𝐍𝐀𝐑𝐂𝐈𝐒𝐒𝐀 é um nome feminino de origem grega, derivado de "Narkissos". Acredita-se que esteja associado à flor narciso, conhecida pela sua beleza e, na mitologia grega, ligada à história de Narciso, um jovem que se apaixonou pela sua própria imagem refletida na água. O nome carrega conotações de beleza, vaidade e auto-admiração, embora também possa ser interpretado como admiração pela própria essência e potencial.
nome completo: narcissa "cissy" cassiopeia black
idade: 18 anos
casa: sonserina
ano escolar: 8º ano
status sanguíneo: puro-sangue
poderes mágicos: legilimência
atividades extracurriculares: clube do slugue, monitoria, clube de feitiços e jornal da escola
timeline: marauders era
biografia:
narcissa, a terceira filha de cygnus e druella black, veio ao mundo com seu futuro definido. bellatrix, a primogênita incisiva, havia herdado o gênio de seu pai e toda a ideologia da família black. andromeda, a filha do meio, era rebelde e obstinada, sempre questionando o destino colocado a sua frente.
enquanto bellatrix era a enérgica e andromeda a era questionadora, quem era narcissa? para druella a resposta era simples: narcissa é a flor. delicada, graciosa e educada, uma perfeita dama da alta sociedade puro-sangue. druella e cygnus amavam as demais filhas, entretanto sabiam bem que as mais velhas exigiam “uma rédia curta”, enquanto narcissa sempre pareceu contente em cumprir o papel que lhe foi dado.
druella sempre gostou de passar tempo com a filha, ela foi a única a permiti-la tratar como uma boneca. narcissa cumpria a expectativa de seus pais sendo obediente e exatamente a jovem dama esperada, mesmo que isso a custasse caro. em recompensa, ela era a mais mimada e sua palavra era quase sagrada. afinal, “cissy não mente", “cissy jamais desobedece", “cissy jamais faria isso”. era injusto, revoltante e tedioso, mas narcissa sabia muito bem que tinha muito a perder caso fosse contra as regras. não era uma santa, entretanto sempre soube exatamente como quebrar as regras.
sempre inteligente, antes mesmo de chegar a hogwarts já impressionava seus tutores com seu interesse e dedicação. amava ser a mais elogiada entre as irmãs.
seu senso de sobrevivência sempre a fez se colocar em primeiro lugar. ela era purista, concordava com os ideias de sua família, mas jamais colocaria seu futuro nas mãos de um homem – e por mais que falassem sempre a brilhantisse de tom riddle, nenhuma das histórias do bruxo a impressionava. se narcissa fosse sincera, sequer se importava tanto assim com os nascidos-trouxas/trouxas para que tomasse uma atitude. cissy sabia que tinha muito a ganhar caso o bruxo vencesse a iminente guerra, entretanto jamais comprometeria seu bem-estar em nome daquela ideologia. narcissa jamais havia sonhado com trabalho e azkaban definitivamente não combinava com seu estética.
desde muito jovem possuia uma grande “intituição” quanto a segredos alheios, dom notado por um de seus tutores que passou a auxiliar seus estudos de legilimência para auxiliá-la a desevolver a habilidade. narcissa passou a colecionar segredos alheios em seus diários, sendo uma grandesíssima dedo duro caso seja necessário.
tudo que narcissa quer é formar-se com honras e ir viver um bom ano sabático na frança… tom riddle que se lasque.
personalidade:
narcissa é uma das pessoas mais educadas que você irá conhecer, embora muitas vezes seu sorriso não acompanhe seu olhar. ela é uma perfeita dama, entretanto carrega o nariz empinado e os comentários educadamente ácidos que apenas uma legítima black tem.
é purista, entretanto acha extremamente grosseiro discussões abertas sobre isso na escola ou em qualquer outro lugar. para narcissa, não se discute política ou esportes. odeia gritarias e confusões.
é inteligente e dedicada, ser a mais nova de três irmãs sempre exigiu que narcissa se esforçasse bastante para ser notada pelos pais e por isso faz questão de estar entre os melhores alunos de suas classes.
é extremamente fofoqueira e observadora, mantém anotações de segredos alheia que descobre por observação e legilimência. não é a maior das chantagistas, mas sempre será uma dedo duro se isso significar se safar (a menos que você seja um black).
sabe exatamente seu papel social e em sua família, quebra as regras da forma que pode e costuma se safar quando banca a flor do campo.
sente uma certa revolta do papel social que lhe foi imposto, da falta de opção de viver sua vida da forma que quer (o que ela sequer sabe), entretanto jamais iria contra as normas pelo medo que tem das represálias.
lily respirou aliviada ao saber que andrômeda estava bem, ainda que a explicação do ocorrido tenha sido ainda mais inquietante. o cérebro analítico de evans já tentava compreender o que poderia ter acontecido, mas lhe faltavam informações e ela não seria indelicada a ponto de perguntar para narcissa, que já tinha preocupações maiores. era engraçado que ela, lily evans, sentisse compaixão por narcissa black, mas sentimentos raramente seguiam lógicas, então o fato era que, ainda que a mais nova não fosse de admitir fraquezas, ela de fato se compadeceu do momento. ❝ — não precisa pedir desculpas. eu ficaria surpresa se você estivesse serena depois de receber uma notícia dessas. fique tranquila.❞ — afirmou com um sorriso simpático. a pergunta seguinte, porém, não estava prevista, e pegou lily um pouco desprevenida. sabia que seu sorriso havia afrouxado, pois a lembrança de petunia era sempre um pouco amarga... ou melhor, dolorosa. ❝ — sim...❞ — respondeu, desviando o olhar do rosto de narcissa, sabendo que alguém como ela facilmente identificaria a mudança em seu rosto. de repente, os sapatos de narcissa pareciam muito interessantes. ❝ — uma irmã mais velha. não estamos nos melhores termos atualmente, mas... houve um tempo que eu morreria antes de deixar algo acontecer com ela. acho que ainda é assim, na verdade...❞ — confessou, não sabendo tanto o motivo daquela confissão. elas tinham uma relação amistosa, mas sempre baseada no jornal da escola. teve pressa em adicionar, mas o fez com um sorriso pequeno, voltando a olhá-la nos olhos: ❝ — então digamos que eu entendo.❞
❀ era irônico o fato de que lily evans, uma nascida trouxa, era a pessoa capaz de ajudar narcissa a acalmar os ânimos. a loira assentiu e devolveu o sorriso que lhe fora oferecido, embora o seu fosse um tanto amarelo diante de todo aquele desconforto. a resposta de lily fez com que narcissa se sentisse mais à vontade. a ruiva compreendia exatamente o que ela estava sentindo, ou ao menos podia imaginar. quando evans confessou que não vivia um dos melhores momentos em sua relação com a irmã, a expressão de narcissa se contorceu e, por um instante — algo que seria o pesadelo de sua mãe, ela sentiu empatia por lily.
