suas canções não eram milagrosas. Gradativamente, Vi percebia sua alma perdendo brilho, cedendo ao buraco negro de vaidade e ganância criado por sua mãe, por um tempo ela genuinamente acreditou que suas habilidades fossem algum tipo de maldição. Então, num dia em que o sol estava escondido pelas nuvens, ela fugiu, encoberta pela chuva.
— Após algumas semanas vagando e se escondendo da polícia, Vi foi encontrada por um sátiro, que a levou até o Acampamento Meio-Sangue junto de um grupo com outros semideuses. A viagem foi árdua e permeada de perigo, pois, no caminho, o grupo foi atacado mais de uma vez por monstros e, se não fosse pela filha de Apolo, talvez nem todos tivessem chegado ao acampamento com vida. Pela primeira vez, Violet sentiu que estava fazendo a coisa certa, usando seu dom da maneira que ele realmente deveria ser usado, foi como se uma parte da inocência e da pureza que ela tinha antes tivesse sido restaurada e, por um momento, ela realmente acreditou que poderia brilhar tanto quanto o sol, por um momento, seus poderes realmente lhe pareceram como uma bênção.
— Desde que chegou ao Acampamento Meio-Sangue — e foi rapidamente reclamada por Apolo — Vi saiu de suas imediações apenas quando estritamente necessário; para missões ou para estudos, visto que agora ela tinha o objetivo de tornar-se médica. Finalmente, a garota sentia que estava livre, e que podia seguir sua verdadeira vocação. Quando a oportunidade lhe foi dada, ela foi para Nova Roma estudar medicina, e a garota estava lá quando recebeu a mensagem de íris do Senhor D. exigindo o retorno de todos. No fim, a semideusa obedeceu, ainda que a contragosto, imaginando que algo sério devia ter acontecido para que o diretor mandasse aquela mensagem. Ao descobrir o que havia acontecido com o Oráculo após a profecia, Vi rapidamente retornou ao seu posto na Equipe de Curandeiros do acampamento, para ajudar Rachel e os outros campistas no que fosse possível.
ᴠɪ. 𝓉𝓇𝒾𝓋𝒾𝒶 —
— A semideusa fica extremamente irritada quando a chamam de qualquer coisa além de Violet ou Vi. Viv, Vivi, Vivizinha ou qualquer variante extraem reações variadas desde um pisão no pé até um chute no saco, depende do contexto.
— Ainda que seja bastante irritadiça, Vi é extremamente gentil e humilde, um comportamento que contradiz o rosto sério e maneirismos arredios.
— Embora tenha uma voz belíssima e seu trabalho constantemente exija que ela faça uso de seus poderes, Vi não gosta de plateia ou de palcos. Prefere ser observada apenas por seus pacientes; uma sequela do abuso que sofreu da mãe. Apesar disso, ela adora cantar e ama a sua voz.
— Também é importante lembrar que, após anos morando com uma oportunista, narcisista e mitomaníaca, Vi odeia mentiras e enganações, o que faz com que ela normalmente se mantenha longe dos filhos de Hermes. Só por precaução.
— Não importa a música que Vi cante, sua Canção de Cura funcionará desde que ela conheça a melodia e a letra... e cante com emoção, é claro. Se você pedir pra ela cantar "Brilha linda flor..." há a possibilidade de ela se matar na sua frente.
— A voz dela é um pouco rouca, como a de uma cantora de rock — coincidentemente, é o que ela costuma cantar, assim como punk rock, pop-punk e indie. Sua música favorita é Wonderwall e Smells like Teen Spirit (a única música do Nirvana).
— Ela aprendeu ASL para se comunicar com as pessoas quando fica sem voz após usar demais seu poder. Vi também carrega um bloquinho para anotar o que precisa dizer para aqueles que não conhecem linguagem de sinais.
— Vi é bissexual, embora seja reservada no geral, se a questionarem sobre sua sexualidade ela não tem problemas em responder. Apesar disso, a garota costuma estar muito ocupada com a própria carreira e os próprios objetivos para perseguir quaisquer noções de romance. Enquanto alguns colecionam dates, Violet coleciona uma lista de pobres coitados que tiveram a coragem de se declarar para ela. Apesar de tudo, ela sempre é muito gentil e elegante quando decide dar um fora em alguém.
— Deseja profundamente se formar como médica e poder ajudar tanto mortais quanto outros semideuses. Ela acredita que o seu poder é um tipo de higher calling, e ela pretende atender a esse chamado.
— Violet ama musicais e cantar suas músicas favoritas no chuveiro — mas não conte isso pra ninguém!
— Ela adora jaquetas e gosta de usá-las por cima das blusas do acampamento. Jaquetas de couro, jaquetas de aviador, bomber jackets... não importa, ela provavelmente vai estar usando uma acompanhada de um coturno ou uma bota acima do joelho. Quando veste algo estampado normalmente opta por padrões e desenhos de sol.
this is a flashback for @singingxsun! ♡ 15 de abril.
“Vi!” Exclamou Stevie alegremente ao avistar a filha de Apolo. Tinha ido à enfermaria para um pequeno check-up — o Curandeiro que tratara sua queimadura de ácido de myrmekos tinha pedido que retornasse naquele dia, para verificar se tudo continuava sob controle —, mas um pequeno desvio de rota não doeria. Era a manhã seguinte ao jantar de designação das missões da segunda leva e, sabendo que Violet era uma das convocadas, preferia despedir-se agora, enquanto tinha a chance, do que talvez não vê-la mais antes de sua partida. “Eu soube que você foi chamada para uma missão, então decidi te trazer um presente de despedida. É um beijo de boa sorte.” A filha de Niké se inclinou, fechou os olhos e fez um biquinho, mas não sustentou a pose por muito tempo. Logo pôs-se a rir e abriu os olhos novamente, em partes com medo da conselheira de Apolo dar-lhe um tapa pelo atrevimento. “Não, mas sério… Espero que vá tudo certo na missão. Sei que vocês estão indo para o Júpiter e, como a última pessoa que tentou ir e falhou, estarei torcendo para que vocês consigam chegar lá. Só tomem cuidado com formigas gigantes. E harpias. E loops espaciais.”
ao ser chamada pela voz familiar da filha de niké, violet rapidamente se virou. segurando uma prancheta em mãos, ela estava fazendo algumas anotações e a evolução de alguns semideuses que haviam recebido alta da enfermaria recentemente. mesmo precisando se preparar para sua própria missão, a filha de apolo não negligenciaria suas obrigações como curandeira, especialmente quando alguns campistas, que haviam sido enviados na primeira leva de missões, como a própria stevie, ainda estavam se recuperando e precisando de check-ups regulares. a fala da mais nova pegou violet um pouco de surpresa, mas tudo que ela fez foi se inclinar na direção de stevie com a bochecha virada para ela, esperando um beijo no rosto. a reação rápida da morena, novamente, a surpreendeu, no entanto, ela apenas sorriu. a curandeira colocou uma das mãos na cintura e balançou a cabeça negativamente. — 'cê não tem jeito mesmo, né? — riu, porém, sua expressão tranquila logo se torceu em uma careta de confusão com todas as informações que stevie jogou em seu colo. — isso é tudo... extremamente específico. — concluiu, novamente rindo, mas dessa vez era uma risada nervosa. violet não tinha ficado pessoalmente responsável pelo caso de stevie ou de sua equipe, então sabia detalhes muito esparsos sobre o que havia acontecido com eles, sendo o mais notório, o de que haviam fracassado em seu objetivo. — parece que essa missão deixou uma impressão bem forte em você, mas eu vou tomar cuidado com tudo isso, sim, pode deixar! — tentou assegurar à outra. — algum outro conselho de ouro?
