
tannertan36
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@c-allmemaybe
E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora. Doeu um, dois dias. No terceiro, a melhor coisa do mundo virou a melhorzinha. Que virou a décima melhor. Que virou nada.
Tati Bernardi. (via inverbos)
s h a n
KSUBIED -
E sussurrei baixo pedindo a Deus: cuida bem dela, por favor.
K. Shibahara. (via pronuncio)
Ficamos tão distraídos com a forma das coisas terminarem, que nos esquecemos de como foi bonito o começo.
“Cuida bem dela, cara. Cuida, porque eu faria tudo para tê-la ao meu lado agora. Cuida, porque eu passei meses e meses pensando naquele sorrisinho tímido que ela dava quando eu a olhava nos olhos. Cuida, porque a cada minuto ao lado dela, eu me sentia uma pessoa melhor. Cuida, porque ela é especial, e repita que a ama todos os dias da sua vida, os olhos dela vão brilhar e ficar bem pequenininhos, e… cara, isso é uma das coisas que eu queria poder ver a minha vida toda. Cuida, porque por mais que ela te chame de idiota, babaca ou coisas do tipo, ela é só uma pequena menina que precisa que você esteja lá, mesmo nas horas ruins. Cuida, porque ela fica linda até com aquela carinha de sono pela manhã. Cuida, porque por mais mais defeitos que você tenha, ela vai te elogiar e te tratar como se você fosse o cara mais incrível do mundo. Cuida, cara. Porque, infelizmente, ela nunca quis que eu cuidasse dela.”
Junior Lima. (via inverbos)
Ela deve estar agora com um punhado de amigas, num bar, se enchendo de álcool doce e dizendo que sou o desastre ambiental que matou todos os peixes do oceano. Que se dane. Mas há pouco achei aquele velho shortinho de brim que ficou órfão na minha gaveta de cuecas para sair. E aí tudo veio à superfície respirar desesperadamente e reanimar as memórias que estavam quase sem oxigênio. Eu amava esse short de brim curto e com uma cascata de farrapinhos se derramando por suas coxas franzinas, e a jaqueta de couro preto por cima de tudo. Atiro a peça no chão e me sinto melhor, com a pouco duradoura impressão de que ela está aqui comigo, fazendo bagunça no banheiro ou escutando baladinhas de surfista no meu computador. É nesse momento que eu crio coragem. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Ela não atende. Eu ligo. Está fora de área. Eu ligo. Está desligado. Eu ligo. Está fora de área ou desligado. Eu ligo. Deixo uma mensagem de voz. Eu ligo. Ela atende. Eu quase choro de gratidão do meu lado da linha. Ela gentilmente sugere que eu morra. Em seguida bate a ligação na minha cara. O aparelho se multiplica em destroços ao esbarrar na parede fria. Eu pranteio feito um palerma, lágrimas idiotas me escorrem sem autorização, eu choro pelo aparelho, pela parede, pela fome na África, pelos buracos na calçada, pela propaganda partidária na TV, pela minha mãe, por causa de uma garota, porque tem dias que eu me sinto mais sozinho que o usual, por tudo.
Gabito Nunes. (via inverbos)
Dizem que, não importa qual seja a verdade, as pessoas veem o que querem ver. Algumas pessoas podem dar um passo para trás e descobrirem que estavam olhando para a mesma cena por todo o tempo. Algumas pessoas podem ver que suas mentiras quase acabaram com elas. Algumas pessoas podem ver o que estava na sua frente o tempo todo. E ainda há aquelas pessoas que correm o máximo que podem para não terem que olhar para si mesmas.
Gossip Girl. (via pronuncio)