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Janaina Medeiros
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I care more to be loved.
Você quer um relacionamento ou só tem um desejo esmagador de ser amada e assim poder provar pra você mesma que faria falta na vida de alguem?
Quando Jo March diz que estaria disposta a aceitar se casar com Laurie caso ele a pedisse mais uma vez, não porque ela o ama mas sim porque ela queria e se importava mais com ser amada, surge um grande questionamento acerca da diferença entre “querer” e “sentir a necessidade de”. Acontece que Jo sempre valorizou muito o amor platônico, aquele amor imensurável que sentia pelos pais, pelas irmãs e por Laurie, a quem ela considerava um irmão.
O fato é que, ao decorrer da historia, ela vê tudo o que conhece e ama aos poucos indo embora - Meg sai de casa e vira esposa e mãe, Amy viaja para Roma com a tia March e todos eles perdem Beth, que provavelmente era quem proporcionava maior conforto para as irmãs. Além disso, ela também percebe que, diferente dela, a grande maioria das pessoas valoriza mais a intensidade e devoção das relações amorosas do que a familiaridade do sutil, seguro e confortável amor doméstico, o que parece um lembrete de que é questão de tempo até que ela, que é tão aversa a ideia de ter um relacionamento, ser deixada pra trás. A única pessoa que parecia entender a profundidade do seu amor platônico era Beth, e ela já não estava mais lá. A incompletude da sua comunidade tornava as mudanças inevitáveis e fazia com que solidão parecesse cada vez mais iminente.
Assim, ela reconsidera o pedido de Laurie porque ela está de luto pelo senso de perda das pessoas que davam propósito para sua vida - Ficar com ele significaria se agarrar a algo que mantinha viva dentro dela essa familiaridade que ela parecia estar perdendo, e se assegurar de que não ficaria sozinha, afinal. Acredito que uma das partes mais “mal interpretadas” da adaptação de Little Women é o momento em que Laurie revela seu noivado com Amy, causando uma reação em Jo que, diferente do entendimento de algumas pessoas, não representa ciúmes pela perda de um interesse romântico, mas sim um medo que toma conta dela quando esta percebe que mais uma pessoa vai deixá-la, o sentimento de incompreensão ao ver que ninguém ao seu redor enxerga as coisas da mesma maneira que ela, e a sensação de que ninguém parece sentir o peso esmagador dessas perdas como ela sente.
Naquele momento, Jo não queria Laurie (pelo menos não romanticamente), mas sentia que precisava dele. Era como se ele fosse o ultimo fio impedindo que a corda que unia a certeza e sacralidade do amor fraternal e a solidão da vida adulta finalmente se arrebentasse, e, já estando do outro lado, ela não pudesse voltar. Mas era inevitável que se arrebentasse. E arrebentou.
Agora, o que resta quando todo mundo que voce mais prioriza parece priorizar outros coisas que nao incluem voce?
É muito fácil se conectar com a Jo, o anseio pelo amor romântico e o medo do abandono faz com que muitas pessoas estejam presas em relacionamentos fadados ao fracasso, silenciando e enclausurando os próprios sentimentos só porque nao querem se sentir solitárias. O medo da solidão e do abandono é real, mas muitas vezes não é e racional - é impossível viver sem ter pelo menos uma pessoa que te ame (mesmo que você não veja), e um amor não morre só porque outro nasce. Que benção é poder escolher amar e ser amado, e entender que não existe corrida, e muito menos perda, quando se trata de amor verdadeiro, plantado e cultivado.
Ao dizer ‘I’m so sick of people saying love is all women is fit for. But I’m so lonely” (estou tão cansada de pessoas dizendo que amor é a única coisa para qual as mulheres servem. Mas eu estou tão sozinha), Jo pode estar implicando tanto a vontade de sentir vista, amada e pertencente, apesar de nao querer ser resumida a isso, quanto à vontade de se sentir compreendida em sua escolha de nao querer se relacionar (está aberto a interpretações).