"Se eu ainda me lembro das danças da minha época na corte inglesa?", Calista riu, deleitosa, com a pergunta da pessoa ao seu lado. "Queride, claro que sim. Tenho uma memória muito boa, há muito pouco que eu não me lembre das coisas que vivi. Veja só", parou na frente delu e fez uma reverência graciosa. "Antes de tudo, a reverência, como se estivesse cumprimentando seu parceiro. Depois, você se aproxima", fez o que disse, dando alguns passos na direção delu, oferecendo as mãos para elu, "e começa. Um, dois, três, quatro, afasta, um, dois, três, quatro, aproxima...", e mostrou alguns passos, suaves e certeiros como se ela dançasse todos os dias. Acabou por dar um riso divertido e levemente envergonhado pelo que fazia e parou por fim. "É mais ou menos isso, pelo menos uma delas... o que achou? Quer aprender?"
a filha de apolo se surpreendeu com a resposta de calista e também com sua bela demonstração de dança. a loira imaginava como as caçadoras mantinham memórias tão antigas vívidas daquela forma, talvez fosse a proteção da deusa da lua. "eu adorei! quero aprender! mas acho que talvez seja melhor esperar um pouquinho." violet escreveu em seu bloco de notas, gesticulando para as inúmeras bandagens e hematomas em seu corpo, inclusive, para o pescoço envolvido em um protetor ortopédico. sofrer estrangulamento havia deixando-a incapaz de falar por tempo indeterminado, por isso o bloquinho. "você sabe ASL? seria mais fácil conversar assim." ela ergueu novamente o bloco para que calista lesse o que havia acabado de escrever.
era reconfortante poder abraçar uma amiga após tanto tempo isolado. mesmo não sendo o maior fã de abraços ou alguém que procurava por toque físico, vez ou outra tudo o que precisava era o tipo de conforto caloroso vindo de algo tão simples quanto um abraço. violet sempre fora muito compreensiva, e apesar de estar mais confortável do que o contrário, sentia pontadas de tristeza ao se lembrar de como era comum contar para ela suas heróicas histórias de bombeiro. temia que essas seriam suas únicas lembranças agora, sem nada novo a acrescentar. ❛ o que for melhor pra você. ━━━━━ concluiu, verbalmente, após passar mais tempo do que gostaria pensando em coisas ruins. ❛ tenho lentes mágicas, elas vão ajudar a entender o que você disser de qualquer maneira. ━━━━━ tentou sorrir, mas sua mente estava pesada. cheia de questionamentos. ❛ os outros curandeiros... eles disseram alguma coisa sobre o meu caso? você pode me dizer se tiver algo que eu não sei. eu prefiro saber.
— oh, certo! — ela respondeu ao ouvir sobre as lentes mágicas. — nesse caso, acho que vou falar, mesmo que não esteja ouvindo minha voz, quero te encher bastante o saco antes de ir para minha missão! — a loira brincou, tentando animá-lo, afinal, apesar de o rapaz poder entendê-la, ela sabia que devia estar sendo difícil para ele se adaptar à perda de audição. além disso, violet podia ver que, embora sentisse que o amigo estava genuinamente feliz em vê-la, havia algo incomodando kaito. o sorriso zombeteiro em seu rosto logo se desmanchou quando ele pediu por notícias dos outros curandeiros. ela até tinha ouvido seus irmãos falarem algo, mas não era nada de bom. — seu quadro é delicado, kaito, o ferimento foi profundo e grave, seus nervos auditivos ficaram comprometidos. — ela começou, julgando que seria melhor falar, até porque, o filho de hefesto ficaria sabendo cedo ou tarde, talvez fosse melhor que a informação chegasse através de uma amiga. — no momento... não há previsão de melhora. mesmo com cirurgia, pode ser que sua audição nunca volte... eu sinto muito. — a filha de apolo tentou sustentar o olhar do amigo, havia dado diagnósticos como aquele, difíceis e dolorosos, a diversos outros pacientes, mas com kaito era diferente. era difícil encarar o amigo nos olhos, porque sabia o quanto aquela notícia o machucaria. ela segurou a mão dele quando terminou de falar, apertando um pouquinho, como se aquilo pudesse trazer algum conforto ao filho de hefesto.— eu pensei em cantar para você! — ela disse inocentemente, com um sorriso um pouco triste, que logo se desfez. — mas... acho que meu canto não funciona se você não puder ouvir a melodia. — deu mais um aperto na mão calejada do rapaz. — eu sinto muito mesmo... mas tem mais alguma coisa te incomodando, não é? o que é? eu posso ajudar?
Tinha em sua rotina diária um passeio pelo acampamento. Kitty dormia e acordava cedo, não gostava de ficar parada e adorava explorar cada área do acampamento, mesmo que já conhecesse o lugar o bastante após os vinte anos por ali. Parecia sempre ter algo novo a descobrir, uma árvore que mudou de lugar ou alguma pedra diferente. Eram as pequenas coisas que chamavam a atenção da filha de Hades. Gostava especialmente de conferir se o arco-íris estava por ali ou não. Portanto, naquela manhã, Kitty foi até o riacho, passando com cuidado pelas pedras até se distrair com uma borboleta e escorregar no lodo, um dos pés passando direto pela pedra e indo para a água, molhando todo o sapato. Kitty caiu sob uma das pedras, apoiando-se em uma das mãos para não se molhar completamente. Uma situação terrível, claro, mas tudo piorou ao perceber que alguém presente que poderia ter presenciado a sua queda. "Que tal você ser uma pessoa legal e ajudar a me levantar ao invés de ficar olhando?" Resmungou, meio humilhada por alguém ter visto. "Acho que machuquei a minha mão." Ergueu o braço, observando os arranhões banhados de sangue em sua palma.
💀 — 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 𝟐.
💀— 𝐂𝐀𝐌𝐏𝐎 𝐃𝐄 𝐓𝐈𝐑𝐎 𝐀𝐎 𝐀𝐋𝐕𝐎.
