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As vezes eu não tenho a mínima vontade de viver
Por mais que volte não volta
Algumas coisas se perdem pra sempre.
Morro de medo de ficar sozinha de novo
“A vida é como um eco. Se não está gostando do que ouve, observe o que esta dizendo.”
— Buda.
Quando eu falo com você parece eu que tô falando sozinha
outro dia, observando você rir, eu pensei: esse é o exato momento que vou me lembrar nos dias futuros, quando tudo acabar e a gente não for mais o que é. porque há uma certa beleza dolorida em ter percepção do presente efêmero no instante que o estamos vivenciando.
tudo é tão ligeiro: o tempo, as pessoas. sem chance de volta, nem percebemos que a pessoa que amamos dobrou a esquina; que amigos ficaram em algum canto; que a pessoa que nos criou se despediu para sempre. as memórias são as únicas coisas que nos conectam àqueles que deixamos de conhecer.
talvez a gente não conheça ninguém, mas somos domadores da arte do fingimento – e como fingimos bem! fingimos conhecer tudo e todos; na maioria das vezes, fingimos que estamos bem; fingimos que não vemos o agora escorrer por nós e lamentamos que deveríamos ter aproveitado mais, ter feito mais – porém, fazemos o possível e nunca o que imaginamos; e fingimos, como uma súplica a algo divino, que será inacabável. entretanto, tudo é eterno “até certo ponto/duram o infinito variável/no limite de nosso poder/de respirar a eternidade”, já dzia drummond.
a beleza está na aceitação, e ela dói. é um tipo de luto, esse sofrer antecipado, que dilacera o peito de primeira e nos faz seguir em frente com um rasgo invisível, incurável, inevitável. e ninguém falar disso é o silêncio da compreensão colocando todo mundo no mesmo pote de ser e existir.
Aprenda a fazer menos pelos outros e mais por você.
(você é tão importante quanto. Também merece atenção)
me abraça, me escuta, me acolhe, me vê. eu. não essa coisa que vc acha que eu sou, não o lugar que vc me colocou, mas o lugar que eu estou agora. eu sei que você não quer, você não quer que eu seja quem eu sou, você só alguém pra te agradar e te alimentar, mas eu não caibo mais nesse espaço e nem vou me contorcer pra caber. então me acolha e me aceite do jeito que sou ou nem me procure mais.
Como se entre eu existir ou não, não fizesse diferença nenhuma. Às vezes me pergunto porque ainda estou aqui, se ninguém sente minha falta, se ninguém me procura, me escuta ou se interessa pelo que eu faço. Por que eu continuo insistindo? Por que continuo mandando mensagens e criando teorias? Se no final a verdade já está bem clara: "não é que você seja de um jeito ou de outro, é que eu não importo." É que se eu tivesse morta ou viva nem faria diferença. Ou até faria, mas você só sentiria minha falta quando já fosse tarde demais e você não pudesse fazer nada a respeito. Eu gastei tanto tempo da minha vida cuidando dos outros, colocando os outros como prioridade, me preocupando com qualquer detalhe da vida de qualquer pessoa e quando pedi um mínimo de atenção,tudo o que você fez foi revirar os olhos, foi mudar de canal, foi olhar pro seu celular enquanto eu ainda falava. Então sim, eu me sinto uma merda. Porque eu estou exausta dessa hipocrisia de esperar por você mudar e você continuar sempre igual. Eu carrego dois pesos nas minhas costas: o peso de existir e dos seus problemas. E pra você é tão confortável continuar assim, que você simplesmente não faz nada. Eu estou exausta de procurar por reciprocidade, estou exausta de tentar ser mais feliz, de tentar ser melhor. Porque tem sempre um peso enorme me puxando pra baixo e eu continuo andando apesar dele, mas já to exausta disso também. De performar felicidade, de dizer aquilo que você quer ouvir, de sorrir passivamente, de só te ajudar e ajudar e ajudar. Eu costumava morrer de medo da verdade e agora ela é tudo o me restou, eu não consigo mais ser outra coisa. Eu não consigo mais continuar tentando e mentindo. Eu queria você aqui, mas seu peito não grita o meu nome, aliás nada em você me chama, até quando eu não sou eu você vai embora, então por que você ficaria se eu te dissesse tudo o que eu sou, tudo o que eu sinto? A verdade é que você nunca esteve aqui. Nunca se preocupou em me entender, em me escutar, em estar presente na minha vida. Nunca mexeu um dedo pra fazer eu me sentir melhor. E eu sempre menti, até quando tudo que eu queria fazer era me desintegrar, era de