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@burn-after-read
que maravilha foi ter me deixado me apaixonar por você 4 anos atrás. não existem idiomas, expressões, línguas que consigam explicar o que é te amar e ser amada por você. todo dia parece o primeiro e o primeiro já parecia ter anos. é especial ser teu alvo. eu ainda fico nervosa de te ver chegando de longe, ainda coro quando você me olha demais, e sempre acontece de ter vergonha de falar algo errado na sua frente. eu quero todos os anos, os meses, semanas e dias com você. quero tremer, corar e embarassar assim pra sempre. quero o primeiro dia e todos os outros.
Esses anos como professora me ensinaram bastante. Me ensinaram a ver o mundo como uma sala de aula gigante, e no meu mundo eu quero aprender apenas com o afeto e o carinho. Me ensinou que o amor é, sim, no fim das contas, a salvação do mundo. Me ensinou que a conexão é o que nos salva, é o que nos transforma. E na minha sala de aula não há espaço pro ego, pra mania de grandeza, pro desprezo. Quero minhas turmas cheias de amor, de paixão, de vontade de fazer diferente, de vontade de crescer, quero aprender com cada aluno meu e crescer com eles.
é mágico na mesma medida que dói ser mulher. o amor de uma mulher é sublime, é um sol de fim de tarde entrando na janela e deixando o quarto caloroso. ser amada por outra mulher é ser vista por olhos de estrelas. o amor que sinto pelas minhas irmãs e amigas é lindo, não dói, não machuca. é sempre afeto, é carinho, cuidado. eu sempre vou estar segura com elas. o amor de uma mulher é livre, é como estar nas costas de um pássaro, é flutuar livre no espaço, conhecer constelações.
Há dias em que tudo pesa mais, em que não quero sair da cama e temo que me abrace e sinta o queimar que existe dentro das minhas costelas. É um incêndio esperando pra começar. É o que me move e não me permite congelar nas noites frias, mas em dias como esse transborda como se meus olhos fossem vulcões e tudo aqui dentro fosse feito de lava. Debaixo da minha pele existe essa potência criadora nos dias tenros, mas que prefere ser destruição e caos em dias banais. É algo que poderia redesenhar o mundo inteiro, deixando apenas a paixão e o carinho para trás, se não me reduzisse a cinzas antes.
e eu não quero te tocar se não for com afeto, não quero que olhe nos meus olhos e veja o magma se movendo, não quero que sinta as contendas se rompendo aqui dentro.
você se abaixa na minha frente deixando a água molhar seu rosto, seu cabelo, suas costas, enquanto eu corro os dedos pelos seu cabelo. a espuma escorre pelo seu corpo, e eu te vejo de olhos fechados aos meus pés. te enxergo como uma criança, o menino que eu não cheguei a conhecer, o menino que caiu de bicicleta e levou pontos no lábio. ainda posso ver a cicatriz. enxergo o menino que a irmã levava pra casa das amigas e ficava do lado do rádio ouvindo as músicas perdido em outro mundo. enxergo toda a ternura que a criança ainda guarda.
você espera a água carregar a espuma e levanta, quando abre os olhos eu vejo o homem que o menino se tornou. o homem que me encara me enxerga diferente do menino. o homem que guarda todas marcas da infância sem perder o carinho e os olhos puros pra ver o mundo. é sempre fácil perceber por que me apaixonei justamente por você todas as vezes que te enxergo.
60 days. only two months. my world has lost it colors and I've lost my world. each day that goes by it became harder and harder to pretend it is everything okay, that I can deal with it. it seems that the time stopped. it stretched and I'm trapped in the first day. the words still pounding in my head, in my dreams, in my conscience. it's hard to distract myself and keep functioning. looks like I've run out of strength to keep going, to smile, to talk and be around other. I prefer to be alone but bung alone remind me I'm forever lonely now. there's no light bright enough anymore, she took it with here, after all, all the lights were hers. never mine. she was the beauty and I'm still the beast. without balance now. without the best parts, the good parts of a human being. I'm so tired of being strong, and holding everyone standing, my knees are bending from the pressure and I don't know for how long I'll hold on. there's this darkness beneath my feet, wainting to swollow me entirely. even when I manage to cry my tears feel acid, it burns my skin and leaves marks everywhere. oh, this cold disgrace that involves my limbs and never fades. how can I ever overcome this? now that I'm not a person anymore, merely a shadow.