sentiu porque amava as irmãs acima de tudo e porque se lembrava do rompimento que atingia sua própria família. sirius e regulus também haviam se afastado, e narcissa sabia muito bem como uma briga entre irmãos era capaz de afetar a todos. não sabia o que faria se um dia fosse impedida de ter as irmãs por perto. ❝ eu não sou a melhor conselheira e nunca terei uma visão romântica de mundo, mas... acho que certos amores nunca morrem. então, ainda que não seja meu lugar opinar, creio que isso não mudou. ❞ embora narcissa transparecesse a delicadeza de uma flor e fosse tão doce quanto uma, não era das mais românticas. quando se nasce um black, o romantismo ao ver o mundo não é um luxo que se pode ter. ❝ como se esquece um irmão? eles são as únicas pessoas que entendem o que é carregar o mesmo sobrenome, o que é ser filho dos seus pais... ❞ ser uma black era um trabalho árduo e, por mais que não admitisse isso em voz alta, narcissa sentia certo alívio pelas expectativas depositadas sobre si serem consideravelmente simples. esperavam apenas que se tornasse uma dama perfeita com elegância e obediência. não era uma tarefa fácil e ela sentia uma constante vontade de gritar, mas tampouco se comparava ao peso que recaía sobre os ombros das irmãs. bellatrix e andromeda carregavam responsabilidades muito maiores, e narcissa tinha plena consciência disso. ❝ também sou uma irmã mais nova. bellatrix e andromeda já viveram nesse mundo sem mim, mas eu não sei como é a vida sem a existência delas. ❞
❝ — certamente, muito bem observado. afinal, não é como se tivéssemos muito para onde ir...❞ — assentiu em concordância, os olhos ainda atentos em narcissa. ela era uma espécime diferente das outras naquele castelo, mesmo entre os puristas. uma incógnita, uma fortaleza impenetrável; à primeira vista, simplesmente uma flor de boa família como todas as outras. contudo, o olhar aguçado sempre revelava mais, especialmente ao vê-la trabalhar no jornal da escola. narcissa black era tenaz e perspicaz, ambiciosa de um jeito que ia muito além de joias e riquezas. para rita skeeter, narcissa era mais interessante do que noventa por cento do castelo, por isso mesmo ela fazia questão de segui-la com o olhar quando ela estava presente. ainda que fossem de mundos diferentes — e isso custava muito a rita admitir —, cissa se comportava, ou melhor, funcionava de uma forma parecida com a que rita procurava funcionar e esperava que os outros funcionassem. o olhar estava quase faiscando quando respondeu: ❝ — uma palpiteira profissional, gostei disso. digamos que eu também sou uma, só que de uma maneira mais ampla. infelizmente nem todos têm a habilidade de apreciar isso, mas você, narcissa, é a nossa prospectora e de talentos.❞ — piscou levemente para ela. a parte interessante, com tudo, foi o final da conversa. rita mal ousou se mexer; era por isso que gostava de narcissa, as coisas com ela eram muito simples! ela mal precisava orientar a conversa para o lado que queria, a black tinha um faro especial para essas coisas. era revigorante não ser a única manipuladora do recinto. ela passou a mão pelo queixo, como se estivesse considerando algo. performance, por óbvio, mas mesmo com alguém do seu calibre de implicitude, ela ainda se sentia no dever de performar. ❝ — eu sou muito compreensiva, narcissa. sabe, você é uma presença inspiradora, e pretendo ser não apenas a sua colega de jornal, como sua... amiga. e, tenho certeza, você é uma mulher igualmente benevolente para com as suas... amizades.❞ — todas aquelas frases eram ditas com, obviamente, conotações implícitas, que ela sabia que não precisava explicar, não para narcissa black. em troca, rita era muito fácil de agradar; não era o dinheiro que a fascinava, mas sim o prestígio e a relevância, como uma boa sonserina.
❀ narcissa jamais admitiria em voz alta, mas era bom escutar elogios e ter seu ego afagado - mesmo que isso viesse acompanhado de motivos ocultos. ❝ agradeço pelo elogio e ressalto que sua coluna, embora controversa, é ética ao proporcionar a todos esse tipo de... informação, de uma maneira que preserva sua fonte. ❞ o comentário era genuíno e, como uma boa fofoqueira enrustida, narcissa adorava ler a coluna de rita quando a recebia. gastava bastante tempo tentando descobrir quem era quem, e isso lhe causava uma excitação similar à de quando escrevia como echo. amiga. aquela palavra era forte demais, mas, considerando a profundidade de seu segredo, narcissa preferia ser a mais nova “amiga” de rita skeeter a ter seus assuntos expostos. não sabia bem o porquê, mas sentia um grande medo do que poderia surgir caso descobrissem que era uma legilimens, que era alguém que havia nascido com um dom a ser desenvolvido. talvez fosse porque passasse parte de seu tempo dedicada a vasculhar a mente das pessoas e, por conta disso, soubesse do que os seres humanos eram capazes por ambição. seu dom seria usado para seu benefício próprio, e apenas isso. ❝ não sou de me vangloriar, pois acredito que nada mais tolo de alguém tomado por suas vaidades, mas costumo ser reconhecida pela minha generosidade. é um traço genético. mamãe diz que é tão genético quanto os olhos marcantes. ❞ aquela era sua forma de dizer a rita que, ao se tornar sua mais nova amiga, uma grande porta se abria para uma aproximação com os black como um todo. e, se havia uma família no mundo bruxo bem relacionada nos mais diversos ramos, essa família era a família black. ela estendeu a mão direita em direção de rita. ❝ amigas? ❞ não gostava de conchavos e acordos, mas para além de seu segredo, uma ligação com rita skeeter poderia ser bastante proveitosa.
