ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ𝐓𝐇𝐄 𝐃𝐄𝐕𝐈𝐋 that you 𝑘𝑛𝑜𝑤, looks n͟o͟w͟ more like an 𝑎𝑛𝑔𝑒𝑙
aos 29 anos de idade, lacroix não se regozija de muitas conquistas pessoais, mas certamente cultivou uma reputação que procede os burburinhos que escalaram para além dos muros da kappa phi. a menina prodígio mal parece um retalho de quem foi outrora, com olhares melancólicos que não se sustentam por mais de meio segundo e respostas evasivas que evitam sublinhar que, sim, jogou seu futuro promissor às traças e agora sobrevive à base de opioides e jobs mal pagos.
ㅤㅤ𝐚𝐞𝐬𝐭𝐡𝐞𝐭𝐢𝐜𝐬ㅤ‧ㅤolhares vazios, tesouras de ferro, o poeta que evoca a beleza do grotesco, correntes com manchas de ferrugem, a companhia de um fantasma agourento, reflexos distorcidos no espelho, uma canção esquecida na brisa, os cacos de um vaso de porcelana, um frasco de pílulas
ㅤㅤ𝐛𝐚𝐜𝐤𝐠𝐫𝐨𝐮𝐧𝐝ㅤ‧ㅤ( 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑛𝑐𝑒𝑖𝑟𝑜 ) ⟢ 𝐒𝐄𝐈𝐒 𝐃𝐄 𝐎𝐔𝐑𝐎𝐒 ﹕é óbvio que sabine não detém uma grande fortuna, muito menos bens materiais que ultrapassem cinco dígitos, sobrevivendo de uma carreira nada estável como tradutora autônoma, somada às eventuais migalhas recebidas dos pais, transferências bancárias, suéteres usados ou uma reposição de mantimentos. em qualquer sinal de abundância, renova seu estoque particular de codeína, sustentando à base de receitas falsas e uma atuação pueril acerca de sua "condição";ㅤ( 𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 ) ⟢ 𝐍𝐎𝐕𝐄 𝐃𝐄 𝐄𝐒𝐏𝐀𝐃𝐀𝐒 ﹕se o vício em fármacos criando proporções catastróficas a uma velocidade alarmante já não fosse o bastante, os fantasmas que acompanham sabine dão conta de propiciar o esgotamento mental; ( 𝑒𝑚𝑜𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 ) ⟢ 𝐐𝐔𝐀𝐓𝐑𝐎 𝐃𝐄 𝐂𝐎𝐏𝐀𝐒 ﹕ainda que jamais tenha se privado de experienciar qualquer faísca que a incendiasse, por uma ou duas noites que seja, sabine parece mais preocupada em avaliar os tantos porquês entrelaçados aos erros consecutivos de uma vida amorosa sempre efêmera a se dispor a encontrar algo novo e genuíno. dos sentimentos que lhe servem de combustível, o constante tédio e melancolia fazem morada há longa data; ( 𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑟𝑡𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 ) ⟢ 𝐍𝐎𝐕𝐄 𝐃𝐄 𝐏𝐀𝐔𝐒 ﹕gato escaldado tem medo de água fria. é nítido que sabine vive em constante alerta, sobressaltando-se com qualquer ruído que perturbe a sua zona de conforto. ainda que, em uma posição mais passiva, pareça estar sempre acuada, esperando algo, não se sabe o que.