uma vez por todas acabar com a minha vida. Eu não sei mais dizer o que foi um dia bom, não sei mais dizer o que faz sentido, não vejo mais sentido em tentar, porque enquanto pra você era tão facil, ou pelo menos parecia, pra mim sempre foi caminhar em ovos e tentar não ter uma crise de ansiedade. Eu queria mesmo era afundar na terra, deixar as larvas, as minhocas, as baratas e o tempo comerem o meu cadáver e talvez assim eu servisse pra alguma coisa, nem que fosse pra alimentar a terra e os bichos que moram embaixo dela, porque se nem pra você eu sirvo mais, então não faz sentido estar aqui. E eu sei que eu devia ser suficiente pra mim, que eu devia correr atrás de ser quem eu quero me tornar, mas eu não consigo acreditar, sabe? Eu.não.consigo.acreditar.em.nada.do.que.eu.faço. Eu só queria desistir, mas me preocupo demais com o você vai sentir, então continuo seguindo ou continuo parada sentindo todo esse peso esmagando meus ossos. Eu já acordo com meu coração disparado. Eu não consigo dormir, eu não sinto vontade de fazer mais nada. Tento me distrair, tento não pensar, mas não dá. Não dá pra mentir pra si mesmo, não dá pra forjar um pensamento. Tudo o que eu faço é pra me desviar disso, só que eu não aguento mais... Pedir ajuda já é muito difícil, pior é pedir e ser ignorada. Mentir por atenção e continuar sendo negligenciada, ou ser honesta e ser ignorada c-o-n-s-t-a-n-t-e-m-e-n-t-e. Aceita, pequena, eles não vão mudar, mesmo que eles digam que vão. Eles não vão cuidar de você, não vão estar com você, mesmo quando você pedir, tudo o que eles vão fazer é virar as costas, então talvez já esteja na hora de você virar também. E sim, isso é pra você, é pra todos vocês que fingem que se importam, que fingem que estão presentes. Até a pessoa que eu jurei que ficaria, foi embora e me machucou igual, porque tudo era sobre ela. Então eu não aguento mais nenhum de vocês, eu me isolei e fiquei sozinha e quando tentei voltar vocês agiram como se eu não fosse nada, nem me procuraram. Então quando eu partir, eu quero que saibam que vocês podiam ter feito alguma coisa e não fizeram, que vocês têm sim uma parcela de culpa e quero que sintam isso com todo o coração, porque vocês me fizeram miserável também.
tudo tem se reumido a sobreviver, Maria. O choro de um velho desconsolado parece desolador, mas não é. a vida me parece um choro antigo, preso, de quem não conseguiu sorrir. eu espero por autoras, mas o que tenho são tempestades e eu só estou tentando... tentando sobreviver. as garrafas vazias dizem muito do meu coração; despedaçado em mil pedaços ao ver que erramos enquanto humanos. eu estou cansada. cansada das tempestades, do estilhaços e dessa merda de vírus. as religiões falam de um amor genuíno -que-não-encontramos-no-próximo. a individualidade tomou conta de nós, estamos acabados. eu não acredito em castigos, mas se acreditasse, diria que estamos passando por um. o mundo. eu não. meu castigo é antigo e dói a cada segundo que vivo. eu estou cansada, com medo, como um animal amuado na mata. se o céu me ouvisse hoje, ele me daria um abraço por solidariedade a um espirito que não soube caminhar.
cada palavra que eu escrevo é um pedido de socorro
Charlie Brown.
O problema de uma pessoa que pensa muito, é que ela cogita em todas as possibilidades que podem acontecer, mesmo sabendo que talvez nunca aconteça, e isso é uma das maiores torturas de uma mente inquieta.
““Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim não falte.””
— Clarice Lispector.
“Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo logo se torna chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos o pé para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ‘ah, merda, e agora?’”
— Charles Bukowski.
uma vida de constância é ilusão. estamos a cada dia e em todo lugar cercados de finitudes e incertezas. nada é, tudo está e de um dia pro outro ou de uma hora pra outra ou mesmo de um minuto pro outro pode mudar, se perder, morrer. coisas materiais e imateriais, sentimentos concretos e indecisos, corpo e alma.
pensar sobre é difícil, pois não há uma conclusão definitiva que conforte. são importantes as distrações, os sorrisos despreocupados em que tudo é esquecido, todo o peso posto no chão, fazendo a coluna se endireitar um pouco e a caminhada se tornar leve. nesses momentos o céu não assusta por sua imensidão: nos sentimos parte e não há nada mais aliviador.
Gian Lucas.