Será que enfiaram a religião na minha cabeça?
Fui criada na igreja. Desde bebê. Mal havia nascido, e já frequentava cultos, mesmo sem entender nada. Criada num lar cristão, pais cristãos, pastores, teólogos, eram professores numa faculdade de teologia e professores da Escola Dominical na igreja que frequentávamos na cidade em que morávamos. Cresci ouvindo histórias da Bíblia na igreja. Todos os finais de semana eu ia aos cultos de domingo de manhã e de noite, e geralmente aos cultos de dia de semana também. Nas férias, eu ia à Escola Bíblica de Férias que organizavam para as crianças. Eu nem lembro se queria ou não ir, só lembro que eu ia. Acho que eu só não ia na igreja quando viajava e, ainda assim, já viajei bastante com meus pais a convite de pessoas que os chamavam para pregar em outras cidades. Os anos foram se passando, e nunca foi diferente. No início da minha adolescência, lembro-me de que já havia chegado a um ponto em que eu ia à igreja por obrigação mesmo. Diversas vezes eu não quis ir. As vezes ficava muito triste por ter que ir ao culto de domingo à noite e perder a estreia de algum filme da Disney, que sempre ocorriam aos domingos à noite, e eu ia emburrada pra igreja. Lá pros meus 14 anos de idade, cheguei a discutir com minha mãe porque eu não gostava de ir a igreja, queria mudar de igreja, simplesmente não queria mais, mas como havia um compromisso da parte dos meus pais e eu ainda era muito nova, não haveria a possibilidade disso acontecer e eu teria que pelo menos “esperar pelos meus 18 anos”. Em questão de 1 ano, me mudei para Belo Horizonte (essa história é outra, mas foi da vontade de Deus). Finalmente enxerguei aquilo como uma oportunidade de mudar de igreja: “cidade nova, igreja nova, vida nova; agora sim, vou conseguir adorar a Jesus com alegria e criar gosto em ir na igreja”, mas não foi bem assim que aconteceu. O ano de 2015 foi um dos dois anos mais difíceis dos que vivenciei até hoje, e as coisas não mudaram da forma que eu esperava. Frequentei uma igreja por 3 meses, e logo após fui para a 8ª Presbiteriana de BH (aonde estou até hoje e amo de paixão). Me empolguei muito por estar frequentando uma instituição nova, com pessoas novas, formato diferente, ambiente aconchegante; mas, não era isso que mudaria a minha vida. Não é uma igreja, uma instituição que transforma de dentro pra fora as pessoas. Eu só levei tempo demais para perceber isso.
No mesmo ano de 2015, eu, ainda meio avoada nas ideias, não era tão pé no chão em relação ao que pensava, não defendia dente por dente o que eu acreditava, não tinha opinião formada em muita coisa, me deixei levar pelas coisas que começaram a aparecer na minha frente e, ainda mais em período de adaptação à cidade nova, as coisas foram só desandando. Em 2016, não foi diferente. Mesmo indo aos acampamentos da igreja, acampamentos de carnaval e de meio do ano, eu sempre ouvia a voz de Jesus, Ele falava comigo, mas alguma coisa dentro de mim insistia em não dar ouvidos a essa Voz, e era como se Jesus estivesse bem na minha frente quase gritando pelo meu nome e eu só dizia “oi”, como se nada estivesse acontecendo. Mas, no meio desse processo todo, chegando até a afundar a cara em pecados que, na minha visão, eram coisas que só me feriam bem e me ajudariam a ser feliz, Jesus foi tirando as escamas dos meus olhos. Ele foi tirando os tampões dos meus ouvidos, aqueles que me impediam de ouvi-Lo. Então, em 2017, no dia 7 de Janeiro, eu decidi dizer sim pra Jesus. Mas nada mudou de um dia pro outro. O processo durou um bom tempo até que eu descobrisse minha IDENTIDADE nEle. Com o passar dos meses, fui me encontrando completamente sozinha, mas foi um período que Ele usou pra me mostrar que Ele é tudo que eu preciso. A partir do meio do ano, Ele restituiu amizades. Em janeiro de 2018, me deu um namorado incrível (com quem pretendo me casar). Ele restituiu meu coração, sarou minhas feridas. Não sou mais uma garota machucada com medo de sentir intensamente porque Ele me curou. Eu simplesmente não sinto mais dor. As lições, em forma de cicatrizes, na minha alma permanecem. Mas simplesmente estão saradas; nEle.
Ter dito “sim” pra Jesus não fez com que eu parasse de pecar, mas, agora, quando peco, posso me arrepender e, constrangida mais uma vez pelo Seu Amor e por Sua infinita misericórdia, sou perdoada. Sou aceita de volta pra Casa. Todos os dias.
Ainda sofro as mesmas tentações que comecei a sofrer em 2015, mas hoje encontro nEle forças para dizer “não”, pois é o poder dEle que habita em mim.
Então Jesus foi apenas me ensinando coisas. Coisas que estão marcadas no meu coração e que nunca mais sairão de lá, pois foi Ele quem colocou. Eu me tornei amiga de Jesus. Ele se tornou meu melhor amigo. Ele me mostrou o quanto é apaixonado por mim, e eu simplesmente não consigo parar de me apaixonar por Ele cada vez mais. Ele ama quando escrevo cartas de amor pra Ele, e até me inspira pra escrever dEle para mim também. Sua voz é suave e acalma o coração turbulento. Ele é a pessoa que me conhece por inteiro, e ainda assim se interessa em ouvir o que tenho a dizer. Será mesmo que enfiaram a religião na minha cabeça? Será mesmo que, se falo tanto de Jesus hoje em dia é porque sou uma fanática religiosa, uma “super cristã”? Decidi ir contra o curso do mundo, mas porque Ele colocou essa vontade em mim. Não há como dizer “não” quando você conhece JESUS. A experiência com a instituição é insignificante perto de ter um encontro pessoal com Ele. E quando você encontra com Ele, você aprende a amar a instituição, com seus defeitos e pessoas chatas.
Jesus me encontrou mesmo quando eu estava decepcionada com a igreja. Jesus me encontrou quando eu estava carregando um fardo que não era meu, pois todo o meu fardo e todos os meus erros Ele levou na Cruz por mim.
Jesus não é uma religião. ELE É DEUS. O Único Deus. O Verdadeiro.
Eu não conheço outro deus que tenha entregado a própria vida por amor aos que o adoram. Eu não conheço outro deus que ensina sobre o amor aos que maltratam e amaldiçoam. Eu não conheço outro deus que dá a certeza da Vida Eterna.
Mas meu Jesus sim. O meu Jesus é o meu Salvador. O meu Jesus me dá PROPÓSITO. Meu Jesus me mostra de onde vim, e me mostra para onde vou. Meu Jesus me deu todos os dons e talentos que possuo. Não haveria razão para eu possuir um corpo que é capaz de tantas coisas se não fosse pra adorá-Lo. Eu creio na Bíblia, a Bíblia É a Palavra de Deus, a Bíblia não é apenas um livro histórico, mas sim o instrumento que Deus usou, usa e usará até o dia de Sua volta para levar Palavras de VIDA para as pessoas, e essas Palavras foram escritas por homens, mas foram totalmente inspiradas pela própria VIDA, que é Jesus Cristo.
Eu não possuo uma religião, possuo um Salvador, um Melhor Amigo, possuo o próprio Amor em mim. E Ele quer habitar em Ti também.