Em todos os anos no acampamento, Kitty sempre foi exímia das com as armas, dominando lanças, espadas e adagas com perfeição, sendo expert com o seu machado. Perfeita. Ou quase. O arco e flecha era um desafio que a jovem detestada, porque não conseguia acertar um alvo sequer. Tinha aprendido sobre o peso e o vento, a importância do ângulo dos braços e a maneira de segurar a flecha, mas tudo parecia falho demais quando em suas mãos. Não dava certo! Mas estava tentando ali de novo, com um arco nas mãos na posição exata para acertar o alvo não muito distante. E então disparou, a flecha indo diretamente para... outra direção, quase acerto muse, que passava por ali sem saber que a vida poderia correr riscos. Kitty soltou o arco e colocou a mão na boca, em choque pelo azar e falta de habilidade. Deu alguns passos rápidos em direção a muse, percebendo que estava bem, a flecha fincada em uma árvore próxima. "Ufa, quase que eu te confundi com um alvo." Brincou com um sorriso, um pouco nervosa, dando uma olhadela para a flecha. "Você está bem? Por favor, não me diga que te machuquei, eu vi que a flecha passou de raspão!"
a garganta de violet ainda estava machucada, as diversas bandagens e o protetor de pescoço denunciavam isso. o resto do corpo da loira também não estava muito melhor, onde não haviam faixas, haviam hematomas. definitivamente, violet tinha passado por maus bocados em sua última missão. seria bom evitar que mais tragédias acontecessem, levando em conta a flecha que quase a acertou. a filha de apolo tomou um pequeno susto, pulando para trás. infelizmente, devido ao fracasso da missão e ao fato de estar com dores em praticamente todos os lugares do corpo, o humor da loira andava péssimo ultimamente, de forma que ela não esboçou nenhum sorriso com a tentativa de piada da semideusa. "com a quantidade de hematomas que tenho, eu devo estar parecendo um boneco de treino mesmo." violet respondeu em ASL, uma vez que não podia falar. não havia expressão em seu rosto ou qualquer indício de divertimento, mas também não parecia zangada com a garota, estava apenas indiferente. "não estou machucada. quer dizer, não por sua culpa, pelo menos."
Não demorou muito para responder a líder da missão, porque já havia decidido o que faria no momento em que percebeu que os sátiros e as ninfas precisavam de ajuda. Sutton ajustou sua roupa, armadura e então partiu em direção ao vilarejo, seguindo as ordens e os comandos de Violet. Ao chegar lá se depararam com Makhai, espíritos de guerra, que estavam aterrorizando a vila. Sutton estava ajudando um sátiro caído quando percebeu um dos espíritos vingativos vindo em sua direção, e por pouco não foi atingida, conseguindo desviar nos últimos segundos. Ela retirou seu escudo de suas costas, pronta para arremessá-lo ou utilizá-lo para proteger os moradores dali, mas os espíritos conseguiam ficar invisíveis quando bem queriam e isso dificultava bastante. "VIOLET! SÃO MAKHAI, CUIDADO!" gritou para sua líder, fazendo questão de se aproximar do outro campista que as acompanhavam para que não fosse acertado.
Depois de alguns segundos percebeu que Violet estava conversando com uma ninfa e que a situação estava levemente mais calma, pelo menos naquele local da vila. Ela se aproximou a tempo de escutar o pedido da ninfa de que eles ajudassem a se livrar dos makhai, pois estavam tomando conta de tudo por ali. Sutton não respondeu, pois não era seu lugar, apenas olhou para a filha de Apolo com expectativa. Eles tiveram uma pequena demonstração de como esses espíritos são e Sutton quase perdeu um braço, então o que não deveria estar acontecendo com os pobres sátiros daquele lugar? Talvez já tivessem inúmeros mortos ali, não tinham como saber. Ela esperou e felizmente Violet tomou a mesma decisão que ela tomaria. Era o lado bom de ter uma líder com quem se identificava, não perdia cabelo por discordar com suas ordens.
"Nós vamos fazer o possível para salvar sua vila" acrescentou após sua líder, já se ajustando e planejando uma estratégia para lidarem com aquela situação. Ela observou a vila, com todos se aproximando de forma furtiva para que os espíritos não os vissem. Era difícil, mas não era impossível. Se esconderam atrás de uma casa e puderam ter uma visão melhor. Sutton estava prestes a dar uma ordem quando viu o campista começar a ser puxado pela perna. Ele havia ficado fora de onde as garotas haviam mandado ficar. Merda, merda, merda. "Violet, CORRE!"
Sutton lançou seu escudo na direção do espírito, conseguindo o machucar o suficiente para que ele largasse o outro semideus no chão, mas infelizmente agora já haviam chamado atenção. Ela entrou em um combate corpo a corpo com outro makhai, tendo que utilizar muitas vezes apenas seus instintos e sentidos aguçados para saber onde ele estava. Levou diversos socos, foi acertada muitas vezes principalmente no rosto e na barriga, mas não se deixou cair. Eventualmente recuperou seu escudo e conseguiu acertar o makhai de volta, ao ponto de que ele caiu no chão e foi esmagado.
"Merda, droga, MERDA" xingou, correndo para ver como Violet e outro campista estavam, mas ambos estavam distantes um do outro e a situação da vila pareceu piorar agora que haviam se metido. Tinham que fazer alguma coisa sobre isso. "Vi, cuida dele, eu não sei curar. Eu sei lutar. Vou tentar invadir a mente deles para saber o que eles realmente querem e o que planejam fazer, assim a gente consegue lutar" e então utilizou sua manipulação do ar para se jogar para o mais distante possível deles, tentando chamar atenção e evitar que os makhai fossem seus companheiros.
a decisão foi fácil de tomar, já que todos no grupo concordaram que deviam ajudar a vila de sátiros e ninfas. violet logo começou a se mobilizar e a dar orientações para sutton e o outro semideus, uma vez que haviam alguns aldeões confusos e outros com ferimentos leves precisando de atenção. o aviso da filha de atena veio a tempo de violet poder dar um passo para trás, trazendo consigo alguns moradores da vila. parecia que os makhai estavam ansiosos e inquietos, tentando possuir o corpo de qualquer um que se distraísse. felizmente, graças a sutton, os espíritos haviam recuado, pelo menos temporariamente. de forma quase imediata, a loira começou a acalmar os sátiros e ninfas, que haviam se agitado novamente com o ataque repentino. eles claramente se sentiam mais seguros agora, com a presença dos semideuses, então não foi difícil desescalar a situação.
a ninfa com quem estava conversando, que parecia ser a responsável no momento, pediu para que ficassem mais um pouco e que tentassem se livrar dos espíritos, que estavam atormentando a vila já há algum tempo. como já tinham concordado em ajudar, violet apenas reforçou o compromisso do grupo: — claro! vamos ver o que podemos fazer para espantar os espíritos, pode ficar tranquila! — assegurou com um sorriso gentil, e logo tirou a mochila de suas costas, abrindo-a para mostrar a ninfa alguns dos suprimentos de primeiros socorros que havia trazido. — vocês podem pegar um pouco do nosso material, já estamos perto do nosso objetivo, e, no momento, vocês precisam mais do que a gente! — depois de entregar a mochila para a mulher, a filha de apolo se voltou para os outros semideuses e, rapidamente, eles começaram a adentrar mais fundo na vila, a fim de encontrar os espectros escondidos.