rita manteve o olhar em narcissa, como se conferisse o que observou com o que narcissa dizia. ela era perita em saber quando as pessoas estavam escondendo algo, claro, e naquele caso nem foi tão difícil, porque narcissa pela primeira vez na vida de rita foi pega com as mãos na massa. normalmente era muito fechada e contida, nunca foi fácil pegar coisas no ar sobre ela. o sorriso permaneceu discreto. havia algo ali que ela claramente considerava mais interessante do que o próprio disfarce do brinco, e isso transparecia não no que dizia, mas no tempo que levava para dizer. ❝ — posso dizer o mesmo… uma festa clandestina com álcool contrabandeado não parece muito o lugar natural de narcissa black. já eu... eu vou onde há movimento. você sabe, sou uma mulher... mais humilde, do povo.❞ — mentiu. nunca teve um osso de humildade no corpo, e não era tanto mulher do povo quanto era mulher de fuxicar a vida desse mesmo povo. mas elas não estavam falando a verdade ali, pelo visto, e rita não tinha problema em continuar com o jogo. rita desviou o olhar por um instante, como se deixasse a tensão escorrer para o ambiente ao redor, antes de voltar a encará-la com a mesma calma controlada de sempre. ❝ — é curiosa sua reação antes mesmo de saber o que eu disse que você procurava. mas eu entendo. quando alguém sente que foi… observado demais, tende a preencher os espaços.❞ — o sorriso divertido e inocente era a cereja do bolo. ela precisava degustar da sensação, porque dificilmente teria um momento como aquele com narcissa novamente. ela não era mulher de deixar escapar algo uma vez, quem dirá duas. ❝ — mas eu achei que já estivéssemos em um patamar diferente na nossa... relação. quer dizer, considerando que somos coautoras...❞ — ela deixou a frase flutuar por um tempo, o duplo sentido obviamente presente. ❝ — você sabe, por causa do jornal da escola. em todo caso, cissa, eu não tenho interesse em estragar o que quer que você esteja fazendo. especialmente quando ainda está… em desenvolvimento. na verdade, eu diria que seria um desperdício interromper algo antes de entender direito onde vai dar.❞ — o olhar voltou a percorrer narcissa por um segundo, atento, registrando o desconforto alheio.
❀ ❝ bom, certamente esse não é o tipo de festividade que costumo frequentar, mas uma das características da nossa casa é a adaptabilidade. as coisas estão diferentes, precisamos nos adaptar. ❞ levantou o copo preenchido por uísque de dragão que carregava. queria até contrariar rita, mas certamente jamais seria uma "mulher do povo" e pedia a merlin que nunca se tornasse. estar naquela festa clandestina havia sido uma decisão um tanto quanto impulsiva para ocupar a mente e treinar um pouco sua legilimência. ❝ é claro que você sabe como as pessoas se portam quando são observadas. ❞ sua fofoqueira, completou mentalmente. seu tom de voz fazia com que o comentário parecesse um elogio, embora narcissa soubesse que rita era inteligente o suficiente para compreender o que gostaria de dizer. o comentário seguinte fez com que narcissa congelasse, sua perturbação não era tão perceptível, mas a sensação era similar a de quando druella a pegava fazendo algo de errado. puta que pariu, disse em sua mente. fez o que fazia nesses casos, permaneceu imóvel aguardando que a outra complementasse sua fala para que soubesse se de fato estava encurralada. para o seu alívio - ou não - rita parecia estar falando de outra coisa. o problema era que rita skeeter sempre parecia saber de algo a mais. talvez ela também fosse uma legilimens. ❝ não somos coautoras, assim você me deixa lisonjeada. sou uma mera editora, gosto de dizer que sou uma palpiteira profissional. a mágica é toda feita por vocês. ❞ um largo e educado sorriso tomou seus lábios, respirou profundamente e deu um grande gole em sua bebida. sua habilidade não precisava se tornar um segredo de estado, mas era importante que não fosse amplamente divulgada. não quando tom riddle parecia cada vez mais próximo das famílias bruxas de puro sangue para acompanhar de perto os bruxos mais habilidosos. narcissa preferia passar o resto de seus dias presas em hogwarts do que ter que trabalhar. ainda mais para aquele homem esquisito. estava cansada de respostas dúbias e decidiu ser direta, ela ainda era uma black. ❝ fico feliz com a sua discrição e compreensão, rita. acho que você, mais do que ninguém neste castelo, compreende a importância do mistério e do segredo. além de que, como você mesma disse, é estúpido sair por aí espalhando coisas que não entende direito. ❞ sua voz era firme, lá estava a flor que havia crescido em meio as serpentes. ❝ posso ser uma boa colega, a depender da nossa relação. ❞
Conseguia adivinhar a quem aqueles passos apressados pertenciam a quilômetros de distância. Ficou feliz e aliviada quando a imagem de Narcissa apareceu no seu campo de visão, mas mal teve tempo de se ajeitar e a irmã já estava colada ao seu lado. “Ei, eu estou bem. Tá tudo bem.” respondeu calmamente, se sentando na cama e pegando na mão de Cissy. Não estava acostumada a ter a mais nova preocupada com o ela, tanto que achou divertida a preocupação dela. “Ninguém fez nada comigo, a culpa é toda minha.” respondeu, esperando que a irmã se acalmasse. Não havia nada a ser feito no momento e ela estava bem, queria apenas que não se preocupasse tanto. “A barreira pareceu desaparecer por um momento e eu avancei, em um segundo estava tudo bem e conseguindo atravessar e no outro ela estava tentando me repelir.” tentou resumir de uma forma que não assustasse mais ainda Cissy, o papel da irmã preocupada ainda era de Andrômeda e não havia motivos para se inverterem no momento.
