Can you hear it?
The silent sound
Oh how sweet is the dispair
O SEU MAIOR PESADELO PODE VIRAR REALIDADE. Nosso novo habitante costumava se chamar BREU, do conto JACK FROST, e antes da névoa da maldição arrastá-lo até Storybrooke, ele estava SEM REINO. Aqui na cidade você talvez o encontre se procurar por um tal de JOSEPH LOCKBURN RUSSO que trabalha como DIRETOR E ROTEIRISTA DE CINEMA.
CUTTING TO THE CHASE
O PERSONAGEM ESTÁ ACORDADO?
Sim, Breu está acordado. Como o vilão de A Origem dos Guardiões, Breu manteve as memórias intactas de sua ‘antiga’ vida. E parte do sofrimento causado pelos terrores quando se deixou sucumbir pelo sentimento de medo com a derrota na fatídica luta. Como já estava bastante enfraquecido, retornar ‘à vida’ sem os poderes pareceu bem melhor do que a danação eterna. A falta de seus perseguidores aumentando a confiança e o desejo insaciável de macular tudo que toca.
HEADCANONS:
As memórias criadas pela névoa não poderiam ser melhores. Seu nome associado a grandes filmes, aclamados pela crítica, tanto de terror quanto os épicos de super-heróis, o colocaram na posição perfeita de penumbra. Famoso demais nos meios certos, convenientemente escondido para os não aficionados. Depois do último trabalho, uma obra prima de quase três horas, Joseph tirou um pequeno tempo de férias para aproveitar o ar puro. seus colegas de trabalho acharam pitoresco, o requintado Russo numa cidadezinha pacata em um lugar esmo. E assim, usando a desculpa de ‘buscar inspiração para a próxima história’ se vê com toda a liberdade de atrapalhar específicas vidas.
Aproveitando-se da magia da névoa, tão parecida com a própria manipulação dos sonhos, Breu tentou colocar mais alguns conhecimentos mundanos entre suas habilidades. O desenho foi o primeiro, com a desculpa de que precisava colocar as ideias cinematográficas de maneira mais explícita. Em segundo, a criatividade. Para quem, com um toque, podia destruir o mais precioso dos sonhos; muito necessário desenvolver uma facilidade para os efeitos especiais. Ninguém no set parecia notar o autor daquelas brincadeiras espalhadas nos vestiários e camarins com o diretor tão equilibrado e tranquilo. Para completar, em terceiro lugar, o ardor da vingança transformou-se em dedicação. Breu passou a ler e devorar livros com facilidade, compreender o que estava escrito. Afinal, o medo começa quando alguém sabe mais do que você.
CURIOSIDADES:
Não é particularmente simpático da luz solar, mas aprendeu a navegar por ela. Breu não tem poder algum embaixo dos raios e acha formidavel que não o afeta mais. Suas habilidades continuam as mesmas, assim como suas artimanhas.
Antes de ser Breu, Kozmotis Breuner foi um guerreiro. Herói e protetor durante a Era de Ouro. O extenso treinamento e constante estado de luta pelo bem, Breu mantém as habilidades de luta. Como diretor, e visando maior credibilidade, Joseph é imersivo. Participando de sessões de treinamento e ensaio no intuito de melhor dirigir as cenas.
É considerado insônia se não existe a necessidade de dormir? Breu não dorme muito, não encontra conforto entrando na inconsciência, mas entende que é necessário. Está sob um regime de pequenas sonecas, espalhadas pelo dia e entre a criação de planos.
Está sempre com um caderno embaixo do braço e um sorriso enigmático no rosto, escrevendo e desenhando os sussurros dos medos que capta dos outros.
O único motivo de não arrumar uma posição na biblioteca (porque passa tempo demais lá) é pela necessidade de liberdade.
Oh, so you want m o r e ?
