“Quase me esqueci que você é… Giovanni Buonarotti” o que em outras palavras poderia ser quase equiparado a um lorde, príncipe ou a metáfora de perfeição. Não exagerada pelos seus afetos, era justamente como o garoto parecia gostar de mostrar ao mundo e como a família dele sempre tentava lhe dizer em todas as vezes que os Da Vinci foram rebaixados à bruxos tão sem ambição quanto trouxas, simplesmente por fazer jus ao pacto de curadores. Retraiu os ombros com aquilo, mas concentrou-se na face dele para tentar se desviar de qualquer insegurança que lhe desviasse. E puta merda, ele realmente era lindo! Facilmente se perderia nos lábios finos e olhos verdes. Porém foi impossível ficar compenetrado com a frase um tanto vil do loiro. “Se você soubesse como isso pode ser má interpretado nunca teria dito” soltou um riso comico, ciente que o outro não tinha dito emtom de safadeza. Mas para alguém sexualmente ativo e no auge da puberdade? Bom, era difícil não pensar assim e se fosse ser honesto já tinha o feito algumas vezes. Tal pensamento o fez corar violentamente, fazendo com que piscasse algumas vezes enquanto recebia o selar. Seus ombros estremeceram um pouco ao ser puxado e os olhos voltaram a abir, se arregalando quando chegou próximo demais da borda. “O QUE?” a voz saiu um décimo mais alta. Aquele era o plano de Giovanni em acabar com ele? O jogar da torre? Dramático demais até mesmo para Romeu e Julieta. “Eu prefiro veneno em Verona e nãooo…” antes que pudesse replicar mais uma desculpa esfarrapada se viu caindo em cima das gárgulas e como nunca tinha voado daquela forma, se agarrou mais firmemente no outro. Suas mãos pressionando o tecido da camisa alheia enquanto as pernas se enroscavam em torno dele. “Não me solte!” exigiu enquanto voavam, mas logo que seus pés atingiram o chão suspirou em alívio. Abraçou mais firmemente o corpo dele e depois deixou um tapa em seus ombros. “Maledicto! Na próxima usamos minha vassoura, mais seguro” praquejou ainda sentindo as pernas fracas, por sorte o tinha por perto. Mordiscou o lábio inferior com a pergunta e incerto da resposta assentiu. “Acho que se não tivermos conversas sérias algo está errado, certo?” aquilo gelou a espinha, mas sentou-se ao lado dele. “Vai me pedir pra fingir que nada aconteceu?” a pergunta saiu em um fio de voz e naquele momento nem mesmo a vista linda do telhado lhe tranquilizava.
Matteo provavelmente estava falando sobre beijos, certo? E com isso, Giovanni, na verdade, não se importava nem um pouco de realizar. Era essa sua ideia mesmo de calar a boca do outro com beijos. Então não se alterou, apenas sorriu para a mais baixo, ainda tentando espantar a diversão que sentia pelo desespero alheio sobre voar com as gárgulas. “Certo, na próxima você nos leva.” concordou, o que era ótimo por duas coisas. Primeiro, parecia que Da Vinci tinha planos de ir consigo uma próxima vez e quem sabe outras mais; e segundo, eles não correriam o risco de serem esquecidos ali no telhado. Ficava bastante satisfeito com ambas as colocações. “Mas sabe, eu nunca te soltaria.” preferiu garantir logo ao outro, já que precisavam voltar e depois para a torre e seria mais uma vez com a ajuda das gárgulas. Nunca o deixaria cair e se machucar, mesmo antes deles pararem com as brigas, a ideia do garoto se machucar fisicamente era inquietante para si. Não disfarçou a risada ao encolher-se com o tapa brincalhão, os olhos claros focados no rapaz que ganhava sua atenção sem dificuldades agora. “As gárgulas eram mais seguras do que eu nos trazer até aqui.” argumentou, justificando sua ideia de transporte. Gio então acomodou-se no telhado, desviando o olhar para o céu por alguns segundos antes que voltasse rapidamente a encará-lo, já negando com a cabeça. “Não, não, Matteo. Eu... falei sério quando disse que gosto de você, não tenho intenções de esconder mais isso de você.” apressou-se. Não gostava de vê-lo assim inseguro, temia que, assim como na sala de pintura, o garoto chorasse, então estendeu a mão para descansar em cima da dele e continuou. “Não é isso. Eu não gosto de coisas casuais, é um dos motivos de eu nunca... ter deixado alguém se aproximar assim de mim. Então acho que queria saber se você tem certeza sobre isso porque eu não procuro nada casual. Eu... quer dizer, se estiver falando sério sobre sairmos de novo, sobre continuarmos com os beijos e encontros... estaríamos juntos. Como... namorados.” foi difícil falar tudo aquilo sem vacilar ou desistir no meio do caminho, a forma como suas bochechas esquentavam lhe deixavam suspeitando do quão rosadas deveriam estar agora. “É.. apressado? Digo, não precisamos definir isso agora, mas se continuarmos é porque esse vai ser o objetivo, não por... sair apenas por sair.”