Cruzando a água
de Sylvia Plath tradução de Mariana Lima
Um lago negro, um barco negro, duas figuras negras. Para onde vão as árvores negras que bebem daqui? Suas sombras devem cobrir até o Canadá.
Um fio de luz passa por entre as flores na água. Suas folhas não querem que tenhamos pressa: Elas são redondas e chatas e cheias de conselhos sombrios.
Mundos frios se agitam pelo remo. O espírito da escuridão está dentro de nós, dentro dos peixes. Um galho levanta uma mão pálida, em despedida;
As estrelas se abrem entre os lírios. Tais sereias inexpressivas não te cegam? Este é o silêncio das almas assombradas.