infelizmente, o grupo foi descoberto cedo demais, ou, melhor dizendo, foi emboscado. violet estava com o arco em mãos e, assim que sutton libertou seu outro companheiro de missão do makhai que tinha o agarrado, a loira começou a atirar nos espíritos. como as flechas tinham pontas de bronze celestial, os projéteis machucavam os fantasmas, fazendo-os desaparecer temporariamente. até que a filha de apolo estendeu a mão para a aljava e não puxou mais nada de lá, não porque estava sem munição, mas porque um dos makhai havia roubado suas flechas restantes. a loira praguejou em grego, olhando os arredores em busca de seus inimigos, conseguiu ver sutton lutando contra o nada e... acertando o nada? de alguma forma, os instintos da filha de atena estavam ajudando-a a enfrentar os espectros. em seguida, ela solicitou para que violet ajudasse o outro campista e a curandeira prontamente obedeceu, esquadrinhando o local pelo garoto.
ao encontrá-lo, ela percebeu que, de fato, ele precisava de cuidados, o pobre coitado estava de cabeça baixa e sequer havia conseguido se levantar do chão, além de ter alguns arranhões pelo corpo. assim que violet se ajoelhou ao seu lado, porém, sentiu a mão dele agarrar seu pescoço e, quando ele ergueu o rosto, seu olhar não era natural.
o semideus estava possuído por um makhai.
violet não conseguia falar direito, visto que sua garganta estava sendo apertada, mas estava tentado fazê-lo voltar à realidade, chamando-o pelo nome e pedindo para que olhasse em seus olhos. foi quando a garota sentiu um enorme frio inundá-la, seguido da maior sensação de ódio que ela já sentiu em sua vida. todos os ressentimentos que guardava em seu peito vieram à tona: mágoas passadas e desgostos de que havia se esquecido retornaram como se fossem ressentes, reabrindo antigas feridas. a semideusa podia praticamente sentir o gosto da raiva que nutria desde criança por sua mãe e, mais forte do que todo o resto, podia ver o rosto daquele que mais odiava no momento: petrus. se aquele menino nojento tivesse continuado morto seu irmão ainda estaria vivo.
o que veio a seguir foi um borrão para filha de apolo, ela torceu o braço do semideus que a segurava e, no lugar do rosto de seus companheiros de equipe, ela passou a ver o rosto de petrus. e todos os seus instintos gritavam para matá-lo. o problema de ser uma curandeira nesse tipo de situação era que violet sabia exatamente onde acertar para doer mais e, como não tinha consciência alguma de suas ações, se utilizou de todos os recursos possíveis: socos, mordidas, puxões de cabelo, até mesmo de pontas de flechas quebradas para machucar o máximo possível tanto a sutton quanto ao semideus. a pior parte é que ela sequer estava sentindo quando machucava e era machucada de volta, como se seus nervos estivessem completamente dormentes. em determinado momento, o semideus que as acompanhava começou a enforcá-la novamente, desta vez com o fio pertencente ao arco da própria filha de apolo. imediatamente, todo o ar deixou seus pulmões e ela tentou gritar, sem sucesso.
embora não estivesse sentindo dor, a sensação de não conseguir respirar era insuportável. provavelmente, era uma das piores maneiras de morrer. sim, morrer. era isso que ia acontecer com ela, violet podia sentir seus membros perdendo a força e sua visão escurecendo. de certa forma, ela não estava triste, pois poderia ver aidan do outro lado.
de repente, a loira sentiu o próprio corpo colidir contra o chão e o aperto em seu pescoço afrouxar, seguido do oxigênio voltando a entrar em seus pulmões. ela tossiu, passou longos momentos apenas tossindo, cuspindo sangue e tentando manter a consciência. a garota só conseguiu se sentar e começar a entender o que estava acontecendo depois de beber um pouco de néctar. agora, ela podia ver sutton, dos três, a filha de atena era a que estava menos machucada e carregava em suas mãos um objeto, que vibrava e emanava uma aura vermelha.
violet tentou falar, mas, logicamente, não conseguiu, sua garganta estava muito machucada, por pouco não tinha morrido. mesmo com o néctar, aquela ferida demoraria bastante a sarar. isso sem falar de todos os outros hematomas e ferimentos que tinha pelo corpo. o campista que havia acompanhado as garotas também estava num estado muito ruim, e a filha de apolo imediatamente se culpou, não apenas por ser a líder da missão e ter deixado tudo correr por água a baixo, mas principalmente por ser a responsável por deixar aquele semideus naquele estado.
"o que aconteceu?" a loira perguntou em ASL para sutton. a filha de atena explicou que, depois de serem afetados por toda sorte de sentimentos ruins provocados pelos makhai — ódio, medo e sede de sangue — ela conseguiu se conectar com outra emoção forte que também era carregada pelos espectros: amor. isso a libertou e, usando um objeto que tinha valor emocional para para ela, conseguiu prender os espíritos ali dentro. violet observou o objeto com atenção por um momento e, em seguida, disse, novamente em língua de sinais: "obrigado". a filha de apolo tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu foi entortar levemente os cantos de sua boca.
aquilo era um desastre. do jeito que estavam, não tinham como continuar até o acampamento júpiter, precisariam voltar para casa, ou corriam o risco de se ferirem ainda mais antes de atingirem o seu destino. estando tão perto do túnel caldecott, a loira sentia ainda mais fortemente o peso do fracasso, entretanto, sem poder cantar para usar seu poder de cura e com os suprimentos limitados — agora que tinham dividido com os sátiros e ninfas — decidiu com sutton que iriam retornar para o acampamento meio-sangue. os moradores da vila tentaram ajudar como puderam, em gratidão pelos semideuses terem se livrado dos makhai, auxiliando na preparação ao retorno deles com comida e água, além de providenciarem primeiros socorros básicos.
embora estivessem voltando vivos para casa, violet e o outro semideus estavam gravemente feridos e precisando descansar por dias. naquele passo, jamais chegariam ao seu destino, não importa a distância.
não havia outra maneira de encarar aquilo: a missão havia fracassado.
