ᴡɪʟʟᴋᴏᴍᴍᴇɴ, ʙɪᴇɴᴠᴇɴᴜᴇ, ᴡᴇʟᴄᴏᴍᴇ — Aquela é TARTAN BROIDER, ganhadora da 95ª Edição dos Jogos Vorazes e MENTORA do tributo feminino do Distrito 8. Ainda me lembro de quando ganhou os Jogos com VENENOS E ARMADILHAS e, atualmente, aos VINTE E NOVE ANOS, sei que vai fazer de tudo para ver seu mentorado vencer. Espero que sua PARANOIA não ofusque sua HABILIDADE LÓGICA quando precisar conversar com os patrocinadores!
Tartan, assim como a maioria dos moradores do distrito 8, trabalhava em uma fábrica têxtil desde que conseguia selembrar. Morava em um apartamento apertado e caindo aos pedaços com os pais, a tia, a avó, os dois irmãos mais velhos e o irmão mais novo, num cubículo ao lado de centenas de outros cubículos em estados similares de ruinação. Todos de sua família trabalhavam na mesma fábrica, produzindo fios que seriam levados a outras fábricas para a confecção de tecidos, que iriam para mais outra fábrica e assim por diante. Foi assim que seus pais se conheceram, na verdade, a mais comum das histórias de amor no distrito. E foi assim também que conheceu quase todos os seus amigos: enfileirados em grandes galpões, foi se aproximando dos que sentavam nas rocas de fiar ao seu redor. Quando, junto aos outros trabalhadores, saíam do expediente, as crianças iam brincar na rua até o relógio da torre tocar duas vezes. Aí, esfregavam a fuligem das barras das roupas no rio, debaixo da ponte — o nariz, a esse ponto, já acostumado com o fedor químico dos resíduos que as fábricas ali despejavam — e voltavam para casa, começando tudo de novo no dia seguinte.
No ano que foi selecionada na Colheita, aos 25 anos, Tartan havia sido convidada para dar aulas sobre seu ofício na escola. Aquecia o seu coração ver o triunfo no rosto dos estudantes quando conseguiam fiar ou tingir os fios sem os manchar, mas também sentia-se em conflito. Sabia que estava participando do grande sistema de recrutamento e de exploração das fábricas, um destino do qual poucos escapavam, mas que ela não queria de jeito nenhum ajudar a prosperar. Bom, não foi uma questão com a qual precisou sofrer por muito tempo, já que logo foi sorteada para os jogos.
Na arena, o processo de tingimento de fios veio a calhar. Na fábrica em que trabalhava, eram responsáveis também por produzir as tinturas, que na maioria das vezes eram feitas a partir de plantas. Todo mundo sabe que algumas das mais belas e vibrantes plantas são as mais venenosas, certo? Errado! Mas foi isso que a ajudou a vencer os jogos. Habilidosa costureira e bordadeira, também conseguiu tecer fortes armadilhas a partir de cordas, pedaços de roupas, plantas e outros materiais que encontrou. Mas no final do dia, ela precisava admitir que teve sorte. Muita sorte.
Depois dos jogos, a vida de Tartan mudou completamente. Foi-se o tempo em que trabalhava na fábrica e tinha conexões reais com pessoas de seu distrito. Não, a partir do momento em que Tartan foi anunciada como vitoriosa, foi como se um abismo tivesse se criado entre ela e as pessoas com quem cresceu. E tinha. Essa cratera aumentava e aumentava todos os dias, até que ficou isolada de tudo que antes conhecia. Para completar, o trauma de participar dos jogos foi tão intenso que Tartan, que já era considerada uma pessoa ansiosa e que pensava demais antes, foi virando uma pessoa paranoica, explodindo até mesmo com a família quando tentavam tocar em feridas abertas e pulsantes. Sentia que as únicas pessoas que lhe compreendiam eram outros vitoriosos, e encontrou conforto neles. Mas, mais do que qualquer coisa, encontrou conforto em sua roca de fiar.
Felizmente, os Broiders não conseguiam abandonar totalmente a vida que viveram até então. Conseguiam ver Tartan definhando, cada vez mais tomada pelo trauma. Decidiram que a importunar até que participasse de atividades em familia era um ótimo jeito de passar o tempo. E, bem, tinham muito espaço agora. Compraram ovelhas e rocas e o que mais precisassem no meio do caminho. Então, voltaram a fiar. E voltaram a bordar. E foi essa atividade em conjunto que ajudou Tartan a não enlouquecer.
ᴏᴜᴛʀᴏꜱ ʜᴇᴀᴅᴄᴀɴᴏɴꜱ —
Uma vez que se sinta confortável, Tartan é tagarela. Também tem opiniões fortes e tem fortes argumentos para apoiar suas opiniões, esteja elas certas ou não (ela sempre vai achar que estão). Desde que venceu os jogos, tem um excesso de tempo livre que nem mesmo a produção de fios consegue ocupar, então começou a ler (o que é sempre um perigo), o que só piorou a veia discursiva que sempre esteve latente nela.
Ainda tem pesadelos com o último tributo de sua arena e sua vitória. O veneno não fora suficiente, mas estava incapacitado e deitado bem ali na grama... Ela estava tão cansada, e a pedra estava bem ali...