I'm so fucking tired of pretending I'm fine after all. I wish I could just be soft and vulnerable, that you could see the pain and suffering. I wish I had someone to talk.
a verdade é que meu nome fica melhor no seu sotaque. mesmo que eu odeie que você me chame pelo meu nome. mas eu te atendo pelo que me chamar por que você fala numa língua que só nos dois entendemos, que é só nossa e tem os fonemas perfeitos pra você me chamar. é um idioma formado pelo jeito que você ronrona meu nome, como sussurra por favor, o tom exato que diz que você me ama. é a melhor lingua que já provei e é só nossa.
morro de medo de te sobrecarregar comigo. quero estar com você o tempo todo, quando as coisas tão bem pra te mostrar que o mundo pode ser sublime, quando as coisas tão péssimas por que a sua é a única mão que eu quero segurar quando não há luz. te quero o tempo todo e é patético, me sinto uma criança que precisa do seu ursinho favorito pra não abrir o berreiro. mas ao mesmo tempo não quero que você me olhe demais, me note muito, perceba que não sou boa o suficiente. o ideal é que você me guarde a um braço de distância, consiga alcançar, mas que eu não esteja sempre em vista. me guarda como uma lembrança boa, que você revisita quando precisa de força, mas não me olha muito pra não perder o encanto. eu tenho medo de te sobrecarregar com minha presença. que você perceba que por baixo das piadas e da manha não sobra muita coisa. e se você descobrir que eu não sou nada daquilo que você pensa? que na verdade eu não sou boa, que sou má e doente? minha mente passa horas imaginando o que faria caso você se fosse. nunca chega em lugar nenhum. ia acabar comigo. você acaba comigo.
quando eu morrer vão me abrir e descobrir que não há nada por dentro, que por baixo dos ossos não sobrou nada porque vomitei as entranhas e arranquei os miúdos com as unhas.
sempre fui obcecada por cada mudança do meu corpo. passava horas na frente do espelho quando era criança esperando que algo mudasse, um sinal, uma marca, um pelo que fosse. conheço cada parte mesmo que me doa. como será que não percebi essa metamorfose? como não percebi os números baixando na balança, o alongamento dos membros, a mudança na coloração da pele, os fios de cabelo deixados pra trás?
algum dia acho que deixarei de ser eu mesma e tudo que sobrará será a confusão de carne, ossos e sangue em algum lençol branco que guardará a marca da reconstituição para sempre. alguém vai me reconhecer no necrotério? quando a última transformação se der? ou terão que me identificar pela arcada dentária e nem isso lhe dará respostas? {quem diabos era isso?} você me enxerga quando me vê andando na sua direção? com os passos trôpegos e desleixados, ou só vê essa criatura estranha, grande e comprida demais, caminhando na sua frente? você percebe essas mudanças quando meus braços parecem dar voltas e voltas ao seu redor como correntes quando te abraçam? e meus dedos longos demais para serem de um humano se enroscam na sua pele? não te assusta que um dia você acordará e tudo que sobrou da garota que você amou será uma massa disforme com o tom da sua pele?
eu queria dizer que o passar do tempo é exaustivo, parece atravessar meu corpo no meio de um jeito nada bonito e poético. deixa uma bagunça vermelha e viscosa pra trás e mancha meu futuro. o tempo parece me abrir em duas e deixa uma ferida aberta na linha temporal das minhas entranhas. talvez em outra vida. talvez se eu tivesse te conhecido antes. talvez se eu não aceitasse o destino com tanta resignação. talvez em outra estação. talvez seja início do verão que me faz sentir o tempo como um bisturi. ou a falta de esperança que sobrevivo até o próximo inverno. talvez seja o tempo que não seja gentil. eu tento aproveitar os dias, as semanas, os meses. mas nada cura essa dor. que o tempo passa e eu não passo com ele. ele parece passar por mim com uma risadinha de desaforo me vendo estancar. me vendo petrificada. e passa mais rápido ainda para me mostrar que no fim das contas é no tempo dele. talvez em outra vida. mas eu estou presa nessa.