Sutton sentiu um alívio momentâneo ao passar pelo portal e chegar à ponte de São Francisco, mesmo que a precisão do local não fosse exatamente a esperada. Observou a vastidão de carros e água abaixo, sentindo uma vertigem leve ao encarar a altura. Com um suspiro, virou-se para os outros membros da equipe, seus cabelos esvoaçando com o vento. Se não estivesse adormecida Hera com toda certeza adoraria aquela imagem. "Não sei sobre escada, mas com certeza tem uma maneira de descer", disse, elevando a voz mais que o normal. "Vamos, é só seguir por ali" apontou pelo caminho e segurou a mão dos outros, para que a sua força sobre-humana pudesse ajudar a descer do topo da ponte. Sentia que podia xingar aquele portal por dias, com todos os palavrões que havia aprendido ao longo dos anos. "Tomem cuidado, pelos Deuses."
Foi uma descida complicada, mas eles conseguiram enventualmente chegar no caminho de pedestres da ponte para poder descer de maneira mais tranquila. Sutton, infelizmente, sabia muito bem como sobreviver nas ruas e por isso acabou tomando a frente naquele momento, mas sempre respeitando o papel de Violet como líder da missão.
Após se reorganizarem, uma vez que chegaram no chão, decidiram seguir com a missão e partir em direção ao Acampamento Júpiter, com Sutton liderando o caminho. Ela conhecia a rota com a palma da sua mão, tanto por já ter ido quanto por ser uma das maiores admiradoras do acampamento. E assim como Violet, também estava determinada a levar o grupo em segurança até lá.
Violet sugeriu que ficassem longe das vias principais para evitar chamar atenção, e Sutton concordou, guiando-os por caminhos alternativos enquanto mantinha os olhos e os ouvidos atentos a qualquer sinal de perigo. Eram semideuses, então é claro que estavam sempre prestes a entrar em um local errado e serem atacados por monstros. Ou as vezes nem precisavam entrar em local nenhum, os monstros apenas apareciam, guiados pelo seu cheiro especial de semideus. Uma benção ser filho de deus grego e romano, realmente nada melhor.
Enquanto estavam no caminho, Sutton ouviu um barulho estranho e percebeu movimentação nas proximidades. Não era de se deixar distrair, mas parecia como alguma confusão pesada e preocupante. Curiosa e principalmente, com seu instinto de proteção ativado, aproximou-se cautelosamente e avistou sátiros e ninfas reunidos ali. Parecia ser uma vila, mas diversas ninfas estavam gritando e parecendo perturbadas. "Fiquem alertas", murmurou para os outros membros da equipe, preparando-se para qualquer coisa que poderia os atacar. "Devemos ir até lá?" perguntou diretamente para Violet.
quando sutton sinalizou o caminho para a descida, violet começou a ficar mais tranquila, de forma que, apesar de estarem descendo de uma altura muito grande, sua respiração começou a normalizar. era bom poder confiar na experiência da filha de atena e, mesmo que o portal não tivesse funcionado completamente, pelo menos estavam relativamente próximos do acampamento júpiter. a semideusa seguiu as orientações de sutton e, devido a descida perigosa, concentrou-se totalmente naquela ação. quando finalmente chegou ao chão, violet colocou as mãos nos joelhos, respirando fundo enquanto sentia as mãos e os braços tremerem levemente, tanto por causa do esforço quanto por causa da tensão emocional, provocada pelo medo de cair.
as boas notícias eram que todos estavam seguros e tinham conseguido descer sem chamar muita atenção. quando se recompuseram e retomaram o caminho da missão, a loira estava contente em deixar a filha de atena guiar o caminho, tomando a oportunidade para ficar atenta aos arredores. como estavam longe das vias principais, cruzando as áreas arborizadas entre as estradas e o túnel caldecott, era menos provável que fossem atacados, contudo, como líder da missão, a filha de apolo preferiu ficar a postos para possíveis ameaças.
como estava atenta, a garota virou a cabeça primeiro na direção do barulho estranho, vindo mais de dentro da mata. violet seguiu sutton a fim de ver do que se tratava e, ao avistar os sátiros e ninfas, uma expressão de surpresa e confusão cruzou sua face, mas logo foi substituída por uma de determinação. — vamos ver o que está havendo, parece sério! — respondeu a sutton e começou a se aproximar da confusão.
violet identificou o grupo ao se aproximar, os sátiros e ninfas estavam um pouco alarmados com a aproximação de estranhos, mas pereciam aliviados pela aparição de semideuses. logo, usaram a oportunidade para pedir por ajuda e explicaram que a comunidade estava sendo atormentada por makhai, espíritos inquietos caídos em batalha e alimentados por emoções negativas. ajudá-los seria um desvio no objetivo principal da missão, entretanto, não parecia certo simplesmente deixá-los à própria sorte, principalmente quando estavam literalmente no meio do caminho em direção ao júpiter. ainda assim, não podia tomar aquela decisão sozinha, mesmo que fosse a líder da missão, ainda achava importante pedir a opinião dos outros. a filha de apolo virou-se para seus colegas de equipe, após pedir licença para os sátiros e ninfas para deliberar a situação, e os puxou para um lugar mais reservado. — eu acho que devíamos ajudar, não parece algo que vai levar muito tempo e já estamos aqui... mas nossa missão é outra. o que vocês acham? — seu olhar se demorou um pouco mais sobre sutton e sua pergunta também vinha acompanhada da expectativa dos sátiros e ninfas, que, embora estivessem um pouco afastados de onde estavam discutindo, tinham os olhos sobre os semideuses.
Mary-Louise não sabia se riu pelo desconforto da situação ou simplesmente da ironia do momento, mas ouviu uma pequena risada escapar de seus lábios. Era assim que ela lidava com quase tudo. Respirou fundo para tentar fazer sentido de seus pensamentos e prosseguiu. "Eu adorei a forma como você olhou para a situação. E, para falar a verdade, eu sempre tento fazer o mesmo, mas às vezes simplesmente escapola de mim. e pufff quando eu me dou conta já falei." assentiu veemente com a cabeça e repetiu. "Mandar pra enfermaria. Ok I got this! Vou me lembrar disso." ela então estendeu a mão para a outra mais uma vez. "Mary-Lousie Beckett! É estranho me apresentar assim? Talvez seja um pouco formal.... Eu to fazendo de novo né?"
— está sim! — a filha de apolo respondeu com divertimento, deixando uma risada curta escapar. — acho que já te dei conselhos demais por hoje, mas talvez não custe nada acrescentar mais um: não pensa demais, só deixa fluir. — e então pegou a mão dela, oficialmente cumprimentando-a. — violet walker, filha de apolo, é um prazer, mary-louise! — sorriu de forma genuína, recolhendo a mão após alguns instantes. — eu lembro de ter te visto antes no acampamento, mas nunca chegamos a interagir. você está entre os campistas que passa o ano inteiro aqui, certo?
