“A Erva do Diabo” – Carlos Castaneda

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“A Erva do Diabo” – Carlos Castaneda
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The Beatles 1 Video Collection is out now. Available on: http://www.thebeatles.com/ Written by John as an expression of his love for Yoko Ono, the song is he...
Eduardo Galeano: A ventania
Assovia o vento dentro de mim. Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.
Ana Cristina César:
Tenho arrumado os livros.
Tiro de uma prateleira sem ordem e coloco em outra
com ordem. Ficam espaços vazios.
Hora em hora.
Não tenho te dito nada.
Ligo para os outros.
O que eu poderia dizer é perigoso: certeza (assim como
eu disse: daqui dez anos estarei de volta) de que nos
reencontramos, cedo ou tarde.
Mas não sei mais quando Cedo ou tarde reencontro – o ponto
de partida
Ana Cristina César:
Não querida, não é preciso correr assim do que
vivemos. O espaço arde. O perigo de viver. Não, esta palavra.
O encarcerado só sabe que não vai morrer,
pinta as paredes da cela.
Deixa rastros possíveis, naquele curto espaço.
E se entala.
Estalam as tábuas do chão, o piso rompe, e todo sinal é uma profecia.
Ou um acaso de que se escapa incólume, a cada minuto.
Este é meu testemunho.
Cláudio Willer: Mais uma vez
mergulho no amor com a cega convicção dos suicidas penetro passo a passo nesta região misteriosa turva opaca aberta pelo encontro dos corpos e sinto outra familiaridade nas coisas esta calma permanência dos objetos agora formas de lembrar-se o mundo que se reduz a traços da presença a realidade que fala ao transformar-se em memória tudo é conivência e signo o espaço uma extensão do gesto as coisas matéria de evocação qualquer coisa treme dentro da noite como se fosse um som de flauta e a cidade se contorce e se retrai mais uma vez ao abrir-se para este turbulento silêncio de olhar frente ao olhar pele contra pele sexo sobre sexo
Jorge Luis Borges: Cosmogonia
Nem treva nem caos. A treva Requer olhos que veem, como o som. E o silêncio requer o ouvido, O espelho, a forma que o povoa. Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer Uma divindade que premedita O silêncio anterior à primeira Noite do tempo, que será infinita. O grande rio de Heráclito o Escuro Seu irrevogável curso não há empreendido, Que do passado flui para o futuro, Que do esquecimento flui para o esquecimento. Algo que já padece. Algo que implora. Depois a história universal. Agora.
Frederico García Lorca: Se minhas mãos pudessem desfolhar
Eu pronuncio teu nome nas noites escuras, quando vêm os astros beber na lua e dormem nas ramagens das frondes ocultas. E eu me sinto oco de paixão e de música. Louco relógio que canta mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura, e teu nome me soa mais distante que nunca. Mais distante que todas as estrelas e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então alguma vez? Que culpa tem meu coração? Se a névoa se esfuma, que outra paixão me espera? Será tranqüila e pura? Se meus dedos pudessem desfolhar a lua!!
Frederico García Lorca: Noche de amor insomne
Noche arriba los dos con luna llena, yo me puse a llorar y tú reías. Tu desdén era un dios, las penas mías momentos y palomas en cadenas. Noche abajo los dos. Cristal de pena, llorabas tú por hondas lejanías sobre tu débil corazón de arena. La aurora nos unió sobre la cama, las bocas puestas sobre el chorro helado de una sangre sin fin que se derrama. Y el sol entró por el balcón cerrado y el coral de la vida abrió su rama sobre mi corazón amortajado.
Charles Bukowski: trecho de “Pedaços de um caderno manchado de vinho”
Desde os 35 anos eu vinha escrevendo poemas e contos. Decidi morrer no meu próprio campo de batalha. Sentei-me em frente à minha máquina de escrever e disse, agora sou um escritor profissional. É claro que não foi assim tão fácil. Quando um homem trabalha num mesmo emprego durante muitos anos, não é dono do seu tempo. Quero dizer, mesmo com uma jornada de oito horas, o dia está tomado. Some o tempo que leva para ir e voltar do trabalho, mais o trabalho em si, mais comer, dormir, tomar banho, comprar roupas, carros, pneus, baterias, pagar os impostos, copular, receber visitas, ficar doente, sofrer acidentes, ter insônia, ter que se preocupar com a roupa suja e com assaltos e com as condições climáticas e todo o resto que não dá pra mencionar, não sobra TEMPO ALGUM para se gastar consigo mesmo. E, quando é preciso fazer hora extra, muitas vezes algumas dessas necessidades têm que ficar de fora, até mesmo dormir, e, mais comumente, copular. Que porra é essa? E tem semanas em que se trabalha cinco dias e meio, seis dias, e no domingo é esperado que você vá à igreja ou visite os parentes, ou os dois. O cara que disse “o homem comum vive uma vida de silencioso desespero” tinha um pouco de razão. Mas o trabalho também acalma os homens, dá a eles alguma coisa pra fazer. E impede a maioria deles de pensar. Homens – e mulheres – não gostam de pensar. Para eles o trabalho é uma dádiva. Dizem a eles o que fazer e como fazer e quando fazer. Noventa e oito por cento dos americanos acima de 21 anos estão trabalhando, mortos-vivos. Meu corpo e minha mente me disseram que dentro de três meses eu seria um deles. Eu me opus.