❀ a loira apertou a mão da irmã sentindo o alívio de vê-la comunicativa e aparentemente bem. franziu o cenho com a afirmação alheia, não podia pensar no que andrômeda pudesse ter feito para que parasse ali. a resposta para sua confusão pareceu lhe confundir ainda mais. ❝ a barreira desapareceu? merlin! andy, você poderia ter se machucado de verdade. está sentindo dores? ❞ era chocante tudo que vinha acontecendo nas últimas semanas, mas era claro que tudo que era ruim sempre podia piorar. ❝ nós sabemos o que acontece quando uma magia de transporte dá errado. imagina com uma doma como a que está nos cobrindo... ❞ respirou fundo, não podia deixar com que a ideia do que poderia ter acontecido lhe causasse ainda mais ansiedade. ❝ e dumbledore, pelo menos veio te ver? ❞ era inacreditável que um dos ditos maiores bruxos de todos os tempos fosse incapaz de solucionar o que estava acontecendo, e agora andrômeda havia parado na enfermaria devido tamanha incompetência. ❝ é extremamente preocupante que um bruxo da estirpe do nosso diretor não nos diga o que está acontecendo ou sequer nos garante segurança. nosso pai saberá disso... assim que possível. ❞ suas narinas se inflaram devido sua irritação. aquela estava sendo uma manhã intensa para uma garota que era sempre tão reprimida. ❝ já te disseram quando você será liberada? me promete que não irá mais em uma dessas aventuras, pelo menos não sozinha. ❞
De forma similar, se pegou relaxando os músculos instintivamente assim que saíram de perto dos olhares curiosos. Por mais que não fossem espalhafatosos como os grifanos, sabia que os alunos de sua comunal gostavam de informações extraoficiais tanto quanto os rivais, o suficiente para beberem de qualquer mísero detalhe que pudessem ganhar deles sobre o acontecimento recente com Andromeda. Além disso, preferia restringir à privacidade sua preocupação com as Black, por mais que não fosse um segredo a relação que possuíam — parecia muito preciosa para que o público lhe roubasse esses momentos. Assim que fechou a porta atrás de si, apoiou-se contra a madeira escura, garantindo que ninguém conseguiria forçá-la aberta, mesmo se tentasse. Como era seu habitual, não se pronunciou quando Narcissa começou a narrar o que havia acontecido. Sabia que a garota não o trataria mal se tivesse algo a dizer, mas era exatamente essa a questão: não tinha; não naquele momento, ao menos. Seu foco era apenas em ouvir como as irmãs estavam e observar o que não estava sendo dito, razão pela qual interpretou o cruzar de braços da mais nova como frio e se apressou em retirar o próprio casaco do uniforme para colocar sobre seus ombros. As masmorras pareciam possuir um clima à parte de Hogwarts, sempre úmidas e geladas, porém em nada se comparavam com a Mansão Malfoy, terrivelmente frígida. Talvez estivesse imune àquela altura. Assoprou o ar de seus pulmões em um gesto aliviado ao ouvir que Andromeda estava bem, ainda que sua visita planejada à garota permanecesse inalterada em sua mente. Estava apenas cedendo privacidade aos familiares e amigos mais próximos primeiro, é claro — e, de quebra, evitando a chance de esbarrar com pessoas não desejadas no caminho. Impulsionou o corpo para longe da porta ao notar a mudança na voz da Black, apoiando suavemente a mão na dobra de seu cotovelo. ❝Vai ficar tudo bem, Cissa.❞ Promessas não eram de seu feitio, principalmente aquelas que não tinha como garantir que seriam cumpridas. Ainda assim, não sabia o que mais poderia dizer naquele momento para apaziguar a tempestade que parecia rugir em Narcissa, nem se queria realmente fazê-lo. Não era melhor que colocasse para fora? Assoprou a própria respiração, desviando o olhar enquanto escolhia as próximas palavras com mais cautela. ❝Posso te ajudar a encontrar Bellatrix e tenho certeza que os professores vão encontrar uma solução para nosso problema.❞ Não tinha nenhuma, na verdade, e não gostava da ideia de mentir para a Black, mas comentar que achava que os docentes estavam sendo incompetentes não parecia particularmente eficaz em melhorar a situação. Além disso, sacrificar sua sanidade mental indo atrás de Bellatrix deveria ser o suficiente para anular os efeitos da inverdade dita. Ainda calculando o que deveria fazer, acabou deixando uma risada genuína escapar de sua garganta quando registrou sua próxima fala, balançando a cabeça. ❝Isso é você sendo indelicada?❞ Arqueou uma sobrancelha, surpreso. ❝Por favor, continue.❞
❀ narcissa respirou profundamente e passou as mãos em seus cabelos, certamente deveria estar completamente desgrenhada após a forma que havia se movimentado pelo castelo. você precisa se acalmar, pensou. andrômeda estava bem e um ataque de nervos jamais a ajudaria. os lábios de narcissa se entreabriram em um pequeno sorriso grato ao sentir o toque do rapaz, estava agradecida pela presença de lucius e o conforto que ele estava lhe dando. ❝obrigada, mas infelizmente estou cética quanto isso. ❞ ninguém gostava de pessoas negativas, conforme sempre dizia druella, mas era díficil não ser pessimista na situação em que estava. ❝ você realmente acredita que ficaremos bem? não só a andy, todos nós. ❞ mirou lucius com toda franqueza que havia dentro de si, admirava a inteligência alheia e valorizaria qualquer coisa que ele a dissesse. ❝ você faria isso? não precisa se estiver ocupado, mas eu ficaria extremamente grata. perguntei sobre ela enquanto estava a caminho da enfermaria e ninguém parecia saber onde ela estava. ❞ jamais gostaria de causa incomodo a malfoy, mas aceitaria de bom grado a ajuda. precisava localizar sua irmã mais velha e a presença alheia estava se provando útil para manter seus nervos sob controle. ❝ novamente me sinto cética. dumbledore, o mais inteligente de todos os professores, deveria saber o que está acontecendo e nos proteger, está falhando em ambas as coisas. nós não fazemos ideia do que está acontecendo. acho que estamos depositando fé demais em um só homem. ❞ não que fosse discrente da capacidade de seus professores, acreditava que mcgonagall era uma das bruxas mais brilhantes que já havia conhecido - ainda que fosse uma mestiça. narcissa só estava encontrando dificuldades em confiar após tanto tempo sem resposta. ❝ sim, lucius. a boa educação difere um diálogo de um monólogo. você também deve falar para que isso se torne uma conversa. mais uma vez peço desculpas. ❞ respondeu um tom levemente brincalhão, sorriu novamente e apontou para a saída. ❝ ainda que não encontremos a bella, fico grata por uma caminhada pelo castelo. preciso oxigenar meu cérebro e você poderia falar um pouco, sem riscos de monólogos. ❞
quando ouviu que algo tinha acontecido com andromeda, lily não saiu correndo de imediato. primeiro, estava levemente de ressaca e isso já era um grande impeditivo. em segundo lugar, sabia que ela provavelmente não seria liberada logo e, bom... andromeda black tinha amigos e familiares dos quais lily preferia evitar. por isso, ela decidiu esperar um pouco, justamente para que não precisasse topar com alguns dos colegas das masmorras, e também porque imaginava que, com o burburinho ao redor do acontecimento, a madame pomfrey reduziria as visitas ao máximo. assim, algumas horas depois, evans decidiu que já era um horário adequado para terem todos sidos espantados de lá, provavelmente indo focar no viaduto ou em qualquer outra coisa que se apresentasse. foi quando encontrou com narcissa, saindo da dita enfermaria, visivelmente abalada. era estranho vê-la naquele estado, pois a black raramente deixava transparecer qualquer tipo de emoção mais forte ou qualquer tipo de emoção que fosse. ❝ — narcissa...❞ — cumprimentou, mas o cumprimento saiu justamente fraco também, pois lily não sabia como reagir diante da situação. sabia que ela ficaria constrangida o suficiente com o acontecido. ❝ — eu estou bem... eu vi vem andromeda. como ela está? aconteceu... algo a mais?❞ — foi a única coisa que conseguiu formular. seriam os resquícios de lágrimas dela porque algo pior tinha acontecido? lily torceu para que não.