As palavras da filha de Apolo deixaram Sawyer pensativa por um momento. "Acho que sei o que você quer dizer. Seu pai podia não estar fisicamente presente, mas o sol estava sempre ali, não é? É como meu pai e o vento. Ele está sempre aqui, mas não está. Então não acho estranho você sentir falta", finalizou sua linha de pensamento com um dar de ombros. Ser semideus tornava tudo complicado, principalmente o relacionamento com os pais. Nada nunca era preto no branco. "Por um lado, acho que algo para dormir realmente iria ajudar. Por outro, e se eu precisar levantar rápido por causa de algum acidente que as tempestades dentro do chalé causaram? Não posso estar dopada."
violet pareceu surpresa por um instante, como se ninguém tivesse dito aquilo para ela antes. de fato, quando a filha de apolo falava sobre sentir falta do pai e, ainda, sobre a negligência dele, era mais comum que ouvisse histórias de semideuses se identificando superficialmente ou tentando refutá-la. coisas como "sei como é, meu pai também não liga 'pra mim" ou "não seja tão dura com os deuses". se sentir realmente entendida era algo novo. — esse foi... um bom jeito de colocar as coisas. fico feliz por alguém entender. — sorriu, fazendo uma pausa. — não precisa se preocupar em ficar dopada, posso fazer um chá que só vai ajudar a relaxar e a pegar no sono. não funcionaria como uma droga de verdade. mas, se quer minha opinião, a menos que o teto esteja caindo na sua cabeça, o acidente causado pelas tempestades de vento ainda vai estar lá quando você acordar. não custa nada passar mais umas horas apagada e lidar com isso depois.
A fala sobre o Batman e ser Bruce Wayne arrancou um riso divertido de Yas, que chegou a fazer uma pose para a o enquadramento imaginário da loira. Mas ela estava realmente falando sério a respeito de sua frase. Como uma filha do próprio deus do medo, ouvir a explicação de Violet foi um tanto quanto curioso. Quer dizer... Não era suposições e seus próprios poderes poderiam provar isso a qualquer momento. ❝ ― Depende do ponto de vista, já parou pra pensar nisso? ❞ — A questionou enquanto ainda ouvia o restante da explicação e parte do desabafo da filha de Apolo. Sabia que boa parte dos filhos do deus estavam sensíveis por conta do falecimento de Aidan e a falta de um sol ali deveria tornar tudo ainda pior. ❝ ― Acha que conseguiria? Se provassem que ele matou seu irmão... E você fosse escolhida para mata-lo de volta? Faria? ❞ — De repente, perguntou como um desafio, apenas para por curiosidade em saber qual a resposta. Como alguém que conviveu com o medo a vida toda, Yas sabia que ele agia diferente para cada pessoa.
❝ ― O medo pode ser sim uma ferramenta muito útil. Como eu disse, depende muito do ponto de vista. ❞ —Então começou sua explicação. ❝ ― Medo é algo complexo porque alguém com medo de altura não tem medo da altura, ela tem medo da consequência de estar naquela altura. Cair e morrer. ❞ — Tentou dar um exemplo prático, dando uma pausa para tomar o café em suas mãos. ❝ ― As vezes o medo pode te ajudar, em relação aos instintos... Te prevenir de fazer algo que será ruim ou evitar um lugar perigoso, mas muitas vezes te limita também. ❞ — Soltou um suspiro, prosseguindo. ❝ ― Vamos supor que alguém tem vontade de viajar o mundo, mas tem medo de aviões... Em alguns continentes só se chega assim. Falando de um mortal. Ele viverá com medo e nunca vai conseguir realizar seu sonho. Então porque o medo não seria uma ferramenta? Talvez a maneira como se usa ele seja danosa em alguns casos... Como eu disse, o contexto molda toda a situação. ❞
a pergunta de yasemin deixou a filha de apolo pensativa, de forma que violet passou vários instantes em silêncio. não porque tinha achado o questionamento difícil, mas, sim, porque era fácil demais. a resposta era sim. havia raiva e ressentimento guardados em seu peito em quantidade suficiente para que, se provado a culpa do garoto, ela matasse petrus. ela só precisava de uma justificava. pelo menos, era isso o que passava pela cabeça da loira naquele momento. vi sequer estava preocupada com as implicações éticas e morais por trás de tudo aquilo, a semideusa simplesmente ansiava por justiça, ou melhor, por vingança. — sim. — disse por fim, em tom baixo, mas alto o bastante para que a filha de deimos a escutasse. — eu o mataria. — violet muito obviamente não tinha como se vingar do deus dos mortos, então, se tivesse a oportunidade e a convicção, descontaria sua frustração em seu filho querido.
enquanto ouvia a explicação da outra, novamente a filha de apolo se calou, mas estava atenta, seus olhos saltavam de yas para o chão e para o céu enquanto micro expressões denunciavam seus sentimentos com relação ao que ouvia. — eu nunca tinha pensado desse jeito. — admitiu, havia uma certa surpresa no olhar de violet. — em outras palavras, além de útil, o medo pode ser bom, dependendo do contexto. acho que eu só estava muito acostumada a ver o medo de forma negativa 'pra pensar de outra forma. — ela tomou um gole de sua xícara de café fazendo uma breve pausa enquanto pendia a cabeça para o lado. — é assim com a maioria das coisas, não? talvez devêssemos estar mais dispostos a encarar certas questões por uma nova perspectiva. acho que devia te agradecer por expandir meus horizontes, yas! — a semideusa sorria, porém, por um momento, seu olhar voltou a ficar distante. ao mesmo tempo que dava razão à fala da filha de deimos, não estava muito disposta a mudar de ideia sobre petrus. talvez fosse paradoxal, talvez até hipócrita de sua parte, entretanto, a situação com o filho de hades era diferente. balançando a cabeça, como que para espantar os pensamentos intrusivos, violet rapidamente voltou sua atenção para yasemin mais uma vez. — eu fiquei te enchendo com meus desabafos e nem perguntei como as coisas estão com você. está gostando do cargo de conselheira?
presentinho para: @thearios, @singingxsun, @lynksu e @indgc
Pode ser um pequeno exagero, mas Andrea queria que todas as pessoas com quem ele tinha alguma relação que fosse, se sentisse seguro de que ele estava bem e continuaria, mesmo que estivesse longe. Dessa forma, ele preparou algumas joias pequenas em um conjunto de ferreiros com filhos da magia para que ficasse exatamente como ele desejava: peças que ficavam quente enquanto ele estivesse bem.
Na cabeceira da cama de cada irmão, foi colocada a caixinha com a pulseira douradinha com o pingente de sol. Essa mesma joia foi deixada para Lynx, ainda que seu coração estivesse apertado em vê-lo na enfermaria, queria que ele não se preocupasse com mais nada além de ficar bem.
O único anel que fez ele decidiu dar para uma pessoa específica, Indigo Song, a caixa vermelha e no formato diferente, foi colocado na cabeceira da cama dele, não queria acorda-lo para que a despedida não fosse mais angustiante.
