♡ / 𝐠𝐞𝐭 𝐨𝐮𝐭 𝐨𝐟 𝐦𝐲 𝐰𝐚𝐲!
Andrew já tinha começado o dia totalmente com o pé esquerdo — parecia que absolutamente tudo estava dando errado. Logo de manhã ele acordou quase uma hora depois do alarme, tendo que sair de casa correndo, com o uniforme completamente abarrotado e pior, sem tomar o seu precioso café da manhã. A expressão de puro descontentamento era clara na face do garoto quando o mesmo chegou até a escola, tendo que ouvir risadinhas das garotas e piadas dos amigos por conta do seu cabelo estar completamente desarrumado; algo que ele não tinha reparado até aquele momento. “Yah, yah, yah, já entendi!”, bufou completamente descontente, tentando arrumar as madeixas do melhor jeito que podia. E, assim que o professor de biologia entrou na sala de aula, ele sabia que o dia só iria piorar: prova surpresa. Abaixou a cabeça na mesa, o barulho fazendo alguns dos colegas rirem.
“Esse dia não pode piorar…”, resmungou enquanto almoçava com alguns amigos no terraço da escola — com certeza não tiraria uma nota boa o suficiente, nem para os pais, nem para o treinador. Meu Deus, o que ele diria para o treinador?, lamentou-se em pensamento, enquanto colocava uma grande porção de kimchi na boca. Talvez arranjar um tutor de biologia fosse uma boa ideia, visto que já tinha um tempo que ele não conseguia entender quase nada do que o professor dizia — suas notas sempre no limite entre boas e ruins, o suficiente para continuar no time e não ouvir sermões dos pais; e tudo isso porque ele sempre estudava o conteúdo todo no último segundo possível. Damn. Mas tudo melhoraria no final do dia, certo? Hoje era dia de treino, então se ele pudesse aguentar só mais um pouquinho, tudo valeria a pena. Ou pelo menos, era o que ele esperava.
Não fazia muito tempo desde que tinha chegado no rinque com os outros membros do time, todos claramente ansiosos pelo treino e Andrew mais ainda — ele precisava desesperadamente espairecer e esquecer esse dia horrível. Ainda estava com o uniforme do colégio, já desabotoava a camisa quando avistou uma figura desconhecida no gelo. Apertou os olhos, incrédulo; ninguém deveria estar por ali naquele horário, visto que era exclusivo para o time de hóquei da sua escola — revirou os olhos, ninguém deveria estar ali, muito menos alguém da patinação. Nada contra, mas… também nada a favor. Todas as experiências de Andrew com patinadores artísticos sempre foram horríveis; desde garotas esnobes com o nariz empinado, até caras babacas que simplesmente fingiam que as pessoas ao seu redor não existiam.
“Yo!”, tentou chamar a atenção do outro e, por terem poucas pessoas no local, — o resto do time ainda estava entrando — sua voz estava ainda mais amplificada pelas arquibancadas vazias. “O rinque ‘tá reservado pro time de hóquei!”, alertou, apontando para o menino no gelo com o taco em sua mão, a expressão em seu rosto continuava neutra, por mais que ele estivesse visivelmente irritado; não tinha a mínima intenção de parecer simpático, apesar de tentar manter o mínimo de educação com um ugh… patinador — ele só queria esquecer tudo de ruim que tinha acontecido naquele dia e as poucas horas de treino eram tudo que ele teria para poder se distrair, mas, dentro de si ele já sabia que o dia acabaria por ficar ainda mais complicado.
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ele estava em casa. era assim que jongin pensava toda vez que estava no gelo. o único lugar de todos que o fazia se sentir livre, apesar de toda pressão que vinha com a patinação. pressão que tinha ficado acima do limite e o que tinha feito ele parar ali, naquela cidade que ele nem sequer conseguia lembrar o nome. com a temporada terminada e um leve incômodo no tornozelo, jongin foi mandado ali para conhecer um possível novo patrocinador, já que o anterior tinha abandonado o barco quando ele não ganhou o nacional. as olimpíadas eram apenas um sonho naquele ano. mas haveria a próxima e ele precisava se preparar. e isso significava fazer o que seu treinador queria. 6 meses numa cidade pequena para poder convencer o novo patrocinador e, enquanto isso, frequentar a escola local para não ficar tão atrás nos estudos. para alguém que tnha viajado bastante, jongin havia se impressionado com o ringue daquela cidade, até que lhe falaram que era daquele tamanho por causa do hóquei. sua careta foi tão perceptível que seu treinador, sr. lee, o cutucou com o cotovelo e ele revirou os olhos. não poderia passar 12 horas seguidas no ringue como havia predito, já que teria que dividi-lo. não era de um todo mal já que eles haviam conseguido um cronograma antes e depois dos treinos do time de hóquei, então ele não iria reclamar.
quando estava em movimento, jongin não precisava de música para se perder da realidade, ele não precisava da nada que o interrompesse na contagem de saltos e passos que ele tinha que fazer. sua mente fazia por si só o trabalho de recontagem, descrição e música de fundo, tudo durante suas rotinas. jongin era seu melhor crítico e ele não permitia erros. quando começou a patinar, toda queda era repetida até que ele acertasse o salto, não importa se caísse mais de vinte vezes e voltasse para casa com o corpo todo cheio de hematomas. se não conseguisse num dia só, ele não serviria para nada. com o tempo, o perfeccionismo o prejudicou a ponto de deixá-lo de fora de uma temporada, mas depois de alguma terapia onde ele não exatamente melhorou, mas aprendeu a esconder melhor, jongin voltou ao ringue e acalmou o treinador e os pais. nada fácil para um garoto de jeju, mas pelo menos ele estava fazendo algo que gostava. devido a nunca realmente ligar para escolas ou qualquer outra coisa fora da patinação, a ausência de amigos era outra coisa que preocupava os adultos que o rodeavam. seu treinador disse que os meses ali eram para relaxar, aproveitar a escola e ver a patinação como um hobbie, não como um modo de vida.... como se ele pudesse pensar dessa forma.
então aproveitou o dia seguinte ao chegar ali, chegou cedo já que usou a desculpa de jetlag para não ter que ir para a escola, mas fugiu assim que seu treinador disse que iria dormir mais um pouco. tinha as chaves do ringue e seu par de skates e não demorou muito até voltar novamente a sentir o vento no rosto ao estar em movimento. nas raras ocasiões em que falava honestamente sobre o que a patinação significa para ele, jongin recebia olhares preocupados e até temerosos, mas ninguém entendia quando ele dizia que patinar era como uma droga e quanto mais tempo ele ficava fora do gelo, mais seu corpo pedia por aquilo. e aquela era a melhor explicação. ainda não tinha aperfeiçoado seu triple axel, o pivô de agora estar sentindo um desconforto em seu tornozelo desde a primeira e única vez que arriscou o salto, então ele sabia no que tinha que trabalhar naquele dia. mas havia esquecido, é claro, que aquele ringue não era só seu, como o da cidade onde passava maior parte do ano geralmente era. então quando ouviu uma voz que claramente não estava ali antes, jongin parou bruscamente e se virou na direção do som, com um vinco entre as sobrancelhas. já era tão tarde assim? patinou até a porta do ringue, ainda com o cenho franzido enquanto olhava o relógio. oito horas haviam se passado e ele não notou. estava um pouco sem ar quando se viu na frente do garoto que havia se pronunciado. “não percebi que já era tão tarde, desculpe.” murmurou enquanto colocava a proteção das lâminas e se sentou no banco mais próximo da arquibancada.


















