Tanto amor a sua volta e você preocupado com amor romântico.
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@bybeaa
Tanto amor a sua volta e você preocupado com amor romântico.
Heather
Hoje é 3 de Dezembro, e eu não consigo evitar.
Todo ano nesse mesmo dia o mundo para por um instante e eu me vejo transportado de volta para um momento... e para uma pessoa. A gente tenta seguir em frente, jura que superou, mas o calendário tem uma memória cruel.
Sim, eu ainda me lembro daquele ano de dezembro.
Lembro do frio que fazia, daquela sua jaqueta preta que parecia gigante em mim. Você viu que eu estava com frio e, num gesto tão simples e gentil que parecia um filme, você tirou e me deu.
"Fica melhor em você do que em mim", você disse.
Naquele momento, naquela frase boba, meu coração disparou. Eu senti aquele calor não só da jaqueta, mas da possibilidade. Por um instante, por um segundo, eu fui o seu favorito. Eu tive sua atenção. Aquela jaqueta era a prova de que eu significava algo especial para você.
Mas a história nunca termina aí, não é?
A gente sabe quem é a Heather. Ela é a parte bonita e dolorosa dessa lembrança. A jaqueta acabou nela, e ficava perfeito. A verdade é que não importa o quanto você me faça sentir especial por um dia, o seu calor de verdade, o seu amor genuíno, as suas risadas, a sua gentileza, tudo, sempre seria destinado a ela.
Às vezes me imagino sendo ela, me imagino nos braços dele, capturando todas as risadas que ele oferece à ela. Odeio ela. Mas... Como isso poderia ser real? Ela é um anjo.
3 de Dezembro é o dia em que lembro daquele momento, e também o dia em que aceito a realidade:
Eu era só uma parada ao longo do caminho. E eu ainda invejo a Heather.
— Para quem ainda sente o perfume da jaqueta, mesmo que ele não esteja mais aqui.
Começo
Eu era um especialista em ser sozinho.
Eu tinha um plano: construir uma vida tão saturada e tão solitária que não sobrasse espaço para existir com outra pessoa. Minhas paredes eram altas. Eu gostava da proteção delas. Elas eram seguras, para manter a distância. Eu mantinha distância do amor. Era patético. Como alguém não sabia sobreviver sozinho?
E então, ele.
Não foi suave. Foi um caos e intenso. Eu o olhei e o mundo inteiro ficou diferente, era estranho, algo nasceu em mim naquele momento. O ar ficou pesado, mas tentei evitar que a temperatura da sala subiu dez graus.
Eu o odiei imediatamente. Odiei como ele falava. Odiei que ele sempre tinha resposta para tudo, odiava lembrar da existência dele. Ele não estava fazendo nada além de existir, mas a presença dele era um convite obsceno para o desastre.
Eu queria correr. Queria fugir antes que ele pudesse ver o quanto eu era descontrolado por dentro, o quanto eu era inadequado. Mas minha cabeça não me deixava em paz. Algo sobre a existência dele tirava a minha atenção. Eu sabia: eu vi o perigo, e foi a única coisa que olhei.
O que você fez comigo?
Ele não parecia paz. Cada conversa, cada momento juntos, e até pensar demais parecia acidental o que me fazia querer mais, ao mesmo tempo em que me aterrorizava. Amar ele foi a maior verdade que meus pensamentos trouxeram. É uma negociação constante com a minha própria vontade.
Eu sou viciada em caos. E ele é o meu pior.
Eu o afasto porque sei que não sou digna de algo que não está quebrado. Eu preciso ignorar os meus sentimentos.
É a primeira vez que eu tive medo de perder algo que nem sabia que precisava e que nem era meu. É um abismo sem fundo, eu não quero que a gente se machuque e algo que eu sei que vou fazer primeiro.
Eu o amo. E isso é algo que não que eu não queria.
Agora eu estou aqui. Quebrado, mas cheio de tudo que ele fez por nós. Ele não me consertou, mas ele me mostrou que posso ser diferente. O amor não é nada que eu imaginei. Eu simples virei do avesso. Eu não consigo mais voltar. Eu vi o que o nós pode ser.
E é a ruína mais linda que eu já conheci.