❀ narcissa não havia ficado chocada com a fala de lily. andrômeda era diferente das irmãs e do resto da família, era algo que causava sentimentos mistos em cissy. ela queria ter a coragem da irmã para enfrentar o olhar reprovador dos pais e da irmã mais velha, mas buscava agradá-los de forma patológica. por outro lado, uma parte de si ainda acreditava que ela era melhor do que quem era diferente de si. negou rapidamente com a cabeça, tudo que menos precisava era assustar os outros com seu estado. odiaria virar assunto de fofocas pelo castelo, embora evans não fizesse o tipo faladora. ❝ ela está lá dentro, ficará contente em te ver. andrômeda está bem. ❞ apertou os lábios e cruzou os braços, como se buscasse se proteger. ❝ a barreira a empurrou para longe e o impacto a fez desmaiar, pelo o que eu entendi. andy ficará bem, foi só um susto. ❞ um susto que havia lhe deixado próxima de um surto, constatou para si mesma enquanto ajeitava sua postura. ❝ estava apenas me recuperando do susto, peço desculpas se causei uma impressão negativa. receber a notícia que sua irmã foi levada para enfermaria desacordada não desperta os sentimentos mais serenos de uma garota. ❞ confessou em um tom contido mas bastante sincero. jamais admitiria em voz alta que havia chorado, porém sabia ser estúpido e desnecessário mascarar seu afetamento. ❝ tem irmãos? ❞ a indagação escapou antes que pudesse controlar sua curiosidade.
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where: dormitório feminino da sonserina.
Tinha que admitir, com toda a loucura acontecendo com os membros da família Black, Aaravi estava bem aliviada pelo raio não ter atingido Narcissa. Se algo tivesse acontecido com ela, sentiria-se especialmente culpada por ter estado tão longe da amiga naqueles primeiros dias, desesperada com a maledictus finalmente ter começado a aparecer logo quando não tinha como contatar sua mãe e sua avó. Estava sendo negligente e egoísta – Cissy sempre havia sido seu amparo quando mais precisava. Determinada a consertar sua atitude, a Manik esperava no dormitório com duas canecas de chocolate quente, ponderando se deveria acrescentar canela ou não. Não era nada incrível, mas era um começo.
Levantou-se da cama no momento em que ouviu a porta se abrir, caminhando na direção da amiga. “Cissy!” chamou, lhe analisando com uma expressão preocupada. “Estava te esperando voltar. Como...” ia perguntar como Andromeda estava, mas já tinha ouvido alguns relatos de outros alunos que haviam ido visitá-la no salão comunal. Saber daquilo não era sua prioridade no momento. “Como você está? Eu preparei chocolate, se quiser algo doce.” ofereceu, indicando as canecas repousadas em sua mesa de cabeceira.
❀ os últimos dias não haviam sido fáceis para narcissa, um turbilhão de emoções intensas haviam tomado conta de si. toda aquela história da barreira, andrômeda na enfermaria e sirius tendo avistamento de dois garotos misteriosos. para completar sequer poderia ir atrás do primo para saber de seu estado, cygnus havia sido claro ao proibi-la de manter contato com o rapaz. estava tão assoberbada que sequer havia escrito sua coluna, tudo parecia dispensável em vista de sua nova rotina.
adentrou no dormitório ansiosa para colocar seus pijamas, jogar papo fora e ler um bom romance antes de dormir, surpreendeu-se a prontidão da amiga. ❝ vivi! ❞ sentiu seus animos melhorarem ao vê-la, era sempre bom estar na presença da amiga. se conheciam desde sempre e, para além de bellatrix e andrômeda, aaravi era a pessoa em que mais confiava. ❝ estou bem. um pouco preocupada e ainda assustada, mas bem. ❞ sua atenção foi levada até uma das canecas e a loira lançou um largo sorriso para a amiga. ❝ obrigada, não sei o que eu faria sem você. ❞ aproximou-se da amiga e lhe deu um abraço leve antes de se dirigir até onde as canecas estavam repousada e pegar uma delas. ❝ estou com a sensação de que esse dia é eterno. toda hora uma novidade... passei a metade do dia descabelada, sequer tive tempo de escovar meus cabelos. ❞ e não era apenas aquilo, o que mais a chateava era que não havia tido tempo para estar com a amiga. há algum tempo havia captado alguns pensamentos esquisitos na mente e aaravi, mas jamais iria confrotá-la e ainda não era capaz de compreender o que tinha visto. ❝ e você, tem alguma novidade? aceito absolutamente qualquer coisa. ❞ questionou com um pequeno sorriso nos lábios, vê-la aparentemente bem era um indicativo de que ás vezes pensamentos eram só pensamentos e tudo ficaria bem. ao menos era o que dizia a si mesma.