ㅤㅤ𝐡𝐞𝐚𝐝𝐜𝐚𝐧𝐨𝐧𝐬ㅤ‧ㅤ𝐈 ﹕uma aluna promissora, cujo futuro brilhante prometido escapou do alcance de seus dedos. a ambição minguou, corrompida pela falta de interesse crescente e uma péssima imagem pessoal, cada vez mais deteriorada com o passar do tempo. sabine pensava saber o que queria e para onde ia, mas seu fim é um infinito andar em círculos, começando exatamente onde terminou;
𝐈𝐈 ﹕uma automedicação aqui, um comprimido errado engolido acolá… e a farmacodependência emerge. primeiro aspirinas, uma quantidade e frequência inocentes, remediando as dores de cabeça que insistiam em persegui-la, cuja cerne foi e permanece um mistério. a solução? morfina, codeína… e por consequência, o pânico crescente que aflora quando encontra um frasco de comprimidos vazio no armário do banheiro;
𝐈𝐈𝐈 ﹕o peito de sabine parece ser habitado por nada se não um amontoado de teias de aranha. ela sequer pode se queixar de ter um problema familiar, não quando tem pais amorosos que a apoiam incondicionalmente, mesmo nos erros mais estúpidos. sempre sentiu falta de algo, que nunca soube apontar exatamente o que, apenas lamentou sua ausência desde que a sentiu. havia algo de errado consigo, certamente, mas o quão? só soube anos depois, quando já era tarde demais.
por incrível que pudesse parecer, marie-céline era de fato dedicada a seus estudos e gostava de estudar – ou de encontrar outra maneira para se sentir superior as outros. era comum vê-la na biblioteca cercada de livros de anatomia e patologias em semanas que antecediam as de provas. era impressionante como ela podia ser inteligente e burra ao mesmo tempo. caminhava pelo local carregando três livros quando escutou chamarem seu nome, virou-se e encarou sabine com as sobrancelhas arqueadas, como quem dizia "e aí?". a fala seguinte da loira a fez franzir o cenho de imediato, hábito que precisava perder quanto antes para que não adquirisse muitas marcas de expressão antes dos trinta. ❝ ––– boa tarde para você também, sabine. acho que caberia bem um pouco de conversa preliminar antes de uma pergunta tão filosófica.❞ ralhou levemente, não estava de fato irritada, entretanto, todos sabiam que marie-céline era uma grandessíssima reclamona. ❝ ––– o sentido da vida é saber que após fazer uma prova de anatomia horrorosa, que eu deveria estar estudando para ao invés de estar aqui jogando papo fora, eu irei poder ir à internet comprar a bolsa nova da ysl que estou namorando desde semana passada. a bolsa vai chegar até minha casa e eu vou ficar eufórica nos primeiros dias, depois ela vai se tornar só mais uma bolsa da minha coleção. esse é o sentido da vida, momentos horrendos seguidos por momentos incríveis, que duram muito menos que os horrendos.❞ lançou uma piscadela a outra, como se tivesse acabado de lhe revelar um grande segredo da humanidade.
"Foi mal, perguntas filosóficas meio que fazem parte da vida de um estudante de filosofia," Sabine deu de ombros, abrindo um sorriso ainda maior para atenuar a resposta mordaz, sem intenção de dar nos nervos da loira. Com o lápis em riste pronto para resumir toda aquela descrição em uma única sentença, aquiesceu conforme ela falava, falava, falava, e suas anotações se tornavam rabiscos tortos e desconexos depois de já ter coletado o que precisava. Achou divertido entrar de cabeça no teatro, como se estivesse transcrevendo tudo aquilo de fato e bolsas da Yves Saint Laurent fossem de suma importância na filosofia moderna. "A ânsia de ter e o tédio de possuir, um clássico," comentou, erguendo os olhos para Marie-Céline com um quê de malícia. "Gratíssima pela contribuição. Vai acrescentar uns parágrafos bem interessantes na minha dissertação."
ela não estava tão preocupada assim com victor e a intimação porque ninguém podia provar que estavam relacionados aquilo. a cidade era pequena, de fato, mas não ao ponto de tratarem vinte adultos como se fossem criminosos. era até mesmo irreal. como poderiam ser tão burros de se juntarem, num lugar onde eram observados, se de fato fossem culpados? era fácil para marie-anne ser prática quando o assunto se tratava a morte de um maluco como victor, que jogou a sua vida fora em consequência a um erro do passado.⠀⠀—⠀⠀você só vai contar o que viu e o que sabe. ninguém vai te prender. até mesmo vítimas são intimadas a darem depoimento, sabia?⠀⠀—⠀⠀eles estavam longe de serem as vítimas, mas precisam apenas manter a história. eles não tinham feito nada, era isso que gostava de acreditar.⠀⠀—⠀⠀eu pareço estar lidando bem? ótimo, para alguma coisa essa fixação dele serviu. anos de experiência, que agora não me afeta mais mesmo. como eu disse, o victor era maluco e não somos culpados de nada.