A WILDER ROAD
A pressão em volta do tornozelo permanecia constante, avassaladora em sua força de continuar o levando para baixo. A capa, sua segunda pele, estava arruinada pelas garras e presas. Reduzida ao conjunto de frangalhos que se agitavam ao redor. O ar chiando, poderoso em sua velocidade, enquanto o corpo escuro caía sem previsões de parada. Breu caiu. Derrotado pelos guardiões, traído por seus próprios pesadelos, sua presença não mais pertencia à Terra que tinha condenado em atormentar. Sua existência tinha sumido naquele instante, dominada pela alegria e confiança daquelas crianças em que tudo podia ser resolvido. O grito, preso na garganta, rompeu a barreira num clamor de ódio. Rouco, animalesca, preenchendo cada canto obscuro daquele túnel infinito como a matéria que compunha a escuridão. Breu esticou os braços e se pôs a empurrar. Arranhar. Livrar-se de seus captores porque... Porque oras. O rei dos pesadelos, o criador dos medonhos, o dotado das sombras das trevas? Os olhos amarelados brilharam em dourado quando os dedos agarraram a crina arenosa do medonho mais próximo. As unhas quebradas ferindo a palma tamanha era sua determinação em interromper a queda ininterrupta.
Os guardiões não viriam para finalizar o serviço. Não quando Breu entendia que o medo também era dele. A crença de que sentia passando a confiança necessária para dar a volta por cima. O odioso coelho não pintava os ovos? Não sabia o gosto e o formato para melhor agradar as crianças? Por que Breu não podia fazer o medo? Sentir o poder agitar o estômago para melhor reproduzi-lo? Brilho. Faísca. Os dentes brancos ganharam destaque entre a areia escura e os olhos igualmente brilhantes dos cavalos esquálidos. Da potência dos músculos forçando os cascos a romper o tecido da realidade e encontrar algum lugar para adquirir resistência. Voltar a galopar no vento sem a ajuda de asas inúteis. Sangue. As manchas surgidas sendo limpas pela língua ferina, combinando com o que pintava as mãos que arrancavam fios da crina equina. Subindo. Incitando. Querendo juntar os calcanhares mesmo com todo um cavalo entre as pernas. E ele quase conseguiu... Quase. Algo estranho, peculiar, o chamando de volta. Dedos tão longos e sedutores, emanando em ondas, rodeando-lhe a cabeça e acariciando a face.
Medo.
De lá de cima - ou seria de baixo? - névoa escura e densa exalava de uma fogueira invisível. As partículas suspensas trazendo casa, medo entranhado, o toque peculiar do desespero de milhares de pessoas. A roupa puída reconstruía-se ao favor daquele aroma. A pele cinzenta ganhava tons de vida, de poder recuperado, de um medonho encontrando um caminho invisível e indo de encontro da parede. Fumaça feita sólida, brilhante em tantas cores, abrindo-se num portal sedutor demais para não experimentar uma única vez. Aquele mundo, oh aquele mundo, tinha a familiar essência da era das cavernas. Da era escura que todo mundo parecia esquecer de ter existido. Lá... Breu sentiu o sorriso rasgar ainda mais as faces, deformar o rosto numa caricatura horripilante de felicidade. Lá... o medo existia. E quando a mão sombria encostou no portal mágico, a entidade negra perdeu som, cor, luz e imagem.
( CORTA! ) Alguém gritou ao longe, repentinamente, e o que deveria ter provocado uma reação de surpresa em Breu; colocou um sorriso satisfeito no rosto. A mão erguida, cotovelo apoiado na cadeira alta, dando o sinal para interromper a cena. Onde estava? Não tinha tempo, não podia perder tempo. A magia correndo por suas veias, minguando com a velocidade de que tomava o conhecimento dos arredores. Moldando, aproveitando, criando uma vida já a muito definida nos seus mais perversos sonhos. Quando Breu elegantemente saiu da cadeira, seu nome era outro.
Joseph Lockburn Russo. O salvador dos filmes, o gênio por trás da cena. Ganhador de prêmios. Reconhecido mundialmente. Bastava entrar na cabine para ver as fotos, os prêmios organizados em categorias. As capturas eternas com os seus astros escolhidos, o nome na boca de cada um que ganhava pelo papel escolhido por ele. Dirigido por ele. E que gosto, que sabor, notar a admiração e pavor que sua presença cometia onde quer que passasse. E isso eram memórias. Tecidas numa realidade diferente e espetacular. Tão maleável sob seus dedos hábeis, tão fácil de pender a balança ao seu favor. Breu ampliou sua rede de contatos, trouxe um pouco de cada, construindo a fama falsa em bases tão sólidas quanto a vingança fervendo dentro de si. Se era capaz de convencer que heróis existiam entre os humanos, se era capaz de fazer torcer e gritar os espectadores com seus thrillers; que dificuldade teria em destruir os indefesos e esquecidos Guardiões?




















