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@boletimmaloqueirista
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Gosto de Amora, do Mário Medeiros, ficou entre os finalistas do PRÊMIO JABUTI 2020 na categoria conto. Escrevi esse texto sobre o volume logo após ter terminado a leitura, antes de fazer a capa, na empolgação e ainda contaminado pela prosa do Marião! Parabéns, mano!
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"E sorria. Suava. Doía. E sorria."
Começa com "Fábrica de balas", que pra mim é o retrato do cansaço. O mesmo cansaço que milhares de trabalhadores e trabalhadoras sentem todos os dias, da pontinha do mindinho do pé até o teto suado. Diuturnamente. sem massagem. É doce como uma dose de bombeirinho, que molha a língua e dança na lata, mas na manhã seguinte pesa como um tijolo nas tripas. É a vingança do fodido. Uma vingança íntima, invisível, feita só na mente do prejudicado, que precisa ser criativo - e é - pra poder tocar pra frente. Senão não dá... ninguém é máquina fria ligada numa tomada – a pessoa ainda nasce com alma. Levantar da cama todos os dias é tarefa hercúlea pra gente das beiradas. E vamos em frente na fé que até mesmo sobreviver no inferno tem seus bons momentos.
Como quando você encontra um texto como esse, que expressa o cansaço e a poesia em todos nós. Mas a memória é coletiva, os aprendizados e ensinamentos vem de gerações - os traumas também - as reviravoltas e rebeliões, o trabalho incansável de quem se recusa a ser teleguiado.
Tá tudo aqui, minas e manos, tudo apanhado com sagacidade nos olhos de quem esteve junto e sabe pescar tipos, gírias, códigos, frases, ditados e sonhos. O escritor percorre as profundezas do oceano escuros da memória ao mesmo tempo que deambula pelas ruas da cidade, desde a quebrada lá longe - um passado de barro, meio rural - de bananeiras e Chorões, até as conexões do metrô de São Paulo e as duas versões de Beatrice, uma soprada pelo “branco” Chet Baker em contraposição - a original – interpretada pelo preto Sam Rivers. A sombra do jovem e do velho conectadas no chão do quintal. O jazz ecoando no ar...
Aliás, o livro tem trilha – fiquem ligeiros. (Mário, por que você não cria uma playlist em algum lugar da web pra compartilhar com nossos ouvidos?)
O diabo é que a gente faz poesia.
"Abraçado ao seu rancor", na sequência, vem outros contos lancinantes com pitadas de poesia que alivia um pouco a dor. "Clássicos do gênero", "Chorões e Bananeiras", "A estrada na mochila, "Pau, panela e apito", lemos ódio, ternura, sarcasmo e piedade – e, acima de tudo, autonomia, decisão, firmeza no passo. um panorama, um retrato - melhor, um mosaico – uma polifonia se preferir... É o tipo de texto que faz arder alto a fogueira do amor pela vida, pelo povão, esse povo real que fez e faz as periferias, favelas e cortiços - esse imenso barracão de leitos de trabalhadores e trabalhadoras que transmutamos em nosso lar, físico e simbólico - Dá ganas de sair abraçando esse povo sofrido que nada tem a ver com as canalhices cometidas pelos figurões do sistema. Evocação desse povo que sonha atravessar a vida sem maiores danos, mas que só se lasca, dia após dia, 24 por 48.
Todos eles tocaram fundo na minha alma de leitor periférico. Aqui é o outro Brasil, mano – o nosso. E eu fiquei revendo aquelas fábricas, aqueles jogadores sentados na calçada – lembrei dos anos sem fim que estive lá com meus camaradas - falando sobre futebol, a cara escrota do supervisor, os planos de amassar a lata do cuzão assim que dessem baixa na carteira... o ódio contido que cria um bolo no estômago por não ter tempo e nem dinheiro para olhar a paisagem despreocupadamente. Mas ódio dá câncer... deixa estar.
Vamos tomar uma ali! As horas lentas seguem lentas... nada se move, só o sol.
Chorão e Bananeira é toda uma fauna. Gentes, temperamentos, malandragem, fé, resistência a dar com pau. Continua: “Sumidouro”, “Gosto de Amora”... vai indo, a leitura fortalece a gente.