Sabine não poderia concordar mais, ainda que um pânico visceral ameaçasse consumir suas entranhas à qualquer menção recente de Victor, sua obsessão com a morte de Fiona, e agora àquela investigação. O ditado bem dizia que quem não deve, não treme, mas ela ainda tinha alguns débitos em conta. "Você acompanhou as notícias?" inquiriu, sentindo uma pontada de inveja da calma inabalável de Marie-Anne, tão sólida quanto uma rocha em meio à tempestade. Mas mesmo as pedras se desgastam com o tempo. "Victor podia estar maluco, mas o que quer que tenha escrito e planejado enviar para nós, foi o suficiente para nos colocar como suspeitos," levou o polegar à boca, afundando os dentes na pele. "Ninguém vai nos enxergar como vítimas, não com todo o histórico. Uma morte pode ser uma coincidência, mas duas?"
𝟐𝟎𝟐𝟒 𖤐˚。⋆ ♥︎ ₊˚. O olhar de Nadine era distante, a companhia silenciosa sendo quebrada pelas palavras de Sabine. Engoliu em seco, antes de tragar uma última vez e jogar o cigarro no chão, pisando-o em seguida. "Não estou." Suspirou, virando-se para a outra, o semblante triste. "Parece que tenho vinte e quatro anos de novo e simplesmente não sei o que fazer." A voz era carregada - já não bastasse tudo que aconteceu em 2015, a dor de ver Fiona naquele estado... agora Victor. Deveria ter ouvido seus avós quando a disseram para voltar para Paris. Agora, não tinha mais escapatória. "Já até imagino o que as pessoas vão comentar quando descobrirem quem somos... aqui tudo vira um escândalo. E como você tem estado?" @brokenvmirror
Não havia uma nota tranquilizadora nas palavras de Nadine, mas Sabine encontrava um quê de conforto em saber que não estava sozinha, quase como se a companhia por si só desse a segurança de afirmar para si mesma que estava tudo bem; não havia sangue em suas mãos, apenas um punhado de escolhas erradas. "Me preocupo com a caça as bruxas que vai arrebentar quando a história engrossar de boca em boca," confessou, retendo um suspiro. "Fico bem, depois de tomar uma aspirina ou outra. No geral, isso me basta, mas não posso contar com os efeitos a longo prazo," desviou o olhar, deixando que se perdesse entre o horizonte e o infinito; tudo e nada. Já havia se sentido vazia outras vezes, ao ponto de questionar se ainda havia um coração entre as costelas, mas nada tão dissociativo como agora, onde sentia-se descolada do próprio corpo, observando tudo como um fantasma. "A vida em Des Moines nunca mais vai ser a mesma daqui em diante. E, para ser sincera, estou começando a invejar os mortos."