Em todas as caixas tinha um bilhetinho, com aquele jeitinho dele de dizer que amava cada um do seu jeito:
"Enquanto estiver quente, eu estou bem! Não se preocupe comigo"
deixou escapar uma risada baixa, colocando os materiais que estava prestes a levar para o bunker no chão por um momento. ainda não havia tido a oportunidade de passar um tempo com todos os seus amigos. no caso de violet, não conscientemente, pelo menos, já que possivelmente ela havia o visto na enfermaria, mesmo não sendo a responsável pelo seu caso. kaito preferia assim. casual, sem todo o peso que estar naquele ambiente o trazia. ❛ sempre sinto. ━━━━━ comentou, abrindo os braços para abraçá-la por alguns segundos. ❛ eu te disse que ia voltar, viu? ━━━━━ se recordou da conversa que haviam tido antes de sua missão. ❛ talvez não inteiro, mas cumpri a promessa.
sendo bem honesta, quando kaito voltou de sua missão, tão machucado quanto o restante de sua equipe, violet tinha passado por um momento de pânico, imaginado que estava prestes a perder alguém importante para ela sem sequer ter processado direito a morte do irmão. talvez justamente por isso seus irmãos tenham insistido para que ela ficasse responsável pelos casos de outros semideuses na enfermaria. felizmente, a recuperação de kaito foi estável, embora nem todas as notícias sobre isso fossem boas, visto que ele havia perdido a audição, violet só estava feliz de poder falar com ele de novo. a filha de apolo o abraçou assim que o semideus abriu os braços passando alguns segundos ali. — obrigado por cumprir a promessa... — disse ao se afastar e, então, após ouvir o comentário dele, repetiu o agradecimento em ASL, acrescentando um "o que importa é que você está aqui!" em sinais. — você prefere conversar assim ou em ASL? — perguntou, incerta de como ele se sentiria mais confortável.
O bom humor da outra garota fez com que, se possível, seu próprio humor ficasse ainda pior. Ela geralmente também era dona de uma disposição animada e otimista, mas estava há muito tempo sem uma boa noite de sono para se sentir alegre. "Quem me chutou da cama? Meu pai, quando decidiu engravidar minha mãe há 23 anos atrás, me fazendo nascer e, por consequência, ter que dormir no único chalé que já tem um mau tempo naturalmente, e que ficou ainda pior desde que eu voltei", aí suspirou e passou a mão pelos cabelos, chateada pelas palavras rudes. "Foi mal, Violet. Só não estou dormindo bem mesmo", aí revirou os olhos com a resposta da filha de Apolo, não exatamente para ela e mais para o tipo de pergunta que a própria Sawyer fez. "É claro que você acorda com o sol, olha pra quem eu fui perguntar... enfim. Eu, geralmente, não." Sawyer olhou para o céu quando Violet mencionou sentir falta do sol e, pela primeira vez, parou para pensar como deveria estar sendo para os filhos de Apolo ficar tanto tempo sem uma mísera aparição da carruagem de seu pai. "É, você deve estar sofrendo com isso mais do que eu", comentou casualmente. "Não, é... basicamente isso, mesmo. Eu sei, parece idiota, mas é incrível o que privação de sono pode fazer com uma pessoa."
''eita como reclama! e não é nem hora do café da manhã ainda!" violet pensou, mas não disse nada enquanto ouvia a filha de éolo, que claramente havia acordado com o pé esquerdo. normalmente, quando não dormia bem, a loira apenas aceitava o triste destino de ter que passar o resto do dia vivendo de café e tentava não ficar de mau humor, mas entendia que era um esforço difícil. — entendo. sinto muito. — disse, genuinamente preocupada, uma vez que sawyer de fato parecia não dormir bem há dias, contudo, logo deu de ombros com o comentário que ela fez. — sinto falta do sol, e do meu pai... mas eu nunca o vi. então é meio estranho sentir saudade de alguém que nunca ligou pra você. — admitiu. — enfim, deixa isso 'pra lá. da próxima vez que não estiver conseguindo dormir, pode ir até meu chalé, nós temos plantas medicinais lá e na enfermaria também, posso ver de fazer alguma coisa pra ajudar você a relaxar e dormir. na pior das hipóteses, você pode só ficar por lá também, a cabine de conselheiro tem bastante espaço.
Apesar de não ser vocal sobre isso, Cif admirava os campistas que de fato se importavam com o caos generalizado e com os outros, porque ela simplesmente não tinha a mesma paixão pela situação toda. É claro que ela não queria morrer e, se os outros também não morressem, seria uma coisa boa também. Por isso não ficou muito brava quando a filha de Apolo não a ouviu a princípio. ➳ Tudo bem, estava claro que a sua cabeça estava em outro lugar. No hard feelings, eu só queria te avisar que o seu cadarço está desamarrado — ela apontou para o sapato da garota. Parou para pensar na pergunta dela por uns instantes. ➳ Honestamente? Não, não acho. Acho que somos garotos de recados glorificados em uma vida de servidão. Negar fazer parte dos mistérios dos deuses, porém, significa negar nosso único propósito. O que restaria, nossa humanidade? Não somos humanos. Somos heróis.
o olhar da filha de apolo logo se direcionou para baixo, a fim de ver os tênis. — nossa, não tinha notado, obrigada! — agradeceu e se ajoelhou, refazendo os nós do cadarço a fim de que não tropeçasse ou levasse um tombo. violet já achava que se fazia de boba o suficiente sem a ajuda desse tipo de situação embaraçosa, então era melhor evitar. enquanto amarrava o sapato, ela ouvia a filha de poseidon e, assim que terminou, ficou de pé para respondê-la: — em parte você tem razão, somos mesmo garotos de recados glorificados, mas, mesmo que não sejamos humanos, pelo menos, devíamos ter escolha. se não fizermos o que os deuses pedem ou se os desagradarmos, na melhor das hipóteses, acabamos amaldiçoados, na pior, mortos. além disso, você fala como se só tivéssemos duas opções: negar nosso lado divino e tentar viver como mortais, ou abraçá-lo e viver como heróis. não acho que a vida seja tão preto e branco, mesmo para semideuses.