No final, tanto do livro quanto do filme, com a realização da publicação do seu livro, rodeada pela sua família na escola que eles construíram, Jo encontra plenitude e todo o amor que precisa naquela comunidade. O amor romântico continua em segundo plano, é um desejo que pode ou nao ser buscado, e nao uma necessidade, um artificio que preenche a falta de algo - Ela já tem tudo o que precisa, e o amor que chegar vai ter apenas que encontrar um espaço em meio a tantos outros grandes amores. O amor fraterno é o testemunho do amor de Deus, é um laço forte que nos motiva a nos doarmos sem esperar nada em troca, e que supera qualquer medo. O amor romântico, quando vem, e se vier, vem para somar. Nada se perde - Muda, amadurece, mas permanece lá.
Terminando com a citação da minha poesia de botão favorita,
Love arrives exactly when love is supposed to. And love leaves exactly when love must.
When love arrives, say “welcome, make yourself comfortable”. If love leaves, ask her to leave the door open behind her - Turn off the music. Listen to the quiet. Whisper “Thank you for stopping by”.
Sentimentos e anseios são tão complexos uau! Escrevo isso as cinco da manha porque não consegui dormir, se o texto for uma grande baboseira sem sentido finjam que ele não existe.
Desde filmes como “As virgens suicidas” até peças como “Hamlet” ou pinturas como “O pesadelo” de Füssil, “Hilas e as ninfas” de John William Waterhouse, “O balanço” de Fragonard e “Almoço na relva” de Manet, é perceptível que as mulheres foram temas de diversas representações artísticas, não como personagens com poder de ação sobre os homens mas sim como objetos de desejo masculino representados por musas inalcançáveis.
Além da idealização e do prazer conquistado através da observação do corpo feminino, em “As virgens suicidas”, “Hamlet” e “O pesadelo” é possível também identificar a fantasia de beleza poética da melancolia, do sofrimento e da morte da figura da mulher.
O encanto pela morte feminina está atrelado a fantasia (ou fetichismo) em torno da vunerabilidade, delicadeza e fragilidade que envolvem a imagem da garota que morre jovem e casta, imortalizando a idealização de um caráter incorrupto e inatingível. Da mesma maneira, a morte serve para impossibilitar que o admirador conheça de verdade a mulher - aquela que é humana e suscetível a erros, - apagando a sua individualidade e mantendo viva apenas a ideia da musa.
Esse também é um dos motivos pelo qual a morte de personagens femininas geralmente serem a motivação para a jornada do protagonista. Seja ela a mãe, namorada ou irmã; a lembrança dessa figura bondosa, amorosa e pura - que agora não é capaz de decepcionar, questionar ou desobedecer - é o que a faz ser tão amada e reverenciada.
A “beleza poética” da morte feminina está em sua fragilidade e na possibilidade de manter viva no imaginário masculino a versão dessa mulher que atenda aos seus desejos. A mulher é desejada porquanto não é conhecida.
Não tenho a intenção de dizer que a idealização é uma prática exclusivamente masculina - As mulheres também tendem a idealizar seus parceiros, mas, diferente dos homens, sonham com a figura de um homem gentil, carinhoso e que as trate bem. Ainda assim, é muito comum testemunhar casos onde mulheres lutam por seus relacionamentos mesmo quando seus parceiros não atendem as suas expectativas, justificando os erros deles quando estes as decepcionam e se mostram muito distantes da imagem que elas projetaram.
Parece muito mais fácil para o homem descartar aquilo que não o agrada.
A representação da pureza através dos figurinos na arte.
A semiótica estuda os signos, que são símbolos utilizados para transmitir determinada ideia ao espectador explorando a linguagem audiovisual e a comunicação.