iris observou sabine com um olhar que misturava compaixão e impaciência. com um suspiro, ela ajeitou-se na cadeira, cruzando as pernas elegantemente e colocando as mãos sobre o colo. os enjoos e dores de cabeça de sabine eram compreensíveis, mas iris sabia que, nesse momento, o que precisavam era de uma mente clara e um plano sólido. " iremos lidar com essa situação da mesma forma que sempre lidamos com tudo, sabine. " disse, sua voz firme e calma. " com controle e estratégia. “ inclinou-se ligeiramente para a frente, seus olhos fixos nos de sabine. “ essa intimação é apenas mais um obstáculo. nada que não possamos superar. ” fez uma pausa, recolhendo seus pensamentos. “ primeiro, precisamos controlar a narrativa. assegure-se de que ninguém saiba da intimação além do absolutamente necessário. qualquer vazamento de informação pode ser desastroso para nós. ” descruzou as pernas e levantou-se, andando lentamente pela sala, como se estivesse desenhando um mapa mental de seus próximos passos. “ vamos preparar nossas histórias. precisamos estar alinhadas e coerentes. e, acima de tudo, precisamos manter a calma. des moines pode ser pequena, mas nossa influência ainda é grande. usaremos isso a nosso favor. ” parou diante de sabine, seus olhos brilhando com determinação. " não é a primeira vez que enfrentamos algo assim, e não será a última. lembre-se, sabine, somos mais fortes juntas. " com um sorriso frio, ela acrescentou " e nunca, nunca subestime o poder da manipulação e do controle. sabemos jogar esse jogo melhor do que ninguém. "
Sabine nunca foi um exemplo de bom comportamento, e já chegou a cogitar se todo o caos irrompendo sobre si não seria um débito pelos seus pecados passados. Uma cobrança tardia, mas justa; um conceito abstrato para quem sempre procurava brechas nas quais se esgueirar. No presente, no entanto, não havia nada em vista. Engoliu em seco, o cenho franzido enquanto deixava Iris prosseguir. Queria ter aquela mesma cautela, calculada nos mínimos detalhes, mas ultimamente agia mais pelo impulso do que pela precaução. Outro erro, com consequências que não tardariam em chegar. "A minha influência não é nada notável," protestou, crispando os lábios. "E com toda a cidade ciente das investigações, pisar na delegacia vai colocar um enorme alvo nas nossas costas. Como se já não tivesse um," fechou os olhos, evocando a imagem de Victor em pensamento. Agora, ela era ladeada por ofensas que o fariam revirar no túmulo se verbalizadas. "Seja lá o que for, não o via há... anos. Me pergunto o que é que o maldito armou, entre as próprias paranoias, para nos colocar em uma saia justa depois de tanto tempo."
sophie ergueu os olhos do processo que analisava e sorriu de canto, reconhecendo sabine, uma das estudantes mais curiosas e perspicazes que já encontrara na universidade. ela apoiou o queixo na mão, pensativa por um momento antes de responder. “ bem, sabine, o sentido da vida... é uma questão profunda. para mim, diria que é encontrar um propósito que nos motive a acordar todas as manhãs e nos mantenha caminhando, mesmo nos dias difíceis. no meu trabalho, o sentido está em buscar justiça, não apenas pela lei, mas também por aquilo em que acredito ser correto. é sobre fazer a diferença, mesmo que seja um passo de cada vez. ” deu um sorriso sincero antes de continuar. " e para você, o que acha? qual é o sentido da vida que você está explorando nesse trabalho? "
Esboçou uma expressão engraçada, quase uma careta, mostrando o quão impressionada estava. Os lábios se franziram, e Sabine apressou o ritmo do pulso para transcrever as exatas palavras de Sophie, sílaba por sílaba, que por um milagre a levou a sério o suficiente para dar um material digno de ser destrinchado. "Caramba, obrigada," o agradecimento veio junto de um suspiro de alívio, ladeado por um sorriso de puro entusiasmo. "Eu? Hum," inquieta, começou a balançar os pés depressa sobre a mesa, num ritmo que acompanhava o raciocínio quase sempre frenético. "Quero concluir que o sentido da vida depende do interlocutor. É um conceito abstrato, mutável e delicado, que varia conforme as nuances pessoais e situacionais do indivíduo. O que, em tese, faz com que seja impossível definir um sentido da vida universal," gesticulou com a mão enquanto dava voz às suas teorias, concluindo-as com um sorriso satisfeito. "Claro, vão haver discordâncias, mas não quero cair na velha discussão sobre o sentido da vida ser a morte. Estou tentando provar o oposto, na verdade."