"Deu pra perceber?" indagou Mary-Louise, ainda com um sorriso amarelo nos lábios. A interação anterior havia sido uma tentativa da ruiva de oferecer seu melhor consolo a alguém. No entanto, considerando que ela própria jamais havia recebido qualquer tipo de conforto desde que havia chego no acampamento, aquilo era tudo que tinha para oferecer. "Eu juro que tentei. Em partes, estou me sentindo um pouco mal por ter sido um tanto insensível, mas…" Se permitisse se importar com qualquer outra coisa, talvez fosse enlouquecer completamente, ou pior, perder o controle e destruir tudo ao seu redor. "Eu não estou tendo um dia tão bom. Bem, um pouco egoísta da minha parte, eu sei. Nem tudo é sobre mim. Devo ter herdado o ego do meu pai." Às vezes, Mary sentia que poderia continuar com seus monólogos por anos. "Honestamente, eu não sei. Ela só começou a chorar, e eu não sou uma pessoa de toque ou de palavras."
diante da indagação da ruiva, violet apenas ergueu ambas as sobrancelhas e assentiu com a cabeça, silenciosamente dizendo: "deu pra perceber pra caralho". a filha de apolo, porém, logo suavizou a expressão, não queria julgar, algumas pessoas só não levavam jeito para aquele tipo de coisa. — bom, ninguém pode te condenar por tentar. — ela disse. — nunca é demais tentar fazer algo por alguém. mas, se quer meu conselho, se não tem nada de bom para dizer, é melhor não dizer nada. às vezes pode só piorar tudo. — esse costumava ser o mantra da loira quando alguém chegava inconsolável na enfermaria por um motivo ou outro. vi sabia que as vezes era direta demais e algumas palavras podiam ser guardadas para outros momentos. — há filhos de zeus com egos maiores, acredite. — um riso curto escapou dos lábios da semideusa, ela não tinha muito apreço pelo senhor do olimpo. — bem, da próxima vez que isso acontecer, você pode tentar mandar a pessoa pra enfermaria. nem todos os curandeiros são bons conselheiros, mas pelo menos temos chás calmantes.
˚。 ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ━━ não tem problema. é compreensível. ━━ indigo assegurou, junto a um sorriso pequeno. até onde podia ver, todo mundo estava daquela mesma maneira. ele também se pegava tentando se ocupar com outras coisas na tentativa de evitar ser consumido pela preocupação. ━━ acho que é mais um caso deles tentarem nos fazer acreditar nisso como uma maneira de aumentar a confiança, sabe? semideuses confiantes têm mais chance de completar a missão que eles querem. ━━ respondeu em tom pensativo, organizando os pensamentos enquanto falava. ━━ sendo bem pragmático, funciona para ambos os lados. até certo ponto. ━━ concluiu, dando de ombros.
violet assentiu com a cabeça, logo concordando com o que o filho de melinoe dizia. — você tem um ponto. é meio difícil seguir em frente e completar missões sabendo que você é apenas um peão. — ela colocou a mão no queixo, pensativa. — também me parece uma boa tática para prevenir insubordinação. — a filha de apolo o imitou, dando de ombros. — funciona? talvez só até acordamos para a verdade. honestamente, depois de anos sendo negligenciada pelo meu pai, não me sinto muito motivada a fazer nada pelos deuses.
violet não sabia por que havia se dado ao trabalho de rezar para apolo antes de se reunir com os membros de sua equipe, entretanto, havia o feito mesmo assim. àquela altura, o deus, perdido como estava, provavelmente sequer chegaria a ouvir suas palavras e, ainda assim, lá estava ela pedindo pelo auxílio do pai. bom, apolo nunca pareceu atender suas orações antes, em seus onze anos no acampamento meio-sangue a loira sequer havia visto o deus do sol com seus próprios olhos. então era mais do mesmo. só mais um dia sem ouvir a voz de seu pai. constantemente, a semideusa se perguntava o motivo de passar por aquele ritual, no entanto, sem contar os meio-irmãos, o deus era o mais próximo que ela tinha de família, então continuava a enviar-lhe suas preces e, sinceramente, esperava que ele fosse encontrado.
quando terminou, a loira pegou seu arco e flecha, colocou a mochila nas costas e partiu em direção ao ponto de encontro combinado com seus amigos. a bolsa estava um pouco pesada, visto que, além de algumas mudas de roupa e um mapa dos estados unidos, estava cheia de suprimentos medicinais para a viagem. vi havia estocado tudo que a enfermaria conseguia ceder no momento, contando um kit de primeiros socorros, alguns frascos de poções e néctar e algumas bandagens. ela estava apenas sendo cautelosa, uma vez que, com sorte, provavelmente não encontrariam muitos obstáculos no caminho. a filha de apolo estava tentando pensar positivo sobre isso, porque o terceiro membro da equipe era um filho de hades capaz de abrir portais e o local para o qual o teleporte os levaria ficava bem perto da entrada do acampamento júpiter, mas era bom se precaver, por isso a bolsa empacotada com remédios. além do mais, ela meio que era a curandeira do grupo, não podia ficar deixando a desejar justamente nessa categoria.
dito isso, sim, estavam a caminho do acampamento romano a pedido de quíron, uma vez que a última missão para conseguir notícias de lá havia falhado. isso adicionava um peso a mais aos ombros de violet que, como líder da missão, já estava se sentindo pressionada o suficiente. não era a primeira vez da loira em missões, mas era a primeira vez que liderava uma. ela estava começando a se acostumar com toda a questão de ser uma figura de liderança responsável após assumir como conselheira do chalé 7, contudo, como já eram a segunda equipe a ser enviada com o mesmo objetivo, ela sentia uma certa pressão para que tivessem sucesso. pelo menos estava indo para um lugar que já conhecia e tinha @isuttonstrode ao seu lado, que, além de ser uma amiga querida e confiável, também já tinha ido ao acampamento júpiter.
passado um tempo, violet chegou ao local combinado: a colina meio-sangue, onde se reuniu com os outros membros da equipe. a filha de apolo estava um pouco tensa no início, mas começou a relaxar quando interagiu com os amigos. infelizmente, não havia tempo para jogar conversa fora, então, logo a loira puxou o celular do bolso, onde tinha guardado um print da ponte de são francisco. — estão prontos? — indagou de forma meio retórica, mostrando a tela do objeto para o filho de hades. ele disse que conseguia abrir portais nas sombras desde que já tivesse visto o local antes então... uma foto provavelmente funcionaria, certo? certo. violet simplesmente esperou que o rapaz se preparasse e, assim que o portal foi aberto, foi a primeira a atravessá-lo.
a boa notícia? tinha funcionado. a má notícia? não tinha sido do jeito que eles esperavam. — pelos deuses! — ela exclamou encarando a imensidão de carros e de água abaixo dela. sim, abaixo. realmente, hwon havia os teleportado para um lugar que havia visto: o topo de uma das torres da ponte de são francisco. parando para pensar, até fazia sentido que o filho de hades tivesse errado um pouco na precisão do teleporte, levando em conta que nunca tinha estado ali pessoalmente antes. dito isso, vi preferiria ter sido teleportada para o meio do tráfego, pois, pelo menos, estaria no chão e teria sido poupada de uma leve vertigem. naquele momento ser atropelada de fato parecia uma opção menos ruim. a semideusa logo parou de olhar para baixo, tanto para evitar que ficasse mais tonta quanto para avisar aos outros que logo haveriam pessoas apontando para eles, ou pior, chamando os bombeiros. ela já conseguia ver as manchetes: jovens adultos tentam suicídio coletivo na ponte de são francisco. no pouco espaço que tinham para se mexer, ela se virou para os outros semideuses com os cabelos esvoaçando devido ao vento. — por favor me digam que tem uma escada para baixo. é melhor não fazermos uma cena. — disse, erguendo a voz para que fosse ouvida em meio ao som dos carros e do vento cortante.