Nas produções artísticas, as roupas são de grande importância para estabelecer um tipo de comunicação não verbal, uma vez que os uso de cores, tecidos e acessórios permitem uma leitura sobre as emoções e características dos personagens.
As virgens suicidas - Filme dirigido por Sofia Coppola, 1999.
Em As virgens suicidas, a história é narrada por um grupo de meninos que se veem fascinados pelas cinco irmãs Lisbon e o mistério que envolve suas mortes. O distanciamento das irmãs em relação ao resto do mundo é justamente o que as tornam tão atraentes.
No momento em que Trip Fountain, o galã do colégio, consegue se deitar com Lux e consequentemente percebe que ela não é um ser intocável mas sim uma garota comum, ele a abandona. “Naquela noite eu voltei a pé para casa. Nem quis saber como ela ia voltar. Simplesmente fui embora. É estranho. Quer dizer, eu gostava dela. Gostava mesmo. Só que naquela hora fiquei com nojo.”
Essa misticidade em torno das irmãs Lisbon pode ser percebida através dos figurinos compostos por vestidos românticos brancos e a forte presença das cores pastéis e flores estampadas em suas roupas delicadas.
Ophelia - pintura por John Everett Millais, 1851-1852.
A pintura retrata a jovem Ofélia, personagem da peça shakespeariana “Hamlet”, que, após enlouquecer, acaba com a própria vida afogando-se num lago.
O vestido todo floral em bordados de prata de Ofélia em combinação com as flores pintadas sobre ele trazem uma ideia de amor, pureza, inocência e a morte, que seria representada pelas papoulas.
O balanço - por Jean-Honoré Fragonard, 1767.
No centro do quadro está um jovem garota que se balança descontraída e joga o sapato (como um símbolo de sensualidade) em direção ao amante que está de olho em suas pernas descobertas. Em uma atmosfera lúdica, o movimento do seu vestido volumoso de cor pastel com os seus babados e amarrações serve para trazer suavidade para a cena, carregando um certo “pudor” que diminuí o seu o cunho sexual e evidenciando uma mistura característica do rococó: a inocência e o erotismo.
O pesadelo” John William Waterhouse, 1781.
No quadro, uma mulher dorme enquanto é assediada por uma criatura em forma masculina que, segundo as lendas, causava terríveis pesadelos enquanto se aproveitava das mulheres durante a noite, as deixando sufocadas. No quadro sombrio e de caráter fantasioso, o ambiente escuro e perturbador entra em contraste com as vestes brancas, leves e esvoaçantes que envolvem o corpo contorcido da jovem. O branco ressalta a juventude, a integridade e a pureza de sentimentos da mulher que, vulnerável, não está segura nem mesmo no onírico.
Desde filmes como “As virgens suicidas” até peças como “Hamlet” ou pinturas como “O pesadelo” de Füssil, “Hilas e as ninfas” de John William Waterhouse, “O balanço” de Fragonard e “Almoço na relva” de Manet, é perceptível que as mulheres foram temas de diversas representações artísticas, não como personagens com poder de ação sobre os homens mas sim como objetos de desejo masculino representados por musas inalcançáveis.
Além da idealização e do prazer conquistado através da observação do corpo feminino, em “As virgens suicidas”, “Hamlet” e “O pesadelo” é possível também identificar a fantasia de beleza poética da melancolia, do sofrimento e da morte da figura da mulher.
O encanto pela morte feminina está atrelado a fantasia (ou fetichismo) em torno da vunerabilidade, delicadeza e fragilidade que envolvem a imagem da garota que morre jovem e casta, imortalizando a idealização de um caráter incorrupto e inatingível. Da mesma maneira, a morte serve para impossibilitar que o admirador conheça de verdade a mulher - aquela que é humana e suscetível a erros, - apagando a sua individualidade e mantendo viva apenas a ideia da musa.
