Fala o que restou, uma bala adocicou o que tava com rancor. Eu guardava bem a dor, exceto quando o reflexo era o ápice do amor. Me apagava se não fosse ou for por menos narcisismo e mais contraste de cor. Ainda mostro pra ela o que ela nem sabe que existe. Poesia é o canal pra sintonizar quando se está triste. É magia sentir a lágrima no olho e a revolução em riste.
Caos me cerca, busco ordenar os astros. Fazer o meu sol e a lua dela serem símbolos de passos. Ver o mundo do telhado, observadores natos, gatos que são pássaros e cantam tão exatos sobre a morte e seus boatos. Sobre a vida e seus boatos...
Certeza de que o futuro é cinza e nebuloso. Amor, só me deixa um pouco, não quero te puxar pro meu fundo do poço. Eu já tô pelo pescoço, só me falta uma corda pra receber visita do Puro Osso. Ave Maria, pois só vejo fosco. Puta enredo tosco onde tenho o gosto de só ser um déjà vu. É voar e cair cedo feito Ali.
Maltratam a fauna, desmatam a flora. Resgato na alma uma força, revigora. Roubam tantos, tomam muitos. Eu, você, nós, todos juntos. Todos mortos, todos juntos. Tantos corpos, todos juntos. Todos.
E eu, estrela cadente, hei de ser, pro céu, um passageiro grato. Voltar próximo do final do ato, ser o próximo micro do macro.









