a bet with the devil {cassie and craig}
O sorriso mordaz de rebeldia leviana ainda pairava em meus lábios, desafiador. Eu estava próximo da mulher o suficiente para sentir sua respiração queimar minha pele, trazendo a espinha um arrepio bem-vindo; gostava daquela proximidade. Acreditando veemente que a Rebel logo se afastaria de minha nada singela provocação, eu fiquei quase atônito ao notá-la se aproximar. Não posso negar que, por uma fração de segundos, achei que ganharia a aposta, achei que ela me beijaria. Mas já tão cedo?, pensei, um pouco decepcionado. Eu, Craig Leminski, não podia estar mais enganado. “Seu desejo é uma ordem”, ela se afastou. Quase fiquei excitado. Quase.
Eu era um cara muito fácil. Desses que realmente se excitam com qualquer coisinha e demoram três horas e meia na cama até conseguir alcançar o orgasmo. Se você me perguntar porquê isso acontece, certamente não vou saber responder. Minha última namorada costumava alcançar seu momento e me deixar; ela odiava quando eu demorava demais. Acho que foi por isso que terminamos - que eu terminei, aliás -. Aquela vadia nem sabia fazer um bom sexo oral, de qualquer jeito. E eu a odiava.
O céu tomava um tom alaranjado, enquanto o sol sumia horizonte abaixo. Nunca gostara muito de praias, mas aquela parecia ser incrivelmente aturável. Tirei meus coturnos, que já estavam com os cadarços desamarrados, e pude sentir a areia em meus pés; ela era fina, branca e macia, estranhamente confortável. Observei a desconhecida por um momento e um sorriso surgiu em meus lábios, enquanto ela tirava sua blusa, junto com os sapatos. - Você não vai querer molhar o sutiã, gata. Deveria tirá-lo também - Provoquei, com a voz rouca, fitando-a caminhar em direção à água. Abri a garrafa de whiskey, tirando sem nenhuma cerimônia o maldito lacre com os dentes. Levei o recipiente aos meus lábios e senti o líquido amargo escorrer por minha garganta. Um gole, dois goles, três goles, quatro goles, eu contava mentalmente, cinco goles. Parei para respirar. Senti meu esôfago queimar com a bebida, que descia furiosa em direção a meu estômago; fiz uma careta. Voltei a garra à boca. Um gole, dois goles, três goles, quatro goles, cinco goles, seis goles. Afastei a bebida e comecei a tossir. Coloquei aquela merda de garrafa na areia e tirei minha camiseta branca, logo os jeans escuros também. Eu usava uma boxer preta por debaixo das roupas.
A água salgada estava fria. Senti minha pele arrepiar-se com o primeiro contato, mas logo tal sensação foi embora, enquanto eu dava mais alguns goles do whiskey e caminhava em direção à minha oponente. Ainda pensava em sua proposta sobre adicionar um item ao nosso desafio. Iria perder sob aquelas circunstâncias, tinha plena certeza disso; porém, se eu não aceitasse a proposta, seria tachado como covarde. Balancei levemente a cabeça, espantando os pensamentos e me concentrando no que acontecia ali. Já estava próximo da garota, tão próximo que eu sentia emanar dela o calor. - Tome aqui - Disse, esticando-lhe a garrafa de whiskey. - Odeio essa merda de bebida - Na verdade, eu odiava todas as bebidas: elas eram extremamente ruins ao paladar e demoravam muito para me deixar chapado; a maconha sempre fora a melhor droga para mim. - E eu aceito os novos termos, aliás. - Concluí, com um dar de ombros. O sorriso leviano pairava em meus lábios.
Aproximei-me ainda mais da desconhecida, passando uma das mãos em volta de sua cintura. Deixei que meus lábios roçassem em suas maçãs do rosto, enquanto traçavam caminho em direção ao pé de seu ouvido. - Você ainda não me disse seu nome. - Sussurrei, pressionando de leve minha mão contra as costas da garota e fazendo com que seu corpo tocasse ligeiramente o meu. - Eu quero saber seu nome.
Enquanto avançava mar adentro, tentava ao máximo ignorar a temperatura da água - não estava exatamente gelada, mas poderia definitivamente estar mais agradável. Não deixei de dar uma risada fraca em resposta ao comentário do garoto, nem me importando em olhar para ele enquanto erguia meu dedo médio. Uma vez que já havia parado de andar, fechei os olhos e mergulhei o corpo inteiro debaixo d'água. Estava morrendo de frio ao retornar à superfície, mas já estava acostumada àquela sensação, sabia que era uma questão de tempo até que eu me acostumasse. Meu pai costumava dizer que eu havia sido um peixe na vida passada, a julgar pelo amor que sempre havia sentido pelo mar. Ele provavelmente ainda diria isso se nos falássemos hoje em dia.
Estava tão distraída em meu próprio mundinho - meu e do mar, quer dizer - que só reparei que o Rebel havia me seguido quando estávamos quase nos tocando. Analisei rapidamente o garoto em minha frente; o fato de ele estar só de cueca era uma vantagem para mim, significava mais vulnerabilidade. Agora sim, estávamos começando a brincar. Aceitei a garrafa de whisky e dei um único gole na bebida, me segurando para não fazer uma careta em reação ao ardor que tomou conta de minha garganta. Levei o gargalo à minha boca mais uma vez, dei mais um ou dois goles e então descobri que estávamos de acordo em relação à minha sugestão de apimentar um pouco as coisas. Deixei que um dos cantos de minha boca se curvasse para cima em um sorriso discreto e ergui a garrafa no ar, como se brindando ao fato de termos entrado em um consenso.
Não lutei contra a mão que de repente foi parar em minha cintura, muito menos contra os lábios que agora roçavam em meu rosto. Tinha sido pega de surpresa, mas o garoto não precisava saber disso. Foi só quando ele trouxe à tona o tópico nomes que eu percebi que vinha me referindo a ele apenas como "o garoto". Não posso dizer que era a primeira vez que fazia aquilo, já havia perdido a conta de quantas manhãs tinha acordado com um "o garoto" ao meu lado, o quantos "o garoto"s já tinham prendido a minha atenção durante uma aula qualquer. Mas, de um jeito ou de outro, aquela situação era diferente das demais, seria de fato apropriado ter um nome para relacionar àquele rosto.
Senti um breve calafrio percorrer meu corpo com as palavras do adolescente, ditas diretamente contra meu rosto. Mas se ele achava que aquilo era tudo o que precisava para ganhar a aposta, não podia estar mais enganado. Aquele era um jogo que dois podiam jogar. Com uma das mãos, gentilmente tirei o rosto do moreno de onde estava e o posicionei de modo que estávamos, mais uma vez, frente a frente. Com a outra, envolvi a cintura dele como ele havia feito com a minha, puxando-o ainda mais para perto. Agora minha barriga encostava completamente na dele, me perguntei se o fato de eu estar molhando-o o incomodava.
- Cassie Bradford, ao seu dispor. - sussurrei contra seus lábios. Tudo o que ele precisava fazer era se deslocar meio centímetro para a frente e pronto, estaria me beijando. A fim de aumentar ainda mais minhas chances, ao mesmo tempo que umedecia os lábios, deixei que minha mão desse uma volta sem sua cintura, só parando de mexer quando meus dedos encontraram a barra de sua cueca. Comecei então a brincar com aquela região, tocando em tudo o que podia sem alcançar as partes baixas, fazendo questão de mexer os dedos em uma velocidade dolorosamente pequena. - E você, seria? - sustentei o olhar do garoto no meu enquanto continuava a explorar o tecido de sua boxer.