Esse também é um dos motivos pelo qual a morte de personagens femininas geralmente serem a motivação para a jornada do protagonista. Seja ela a mãe, namorada ou irmã; a lembrança dessa figura bondosa, amorosa e pura - que agora não é capaz de decepcionar, questionar ou desobedecer - é o que a faz ser tão amada e reverenciada.
A “beleza poética” da morte feminina está em sua fragilidade e na possibilidade de manter viva no imaginário masculino a versão dessa mulher que atenda aos seus desejos. A mulher é desejada porquanto não é conhecida.
Não tenho a intenção de dizer que a idealização é uma prática exclusivamente masculina - As mulheres também tendem a idealizar seus parceiros, mas, diferente dos homens, sonham com a figura de um homem gentil, carinhoso e que as trate bem. Ainda assim, é muito comum testemunhar casos onde mulheres lutam por seus relacionamentos mesmo quando seus parceiros não atendem as suas expectativas, justificando os erros deles quando estes as decepcionam e se mostram muito distantes da imagem que elas projetaram.
Parece muito mais fácil para o homem descartar aquilo que não o agrada.
A representação da pureza através dos figurinos na arte.
A semiótica estuda os signos, que são símbolos utilizados para transmitir determinada ideia ao espectador explorando a linguagem audiovisual e a comunicação.
Nas produções artísticas, as roupas são de grande importância para estabelecer um tipo de comunicação não verbal, uma vez que os uso de cores, tecidos e acessórios permitem uma leitura sobre as emoções e características dos personagens.
As virgens suicidas - Filme dirigido por Sofia Coppola, 1999.
Em As virgens suicidas, a história é narrada por um grupo de meninos que se veem fascinados pelas cinco irmãs Lisbon e o mistério que envolve suas mortes. O distanciamento das irmãs em relação ao resto do mundo é justamente o que as tornam tão atraentes.
No momento em que Trip Fountain, o galã do colégio, consegue se deitar com Lux e consequentemente percebe que ela não é um ser intocável mas sim uma garota comum, ele a abandona. “Naquela noite eu voltei a pé para casa. Nem quis saber como ela ia voltar. Simplesmente fui embora. É estranho. Quer dizer, eu gostava dela. Gostava mesmo. Só que naquela hora fiquei com nojo.”
Essa misticidade em torno das irmãs Lisbon pode ser percebida através dos figurinos compostos por vestidos românticos brancos e a forte presença das cores pastéis e flores estampadas em suas roupas delicadas.
Ophelia - pintura por John Everett Millais, 1851-1852.
A pintura retrata a jovem Ofélia, personagem da peça shakespeariana “Hamlet”, que, após enlouquecer, acaba com a própria vida afogando-se num lago.
O vestido todo floral em bordados de prata de Ofélia em combinação com as flores pintadas sobre ele trazem uma ideia de amor, pureza, inocência e a morte, que seria representada pelas papoulas.
O balanço - por Jean-Honoré Fragonard, 1767.
No centro do quadro está um jovem garota que se balança descontraída e joga o sapato (como um símbolo de sensualidade) em direção ao amante que está de olho em suas pernas descobertas. Em uma atmosfera lúdica, o movimento do seu vestido volumoso de cor pastel com os seus babados e amarrações serve para trazer suavidade para a cena, carregando um certo “pudor” que diminuí o seu o cunho sexual e evidenciando uma mistura característica do rococó: a inocência e o erotismo.
O pesadelo” John William Waterhouse, 1781.
No quadro, uma mulher dorme enquanto é assediada por uma criatura em forma masculina que, segundo as lendas, causava terríveis pesadelos enquanto se aproveitava das mulheres durante a noite, as deixando sufocadas. No quadro sombrio e de caráter fantasioso, o ambiente escuro e perturbador entra em contraste com as vestes brancas, leves e esvoaçantes que envolvem o corpo contorcido da jovem. O branco ressalta a juventude, a integridade e a pureza de sentimentos da mulher que, vulnerável, não está segura nem mesmo no onírico.