é a primeira noite de lua cheia. eu sempre temo essas noites. como se os homens pudessem, de repente, se tornar lobos, e as mulheres subissem nos telhados pra voar nas suas vassouras. a lua não é um sorriso, nem um trejeito de decepção, é um olho inteiro, observando os humanos aqui em baixo. com a pupila procura os boêmios, os poetas e os loucos, principalmente os decadentes. nunca consigo saber se pra proteger e iluminar ou pra ofuscar suas vistas. existe algo de diferente em caminhar sob a lua cheia nos seus primeiros dias. há algo no ar que muda, algo que se desperta nas pessoas. é pertencimento ou medo que faz com que as pessoas deixem suas camas quentes e encham as ruas?
é um daqueles dias que me apaixono cada vez mais por ele. apesar disso, é dolorido sentir o quanto ele quer me cuidar quando vê que eu não consigo cuidar de mim. é estranho como dói. Ao mesmo tempo que é bom e confortável saber que alguém vai segurar minha mão quando eu chorar, é bizarramente grande a dor de me sentir um fardo. eu tenho vinte e poucos anos, um emprego nada estável, uma família maluca e doente, uma tonelada de responsabilidades. e ele é tão doce e bom que parece injusto deixar que cuide de mim. acho que um dia eu fui boa também, devo ter sido, mas perdi isso na caminhada, perdi isso a medida que crescia. e ele não, ele vê o mundo com olhos de criança com frequência, mesmo quando não tem esperança, ele vê as coisas boas mesmo com tanta coisa ruim que já passou. e eu não quero ser a pessoa que vai afundar ele. âncoras nos ajudam a sobreviver as tempestades, mas também podem nos afogar.
hoje, depois de muito tempo, me senti vulnerável de novo. ver alguém que me machucou tanto e saber que verei por muito tempo foi como assistir de olhos fechados um fantasma entrar no meu quarto quando as luzes estão apagadas. posso fingir não ver, mas a presença é esmagadora. ficar sozinha com um fantasma é sempre tão doloroso.
meus pulsos sararam dos hematomas que ele deixou há muitos anos, mas foi como se o dia todo eu sentisse o aperto e visse as marcas dos seus dedos onde elas já não existem. as marcas que ele fez no meu corpo se curaram com os anos, mas senti como se tivessem sido feitas hoje. São como tatuagens feitas com tinta transparente, só por que não as vejo mais, não quer dizer que não doeu, e mesmo agora que estão cicatrizadas ainda doem.
é possível que um dia eu esqueça tudo o que me fez? por que dói, e eu não quero doer mais. não quero sangrar nos meus lençóis de novo. seu rosto mudou tanto, que quase não passou batido com tantas cicatrizes novas, mas a história não deixa ser apagado. é como uma presença que você pode até tentar ignorar, fingir que não sente, mas sempre reconhece. em qualquer lugar do mundo meu corpo reconheceria o tom da sua pele, o formato do seu rosto e o tipo de olhar que ele carrega. sua presença nunca poderia ser esquecida, mesmo quando pensei que já esqueci.
e perceber que não esqueci doeu. como dói. perceber que mesmo com tantos anos algo que ele me deu ainda lateja em mim, ainda machuca. eu não quero mais sentir seus dedos em mim. e parece que sentirei para sempre
parece que quando uma coisa dá errado tudo ao redor começa a dar errado também. eu sei que é questão de perspectiva, uma coisa ruim estraga sua vista pra todo o resto que talvez seja bom. Mas e se não for? Se realmente eu tiver razão e estiver cansada de viver achando jeito? Viver pode mesmo ser só uma série de problemas que a gente se desdobra pra resolver? Talvez crescer seja isso no final, perder a proteção do véu mágico que fica em frente aos olhos e reconhecer que a beleza desse mundo é bem menor do que esperava, que os momentos ruins são quase insuportáveis e que ter força pra lutar contra a maré o tempo todo cansa. eu acho que não quero mais lutar.
Eu sei que é um dia ruim, uma semana ruim, dentro de um mês horrível que fazem parte de um ano terrível. Eu sei disso. Mas olho os últimos tempos e não lembro a última vez que estive realmente feliz, que não estive uma pilha de nervos. que consegui dormi a noite sem ter pesadelos. e se isso é viver, talvez eu não queira mais essa existência. eu quero outra. quero uma em que as coisas deem certo só pra variar. quero uma em que eu possa andar de mão dada com meu namorado sem virar uma grande confusão. quero uma realidade em que minha irmã não tenha que sofrer com um processo invasivo três vezes por semana pra ficar bem. quero uma realidade em que ainda exista magia mesmo enquanto adulta. e que valha a pena estar viva pra apreciar pequenos momentos.