Era raro que desse ouvidos para o que as más línguas sussurravam pelos corredores, principalmente quando envolviam pessoas desinteressantes. Ao contrário de muitos em seu ano, Lucius se vangloriava de estar por dentro apenas das informações que julgavam ser importantes, o que não abarcava términos entre jogadores do time de quadribol, muito menos a ressaca mais recente que alguém havia tido pela festa clandestina que acontecera recentemente; quando seus ouvidos captaram o sobrenome Black, porém, todo seu corpo pareceu tensionar. Havia uma gama considerável de possibilidades para que a família estivesse sendo citada pelos intrometidos espalhados pelos corredores do castelo, o que não o ajudava naquele instante, muito menos sua paciência. Não se interessaria em saber se Bellatrix havia torturado mais um nascido trouxa, desde que não sobrasse para si limpar sua bagunça, mas a perspectiva de Andromeda ou Narcissa estarem em qualquer tipo de apuros fora o suficiente para que se mantivesse no mesmo lugar alguns instantes a mais do que o necessário. Quando voltou a se mover, tinha um novo destino em mente, assim como preocupação instalando entre suas costelas. Ao invés de se deslocar até a Ala Hospitalar, permaneceu sentado no sofá de couro do salão comunal com um livro aberto entre seus dedos e a audição treinada para reconhecer passos conhecidos assim que Narcissa atravessasse as portas do cômodo. Não tinha noção de quanto tempo ficara ali, embora soubesse que nenhuma página fora de fato lida quando a Black finalmente apareceu, forçando-o a se levantar instintivamente. ❝Cissa.❞ Chamou em um tom baixo, visando não a assustar, embora a baixa audiência fizesse pouco para impedir que sua voz reverberasse pelo salão. Circulou o corpo da amiga com cuidado, apoiando uma mão em suas costas delicadamente para guiá-la escadas acima, para o cômodo escondido pela estátua de Salazar. Não era o local ideal para conversarem — não oferecia a privacidade que desejava — mas serviria para o momento. Assim que fechou a porta atrás de si, caminhou até ficar de frente com a mais nova, o cenho franzido. ❝Ouvi sobre o que aconteceu com Andromeda. Como você está?❞
❀ era engraçado e irônico para narcissa pensar que um conversa com lily evans havia servido para acalmar seus ânimos. o que cygnus e druella pensariam? o que bellatrix pensaria? tratou de calar a voz que lhe causava tamanha angústia. o que importava agora era que andrômeda estava bem e lily evans era boa para uma nascida trouxa. talvez, se ela fosse como eu, púdessemos ser amigas, pensou narcissa. a voz de lucius se fez presente tomando a atenção da loira, a jovem mirou o rapaz com um expressão quase que serena. ❝ lucius! ❞ era ver um rosto conhecido, alguém de seu mundo que pudesse compreendê-la. lucius não tinha irmãos, porém narcissa acreditava que ele era um cavalheiro bem criado, tendo a sensibilidade para compreender seu desequilibrio emocional momentaneo. permitiu que o amigo a guiasse para um ambiente mais discreto e sentiu seus ombros relaxarem por estar longe de olhares alheios. ❝ assustada. estava conversando com umas amigas quando uma garota do clube de feitiços me disse que estavam dizendo por aí que tinham encontrado a andrômeda desacordada. ❞ ela cruzou os braços e respirou profundamente, era quase como se pudesse sentir novamente aquele frio na espinha. ❝ ela está bem, sem grandes traumas ou sequelas. para ser sincera não é isso que me causou o maior choque, estou preocupada com a razão pela qual isso aconteceu com a andy. ela estava andando em direção ao viaduto quando sentiu uma coisa terrível, ficou paralisada e... boom! tudo fica preto e quando ela se dá conta está na enfermaria. ❞ a expressão de narcissa era de puro pavor, sentimento que havia evitado demostrar a irmã ao visitá-la na enfermaria. ❝ ainda não consegui falar com a bella, não consigo falar com meus pais e estamos presos nesse lugar que tentou matar minha irmãzinha! ❞ a voz de narcissa saiu levemente esganiçada devido ao acúmulo de emoções, era raro que a loira se deixasse levar por abalos emocionais daquela forma. espremeu os lábios e buscou conter-se. lucius era um amigo, mas narcissa ainda era uma dama e não poderia se entregar a histerias. ❝ peço desculpas pelo monólogo, lucius. estou abalada, mas isso não me dá a liberdade para ser indelicada. ❞
❀ a corrente de adrenalina disparada em narcissa quando soube do estado de saúde de sua irmã estava se esgotando, podia sentir vislumbrar em seu próprio corpo. mãos levemente trêmulas e o desconforto que sentia em sua garganta enquanto tentava segurar o choro. estava do lado de fora da enfermaria e havia acabado de constantar a integridade física de andrômeda, mas no fundo sabia que algo de muito errado estava acontecendo. engoliu seco duas vezes antes de desistir daquela batalha e permitiu que algumas lágrimas finas escorressem livremente por seu rosto. quando percebeu que possuía companhia, narcissa logo secou as lágrimas com as costas das mãos e virou-se para descobrir quem estava ali. ❝ oi, lily! é-er... perdão, não havia notado que você estava aqui e... ❞ as palavras morreram em sua boca, não havia uma desculpa minimamente crível. havia chorando e parte de si queria continuar chorando, algo que não fazia em muito tempo. ❝ você está bem? precisa de ajuda? ❞ sua voz trêmula demostrava o quão frustada havia sido sua tentativa de mostrar segurança a lily.
❀ narcissa havia disparado como uma bala assim que recebeu a notícia que sua irmã estava na enfermaria, corria pelos corredores e escadas do castelo sem se importar em quem poderia esbarrar. uma lufada de ar adentrou seus pulmões assim que chegou a enfermaria e seus olhos encontraram a figura de sua irmã. aproximou-se em passos rápidos, ignorando completamente os resmungos da enfermeira quanto a correr no local e encostou as mãos de forma delicada nos cabelos de andrômeda. ❝ vim assim que soube... como você está? ❞ uma ofegante narcissa proferiu as palavras de maneira esganiçadas, por mais que estivesse aliviada em ver que a irmã estava inteira ainda estava estressada devido toda a preocupação. ❝ me falaram que te encontraram desacordada. você passou mal? fizeram alguma coisa com você? pode me contar tudo, eu prometo que eu resolvo. ❞ seus olhos azuis assustados miravam a figura da irmã procurando qualquer escoriação que poderia denunciar alguma forma de agressão, embora duvidasse que alguém tivesse coragem de encostar em andy.
narcissa black era sempre um ponto de interesse para rita. naturalmente a buscava nos lugares porque tinha uma curiosidade genuína em como ela se comportava. longe de ser somente a florzinha do campo ou a joia brilhante dos black que skeeter imaginava que ela fosse originalmente, a dinâmica das duas era uma das mais curiosas da vida de rita. portanto, naturalmente rita já estava olhando antes mesmo de narcissa perceber, o suficiente para acompanhar a sequência inteira: o foco prolongado, a repetição, a pequena perturbação no garoto… sim, narcissa estava tentando performar algo a mais. uma azaração? seria desmotivado e arriscado... talvez legilimência? ousado. muito ousado e extremamente interessante. rita se aproximou suavemente. ❝ — claro que não esperava.❞ — respondeu com um sorriso discreto. rita franziu o cenho, observando o brinco agora de volta no lugar, depois o rosto de narcissa. ❝ — que coincidência você perder o seu brinco bem na hora que notou minha presença. talvez tenha sido a emoção em me ver.❞ — ela fez o comentário com calma, com aquela nota clássica de ironia de rita, mas que nunca e jamais era grosseira ou óbvia demais. ela se afastou meio passo, agora apoiando levemente o ombro na parede ao lado. ❝ — então… achou o que realmente estava procurando?❞ — a ênfase no realmente deixava claro que ela não estava falando do brinco.