É coletivo, mas é também singular. Cada personagem ali tem sua individualidade. E é assim mesmo que a banda toca. No meio da massa, cada janela é um épico. O Mário tá ligado. E manda brasa, você se emociona e torce, como numa partida de futebol, quando você tem certeza que o pênalti será convertido a favor, mas o perna-de-alface vai lá e displicentemente, irresponsavelmente, espirra a pelota na trave. Puta que o pariu! Mercenário vagabundo! Merduncho miserável! Não merece vestir nosso manto sagrado...
A estrada de Gosto de Amora é como a vida: as vezes bate, depois amaina, faz graça, alimenta esperança... Dá gana pra mais um dia. Vai que vai, fui que fui... e se o maluco que ontem tava varrendo corredor de hotel, amanhã tira o bilhete sorte e vira ator de novela? E se anos depois de ter sido resgatado do inferno por esse sucesso inesperado, um leite com pêra qualquer, que não sabe a língua do Congo, o acusa de cooptado? Ele ri na cara dele, é claro, e emenda: ”Um astro não morre ao entardecer”.
A vida, como os contos do Mário, e como o futebol: é uma caixinha de surpresas - um samba ouvido de madrugada que faz brotar sal nos olhos.
E me diz o acadêmico empolado, "Um povo que não tem literatura e blá, blá, blá...". Vai nessa, fio... Vai dar com a cara no asfalto se continuar nessa adianto besta. Não se faça de desentendido, leia aí e vê se aprende alguma coisa.
CAROLINA MARIA DE JESUS E A CIDADE - TV Escola - Rede Escola
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Canal Brasil - É a nossa cara.
Ilustrações para animação realizada pelo Estúdio Alopra.
Canal Brasil, 2014.
Processo de uma página da HQ “ O retorno do Hulk”. Revista Serafina (Folha de S.Paulo), maio de 2014.
Conexão Caipirinha com João Pinheiro: Periferia em quadrinhos
Exposição coloca MCG no circuito de exibições nacionai.
Exposição sobre história em quadrinhos sobre Carolina Maria de Jesus D...
João Pinheiro - artista visual e quadrinista.
Portfólio do artista visual João Pinheiro mais informações no site: www.jpinheiro.com.br
Autores da HQ Carolina falam sobre prêmio Angoulême.
Um júri ecumênico ligado ao Festival de Quadrinhos de Angoulême, na França, o maior evento da área no mundo, concedeu seu prêmio especial deste ano ao livro Carolina, de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, publicado originalmente no Brasil pela editora Veneta em 2017.
O júri era formado por especialistas em quadrinhos, historiadores, críticos, bibliotecários, cartunistas, católicos, protestantes e agnósticos. A BD Chrétienne é uma associação ligada a igrejas católicas e protestantes da cidade, e tem presença constante nos últimos 33 anos do Festival.
Salve, quebrada.
As histórias em quadrinhos Cumbe e Angola Janga (ambos de Marcelo D’Salete) e Carolina (João Pinheiro e Sirlene Barbosa) foram aprovadas no mais recente edital do Plano Nacional do Livro Didático Literário (PNLD Literário). A partir do ano que vem, esses livros serão adotados em escolas públicas de ensino médio de todo o país. Em outubro, professores de toda a rede farão a escolha dos livros.
Consideradas por especialistas um importante instrumento no tratamento de temáticas transversais a variados campos do conhecimento, as histórias em quadrinhos podem atender simultaneamente a diversos objetivos de aprendizagem. Os três títulos da Veneta selecionados trazem importantes recursos para o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana, que passou a fazer parte do currículo obrigatório das escolas com a lei 10.639/03, e abordam temas como o quilombo de Palmares, a resistência nas senzalas e a história da escritora negra Maria Carolina de Jesus.
+infos aqui: https://veneta.com.br/2018/09/05/pnld-literario-2018/
O último livro escrito por Carolina Maria de Jesus teve expresso em seu título, "Um Brasil para brasileiros" o desejo dela de viver em um país que fosse mais justo com se povo, mas infelizmente, quase 40 anos depois, ainda lutamos pra que um dia seja. O volume foi publicado primeiramente na França pela Éditions Métailié, com o título alterado para "Journal de Bitita", e só sairia no Brasil em 1986 como "Diário de Bitita". Nesse mês, nossa HQ sobre a escritora, minha e da Sirlene Barbosa, desembarca em solo francês novamente, pelas mãos da Presque Lune editora e essas são a capa e contracapa desta edição. "Muito bem, Carolina!