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@butterfliesandcandleflames
All suffering originates from craving, from attachment, from desire.
Edgar Allan Poe (via wordsnquotes)
To die or to dream?
“Mn. Now, here’s a tricky one — only not really. Even though I’m not exactly welcome in my brother’s realm, dying sounds a little too... irrevocable for my liking.”
Cats or butterflies?
“Oh, cats are definitely more interesting. Butterflies are just fragile, fickle things than might end consumed by the fire they’re drawn to.”
Red or cigarettes?
“I don’t see why one would exclude the other, but... red it is, then. There’s way more to a color than to a single way of smoking.”
Florence + The Machine // Seven Devils
fathercarnage:
Ela (ou ele?) era suave e meiga. E com o timbre de sua voz fazia o pequeno sentir coceiras na barriga como se tivesse comido algo bem doce. O menino de cabelos louros e olho roxo não compreende a acidez daquele sorriso, apenas o sorriso em si, e o acha muito bonito. Especialmente a cor vermelha vibrante de sua boca. É a cor preferida dele.
A mão estendida em conjunto com as palavras gentis servem de impulso para a criança-Deus, que depois de um breve instante acuada resolve sair do cantinho e se aproximar, ficando ao alcance daquela pessoa tão… Mágica.
“Eu acho que sim. Nunca estive aqui antes.” Respondeu, tentando tomar postura de homenzinho.
“Você mora aqui? Essa é sua casa?”
Quando o pequeno se aproxima, Desejo deixa os dedos bem-manicurados correrem pelos cabelos loiros, um toque delicado e gentil — mas também algo possessivo.
“É minha casa, sim. Minha fortaleza, na verdade.” Por mais natural que seja a explicação, é inegável a pequena pontada de orgulho, ou mesmo o brilho nos olhos dourados, como se compartilhasse com o menino-deus um segredo dos mais solenes, algo capaz de torná-los cúmplices.
“Recebo visitas vez ou outra, mas... Raramente assim, como você.” Não são poucos os que se perdem em seu reino, afinal, mas não literalmente. Os corredores do Limiar costumam manter-se vazios. Como aquela criança chegou ali é um mistério, mas pouco importa.
Desejo se ergue, então, um movimento gracioso como o de um gato. A mão, porém, continua estendida em oferta.
“Quer dar um passeio, antes de voltar para casa?”Então inclina a cabeça de leve, algo de curioso em seu olhar. “E o seu nome, criança? Qual é?”
My heart has always beat thunderstorms instead of blood.
Gabriel Gadfly, Supercell (via wordsnquotes)
"Little thing." (Não resisti.)
Send “Little thing” and my character will tell you something as a child.
Ele surge como que do nada naquela dimensão estranha em que nunca esteve antes. Observando de longe aquele ser tão belo e enigmático, o menino está tímido e não sai de perto da parede.
“… Você é muito bonita.” Ou era um menino? Aquela aparencia o deixava confuso.
Desejo sorri — e como não? Não é apenas o agrado; o menino-deus carrega no peito sua marca e, criatura vaidosa que é, o Perpétuo tende a privilegiar aqueles marcados como seus.
“Eu sei. Mas é gentil da sua parte, apontar.” A resposta é marcada por um humor ácido, e o sorriso aberto jamais deixa os lábios tingidos de vermelho, contrastando com os dentes muito brancos. Agacha-se, então, estendendo uma das mãos na direção do pequeno.
“Perdeu-se por aqui, criança? Vem. Eu não mordo. Ao menos não pequenos como você.”
Every act of creation is first an act of destruction.
Pablo Picasso (via pablopicasso-art)
Of what do you think Dream dreams?
“Sounds like a little conundrum, eh? Does Dream dream? But then again, does Desire desire? Certainly. Does Destiny play a part is his book. Yes, he does. and so on. Therefore I suppose, child, you can assume that yes, Dream does dream.
What does he dream of, though? Well, perhaps his dreams are private. Perhaps they are simply too intricate for the human mind to grasp, so there’s no point in telling you. And perhaps he once shared them with me, eons ago, when he would say I was his favorite sibling.
Anyway. Dreams aren’t part of my realm, so I can only guess. Knowing Dream, I’d presume his own dreams come in black and white, and there’s always a dispute. Much like chess, with the king being constantly in check, with no queen to defend him.
But if you’re so interested, why don’t you go ask him?”
You are my fire / the one Desire / believe when I say / I want it that way
“... Such a pitiful taste in music. But at least two of those boys looked alright.”
I am what I am. To look for ‘reasons’ is beside the point.
Joan Didion, Play It As It Lays (via wordsnquotes)
Era sempre difícil lidar com Desejo. Fosse pela animosidade entre eles, ou porque Desejo quer e faz apenas o que deseja, nada mais e nada a menos, tão imprevisível como nada que ele conheça. Ali, conversando em sua galeria, há algo mais nos traços, no queixo erguido em uma leve arrogância tão familiar, mas há algo de invariavelmente feminino na forma felina com a qual molda suas palavras em sua boca.
Suas palavras ferem, perniciosas e infecciosas, reabrem feridas velhas em sua consciência nova. Sim, tinha prendido um de seus amores, um dos mais brilhantes, por milênios no inferno, trancafiada feito o pecador mais desprezível. A lembrança era como uma chaga em sua pele, a consciência do que tinha feito por pura e simples vaidade e orgulho.
“Eu não espero nada, você, mais do que qualquer um, sabe disso.”
“Todo mundo espera alguma coisa, meu irmão... Inclusive você. Eu sei muito bem disso.”
E é verdade. Quando mais se estendem, quanto mais atiça, mais alcança o que Sonho realmente deseja, o que ele mesmo mal sabe ansiar por. Apenas, percebe, não é o que espera.
Ironia das ironias, pelo visto é Desejo quem não conseguirá aquilo que quer. Ao menos hoje.
“Você está mudado mesmo,” admite, o tom surpreendentemente neutro para quem até agora havia apenas atacado. Como se tivesse todo o tempo do mundo — e o tem, de fato —, leva o cigarro aos lábios novamente, reforçando a marca indelével de batom vermelho contra o papel. Morpheus está morto, realmente; e com ele, foi-se também a briga de tanto tempo.
(Algo, porém, restou. Difícil é determinar o que, mas Desejo não é de se ater a esse tipo de questionamento.)
“Então, que seja nos seus termos,” prossegue, com um suspiro pesado. “Estamos libertos. Não hei de atentar contra sua vida outra vez, até porque, quando finalmente aconteceu, eu não tive qualquer prazer ou satisfação. E você... Bem, você continua fazendo o que quer que esteja fazendo.”
Não está se saindo de todo mal.