❀ havia sido inocente ou otimista demais ao esperar que alguém tão astuto quanto rita skeeter não iria perceber que havia algo estranho no ar. ❝ sim, uma forte emoção... não esperava vê-la por aqui. não sabia que você era festeira. ❞ você está certa, horror é definitivamente uma emoção, disse em sua mente. era nítido o amargor de narcissa ao perceber que possuía as atenções de rita, tudo que menos precisava era de fofocas ao seu respeito. valorizava a discrição acima de tudo. ❝ eu achei. brinco de esmeraldas, herança de família. ❞ respondeu em um tom apático tocando levemente o lóbulo esquerdo. seu olhar demostrava o quão desconfortável estava já havia compreendido muito bem a insinuação alheia. ❝ o que você achou que eu estivesse procurando? ❞ retornou a indagação com o subtom que sabia que seria compreendido por skeeter. ❝ não sei o que você pensa que viu, mas posso garantir que você está redondamente enganada. ❞ era incrível que quando mais precisava não apareciam bajuladores puristas buscando chamar sua atenção.
coluna da echo, trecho retirado da edição do jornal semanal de hogwarts de 3 de setembro de 1976
"caros colegas,
enquanto o lago negro inexplicavelmente nos mostra o reflexo triplicado deste estimado castelo, outros mistérios que nos cercam chegaram aos ouvidos desta dedicada escritora. o mistério de hoje é a admirável administração exemplar da rotina de um certo atleta.
no tempo em que gastamos discutindo as possíveis explicações lógicas para este fenômeno desconhecido, o protagonista de hoje está nos mostrando que devemos “trabalhar” enquanto os outros dormem. seria este rapaz o portador de um vira-tempo?
o rapaz em questão é um querido amigo de todos de sua casa, estimado jogador de quadribol e amado por quatro belas moças. o que uma lufana, uma corvina, uma grifana e uma sonserina possuem em comum? se você respondeu magia, está redondamente enganado. aos mais lentos, a resposta é: o namorado.
há alguns meses, o último romântico vem mantendo seu pequeno ecossistema funcionando perfeitamente, por meio de atenção sob medida e encontros secretos cronometrados com as nossas donzelas. ele fez cada uma delas prometer segredo pelos mais variados motivos: quadribol, rivalidade de casas, proibição familiar, prevenção à inveja alheia e até leitura de futuro na borra de chá. cada uma delas acredita estar vivendo um belo romance secreto e exclusivo com nosso príncipe encantado. isso é tão romântico!
seria a poligamia a solução? pode um homem ser culpado por amar demais? deveriam nossas moças se juntar e dar uma boa lição no espertinho e nos servir uma boa distração? deixo para vocês as conclusões a serem tomadas.
eu aumento, mas não invento."
narcissa escutava sussurros exasperados e risadas abafadas enquanto redigia seu diário no salão comunal da sonserina. mirou as garotas entusiasmadas e logo notou que uma delas tinha em mãos a mais nova edição do jornal da escola. com uma expressão curiosa, aproximou-se do grupo. ❝ aconteceu alguma coisa? ❞ indagou e resposta veio na forma do jornal sendo empurrado para suas mãos, com um dedo indicador apontando o ponto de interesse.
cissy mirou a infame “coluna da echo” e fez uma leitura aparentemente rápida do conteúdo. balançou a cabeça negativamente, voltando a encarar as outras – que não pareceram minimamente afetadas. ❝ vocês não deveriam dar tanta atenção aos impropérios de rita skeeter. ❞ disse em um tom desaprovador e professoral, antes de devolver o jornal e se dirigir ao seu quarto. todos sabiam, ou pelo menos acreditavam saber, que "echo" era pseudônimo de rita skeeter e que ela era a autora da coluna.
enquanto subia as escadas, escutou uma dupla de amigos comentando o caso e não conseguiu conter o sorriso vitorioso que surgiu em seus lábios.
assim que chegou ao dormitório, narcissa mirou o próprio reflexo, e um risinho escapou. ❝ brilhante, echo. você foi brilhante. ❞ congratulou a si mesma.
@ttstarters * 1976 — era de se esperar que o clima de hogwarts não continuaria o mesmo com um mistério sem respostas diante aos olhos de todos, o caos inofensivo do cotidiano estava invadido pela curiosidade crônica de todos aqueles estudantes sem nada para fazer. não que isso o surpreendesse de alguma forma, só achava desagradável agora que era constantemente obrigado a ver rostos tensos, um temor crescente no ar e um desconforto profundamente desinteressante para ele. desvencilhar-se do caos não era um privilégio que possuía e hogwarts sempre arranjava um jeito de garantir situações desagradáveis quando era a última coisa que esperava estando lá. quem ligava para as alusões de castelos ao fundo, sem ninguém conseguir saber o que havia lá fora? não era essa a proposta? estar preso para dentro era infinitamente melhor do que estar preso para fora — na visão de evan, pelo menos. o que fizessem para impedir que as cartas de seus pais chegassem, estava ótimo. se parasse para pensar, ele até consideraria que independente da motivação disso, era conveniente. “dá ultima vez que eu vi terem esse tipo de alucinação coletiva, o grupo de pessoas foram parar no st. mungus. eu tô falando, não dá pra levar muito a sério, não. o nome é bad trip, pra você ficar informado. não imaginava que dumbledore estaria numa dessas também, mas dá pra ver: o cara tá envelhecido pra caralho. é o que essas coisas fazem com as pessoas.”
