Notas sobre como sobe a minha rua: No começo, você subia minha rua à 10km/h, as vezes mais lento, quase parando, você não queria que eu fosse embora, só me queria ali, do seu lado, nem que fosse por cinco segundos a mais. Na hora da despedida, você sorria, me enchia de beijos, esperava eu entrar, acenava mais uma vez e só ia embora depois que eu fechava a porta de casa, e eu sempre fiquei atrás da porta, esperando para ouvir o som do seu carro indo embora e te desejar um último adeus, em silêncio. Eu me lembro perfeitamente dessas cenas. Mas hoje foi diferente, eu te disse um “não”, expliquei a minha situação, pedi desculpas, mas você preferiu se fechar. Hoje, você subiu a minha rua à 40km/h, em silêncio, na hora da despedida, me deu um beijo forçado e frio, que fez doer meu coração, te desejei boa viagem, você não respondeu (meu coracão congelou mais uma vez) e você foi embora sem olhar para mim mais uma vez, antes mesmo de eu terminar de fechar o portão. Isso me magoôu, mais do que deveria. Doeu. Provavelmente essa vai para a lista de coisas que você fez que me deixaram triste, mas nunca vai saber. Por que eu não vou te contar. E se contasse, você iria achar que está certo, você sempre está e isso iria acabar em discussão. Eu tento muito te fazer feliz, mas ultimamente parece que nunca é o bastante. As vezes parece que estamos prestes a cair de um penhasco. Infelizmente. A queda seria muito dolorosa para mim.