( 2015 ) ⸻ a pergunta pegou manon de surpresa. estava irritada, por isso não estava processando devidamente o mundo ao seu redor. os braços cheios de livros pesados que ela não queria ler e o dever de ter que lê-los pesando no prazo curto. ❛ sei lá. ver quem aguenta mais sofrimento sem se matar no meio do caminho? ❜ soltou sem qualquer filtro, visivelmente exasperada, ao deixar os livros sobre a mesa porque não aguentava mais carregar. ❛ tipo, que tortura é essa que tenho que tirar minhas referências desses livros sofridos e não posso simplesmente pesquisar na internet? ❜
Tamborilou o lápis sobre o lábio inferior, abrindo um sorriso morno. "Este é um bom sentido para a vida universitária, mas eu estava buscando um conceito mais amplo," empurrou seus papéis de lado, estendendo uma mão amiga para ajudar Manon com aqueles calhamaços. "Vamos ver o que temos aqui," murmurou, passando os olhos pelos títulos gravados nas lombadas. "Você com certeza acha o pdf de alguns por aí, e com a magia do do ctrl f vai levar bem menos tempo para achar o que procura," largou a pilha sobre a mesa onde estava há pouco, bem diante de si. "Depois, é só dar uma olhadinha no sumário dos livros e confirmar a referência na página certa. Sem estresse, sem ler tudo, sem que o seu professor babaca desconfie," satisfeita, meneou a cabeça com um sorriso ladino. "Sempre existe um atalho, pra quem sabe onde procurar."
( 2024 ) ⸻ valentin passou a ponta da língua pelos lábios ao ouvir aquela afirmação. não podia discordar, não tinha como discordar. ela tinha razão quando dizia que seria como uma condenação. para alguém que teve que viver a vida toda para manter a reputação da família, o homem se sentia inquieto. muito mais inquieto do que imaginou que ficaria. era advogado, sabia que o aquele era o próximo passo e que era inevitável. por isso estava tentando manter-se naquela linha e não avançar para o nervosismo. mas não parava de pensar no fato de seu pai ser juiz em des moines, as chances do caso parar na mão dele... talvez fosse uma boa ideia começar a pensar em uma segunda carreira. a pergunta o fez tirar alguns segundos para pensar na resposta. não a tinha de pronto apesar de tudo. ❛ uma intimação não é uma condenação. se agir como tal, pode acabar levantando suspeitas para você mesma. quem cometeu o crime é que deve se preocupar de agora em diante. ❜
Aquiesceu, num ritmo letárgico, enquanto sentia um enorme vazio diante daquelas palavras. Toda a situação a fazia pensar em uma taça de vinho derramada sobre um tapete branco: a mancha escura que lentamente se expande, consumindo cada fibra diante de si, impossível de tirar; uma maculação irreversível. Mas não estava em um humor para tecer paralelos fictícios, obrigando-se a fixar toda a atenção de volta ao assunto que interessava. "Em Des Moines, um passo em falso já é passível de condenação," ponderou, acariciando as próprias têmporas para tentar aliviar a tensão. "Algum conselho jurídico pertinente? Não quero dar motivo para atrair mais atenção indesejada."
◜𝟸𝟶𝟷𝟻◝ ﹒debruçada sobre uma das mesas da sala de estudos, Sabine batucava a ponta do lápis contra um livro velho, cujo cheiro deixava uma sensação empoeirada em sua garganta. Pigarreou, entre um floreio de mão e outro, até que a sua próxima vítima aparecesse, virando a esquina do cômodo. "Ei, muse!" chamou, ajeitando a postura de supetão. "Qual é o sentido de vida, pra você? É pro meu trabalho," acrescentou a última sentença com um sorriso ladino, indicando um calhamaço de folhas que mais parecia um glossário de rabiscos logo ao lado. Era uma aluna exímia, com exceção da caligrafia.
◜𝟸𝟶𝟸𝟺◝ ﹒pós-intimação
Os enjoos procederam a dor de cabeça, latejando em suas têmporas e engolindo sua visão pouco a pouco, até que Sabine se obrigasse a fechar os olhos para não sentir o peso do mundo cedendo sobre seu ombros. "Estamos fodidos," sibilou, entredentes, rangendo os dentes quando tateou os bolsos e deu falta dos frascos de compridos. "Uma intimação em Des Moines vai ser recebida como um mandato de prisão. Um... escândalo," crispou os lábios antes de parti-los para deixar sair um suspiro cansado. "Como você consegue lidar toda essa merda, muse?"