❀ cissy encarou evan com o cenho franzido. o que seria uma bad trip? fez uma anotação mental de perguntar a alguém o significado daquela expressão. logo passou a invejar a calma de evan, a maneira pelo qual o jovem parecia tão confiante quanto a natureza dos acontecimentos. ❝ alucinação coletiva, rosier? está dizendo que não viu o reflexo ou que também está alucinando? ❞ indagou genuinamente confusa com a indiferença alheia. por mais que fingisse sempre ser a dona de toda a serenidade do mundo, narcissa estava roendo-se de curiosidade e um pouco de medo. além disso, cissa ainda não fazia ideia do que evan queria dizer ao se referir a "essas coisas". ❝ você realmente está tão relaxado? não está nem um pouquinho curioso? ❞ sua curiosidade era genuína, mirava profundamente nos olhos do outro. tudo que narcissa queria era a habilidade de genuinamente relaxar. ❝ nada justifica uma histeria coletiva, não somos seres irracionais e estamos bem longe de uma crise. vi ao menos três garotas tendo uma crise de choro e isso é patético, mas acho curioso uma reação tão... contida. ❞
lily aprendeu a gostar de ouvir narcissa falando. era estranho que duas pessoas tão diferentes encontrassem superfícies de contato de forma tão constante quanto elas, mas acontecia. não era explicável, só era vivido. ela ajeitou a postura na cadeira enquanto a ouvia falar. ela era muito educada sempre, isso somado à sua fala sobre "seguir o fluxo" e "o que não tem remédio, remediado está" a fizeram pensar em quando é que aquela mulher... relaxava. conhecendo a fama dos black, nunca. parecia exaustivo! mesmo lily evans, que tinha uma fama merecida, mas inexata de certinha se permitia a uma ou duas rebeliões antes do café da manhã. ❝ — muito bem dito, editora.❞ — foi o seu elogio à ela, acompanhado de um sorriso. independentemente de qualquer divergência, aquele era o espaço neutro-positivo delas, e devia apreciar a poesia das falas que refletiam o sistema de mundo de narcissa black. achou graça, no restante da fala, da forma que ela falava sobre civilidade, como se fosse um deus que ela venerava e servia. ela franziu o nariz, um tique seu quando pensava. ❝ — mas será que existe civilidade em um cenário como esse? eu concordo que precisamos controlar algumas coisas, porque nem todo mundo tem o sistema inibidor em dia...❞ — ela falou, sorrindo um pouco. era perturbador o caos do corredor, mas ao mesmo tempo existia potencial ali. ❝ — mas a imprensa já foi usada para contenção de caos social. a gente não precisa botar lenha na fogueira, a gente pode ser o que mantém essa fogueira com fogo em uma altura segura.❞ — sugeriu, colocando as mãos sobre a mesa, inclinando o corpo levemente para frente. por fim, sorriu diante da fala de narcissa. sim, aquilo no dicionário dela era um elogio; tinha aprendido a captá-los durante aqueles anos. ❝ — obrigada, eu também acho. assim como sei que você vai saber lapidar algo que for bruto demais... ou não civilizado.❞ — sorriu novamente. não foi uma provocação, só uma observação utilizando o vocabulário dela.
❀ o questionamento de lily a fez prender a respiração por alguns segundos. a civilidade era essencial para que as pessoas não saíssem gritando questionamentos em plenos pulmões. pelo menos era isso que narcissa sentia vontade de fazer boa parte do tempo, mas todos os anos de lições de etiqueta a impediam de tamanha crise de nervos. ❝ gostei. uma fogueira segura é exatamente o que precisamos. ❞ assentiu, embora soubesse que o fogo não era um elemento com fama de contenção. ao menos lily poderia se dar ao luxo de transitar no meio do caos, algo que narcissa jamais arriscaria. ❝ obrigada, é uma habilidade adquirida. ❞ respondeu e, pela primeira vez naquele dia, seus lábios se entreabriram em um pequeno sorriso. em sua vida havia aprendido a ser um bom termômetro e responsável por saber quando a temperatura deveria aumentar ou diminuir em sua família. era exaustivo ser uma eterna mediadora, mas era sua função e ela cumpria com louvor. ❝ como você planeja começar essa fogueira segura? algum nome em mente? acho que deveria começar pelos mais velhos, alguns dos monitores. ❞ em primeiro momento narcissa não possuía muitas indicações para entrevistados, mas definitivamente poderia dizer de imediato aqueles que ela sabia que seriam uma péssima ideia. ❝ indico que evite um certo grupo de rapazes. ❞ teve de conter a careta que sempre tomava sua face ao mencionar o grupo de amigos de seu primo. ❝ eles até que são inteligentes, mas você sabe... ❞ vez ou outra mencionava os rapazes para lily, parte de si esperava que a ruiva lhe dissesse algo. por mais que não admitisse, gostava de saber dos rumos da vida do primo.
❀ sentada em uma das poltronas da sala comunal da sonserina, narcissa estava absorta nas anotações que fazia em seu diário. embora o assunto do momento fosse o estranho aparecimento dos três castelos no reflexo do lago negro, a loira escrevia a respeito de um casal secreto que havia descoberto. era fútil e desconectado da realidade, entretanto narcissa necessitava desanuviar sua mente.
a coruja que havia enviado a druella há cinco dias, para pedir novas modelagens de roupas, não havia retornado, e aquilo causava certo desespero em cissy. será que o atraso e o avistamento tinham algo a ver com os tais planos de ascensão dos sangue-puro de que seus pais tanto falavam? seria o início da revolução? eram tantos questionamentos e tanto medo.
cissy apenas queria seguir com seus anos em hogwarts em paz, formar-se com honras e ter seu sonhado ano sabático na frança — porque era óbvio que acabaria se casando com algum sangue-puro escolhido por cygnus depois disso. ela não era uma pessoa de muitas ambições; queria apenas aquilo, e sequer isso poderia ter? fechou os olhos e respirou profundamente, druella sempre dizia que estresse demais causava rugas. ao abrir os olhos notou a presença da irmã e um pequeno sorriso cansado tomou seus lábios. ❝ oh merlin, há quanto tempo não te vejo? ❞ questionou em tom zombeteiro e dramaticamente teatral enquanto fechava o diário. ❝ já tinha até começado a me esquecer do seu rosto. ❞ ainda não havia tido a oportunidade de ver a mais velha naquele dia, algo raro para as irmãs black que eram inseparáveis. ❝ como está se sentindo com esse clima de animosidade? me recorda um jantar comum da família black. ❞ o comentário sarcástico de cissy mascarava toda a tensão que vinha sentindo com os últimos acontecimentos.